terça-feira, 26 de maio de 2026

Monitor de dois shows do O Teatro Mágico - É mais prazeroso do que o cachê.

Olá pessoal.
Mais uma vez fui operar o som do monitor da “trupe” (banda?) O Teatro Mágico (OTM).
Eles gostam do termo trupe, tanto que na camisa da equipe tem o nome estampado nas costas.
A primeira vez que tive contato com a trupe, foi no FIG, onde operei o som do PA, e faz um bom tempo.
Foi a única vez que operei o som da frente, nas outras fiz sempre o monitor, como nesses dois shows que aconteceram nos dias 21 e 22 de maio, em Recife e João Pessoa respectivamente.
Ou seja... Foi na semana passada que aconteceram os shows.
O primeiro foi aqui no Teatro do Parque.
O input é bem enxuto, com 25 canais no total.
Bateria, baixo, teclado/sampler, sanfona/synth e uma vocalista que também participa dos números circenses e que toca guitarra numa determinada música.
Cinco músicos mais o Fernando Anitelli, vocalista que toca violão e guitarra.
E todos usam fones!!!!!
Ajuda muito no trabalho, pois não dependo de monitores de chão, onde muitas vezes encontro com problemas.
Quando dá, todos usam in-ears sem fio.
Quando não é possível, Anitelli usa o sistema próprio, e colocamos sistemas com fio para todos da banda.
Nardão, diretor técnico e que assume várias outras funções na trupe (risos), incluindo a operação do som do PA, tem 4 sistemas Waldman, iguais ao que tenho, e ele sempre anda com esses sistemas.
Mas preferi usar os meus sistemas, porque eles têm o protetor no botão de mono e estéreo que fabriquei com meu amigo Evangelista, e que já expliquei aqui no Blog sobre esse problema do equipamento.
Passei para ele o arquivo do projeto do protetor do botão, onde ele pode confeccionar a peça em qualquer lugar que tenha impressão 3D.

Teatro do Parque - Recife - PE.

Nardão me informou que iria alugar uma mesa X32 da Behringer para os dois shows.
O Teatro do Parque tem até uma DL32 da Mackie, onde usam no monitor, e falei isso para Nardão, explicando que minha preferência seria fazer com uma X32.
Cada vez fico mais desanimado em operar o som de um show no iPad, seja no PA ou monitor.
Curto não.
Pois bem...
Mesmo sabendo que tinha uma mesa no teatro para o monitor, foi decidido usar a X32.
Mas apareceu um probleminha...
Os cabos que tem no teatro para splitar (dividir) os sinais para a mesa de PA e monitor são bem curtos, pensados para serem usados com a mesa Mackie, onde ela fica em cima do stagebox, e não é preciso cabos longos para fazer essas ligações.
A DL é controlada via iPad.
Como a X32 iria ficar um pouco distante do stagebox que envia os sinais para a mesa de PA, uma TF5 da Yamaha, foi preciso alugar um spliter para dividir nossos sinais para as duas mesas.
Probleminha resolvido.
Coloquei a mesa exatamente onde queria.
Usei ainda o iPad para alguns ajustes no palco, como o side, que é usado apenas para que o pessoal que faz os números aéreos de circo escute o som das músicas.
Não esqueçam que todos no palco estão com fones.
Mas durante o show não toquei uma única vez na telinha da Apple, operando o som pela mesa com controles físicos!
Ajustamos muita coisa pela manhã, e finalizamos a montagem e ajustes depois do almoço.
Quando a banda chegou, tudo estava ligado e testado.
E a passagem de som foi bem tranquila.
Deu tempo até da turma ensaiar alguns detalhes do show.

Teatro do Parque - Recife - PE.

Apareceu um problema num dos meus sistemas de monitor durante o soundcheck, mas como levei um extra, troquei rapidamente, e depois vou ver o que aconteceu com o equipamento.
Devo ver isso essa semana.
Caso eu não tivesse levado o extra, Nardão tinha os dele, e tudo seria resolvido do mesmo jeito.
Sempre sigo uma frase nos meus trabalhos com relação a equipamentos: “É melhor sobrar do que faltar.”
Sempre deu certo até hoje essa atitude.
A tranquilidade do soundcheck continuou no show.
E pelo que notei, todos saíram felizes, trupe e público.
Eu também! Saí bem feliz com o trabalho.

Teatro do Parque -Recife - PE.

