quinta-feira, 20 de dezembro de 2018

Evento da Assembleia de Deus na Arena com o Carranca Live - O Inferno de Dante!


Olá pessoal.
Fui na confraternização do Estúdio Carranca/Onomatopeia nesta segunda.
São dois estúdios no mesmo lugar. O Carranca responde pelas gravações de CD/DVD de bandas, projetos de eventos ao vivo, e o Onomatopeia fica com a parte publicitária, produzindo jingles e trilhas para comerciais de rádio e TV.
Fiz tantos trabalhos para a empresa ultimamente, que me chamaram para a confraternização.
E este trabalho na Arena de Pernambuco foi mais um que eu fiz pelo estúdio, que passa a ser chamado de Carranca Live em eventos como este.
Tenho até a senha ainda do portão eletrônico do estúdio.
Não bloquearam ainda, pois testei um dia desses.
Pois bem... Durante o bate-papo descontraído na "confra", onde na maioria das vezes o assunto era som, Carlinhos Borges (Kborges), um dos sócios do estúdio me falou:
--- Má rapá (Mas rapaz)... Tu não escreveu para teu Blog sobre o nosso trabalho na Arena de Pernambuco da Assembleia de Deus? A principal razão da gente ter te chamado foi exatamente para isso!

Brincadeiras à parte, analisando friamente, foi bem assim mesmo.
Fui mais um assistente de Vinícius (Vini), que criou o projeto de monitoração, do que qualquer outra coisa.
Como falei em texto anterior, tinha até comentado que já tinha o título do texto na cabeça para este trabalho, que eu "roubei" de Carlos (Financeiro do Carranca), só faltava a coragem chegar para eu escrever.
Avisei que iria usar a ideia dele.
Por que Inferno de Dante?
Gosto destas brincadeiras aqui.. Na leitura do título, ninguém vai entender.
Só depois de ler o texto todo, ou quase todo, entendem qual o sentido de alguns títulos, sem sentido à primeira vista.
E depois da "brincadeira" de Kborges na confraternização, vou tentar escrever este texto até o final, pois só disse que iria tirar férias em janeiro de 2019. Ainda posso escrever sobre outros trabalhos que vieram depois deste, mas não garanto.
O evento na Arena de Pernambuco foi bem grande.
Só de público, foi mais de 60 mil pessoas!
Só no local, foi uma semana de preparação das mesas, para apenas um dia de evento.
Ajustando as mesas, alguns dias antes do evento.
Mas esta preparação começou muito antes, na elaboração do projeto de sonorização, monitoração, gravação e transmissão!!!!
Isso mesmo. Teve o som do PA para a grande plateia, o som do monitor para os músicos, cantores e oradores, o áudio para a gravação multipista, que serviria também para a mixagem usada na transmissão para a internet.
Para gerenciar todos os canais, várias mesas de som foram utilizadas.
Duas PM5D da Yamaha, e cada uma com o DSP5D acoplado. Fora isso, mais uma X32 e duas X32Core da Behringer. E para completar o time, mais duas mesas Yamaha CL5.
Uma PM com DSP mixou 96 canais da orquestra, a outra PM com DSP ficou responsável por 90 canais do coral.
Na X32 entrava 15 canais via AES50, sendo 11 de microfones sem fio, mais 4 canais para o áudio de um laptop e do vídeo.
Estes canais na X32 eram gerenciados pelo operador de áudio da Assembleia de Deus.
Somando... 96+90+15=201.
Duzentos e um canais!!
Com Gera e Vini, dando uma olhada na PM5D.
Deu até saudade dos 6 canais do show acústico de Alceu Valença! (risos)
Uma CL ficou no monitor e outra CL ficou para gravação/transmissão.
Mas cada CL só "aguentava" 64 canais. E eram 201!!!!
Ou seja... Foi preciso fazer "reduções" para poder os 201 canais entrarem nas CL5.
Como reduções?
Simples (teoricamente).
Da house mix, Kborges que mixou a orquestra, e Gera que mixou o coral, em vez de mandar todos os canais separados, o que não daria pra fazer com o equipamento disponibilizado (ou o que foi possível com o orçamento), tiveram que enviar via auxiliar, várias "submixagens".
Uma mixagem estéreo (pós fader) com todos os canais da percussão, outra mixagem em estéreo com todos os violinos, e assim por diante. Reduziram aonde podiam reduzir.
Se a percussão tinha 12 canais, viraram 2 para o monitor e para a gravação/transmissão.
Ou seja...
Transformaram os 201 canais em 64, sempre usando as submixagens.   
 
Vista da House Mix.

