segunda-feira, 8 de junho de 2026

PA de dois shows de Flaira Ferro - Também é mais prazeroso do que o cachê.

 
Olá pessoal.
Dia 3 de junho segui para São Paulo para operar o som do PA de dois shows de Flaira Ferro em São Paulo.
Os dois no SESC.
SESC 24 de Maio (24M) e SESC Ribeirão Preto (RP).
Nunca tinha ido nesses SESCs.
Fui a vários e falei muito aqui sobre eles, no bom atendimento, no material bom, equipe atenciosa etc etc etc etc...
Não lembro de “perrengues” que passei nesses SESCs que ficam na cidade de São Paulo.
E isso já me deixou animado.
Ribeirão Preto foi o primeiro SESC em outra cidade de SP, pelo que me recordo.
Os shows aconteceram nos dias 4 e 05/06, ou seja... Semana passada.
Ainda deu tempo para fazer uma farrinha depois do último show numa choperia famosa pelo filé à parmegiana em Ribeirão Preto.
Logicamente bebi meu vinho, e o parmegiana decepcionou, e muito!!!!
Cheguei em casa no sábado, um pouco amassado, mas bem feliz.
Não custa nada falar novamente, que o show começa bem antes do dia marcado.
Acho que foram duas semanas acertando os detalhes dos shows com a produção dos SESCs.
E tudo por email, o que fica mais complicado.
É um email em cima do outro, e é fácil deixar de ver algo.
Eu até entendo a razão para ser por email, pra ficar tudo registrado, e esses registros vão para todos que receberam esses emails... Desde que você responda “a todos”, né?
Acho que isso pode ser feito com mais clareza num grupo de WhatsApp, mas eles não aceitam esse método.
Fica tudo mais simples, como mandar uma foto do equipamento para que todos vejam.
Fazer o que, não é?
Acho que por email fica bem mais cansativo o diálogo.
Se fosse pelo WhatsApp, acredito que não teria acontecido o mal entendido em RP.
Chegamos ao local e tinha um Timbales no lugar do Timbal.
Os nomes são até parecidos, mas os instrumentos não!
Mas o probleminha foi resolvido.
Vou fazer um resumo dos dois shows.

SESC 24 de Maio.
Quando cheguei ao teatro do SESC 24M, tudo estava absurdamente no lugar.
Parece até que usaram uma fita métrica na arrumação.
Lembrei na hora de um comentário de Silvério Pessoa, artista daqui de Recife e que eu acompanhei por oito anos ininterruptos... Ele foi para o Japão uma vez e me falou: --- Titio, os técnicos anotavam tudo num caderninho, até a altura dos pedestais!!!!
No SESC 24M estava nesse nível.
Teve até outra curiosidade...
Quando vi o Rider Técnico desse SESC, notei que eles tinham microfones sensacionais, como o MD421 da Sennheiser, e o famoso AKG 414.
Passei anos gravando jingles com esse 414 e tenho um carinho muito grande por ele, porque serve para gravar praticamente tudo!
Pois bem... Eles tinham quatro AKG 414!!!
Aí falei pelo WhatsApp (consegui esse contato direto) para o diretor do audiovisual Cláudio Ribeiro que no meu rider eu colocava microfones comuns, para facilitar o atendimento, mas que eu iria usar vários microfones e DIs (Direct Box) da lista que ele me passou.
Mas ele me falou que eu teria que colocar isso no rider de Flaira Ferro, porque não era certeza que seria ele que iria separar os equipamentos (mics e DIs) para o show.
Achei meio exagerado, e falei que deixaria então do jeito que estava, e ele poderia montar com as informações do rider que eu passei para ele.
Eu estava bebendo meu vinho assistindo filme na Netflix, já era noite.
Não queria parar com o vinho para editar mais uma vez o rider técnico de Flaira Ferro, que vai servir (ia, depois do que aconteceu em Ribeirão Preto) para todo ano de 2026.
O profissionalismo falou mais alto do que o prazer, e resolvi mudar as informações dos microfones e DIs e mandar só esse rider para ele, com o nome do SESC 24 de Maio, como mostro na foto abaixo.

Clique na imagem para ampliar.

Avisei isso pelo WhatsApp, e fui editar o rider no meu programa Ridermaker, o que torna tudo mais simples e descomplicado.
Cada dia fico mais satisfeito com essa ferramenta para montar meus riders técnicos.
Vou até mandar outra sugestão para a equipe que faz os ajustes no programa, de uma coisa que senti falta nesse último trabalho.
Tenho quase certeza absoluta que vão incorporar mais uma dica minha.
Sou até campeão de sugestões lá no Ridermaker, onde várias foram incorporadas ao programa.
Já dava para eu ser sócio, segundo meus amigos. (Risos)

Clique na imagem para ampliar.