Mais uma vez comprovei que não tem comparação trabalhar com uma mesa “normal” com faders e botões!!!!
Tudo é mais rápido e prático!
E para um monitor isso é absurdamente importante!
Deu tempo até de beber duas taças de vinho em casa, pois a viagem para João Pessoa no outro dia seria depois das 10h da manhã.
Atualmente estou fazendo mais exames do que shows.
Resolvi dar mais uma geral no corpinho maltratado.
Já fiz vários exames e ainda vou marcar outros.
A próstata deu alterada, e já marquei o urologista.
O fígado já tem esteatose faz é tempo, mas achei que estaria pior.
Colesterol e triglicerídeos (bem) acima do desejável...
Falta ainda ver o coração...
Continuo solteiro, mas o coração que vou checar é o que bombeia o sangue. (Risos)
Resumindo... Resultado normal dos exames, para quem não se cuida, né?
Segui com Neto no carro dele no outro dia para João Pessoa.
Ele foi o roadie desses dois shows, e também estava comigo no show anterior do OTM na UFPE.
Demoramos um pouquinho para sair de Recife por causa de um congestionamento na BR, mas deu tempo de chegar bem no local do show, só um pouco depois da hora combinada.
Paramos no caminho para pegar umas coxinhas pra comer no carro, porque tínhamos certeza que não daria tempo para almoçar.
E foi isso mesmo que aconteceu.
Chegamos no local do show e já colocamos a mão na massa!

Arrumando o palco. Nardão perto da mesa e Saúde perto da bateria.

Centro de Convenções Cidade Viva.
Achei que era um centro de convenções normal, mas não era.
Tinha uma ligação com religião.
E isso ficou claro ao ver a cruz enorme na lateral do palco.
E ela não poderia sair do lugar, porque era chumbada no chão do palco.
Ficou estranho, mas...
Seguimos em frente.
Dar uma pausa aqui pra uma macaxeira com charque feito pela minha irmã, que é uma mãe para mim.
Perdemos nossa Mãe muito cedo. Eu tinha sete anos, ela cinco.
Gosta mais do Santa Cruz do que eu, de tanto acompanhar nosso Pai nos jogos no Estádio do Arruda, quando eu troquei os jogos do Santinha pelas farras!
Fritei um ovo com gema dura para complementar a macaxeira com charque.
Depois tomar meu velho leite quente com Nescafé, e talvez um pedacinho de panetone...
Hoje não tem vinho, só amanhã.
Regras religiosas, que de vez em quando não sigo.
A minha igreja só tem eu, e quem decide tudo sou eu mesmo.
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Muitos cabos e DIs no meio do palco, onde provavelmente teve algum culto no dia anterior.
Achamos melhor já ir desligando tudo para facilitar nossas ligações, enquanto esperávamos pelo técnico de som do local.
E foi uma boa decisão.
Esperei o técnico chegar para saber onde seria a melhor posição da mesa de monitor, e em qual lado colocar.
Quando ele chegou, foi a primeira coisa que perguntei e colocamos a mesa onde ele achava melhor, bem perto do stagebox que enviava os sinais para a mesa de PA.
Mas...
Tivemos que fazer uma operação de guerra para ligar nossas coisas, porque tudo lá foi projetado para as necessidades das apresentações religiosas, onde nem mesa de monitor tinha.
Tudo era feito da mesa de PA.

Soundcheck - João Pessoa - PB.

No palco só dois monitores na parte da frente, que eu acredito que são usados para o envio das vozes dos padres (pastores ou outro tipo de religioso).
O apelido do técnico era “Saúde”.
Adorei, não tinha como errar o nome dele.
Ele foi uma peça muito importante para o resultado do show.
Resolveu todos os nossos problemas e necessidades, não medindo esforços para nos ajudar!
Muito obrigado Saúde pelo atendimento.
Tivemos que fazer mudanças radicais nas ligações dele para os cultos, mas em momento algum ele falou que não poderia ser feito.
Seria importante ter o side para o pessoal do aéreo, e não tinha isso lá, mas Saúde resolveu isso também.
Não usei as duas caixas de monitores que ficam na frente do palco, e elas foram retiradas, deixando o palco limpo, como é o normal nos shows do OTM.
Saúde conseguiu duas caixas num tripé para o nosso side.
Quase faltou cabos XLR para ligar tudo, e o aluguel de uns cabos extras pela nossa produção foi essencial e salvou.
Acho que não iria dar para ligar o side sem esses cabos extras.
Ligamos e checamos tudo, onde tomei um susto quando vi que os microfones sem fio não estavam chegando na minha mesa de monitor.
Mas fui eu quem ligou errado no spliter, onde nunca se sabe qual é o número que vale... O que está em cima da conexão ou abaixo dela.
Pra completar, o spliter que foi alugado não tinha numeração contínua nas pontas que iam para a mesa de monitor.
Eram números minúsculos impressos nos cabos de 1 a 8, e vários grupos de oito pernas com as suas respectivas cores.
Verde 1 a 8, azul 1 a 8, vermelho 1 a 8...
Precisei ligar para o dono do multicabo para saber a ordem das cores... 1 a 8 (1-8 verde), 9 a 16 (1-8 azul), 17 a 24 (1-8 cinza), e por aí vai.
Depois dele me explicar, liguei todos os canais na mesa.
E por isso achei que o problema poderia ser nas minhas ligações na mesa de monitor.
De ter me enrolado com os cabos coloridos, ou o colega ter me passado errado a sequência das cores.
Nardão foi quem notou o erro, que estava na ligação na bandeja do spliter.
Susto passado, começamos o soundcheck.
Logicamente, usei a mesma cena do show anterior, onde basicamente só reajustei os ganhos de alguns canais, e algumas equalizações, mas o “grosso” já estava chegando bem legal nos fones de todos.
Eram microfones e DIs diferentes, não esqueçam desse detalhe.
Até a bateria era outra.
A mesa não era a mesma, mas era do mesmo modelo.
Foi só passar a cena do show anterior que salvei no pendrive.
Fiquei um pouco triste quando ouvi o baterista falar que estava melhor do que o dia anterior... (Risos)
Mas é melhor do que ouvir que estava pior, né?
Seguimos em frente sem atropelos, onde tudo estava se encaixando bem.

