Olá pessoal.
Fui olhar aqui qual foi a última postagem que fiz falando sobre os meus trabalhos, e vi que foi sobre os trabalhos em São Paulo com Flaira Ferro.
Depois desses trabalhos, fiz mais três, com Cordel do Fogo Encantado, Siba e Mestre Ambrósio, todos aqui em Pernambuco.
Ainda estava pensando o que eu poderia falar sobre esses três shows, onde até teria assunto, mas acabei que não comecei a escrever... E o tempo passou.
Na realidade eu iria fazer quatro shows depois de Flaira, e um desses seria no Pátio de São Pedro (Recife) com Siba, mas quando eu descobri que só teria uma mesa de som ao lado do palco para fazer PA e monitor, e essa mesa não se conectava com o iPad, falei para a produtora de Siba que não tinha sentido eu ir, porque eu não poderia ficar na mesa operando o monitor do show enquanto o técnico de PA iria para frente com o iPad fazer o trabalho dele.
Vou até ajustar isso nos próximos trabalhos, pois acho que não é justo eu perder o trabalho por falta de estrutura do evento.
Fiz Mestre Ambrósio um dia antes no mesmo lugar, mas a banda ALUGOU uma mesa de som para esse show, onde eu fiquei no lado da mesa operando o monitor, e meu amigo Buguinha ficou lá na frente com o iPad operando o som do PA.
Dupliquei os canais na LS9, ficando os canais de 1 a 32 para o PA e de 33 a 64 para o monitor.
Com essa praticidade que a LS9 oferece, dá para o técnico processar os canais, mexendo em equalização compressão e gate, sem interferir no trabalho do outro.
A única coisa que compartilhamos é o ganho... Se eu mexer no ganho, aumentando ou baixando, isso vai para o som do PA também.
Mas sempre combinamos que depois que o ganho é ajustado, ninguém mexe!
A não ser que durante o show o canal comece a “clipar” (overload, passar do nível máximo).
Aí não tem jeito... Tem que ser reajustado por alguém, e o outro deve sentir a diferença, compensando isso no fader ou na saída do compressor.
Mas vamos ao show de Natascha Falcão que aconteceu na sexta-feira que passou (05/07) na Festa das Marocas em Belo Jardim, cidade que fica a 190 km de Recife, e é a terra natal da cantora e também de Otto.
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| Natascha Falcão - Showtime. (Foto by Andréa Rêgo Barros) |
Chegamos no horário marcado, mas um pouco antes de chegar, recebemos a informação que o primeiro soundcheck (Edson Gomes) nem tinha começado ainda.
Mais uma vez, participei da inauguração do evento, coisa que não gosto muito de fazer, porque muitas vezes a estrutura não está perfeitamente montada.
E nesse não foi diferente.
O pessoal da empresa de som estava ainda ajustando os detalhes finais do som, os camarins ainda estavam sendo montados... E até para encontrar um banheiro químico foi difícil.
Estava combinado Edson Gomes (EG) passar o som, depois a gente, e no final a banda que iria abrir a noite armaria as coisas dela, passaria o som e tudo ficava pronto para começar o evento.
Mas com esse entrave na passada de som de EG, a nossa produção foi acertar os novos procedimentos.
Ficou decidido que a gente iria passar o som antes de EG, e fiquei meio desconfiado, com receio da turma do cantor da Bahia querer passar o som no meio do nosso tempo.
Mas isso não aconteceu.
Passamos o som tranquilamente!
E é nesse ponto que eu vou começar minha declaração.
Tudo estava conspirando para um sufoco... Atropelo nos horários das passadas de som, equipamentos ainda sendo ligados e testados...
A mesa que seria uma CL5, não era mais, mas era um CL3, o que não mudou muito pra mim.
Adjan, técnico da empresa de som Eduardo Amaral, me informou que a CL5 deu um problema no fader máster e ele não pensou duas vezes para fazer a troca.
Certíssimo.