Editei rapidamente as informações no rider, coloquei o nome do SESC 24M, e enviei para Cláudio, e pelo WhatsApp!!!!
Nem fui no email falar sobre isso.
Muito mais prático, como sempre achei.
Aí foi correr para o abraço.
Não falei uma palavra no dia sobre microfones ou DIs.
Eles estavam ligando tudo seguindo o novo documento que eu enviei, e Cláudio estava no palco.
Fui resolver as coisas na mesa do PA.
Sabia que seriam duas CL3 da Yamaha, compartilhando o mesmo ganho.
O monitor estava em boas mãos, com minha colega Lilla, técnica contratada pela nossa produção, seguindo dicas dos meus amigos que repassei para a produtora de Flaira.
Usamos indicações também para contratar o roadie Dennys e a iluminadora Maíra.
Passei minha cena para a CL3 da Yamaha e os técnicos do SESC ajustaram o patch de entrada e saída.
Lindo!!!

CL3 já com minha cena.
Coloquei Lisa Stansfield para tocar, ajustei a equalização (EQ) do PA ao meu gosto, depois liguei meu SM58 e fui fazer os ajustes finos nessa EQ, ajustando também os efeitos que eu iria usar.
Normalmente uso quatro efeitos: Room, Hall, Stage Hall e Delay.
Com tudo ajustado, fiquei aguardando o início do soundcheck.
Não tinha dúvidas que seria tranquilo esse soundcheck, e realmente foi!
A cantora passou tudo que queria passar, sem agonia.
Só aguardar pelo horário do show, que seria bem cedinho, e me assustou.
18h? Oxe. E vai dar gente tão cedo?
Eu esqueci que lá era feriado, e fiquei mais aliviado, mas ainda com a "pulga atrás da orelha".
Foi lotado!
E com um agravante... Não era grátis a entrada, era ingresso pago.
Isso deve ter proporcionado uma alegria enorme para a artista.
O trabalho não era meu e fiquei bem feliz ao ver isso, imagina Flaira?

Flaira Ferro - Soundcheck - SESC 24 de Maio.

Nem vou mais escrever sobre esse show, só falar que deu tudo absurdamente certo, e me diverti mais uma vez operando o som do PA.
Dava para notar a turma se divertindo também no palco, e isso contagia o público, como vão ver nos vídeos que devo colocar aqui para ilustrar o texto.
Para comemorar, deixamos as coisas no hotel e seguimos para uma pizzaria, onde logicamente pensei no meu velho vinho!
A farra foi tão boa quanto o show, mas não podíamos esticar porque seguiríamos de van às 8h da manhã para Ribeirão Preto.
Dormi bem feliz com o resultado sonoro do show.

Flaira Ferro - Showtime - SESC 24 de Maio.

Eu já sabia que a mesa de PA em Ribeirão Preto seria uma DiGiCo SD8, e no monitor também seria uma SD, só que SD12.
Tentei de todas as formas mudar essas mesas, principalmente a de monitor, pois não acho prática, principalmente porque não tenho muito contato com elas.
Fazendo monitor aqui na minha região, nunca me deparei com uma mesa da DiGiCo no palco.
No PA é bem comum aqui ter mesas DiGiCo, mas no monitor não.
As que eu vi nos palcos por onde passei, eram dos artistas, que levavam elas para todos os shows.
Não consegui mudar as mesas no SESC RP, então montei uma cena (sessão) no meu laptop usando o editor offline da mesa no hotel, quando cheguei em São Paulo no dia 03/06.

SESC Ribeirão Preto (Galpão) com a SD8 da DiGiCo.
Como não lembrava mais de vários detalhes desse serviço, fui na internet pegar as informações.
Depois de montar a sessão, enviei o arquivo para Rodrigo Maguila, técnico responsável pelo equipamento de som e luz que seria usado no evento.
O local não era muito bom para um show, um galpão sem tratamento acústico.
Um corredor longo com paredes vivas de tijolos.
Quando cheguei, minha cena já estava na mesa com o patch feito.
Maguila me falou que apareceu um probleminha na mesa, que nem lembro direito o que era, porque fui direto para o palco ver os detalhes.
Deixei-o na SD8 ajustando as coisas.
Em vez de 3 praticáveis para bateria e também 3 para percussão, só colocaram dois.
Ficou um pouco apertado principalmente para a percussão, onde não dava para colocar todos os pedestais em cima do praticável, mas nada que comprometesse o trabalho, principalmente porque tudo ficaria ligado e no mesmo lugar, nada seria desmontado.
O grande problema mesmo foi ter um Timbales no lugar do Timbal.
Mas a produção do SESC resolveu isso rapidamente.
Como também o banco da bateria, que por ser hidráulico, não estava aguentando e baixava sozinho com o peso do nosso baterista.
Conseguiram outro banco.
Vou mudar isso no rider, solicitar banco que não seja hidráulico, porque já apareceu esse problema em vários shows.