Showtime - João Pessoa - PB.

O soundcheck foi bem tranquilo também nesse show de João Pessoa.
Só no finalzinho foi que notei que o LR do fone de Anitelli estava invertido.
Ele me pediu para inverter os lados das vozes e eu estava escutando certo, ele escutava invertido.
Como chequei todas as vias no começo da nossa montagem, e isso eu faço sempre, estava tudo correto com relação ao estéreo de todas as vias, incluindo a dele.
Tentamos desconectar os cabos do fone que são de encaixe (por isso acontecem esses erros) para inverter o estéreo, mas estava bem difícil de soltar o segundo lado, e deixamos como estava mesmo.
Tomamos até um susto porque o som não voltou igual nos fones, e depois de alguns ajustes (e rezas) de Nardão, o som finalmente chegou perfeito!
Anitelli já estava com cara de "Porque deixei fazer isso?"... (Nem vou rir)
Mais um susto contornado.
Esperamos pela hora do show, que não demorou muito para começar.

A trupe se divertindo no soundcheck.

Shows em teatros geralmente começam cedo, diferente de um show aberto gratuito com várias atrações.
Só deu tempo de fazer um lanchinho no camarim.
Outra coisa muito boa em shows em teatros, no meu ponto de vista, é que dificilmente o show vai desagradar o público.
E tem uma razão bem simples para isso.
Todos ali pagaram para ver o show, ou seja, foram já com a intenção de ver o show.
Já gostam das músicas do artista ou estão dispostos a ouvir o que ele tem a dizer.
Num evento gratuito, e principalmente com várias atrações, nem sempre o público que está na hora do show veio ver aquele show.
Temos vários exemplos de artistas maltratados pelo público que não queria ver aquele show, como o caso famoso de Carlinhos Brown no Rock In Rio de 2001.
Um absurdo o que fizeram com ele.
Nesse show em João Pessoa e também no de Recife, o público queria ver o show do OTM, como foi também no da Concha Acústica da UFPE em outubro de 2025, que eu também participei no monitor.
Fiz uma postagem sobre esse show na UFPE, que acredito ter sido um show inesquecível para a trupe criada em Osasco (SP).
Mas vamos voltar para o show em "John People".
Só tive um probleminha (novamente) no monitor da vocalista, mas dessa vez não foi o equipamento que deu problema.
Ela conseguiu, não sei como, apertar o botão mono/estéreo mesmo com a proteção, e a via mudou de estéreo para mono, e quando isso acontece, o som desaparece quase que totalmente devido a problemas na fase do sinal.
Por causa disso, a proteção do botão é indispensável.
Já passei por vários casos de sistemas pararem durante ou no início do show.
Algumas vezes o músico esqueceu que desligou para sair do palco e não ligou novamente, teve caso do músico que não encaixou bem o plugue do fone na caixinha, e teve até músico que não notou que o cabo que entra na caixinha estava desconectado!
A vocalista do OTM sai muito da sua posição, para fazer as acrobacias aéreas, muda muito o lugar da caixinha amplificada onde entra o fone, e isso aumenta o risco de alguma coisa não encaixar direito.
Tem até a imagem dela no vídeo abaixo na hora da falha, “procurando” o som que não chegava aos seus ouvidos, mas logo depois sanamos o problema.

Vídeo by Neto Alves, nosso roadie.