Passei minha cena para a mesa, conferi as entradas dos canais e testei as saídas.
Só usaria quatro caixas na frente para Natascha, mais o side.
Toda banda usaria fones, e eu levei meus sistemas individuais, mesmo sabendo que tinha sistema com fio disponível para o evento.
Prefiro usar o meu sisteminha por vários motivos.
Faço as vias em estéreo e levo apenas UM cabo até o músico; o controle de volume geral do fone fica na mão do músico; não precisa de adaptador para o fone; não preciso torcer para que o sistema da empresa de som esteja funcionando perfeitamente!
Quase certeza absoluta que o sistema da empresa de som não iria me deixar na mão, mas nem cogitei em usar o sistema deles.
Notei que tudo era muito bem cuidado!
Não tinha sistema de in-ear sem fio, e nossa produção alugou um PSM900 para Natascha.
Adoro esse sistema de in-ear, que para mim é um “trator”!
Liguei todas as minhas vias, onde levei os cabos devidamente identificados, e liguei o in-ear da cantora.
Testei todos com a ajuda de Adjan, porque não liguei meu iPad.
Geralmente faço essa conferência usando o iPad, já no local onde está o músico.
Dei uns ajustes na equalização da via de chão da cantora e no side.
Começamos o soundcheck.
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| Natascha Falcão - Showtime. (Foto by Andréa Rêgo Barros) |
Nunca tinha trabalhado num show de Natascha Falcão, e sempre é diferente, porque cada banda e/ou artista tem um jeito particular na monitoração.
Vou dar um exemplo: O baterista de Lucy Alves só pede o bumbo no seu fone e no sub, e o resto da banda no fone. Não vai mais nenhuma peça da bateria no fone.
E em muitos casos a monitoração muda, dependendo da distância que o músico está dos outros instrumentos.
Como outro exemplo real, posso dizer que o sanfoneiro de Natascha me pediu para cortar todas a peças da percussão no seu fone, pois ele estava bem próximo da percussionista.
E segui ajustando as coisas.
Achei que a cantora não usaria muito as caixas de monitor, mas não demorou muito para eu notar que ela usa “valendo”!
Fui me ajustando no palco, seguindo os pedidos da artista.
Ahhh. Uma curiosidade só para os leitores... Natascha Falcão é prima do cantor Otto.
Fiquei sabendo dias antes desse show em Belo Jardim porque o produtor de Otto me falou.
Faço alguns trabalhos com Otto, e dia 26 de setembro estarei com ele num show em Salvador.
Mas vamos voltar para o show em Belo Jardim.
Passamos o som tranquilamente, e absolutamente nada falhou no palco!
Tou continuando com minha declaração.
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| Natascha Falcão - Showtime. (Foto by Andréa Rêgo Barros) |
Seguimos para o hotel, que na realidade era um ponto de apoio, para jantar e tomar banho.
Mas eu já sabia que seria um “bate-e-volta”, e nem levei utensílios para tomar banho.
Levei um par de meias, uma cueca e uma camisa, para emergências.
Se eu tivesse uma diarreia e me “cagasse nas calças”, não tinha outra bermuda!
Mas nada disso aconteceu, e nem usei as peças extras que levei.
Do jeito que eu fui, eu voltei.
Enquanto estava no restaurante do hotel, resolvi fazer umas mudanças nas minhas ligações.
E mandei mensagens para Adjan, que era o técnico responsável pelo palco.
Pedi para ligar meu microfone na bandeja principal, porque estava ligado direto na mesa de monitor, e desse jeito meu amigo Adriano que estava operando o PA não poderia me escutar.
Depois lembrei que tinha outra coisa que esqueci de deixar ligado, que era a via de comunicação para eu falar com os roadies.
Nesse show foi apenas uma roadie (Raynnara), mas mesmo assim coloco um microfone em cada lado do palco.
Já tinha avisado no final do soundcheck que eu precisaria dos dois microfones para comunicação dos roadies, e que a gente não ligou durante nosso tempo de passada de som.