Flaira Ferro - Showtime - Galpão SESC Ribeirão Preto.

Maíra foi com a gente de van operar a luz desse segundo show em RP, e contratamos Ivan para operar o monitor e Kalango para ser o roadie, que moram na cidade.
Isso é bastante comum hoje em dia com artistas independentes.
O alarme do celular tocou aqui e eu nem sabia o que era.
Mais um comprimido para tomar.
Nem lembro se esse é para colesterol ou triglicerídeos.
A única taxa que está normal aqui é a do condomínio, que sempre pago no começo do mês.
O resto das taxas dos exames de sangue deu tudo fora do lugar, para cima.
E o coração deu até “meio” que normal.
Só falta fazer uma ultrassonografia dos vasos cervicais, para eu retornar ao cardiologista.
Retornei para a mesa de PA quando tudo já estava encaminhado no palco.
Maguila me falou que estava tudo ok, e que as saídas do meu L/R, Sub e Front estavam todas no lugar.
Show!
Valeu muito a pena montar a cena antecipadamente no quarto do hotel em São Paulo.
Fiz o mesmo ritual do show anterior, colocando Lisa para cantar, depois liguei meu microfone para fazer os ajustes finos com minha voz, ajustando também os efeitos.
Não levei muito tempo para fazer esse serviço, e voltei para o palco para ver se ajudava em alguma coisa.
Ainda não estava tudo ligado e testado, e foi aí que fui falar com Lucas Dan, que toca sanfona e shynts nesse show, e também é casado com Flaira Ferro.
Ele estava sentado no praticável da bateria aguardando, e eu falei: --- Tá vendo Dan, porque prefiro fazer o som do PA e não o de monitor? Já ajustei tudo para mim lá na frente, e aqui ainda estão ajustando as coisas.
Ele riu falando: --- É mesmo né Titio? (Risos)
Aguardei ligarem tudo e fui lá para frente começar o soundcheck.
Nesse show foi bem mais complicado ajustar o som, porque a acústica era complicada e ainda tinha um limite de 95,5 dB de volume sonoro na house mix.
Tinha um aviso igual a esse no show anterior, mas não apareceu ninguém para monitorar esse volume do som.
(Fui olhar em fotos do show anterior e vi o aviso na mesa de som, onde o limite é 95,7 dB. Deve ser esse mesmo valor em Ribeirão Preto. Suponho.)
O técnico de sonorização do SESC, Francisco Gaspar, chegou no primeiro contato na mesa de som falando sobre esse limite.
E tinha logicamente um decibelímetro na mão.
Já no soundcheck notei que seria bem complicado conseguir fica nesses 95,5 e fui falar com todos no palco sobre isso.
Francisco já estava lá falando sobre o assunto do decibelímetro.
Baixamos mais o volume do som no palco, e eu torci para dar certo.
Passamos o som dentro desse limite estabelecido pelo SESC, mas eu sei que treino é treino, e jogo é jogo.
Na hora do show, a turma no palco fica mais empolgada, o baterista e percussionista tocam mais forte seus instrumentos, e quando sobe o som dessas peças acústicas, tudo vai sendo modificado no palco com relação ao volume do som, e modificado para mais alto, não o contrário.

Flaira Ferro - Showtime - Galpão SESC Ribeirão Preto.

Logicamente passei desse limite durante o show, mas foi raro e por pouco tempo, e Francisco notou isso nas primeiras músicas, e nem o vi mais do meio do show até o final, que é onde tem as músicas mais pesadas.
Mas deu para controlar bem esse volume.
Nem olhei mais para o decibelímetro que Francisco deixou num case ao lado da mesa de som.
Não lembro se ainda estava ligado.
Só sei que deu tudo certo e ninguém apareceu do meu lado para pedir para baixar o som!
Foi lindo (de novo!).
Dei até uma “dançadazinha” em alguns momentos, que felizmente ninguém filmou.
Tou dançando muito fazendo o som do PA... Estranho.
Nem quando eu era DJ eu dançava!
Quando acabou o show, um idoso (da minha idade) veio apertar minha mão sem dar uma palavra, e eu retribuí o gesto, e agradeci por ele ter vindo.
Trabalho (bem) cumprido!
O segundo seguido!
Massa.
As poucas cadeiras que aparecem vazias nos vídeos de Ribeirão Preto, são das pessoas que não queriam ficar sentadas, e preferiram ficar nos corredores laterais, dançando!
Ahhhh!! Só apareceu um probleminha durante o show, e aconteceu antes da quinta música (eu acho).
Não sei exatamente o momento, só lembro que foi no começo.
O bumbo da bateria começou a distorcer, e foi preciso trocar o cabo no intervalo entre as músicas.
O público não deve ter nem notado isso.
No final do show, agradeci a Maguila pelo atendimento, e depois fui para o camarim beber água ou um suco de laranja de garrafinha, que já tinha conhecido depois do soundcheck, e sabia que era bem legal.