E o outro probleminha aconteceu entre a penúltima e última música, no in-ear do cantor.
Aí foi mais complicado resolver.
Só consegui achar o problema depois que o show acabou.
Ele ficou cantando as músicas finais ouvindo um lado bem mais alto do que o outro.
Para mim estava tudo normal.
Sinal entrando no transmissor certinho, nenhum canal mais alto do que o outro.
No meu fone, escutando a via de Anitelli também normal, nada de som pendendo.
O problema só podia ser no bodypack dele, ou no encaixe do fone nesse bodypack.
Para quem é leigo, bodypack é a caixinha do in-ear sem fio, que eu poderia também chamar de caixinha, mas temos o costume de chamar de bodypack.
Se traduzir ao pé da letra vai sair mochila corporal ou pacote corporal.
Achei no Google uma boa definição para a palavra americana.


Quando o show acabou, peguei a caixinha de Anitelli, e fui procurar o erro (ou defeito).
Etapa por etapa.
Enviei um sinal para o transmissor, tudo ok.
Coloquei meu fone no bodypack e enviei um sinal novamente para o lado esquerdo e depois para o direito do transmissor, que fica ao meu lado.
Na X32 você não consegue enviar esse sinal para várias saídas ao mesmo tempo, não consigo enviar para os dois canais do transmissor do in-ear, que nesse caso era saída 11-12 da mesa.
Só para o LR da mesa tem essa opção.
Falha grave da X32 que nunca ajustaram nas atualizações.
Mas mesmo assim não foi difícil notar o problema, porque um lado estava absurdamente mais alto do que o outro.
Oxe. Por que?
Conferi se estava estéreo no transmissor, só por desencargo de consciência, porque eu testei todas as vias de fones antes.
Tudo certo.
Só pode ser na caixinha, e fui atrás, mesmo tendo feito isso antes de começar o soundcheck também, e estava tudo certinho com o estéreo da via de Fernando Anitelli!!!!
Entrei no “menu” da caixinha onde tem as configurações de áudio e do aparelho.
Estéreo ok, sem limiter ok, sem equalização ok...
Foi aí que vi que o “Balance” estava quase todo para o R!
Para os leigos (Balance = Equilíbrio), é onde a gente regula o nível dos sinais, que normalmente fica no centro, pois o sinal estéreo chega nivelado, mas...
Numa emergência, onde não conseguimos ajustar os sinais que entram no transmissor, podemos compensar um sinal mais alto do que o outro no bodypack, deixando os dois canais iguais no nível, mesmo chegando um sinal desnivelado.
Agora não me perguntem como essa regulagem mudou só no final do show!!!!!!!!!
Não sei responder até hoje.
Mas o problema foi esse.
Esse ajuste do equilíbrio também serve para quando se usa o modo MixMode, mas aí é outra história e um dia eu explico para os leigos.
Ajustei o balance para o centro e salvei.
Quando Nardão apareceu no palco para a desmontagem, expliquei o caso, e mostrei que estava tudo certo agora.
Que não foi problema no fone do Anitelli e nem erro meu na mesa de monitor.
Não tenho o menor problema em assumir um erro.
Nunca tive.
E já cometi erros graves. (Nem vou rir)
Ainda pensei em tomar “umas” com a trupe após o show, mas só tinha cerveja e iriam bebericar na beira da praia.
Se a turma fosse para um bar, onde eu pudesse achar um vinho, ou até a velha vodka cansada de guerra, eu teria ido comemorar.
Ahhhh!
Prepararam um jantar espetacular pra gente no camarim depois do show.
Uma moqueca de marisco.
Show de bola!!!!
Só faltou o vinho mesmo...
Cheguei no hotel, tomei o velho banho morno e fui dormir.
Foi aí que fiquei nos meus pensamentos...
Poxa, muito legal os dois trabalhos, músicas novas, músicos novos, turma legal...
Só não fui para Natal com eles depois para o próximo show porque o local era bem pequeno e a estrutura também, com uma mesa só para fazer os dois serviços.
Quando aceitei o convite para os dois shows, nem lembro se a produção me falou do cachê.
Tudo bem, tenho ideia do cachê, mas não lembro se me falaram.
Acho que já falei aqui no Blog que já fiz um trabalho operando o som do PA para um amigo, onde cobrei duas garrafas de vinho Chileno pelo serviço.
Para mim, ser chamado novamente para um trabalho, como foi nesse caso do OTM, onde fiz dois trabalhos anteriores com a trupe, é bem mais prazeroso do que o cachê!
Sempre pensei assim, e estou vendo que não vou mudar essa visão.
E se acho que não vai ser prazeroso fazer um trabalho, pode ser cachê dobrado, que vou preferir usar o cartão de crédito no dia para comer uns caranguejos com vodka e suco na calçada do bar Caneca Fina ou no Gota Serena.
E se tiver com o “espírito de rico” no corpo, vou beber um vinho com crepe no Bercy.
Acho que é isso que levamos da vida!
Um abraço a todos.