Qual o problema maior nestas reduções?
No monitor, se o percussionista solicitasse um aumento de volume de uma determinada peça do setup dele, não poderia ser feito, pois o que estava na mesa de monitor não eram os canais separados da percussão, e sim um conjunto mixado em apenas dois canais.
O mesmo aconteceu na gravação e transmissão. Na hora, Júnior Evangelista (Júnior), que ficou responsável pela gravação e mixagem para a transmissão, não poderia aumentar ou baixar uma determinada peça que estava vindo por uma submixagem, como foi o caso da percussão.
Até poderia ser feito... Era só pedir para Kborges aumentar o volume individual deste canal no AUX SEND, mas isso só iria piorar as coisas, tanto para a monitoração, quanto para a gravação/transmissão.
Nem sei se Vini ou Júnior pediram isso alguma vez naquele dia...
Para o PA não iria alterar em nada esta "mexida" no auxiliar.
Vou fazer um resumo do que foi usado na monitoração. O texto já está ficando bastante longo, pra variar, mas não teria como resumir mais, pois nem no DANTE do título eu entrei ainda.
Vini foi quem elaborou o plano de monitoração. Já cheguei com o "bonde andando".
Todas as 32 saídas da mesa CL5 de monitor foram usadas.
Para a banda (bateria, baixo, guitarra/violão e teclados) foram 4 vias de fones. Só na percussão eram 2 vias com caixas SM400.
Não lembro da maioria das referências dos monitores, ok? Nem Vinícius lembra também.

Continuando... 
Mais 2 vias para o side EAW (estéreo), mais 1 via para o maestro com duas caixas Clair Brothers, mais 1 via com duas caixas JBL para o pastor e oradores, que muitas vezes cantavam também, mais 4 vias com caixas SM400 para os cantores principais que ficavam na primeira fileira do grande coral formado por 2.300 vozes que ficaram nas arquibancadas atrás do palco. Destas vozes, 64 tinham microfones individuais.
Mais 1 via para várias caixas amplificadas que foram espalhadas no meio deste coral, levando a mixagem da banda e orquestra.
Ainda tinha 1 via com uma caixa SM400 para os solistas da orquestra no palco.
Até aqui 16 vias... As outras 16 saídas da mesa alimentaram as várias caixas CBT da JBL espalhadas nas laterais da orquestra. Era muita gente no palco!!!
Achei que num local menor e fechado, estas caixas CBT renderiam melhor. O palco era muito grande e totalmente aberto, dificultando o serviço das "caixinhas", que trabalharam um pouco além do limite delas.
Caixa CBT da JBL.

Mas a intenção de Vini foi boa.
Nem sei o que eu faria com apenas 32 saídas.
Poderia até falar sobre a monitoração "pós fader" que Vini costuma usar nos seus trabalhos, mas vou deixar para uma outra ocasião, com um texto específico sobre o tema.
Enquanto Vini ficava na lateral do palco com um iPad atendendo as solicitações dos músicos, eu fiquei na mesa de monitor, basicamente com a via principal do pastor em SOLO, e ajustava o volume dos oradores e cantores à medida que iam mudando. Nesta via já ia uma mixagem da banda e orquestra.
Os mesmos canais que chegavam na mesa de monitor, chegavam na mesa de gravação/transmissão, que ficava numa sala dentro da Arena, distante uns 100 metros.
Estes canais eram "splitados" (divididos) para dois laptops que gravavam simultaneamente.
Agora vou começar a falar sobre o título do texto que tá lá em cima.
A comunicação (interligação/conexão) entre as mesas que estavam na house mix com a mesa de monitor e a mesa da gravação/transmissão, e desta  última para os dois laptops que iriam gravar, tudo isso foi feito através de cabos de rede, usando um protocolo chamado DANTE. 
O que o filme O Inferno de Dante tem a ver com este trabalho?
Nada. Ou quase nada.
Filme O Inferno de Dante.
O Inferno de Dante que eu conheço é um filme antigo que fala de uma cidade (Dante) que tem um vulcão prestes a entrar em erupção.
Não é um filme calmo, muito pelo contrário.
Muita correria, fogo, tensão...
Aí é que entra a ligação com este trabalho na Arena.
Kborges quebrou direitinho a cabeça para fazer estas conexões via DANTE, pois nem todas as mesas usavam o mesmo protocolo. Teve dia em que ele saiu com o semblante completamente desgastado, de tanto projetar os caminhos dos áudios.
As mesas da Behringer usam o protocolo AES50, por exemplo. Mas tem como você comprar um "card" DANTE para estas mesas.
As duas X32Core estavam com estes cards.
A PM5D, por ser uma mesa muito antiga, não vem com saída DANTE, mas as mesas mais recentes da Yamaha já saem de fábrica com o DANTE, como é o caso da CL3 ou CL5.
Até saídas ADAT foram usadas nas ligações.
Eita! E como pode misturar todo tipo de protocolo?
Não pode. Um não entende o outro.