Flaira Ferro - Showtime - Galpão SESC Ribeirão Preto.

No camarim combinamos ir atrás de um filé a parmegiana, pois não queríamos mais saber de pizzas!
Logicamente, pizza ou parmegiana combinam com vinho, né? (Risos)
Mas se eu for falar aqui o que já “petisquei” enquanto bebia vinho tinto seco chileno, vocês vão me crucificar!
Atualmente, com a chegada dos famigerados “likes”, a palavra correta seria CANCELAR!
Mas nem ligo para essas crucificações ou cancelamentos.
Antes de viajar, no domingo, degustei meu vinho tinto chileno Foye com uma rabada e pirão.
Eu sei, eu sei... Vocês vão logo falar “Tá vendo? Por isso as taxas dele foram para o espaço”. (Risos)
Passei ainda no palco para agradecer a todos, inclusive nosso roadie Kalango e nosso técnico de monitor Ivan.
Agradeci ao pessoal que estava pelo teatro e pela empresa de som contratada para o evento.
Não sei se tem som fixo lá no Galpão do SESC RP para outras apresentações, só sei que para o show de Flaira Ferro, contrataram uma empresa de som, para poder atender nosso rider técnico.
Saímos todos felizes (pela segunda vez!).
Deixamos as coisas mais uma vez no hotel, e seguimos andando pelo centro de Ribeirão Preto, que era onde ficava a choperia do (fake) parmegiana, que alguém nos indicou.
Era bem perto, por isso a gente foi andando.
Realmente foi uma decepção grande o danado do filé a parmegiana, e muito caro!!!
Até a batata frita veio murcha e fria.
Existe não...
Mas estávamos tão afim de comemorar que isso ficou de lado.
Da esquerda para a direita: Eu, Islaine, Maíra, Max, Aishá, Dan e Miguel.

Aguardando o parmegiana. Ribeirão Preto.

E o vinho que eu escolhi "no chute" estava bem legal.
Um Grand Reserva do Chile.
Mas o vinho da pizzaria na comemoração anterior em São Paulo foi bem melhor, e bem mais caro.
Eu até pediria outra garrafa na choperia, mas ela tinha um horário de matinê para crianças e fechava meia-noite.
Numa sexta-feira?
Oxe, existe não de novo...
Mesmo com horário marcado para saída do hotel às 4h da madrugada, eu beberia outro vinho, mas com outro petisco, e não seria batata frita!!!!
Só lembrando que quase TODA a banda está me acompanhando nessas garrafas de vinho, viu?!?!
Voltamos para o hotel, e no caminho, enquanto caminhávamos, pensei como essa atitude é quase impossível de se fazer no centro de Recife.
Andar depois da meia-noite pela avenida Conde da Boa Vista e adjacências...?
Vixe, quero nem imaginar.
Tomei um banho morno "tipo C" quando cheguei ao hotel e fui dormir.
Quando acordei às 4h, nem sabia o que era pra fazer.
Isso já aconteceu várias vezes comigo.
Poucas horas de sono, deixa muita gente desnorteada, e eu sou uma dessas pessoas.
Quando lembrei que era pra sair do hotel para voltar pra Recife, tomei mais um banho, agora "tipo A", me arrumei e desci para a recepção.
Tudo cronometrado, e sempre dá certo.
Desde que o meu despertador funcione!
Como moro sozinho desde 2008, se ele falhar, corro o risco de perder o horário, mas isso nunca aconteceu.
Voltei para Recife, todo amassado, sem dormir direito, depois de fazer uma escala em São Paulo, mas muito feliz com o resultado dos dois trabalhos.
Me falaram que os dois SESCs mandaram mensagens para a nossa produção, elogiando o show, o trabalho e a nossa equipe.
E saber disso, sinceramente, também é mais prazeroso do que o cachê!!!!!
Para ser mais exato, os cachês! (Risos)
Um abraço a todos.

Vídeo by Islaine Garcia.

PS: Depois de 4 trabalhos seguidos em teatros, já comecei a me concentrar para os próximos trabalhos no São João, em palcos de prefeituras e governos.
É tudo igual ao que falei desses shows nos teatros, só que inversamente! (Nem vou rir)