PS: Se a trupe me chamar mais vezes, capaz de eu pintar o rosto também! (Risos)



quinta-feira, 23 de abril de 2026

Temporada - Fiz poucas, mas é muito bom!

 
Cabine de controle do Teatro Caixa Cultura - Brasília (DF).
Olá pessoal.
Na postagem anterior eu falo que já tinha um assunto pronto para postar aqui, mas que mudei de ideia ao ver o documentário de Paulinho da Costa.
Lembram?
Pois bem... Esse aqui é o assunto, e a foto acima é a que eu já tinha escolhido para a capa da postagem.
Ouvi muito o termo “temporada” bem antes de entrar para o mundo do áudio em 1987.
Fui na IA pegar uma explicação, que coloco abaixo.
Para mim, turnê é uma coisa, temporada é outra.
Turnê são vários shows seguidos em locais e lugares diferentes.
Temporada são vários shows seguidos num mesmo local.

Clique na imagem para ampliar.

Cantor “fulano de tal” vai fazer uma temporada de 16 shows no Canecão... Ou vai fazer uma temporada de 2 meses!!!
Ouvi muito isso.
Mais uma vez fui na IA. (Risos)
Canecão era uma referência quando se falava em temporadas de shows.

Clique na imagem para ampliar.

Só vim a trabalhar numa temporada em 2005, 2006...
Não lembro exatamente o ano, mas foi em uma das turnês de Silvério Pessoa na Europa.
Eita!!!!!
Lembrei! 
Foi em 2005, onde passamos 110 dias rodando por lá.
E no final dessa turnê fizemos 5 shows seguidos num palco de um festival na Alemanha.
Para mim, foi uma temporada dentro de uma turnê!
Mesa analógica ainda, sem banda abrindo ou fechando, sem DJs nos intervalos...
Montamos, ligamos tudo, soundcheck, e tudo ficou armado e ligado.
Era só chegar, checar se tudo estava chegando na mesa de som, e o show começava minutos depois.
A primeira vez a gente nunca esquece, né?
Foi lindo!
Fui num grupo de áudio que participo (Info & Jobs), onde sei que tem muitos técnicos que fizeram essas temporadas no Canecão, para tirar umas dúvidas.
Não demorou muito para uma "avalanche" de depoimentos soterrar a tela do grupo no WhatsApp!
Ricardo Tenente, produtor de vários artistas renomados até hoje, falou: Chico Buarque e Maria Bethânia ficaram 6 meses (!) em cartaz no Canecão.
Teve um espetáculo em 1977 com Tom Jobim, Vinícius de Moraes, Toquinho e Miúcha que passou quase 8 meses em cartaz!
E Tenente ainda manda uma pérola sobre a casa de shows, falando:
"Não sei se já comentei aqui, mas a logo do Canecão era um caneco ou xícara  num pires.
Nem todos notavam."

Eu imaginava que seria muito difícil essas temporadas serem iguais a esse meu caso aqui na Alemanha.
Por isso fui lá no grupo confirmar.
Realmente eram diferentes.
Nem sempre (ou quase nunca) conseguiam deixar tudo montado e ligado.
E a razão era simples.
Uma demanda muito grande de shows, com público garantido.
Eram muitos artistas fazendo temporadas ao mesmo tempo no Canecão.