Quando cheguei ao palco para começar a checar as coisas para o nosso show, tudo que eu solicitei nas mensagens de WhatsApp estava feito!
Perfeito.
Ele ainda me falou que nada foi mexido nas minhas vias de fone, e só conferi a via da frente e o side.
Tudo OK.
Começamos a fazer o linecheck e apareceu um erro na plugação, que foi resolvido num (absurdo) curto espaço de tempo!
Acho que não chegou a demorar um minuto para resolver tudo.
E teve uma razão para isso.
Fora a disposição da equipe, eles usavam comunicadores sem fio, que está em moda agora nos palcos, principalmente com as equipes dos artistas, como Lucy Alves por exemplo.
Mas aqui na minha região, nunca tinha visto uma equipe de empresa de som usar o equipamento.
Adjan usava um, o técnico de PA outro, e mais um responsável pelas ligações usava outro.
Esse foi o mínimo que notei, mas poderia ter mais gente da equipe da empresa usando e eu não vi, como o responsável pela iluminação, por exemplo, ou até mais gente no palco que estava ligando as “coisinhas”...
O que posso afirmar é que esse equipamento fez uma diferença ABSURDA no resultado do trabalho da equipe da empresa de som no evento.
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| Natascha Falcão - Showtime. (Foto by Andréa Rêgo Barros) |
Mas vou ainda ratificar... Não adianta equipamentos espetaculares SEM a vontade da equipe da empresa para fazer o trabalho bem feito.
E essa vontade da equipe da empresa de som era quase palpável, de tão visível que estava.
Não ouvi um único NÃO por parte de qualquer um dessa equipe, seja no soundcheck ou durante o show.
E isso assusta hoje em dia nos eventos.
Lembrei-me da turma que trabalha no SESC em São Paulo por onde passei...
Não teve um SESC por onde passei em SP que foi diferente.
O atendimento é tão bom que fico constrangido! (Risos)
No domingo mandei mensagens de agradecimento para os dois técnicos (Adjan e Jubileu) da empresa Eduardo Amaral Sonorização, que se não estou enganado, tem sua sede em Maceió (AL).
É muito bom ser bem atendido!
E o show?
Vídeo by Andréa Rêgo Barros.
Transcorreu sem atropelos, com os ajustes normais que acontecem durante um show.
E se alguma coisa não estava boa no palco, a culpa foi minha mesmo.
Pois dos equipamentos não tenho do que reclamar.
Eu tinha que fazer essa declaração, pois está cada vez mais difícil encontrar isso nos eventos, pelas estradas da vida...
Geralmente é muito bom fazer novos trabalhos, e com Natascha Falcão foi assim.
O "alto astral" da banda e da cantora facilitaram (muito!) o meu trabalho!
Já faz um tempo que a questão da convivência com os outros profissionais envolvidos em um show ou evento é um dos requisitos para eu aceitar ou não um trabalho.
O primeiro show eu faço, não tem como saber.
Mas depois, aceito mais não, prefiro ficar em casa (liso) bebendo meu vinho com Netflix.
Já vi um caso de um técnico de PA de um cantor famoso não falar com o técnico de monitor, e isso para mim é insustentável.
Criaram até um "meme" com uma frase que eu uso muito na minha vida...
Realmente não tem perigo eu ficar num grupo onde não me sinta bem.
Se a produção de Natascha Falcão me chamar para um novo trabalho, eu vou. (Risos)
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| A turma toda depois do show. (Foto by Andréa Rêgo Barros) |
Não sei se todos que estavam no palco gostaram do meu trabalho na sexta, mas se não gostaram, não posso falar que a empresa de som e seus equipamentos contribuíram para o trabalho mal feito!!!!!
Tá feita a declaração.
Um abraço a todos.
PS: Acho que acabei fazendo duas declarações...






















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