Para "salvar a pátria" e Kborges, entra em ação um equipamento muito interessante, que eu até já falei aqui em texto anterior.
O Multiverter! Da Appsys.

Impressionante o que o danado faz.
Como o nome já insinua, ele é um conversor. Um multi conversor!
Você pode entrar MADI, ou AES50, ou ADAT, e sair DANTE.

Ou o contrário. Entrar DANTE e sair AES50 ou ADAT...
Foi ele quem fez toda a comunicação e a conversão digital entre as mesas!
Foram eles!!! Dois Multiverter foram usados.
Mas quem gerenciou os dois foi Kborges.
Ele falou que até quando estava caminhando com Mutreta, seu cachorrinho de estimação, ficava imaginando os caminhos dos sinais de áudio!
Nem perguntei como ele estava fazendo esta ligação dos dois aparelhos. Ele já estava bem ocupado calculando os caminhos.
Dei só uma ajuda na configuração da PM5D, e fiquei conferindo os caminhos de alguns sinais, enquanto ele me perguntava enquanto "conversava" com o Multiverter.
Inclusive, ele conhece o cara que inventou o equipamento.
Fala diretamente com ele.
Ainda tem o gerenciamento do "clock", que se não for bem resolvido, acaba com qualquer ligação digital.
Mas aí é assunto para um outro texto!!!
Com certeza, se todas as mesas fossem CL5, que usam DANTE, tudo seria bem mais calmo.
Nem falei muito sobre Júnior com os dois laptops MacBook Pro da Apple, gravando os 64 canais via DANTE simultaneamente.
Lembro que ele falou que não teve nenhum problema com a gravação, e nem com a mixagem para a internet, e que comeu mais biscoitos de coco do que trabalhou.
E nem falei também que além das torres do PA, várias outras torres foram usadas para fazer a cobertura sonora para a grande plateia. Gera cuidou disso, com a ajuda de Ricardo Cruz.
O foco do texto hoje era o tal do DANTE.
E qualquer dúvida, deixe nos comentários que peço para Kborges responder!!!!! (risos)
Ahhh...
A empresa de som responsável pelo fornecimento da grande maioria dos equipamentos foi a Luminário, que é daqui de Recife. 
O Carranca levou umas coisinhas, mas o resto foi a Luminário quem forneceu.

No final das contas, e de alguns (muitos!) fios de cabelo que Kborges com certeza deixou ali naquele local, ou que se não caíram, ficaram brancos, os canais de áudio chegaram nos locais que deveriam chegar.
Como todo mundo no estúdio ficou sabendo desta correria atrás dos caminhos dos sinais de áudio via DANTE, o nosso amigo Carlos saiu com esta pérola alguns dias depois do evento lá no Estúdio Carranca:
--- Eu soube do inferno lá na Arena com a quantidade de canais e os endereçamentos. O Inferno de Dante, né???!!! (todos riram)
Um abraço a todos.

sábado, 15 de dezembro de 2018

Parar não. Só férias.

SESI Bonecos do Mundo 2018 - Fortaleza (CE). Foto by Beto Figueiroa.
Olá pessoal.
Do Facebook saio na próxima segunda-feira, dia 17.
E aqui também, estava pensando em parar de escrever, depois de 10 anos sem interrupção.
Mas depois de uma mensagem de João Dias vindo de Portugal, mudei de ideia.
A mensagem está na postagem onde comento sobre os 10 anos de Blog.
Vou colar aqui.

(abre aspas)
João Dias disse...

    Titio, não pense em se aposentar. Descobri seu blog por acaso e desde então fiquei fã. Sou português e estou escrevendo desde Portugal, como está vendo as sua escrita chega longe. Estou ligado ao meio musical primeiro como músico e agora técnico de som como hoby. A partilha da sua experiência tem-me ajudado logo não pode parar.
    Abraço
    João Dias
    Avô - Portugal

    13 de dezembro de 2018 06:41
(fecha aspas)