Resolvi falar sobre esse tema (Temporada, não de Canecão) ao ver uma foto que tirei no trabalho que eu fiz em março com Flaira Ferro no Teatro Caixa Cultural em Brasília.
A foto transmite uma tranquilidade, uma paz...
E foi mesmo!
Transmite a certeza que não vai ter sol, chuva e ventos! (Risos)
Foram 4 dias de shows, e em dois dias foram duas sessões.
Ou seja... Seis shows seguidos!!!
E diferentemente do que acontecia no Canecão, nesses shows de Flaira nada foi desmontado e/ou desligado.
Eu até trabalhei em um caso parecido entre os shows na Alemanha e esses de Flaira Ferro.
Mas não foi um show de música com banda, e sim uma peça de teatro.
Gostava Mais Dos Pais, que aconteceu no Teatro do Parque em maio de 2025.
Nesse trabalho no Parque, foram 3 dias de espetáculo, sendo um dia com duas sessões.
O prazer foi bem parecido.
Era só as vozes dos dois atores, um violão, um canal estéreo do vídeo que interagia com os atores, e mais dois canais reservas para as vozes.
Mas a situação foi a mesma...
Armou, ligou, testou? Só aguardar para começar.
Nada foi desligado ou desmontado.
Hoje em dia, com as broncas técnicas que encontramos na estrada em diversos shows, principalmente quando esses shows são em datas festivas de prefeitura e/ou governo, como São João, Carnaval, Réveillon etc, quando a gente faz uma temporada como essas de Silvério, Flaira ou a peça de teatro de Bruno Mazzeo e Lúcio Mauro Filho, a emoção é grande!!!
Realmente o choque é grande!
Ahhhh! Fora os problemas técnicos que aparecem nos eventos, tem também os problemas climáticos!!!
Chuva, sol quente, inundação, palco dando choque, vazamentos na cobertura onde a água cai exatamente em cima da mesa de som... E por aí vai.
Teve um dia que a água do temporal estava caindo sobre a minha mesa de monitor, e tivemos que cobrir com uma lona, igual ao que o pessoal usa para cobrir a carga nos caminhões.
Peso absurdo para passar a lona por cima da mesa, a água caindo, e o show continuando...
Quando fiquei embaixo da lona, senti uma coisa úmida e áspera arranhando minha cabeça, e depois do susto notei que a lona estava molhada e cheia de areia!!!!
Quase uma lama.
Uma verdadeira lixa úmida!!!!
Fiquei embaixo dessa lona por um bom tempo com a cabeça roçando na lona, pois o show não foi interrompido.
Nem vou falar como ficou minha cabeça...
Tenho vários casos parecidos com esse da lona para falar, mas deixa quieto.
Aí... Quando olhei a foto da minha mochila em cima da cadeira dentro da cabine de controle do teatro em Brasília, resolvi falar sobre essa tranquilidade que passei nessas 3 temporadas que participei.
Geralmente as temporadas acontecem em locais fechados.
Das três que eu participei, só os shows na Alemanha aconteceram numa área aberta, os outros dois exemplos aconteceram em teatros.
Foram poucas temporadas (infelizmente) que eu participei, mas não posso deixar de falar que é muito bom!!!!!!
Se eu fosse de rezar, rezaria para fazer muito mais temporadas!
O lendário Canecão não existe mais, mas...
Ainda temos Circo Voador, SESC, Caixa Cultural...
Né?
Ah! Muito obrigado aos colegas e amigos do grupo Info & Jobs pelos depoimentos, e que estão falando até agora lá sobre os casos, emoções e "bizarrices" que passaram na casa de shows no Rio de Janeiro.
Um abraço a todos.

PS: Se eu colocasse aqui na postagem o testemunho de vários técnicos e produtores que estão falando no grupo sobre seus causos no Canecão, não ia ter linha suficiente no Word para o texto!

quarta-feira, 22 de abril de 2026

Paulinho da Costa - Eu até já sabia, mas...

 
Olá pessoal.
Estou aqui de férias...
Trabalhos marcados só a partir do dia 21 de maio.
Mas isso acontece principalmente por causa das minhas escolhas, onde uma delas foi não operar mais o monitor de festivais.
Na sexta passada fiz um trabalho no Conservatório Pernambucano de Música com Davi Fonseca, artista de Belo Horizonte.
Vou ver ainda se falo sobre isso.
Eu tinha me preparado para escrever sobre outro assunto, onde já tinha até separado a foto da capa da postagem, mas ontem mudei de ideia.
Já tinham me indicado esse documentário na Netflix sobre Paulinho da Costa, percussionista brasileiro.
Comecei a ver dias atrás, mas acabei parando, não lembro o motivo.
Dificilmente paro um filme ou documentário para ver o resto em outro dia.
Isso quando é apenas um episódio de no máximo duas horas.
Acho que parei porque minha caixinha Flip6 da JBL descarregou, e não dá para ver direito filmes e shows usando o som da minha TV por que é muito ruim!
Ontem, sabendo que a Flip6 estava com carga máxima, coloquei novamente o documentário da Netflix na TV e abri uma garrafa de vinho.
Feriado, né?
Nem vou me estender nessa postagem.
O documentário vai para minha lista de dicas de filmes e/ou documentários, mas resolvi fazer essa postagem extra.
Quem quiser essa lista, tem uma postagem aqui no Blog onde compartilho o link para download.
Atualizo sempre essa lista, que já passou de 460 indicações.
Voltando para Paulinho da Costa...
Antes de chegar na metade do documentário, eu já disparei vários avisos pelo WhatsApp para os amigos, avisando que era muito legal, sugerindo que eles vissem.
Muitos já tinham visto!
O atrasado era eu! (Risos)
Muitas lembranças vieram à mente, pois Paulinho participou de várias músicas famosas que eu toquei na Over Point quando eu era DJ.
Chorei na parte que eles falam sobre a primorosa música In The Stone, da excepcional banda Earth, Wind & Fire (EW&F).