Obrigado João.
Não vou parar, vou só tirar umas férias.
Você ajudou muito para eu decidir isso.
E já com a decisão tomada por causa de João, vejo hoje uma foto do SESI Bonecos deste ano no Facebook.
É a foto que coloquei aqui no começo deste texto.
Foto tirada no Dragão do Mar em Fortaleza por Beto Figueiroa.
Olhando todo este povo prestando atenção no que estava acontecendo no palco, e sabendo que meu trabalho na "casinha de controle do som" estava contribuindo para o entendimento do espetáculo, vi que eu não estava errado em decidir por não parar de escrever.
Vai ter sempre algo legal para passar para outras pessoas nestes meus trabalhos.
E sempre estarei aprendendo, e por isso sempre vou ter o que ensinar.
Vou ver se consigo ainda escrever algo este mês sobre algum trabalho que já fiz, mas se não conseguir, dou uma parada em Janeiro.
Estou pensando em 6 meses. Nada mal para quem escreveu durante 10 anos, não acham?
Um abraço a todos.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2018

Ferramentas que podem ajudar - Rádios comunicadores.

Olá pessoal.
Já tinha passado por dificuldades em muitos trabalhos que fiz porque não tinha como me comunicar, ou com meu amigo do PA durante o soundcheck ou durante o show, ou com alguém que estava no palco, pois nem energia tinha ainda no evento, pois estávamos ainda na montagem.
A última dificuldade foi agora no trabalho de monitor que fiz na Cantata da Caixa.
A banda e a mesa de monitor ficaram embaixo de um prédio de 3 andares, e os convidados se apresentaram num janelão que ficava num destes andares.
Os in-ears ficaram lá em cima, como também um amigo meu mixando o coral.
E o rádio fez uma falta absurda!
Depois de muito insistir, me conseguiram dois rádios.
Eu já tinha pensado em comprar rádios para usar nos meus trabalhos, e não ficar dependendo de produções.
E recentemente num dos meus grupos de áudio, levantaram este tema.
Por incrível que pareça, fiz muitos shows ou eventos onde não existia um intercomunicador entre a mesa de PA e monitor.
E em alguns casos, como no SESI Bonecos, o rádio (walk-talk) é muito mais útil do que o intercom que fica fixo na mesa de monitor.
Falo como meu colega de profissão em qualquer lugar do palco, ou em qualquer lugar do evento!
No SESI Bonecos peço para NÃO ligar o intercom. Uso os rádios da empresa de som.
Nas conversas no grupo de áudio, indicaram um kit com 4 rádios, por um preço muito bom, para não dizer espetacular.
Quatro rádios por 200 reais?
E presta? Pensei.
Lógico que não é um Motorola, líder nestes eventos que participo.
Mas muitos colegas no grupo falaram que resolve o problema.
Condenaram o sistema de fone que vem no kit, falando que era muito ruim a qualidade do som, mas afirmaram que o alcance e a inteligibilidade eram mais que satisfatórios, principalmente por causa do preço!
Comprei.
BAOFENG BF-777S.
Com o frete, paguei um pouco mais de 200 reais.
Comprei pelo site da Americanas, mas este kit é facilmente encontrado no Mercado Livre.
Clique na imagem para ampliar.

Clique AQUI para ir no site da Americanas.
Lembrando que você encontra estes rádios em muitos lugares na internet.
Fiz alguns testes aqui em casa, falta só levar para os shows, onde eu vou ter a certeza que a inteligibilidade é satisfatória.
Deixei um rádio aqui no apartamento e fui andar para testar o alcance.
Andei uns 500 metros falando com minha irmã perfeitamente. Pra mim já valeu.
No grupo de áudio, teve colega falando que num ambiente com obstáculos, ele chega a funcionar num raio de 1Km.
Em locais abertos, vai muito mais longe.
Só para esclarecer, o rádio que deixei com minha irmã ficou no terceiro andar, o que ajuda numa trasmissão/recepção.
Neste primeiro contato, posso adiantar algumas observações.
Prós:
1-O preço absurdamente baixo. 2-O aparelho é bem pequeno e leve. 3-Tem 16 canais. 4-O alcance já achei bom. 5-Ao mudar de canal, uma voz robotizada informa em inglês o número do canal.
Contras:
1-Deixei dois rádios ligados aqui na minha sala, e de vez em quando entrou interferência de outros rádios. Não foram constantes, e com 16 canais fica fácil eliminar as interferências. 2-Não sei se aguenta quedas. 3-O sistema de fone é ruim, segundo os colegas do grupo. Não testei, pois não uso fones nos meus trabalhos.
Uma coisa eu tenho certeza, pelo que pude ver até agora.
Pior do que usar eles, é não ter o que usar!!!!
No mínimo, 2 vão andar na minha mochila.
Se não prestarem para o serviço, aviso aqui.
Um abraço a todos.