Earth, Wind & Fire.
Tudo bem... O vinho deve ter ajudado nessa emoção... (Risos)
Mas nunca deixei de escutar EW&F, uma das bandas marcadas como favoritas no meu Deezer.
E isso acontece COM ou SEM o vinho tinto.
Muito bom o documentário de Paulinho da Costa na Netflix.
Já falei antes para vários colegas e amigos que eles (Netflix) estão craques nos documentários.
Vi vários documentários primorosos!
Sobre esse assunto de Paulinho da Costa, principalmente por causa do meu trabalho como DJ, eu até já sabia...
Mas ainda tomei um susto!
Dei pouca importância ao percussionista quando eu estava na Over Point.
Ele foi, e ainda é, bem maior do que eu pensava, ou do que eu queria achar que era.
Fica aqui minha retratação.
Um abraço a todos.

quarta-feira, 8 de abril de 2026

Monitor do show de Fernando Anitelli - A Azul não me deixou fazer!

 
Olá pessoal.
Quando recebi o convite para operar o monitor desse show de Fernando Anitelli no dia 29/03, que aconteceria aqui em Recife, dentro do Festival de Jazz do Recife, eu já sabia que tinha um trabalho no dia anterior lá em Fortaleza com Rachel Reis.
Complicou, pensei...
Eu já sabia do horário que iria para Fortaleza, mas não sabia ainda do horário da volta.
Vou perguntar para a produção, pensei... Não custa nada, né?
Ao saber que voltaria na madrugada do dia 29, vi que poderia fazer esse trabalho com Anitelli.
Depois que aceitei, fiquei pensando se eu não estava exagerando, porque era provável que o soundcheck do show no Festival de Jazz seria na parte da manhã.
Já falei para alguns amigos que estou fazendo com 60 anos coisas que era difícil eu fazer quando tinha 30.
Normalmente não aceitava fazer essas correrias.
Não sei o que está havendo.
Será que é porque o meu tempo está acabando?
Não sei...
O que sei é que aceitei o trabalho em Recife, e que corria o risco de chegar no aeroporto vindo de Fortaleza e seguir para a Praça do Arsenal, onde estava armado o palco do festival no Recife.
Tudo acertado.
Depois do belo trabalho em Fortaleza com Rachel Reis no dia 28, seguimos para o hotel, e estava programado seguir para o aeroporto às 3h20 da madrugada do dia 29.
O pessoal que seguiria para Salvador saiu mais cedo ainda!
Deu tempo de dar um cochilo no hotel, porque o show de Rachel foi cedo.
Mas foi só um cochilo, não deu para dormir de verdade!
Todos na recepção do hotel na hora marcada, seguimos para o aeroporto de Fortaleza.
Quando falo todos, é a turma de Recife: Eu, Adriano, Natalie e Guilherme.
Chegamos com tempo de sobra, e quem tinha coisas para despachar, despachou.
Acho que foi só Guilherme que fez isso.
Estou levando tudo na minha mochila, que parece até um paraquedas, mas depois desse último trabalho resolvi não carregar tanto peso nas costas.
Vou ver outra solução... Que já tenho até ideia de como vou fazer, principalmente se o voo for pela Azul.
Chegamos no aeroporto antes das 4h da madrugada, e nosso voo estava marcado para às 5h40, com embarque previsto para 5h00.
Tudo tranquilo.
Já estávamos na sala de embarque (e não lembro se já tinha o aviso que o voo estava atrasado) quando Adriano olhou para mim e falou: --- Isso aqui não está me cheirando bem...
Ele já achou que tinha pouca gente esperando para embarcar no voo, quando ficamos sabendo que o voo estava atrasado, foi aí que ele estranhou mesmo!
E comentou: --- Tou achando que a gente não volta hoje para Recife...
Não demorou muito tempo para o pessoal da Azul dar a notícia de que o voo estava cancelado!!!!!
Olhei para Adriano que já falava "Não Te Falei?", e vi a imagem do desenho animado do meu tempo de criança...

Ele riu.
Natalie tinha ido pegar mais informações na entrada do nosso portão de embarque, e falou que estava cancelado mesmo, por problemas na manutenção da aeronave, segundo falou o funcionário da empresa aérea.
Não tinha o que fazer, e decidimos seguir para o check-in da empresa, enquanto Guilherme seguiu com Adriano para recuperar as bagagens despachadas.
A confusão estava formada!

Guilherme, Natalie e Adriano tentando remarcar o voo.
Só 2 (dois!) funcionários da empresa no check-in, e uma "tuia" de gente querendo voltar para casa.
Foi rolo!
Acho que já passava das 6h da manhã, quando a única coisa que a gente conseguiu foi ser realocado no voo das 15h55!
Ou seja... Iríamos passar 11h no aeroporto!

Não esqueçam que chegamos lá um pouco antes das 4h.
Para animar mais ainda essa espera, a empresa aérea deu um kit (chamamos de KitFode) de alimentação para os passageiros para substituir o café da manhã.
O kit era uma caixinha de papelão muito engraçadinha, que seria sucesso com as crianças com menos de 6 anos de idade.
Aceitamos só para ver o que tinha dentro.


Muitos passageiros nem aceitaram!
Já estávamos nos concentrando para a grande espera, quando recebemos a notícia que a produção de Rachel Reis estava conseguindo um hotel perto do aeroporto pra gente aguardar pelo novo horário de embarque.
Fernando atropelando a gente com seu caminhão de gentileza!
Será que todas as produtoras de artistas fariam isso?
Fica a pergunta...
Estávamos numa cafeteria, onde arrisquei um chocolate quente, quando recebemos a notícia de que os dois quartos estavam liberados no hotel.
O chocolate quente era um leite com Nescau, ruim demais! Não consegui chegar na metade.
Mas a notícia foi ótima!
Quando o Uber chegou para pegar a gente, o relógio marcava 7h20.
Chegamos no hotel, acertamos as coisas no balcão, deixamos as bagagens nos quartos e seguimos para o café da manhã.
Corremos de volta para os quartos, pra dormir o maior tempo possível!
Marcamos para sair do hotel às 13h.
Deu para dar um cochilo legal.
Voltamos para nossa jornada no aeroporto, e a surpresa... Voo atrasado!!!!!!
Pegamos todos os documentos possíveis para comprovar o cancelamento do primeiro voo.
Ahhhhhh! Esqueci de falar uma coisa...
Logo que fiquei sabendo que o voo estava cancelado e só iríamos voltar pra Recife às 15h55, entrei em contato com a produção de Fernando Anitelli (O Teatro Mágico) para informar do ocorrido, e para falar que não iria poder fazer o trabalho.
Mas já tinha falado antes com meu Amigo Júnior Evangelista, que estava trabalhando no festival de jazz e pedi para ele fazer o serviço para mim.
Eu já tinha emitido NF e até recebido esse show do Anitelli, mas era só repassar para Evangelista, que nem quis aceitar!
Mas insisti, e a gente entrou num acordo.
Enviei essa NF para Guilherme, para servir de prova que eu iria fazer o trabalho no dia 29/03.
Com tudo acertado com Júnior e depois com a produção do Anitelli, fiquei tranquilo.
Tranquilo não estava no aeroporto ao saber que mais uma vez o voo estava atrasado!!!!!!
Pegamos também um documento referente a esse atraso. 

Documento referente ao atraso do segundo voo.
Será que não vamos voltar hoje?
Foi a pergunta que fizemos enquanto bebíamos uma garrafa de vinho Chileno.
A turma da cerveja achou o vinho muito forte, enquanto eu ria, girando minha taça só para fazer o charme...
Eu já tinha degustado uma taça desse mesmo vinho no almoço, antes de entrar para a sala de embarque, mas como todos estavam querendo comemorar uma "possível" volta para casa, pedi uma garrafa!
Descobri um estrogonofe de camarão legal no Vivenda do Camarão no shopping em Brasília quando estava com Flaira ferro, e repeti aqui no almoço no aeroporto de Fortaleza.
Antes de acabarmos direito com a garrafa de vinho, soou no sistema de som do aeroporto o anúncio do início do embarque para nosso voo!
Uh uhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh.
Festa!
Viramos o resto do vinho da taça como alguém que está bebendo uma lapada de cana e seguimos para o embarque.
Logicamente, fui direto para a fila de "prioridades por lei"!!
E tudo seguiu agora como o combinado.
Mas...
Era para eu pousar em Recife no dia 29/03 antes das 7h da manhã, mas quando eu pedi o Uber (pode ser POP também) no aeroporto de Recife para voltar para casa, já passava das 19h!
Na realidade, quem pediu o Uber foi Natalie, que mora aqui perto de casa e rachamos o valor da corrida.
Então...
Foi assim meu trabalho no monitor do show de Fernando Anitelli no Festival de Jazz do Recife.
Que a empresa aérea Azul não me deixou fazer!
Pela primeira vez na minha vida, vou colocar alguém (ou alguma coisa) na justiça!
E vamos colocar todos juntos, os 4 passageiros de Recife, abandonados pela Azul!
Já enviei todos os documentos para Guilherme, que é quem está fazendo esse serviço com um advogado de Salvador.
Vou tentar um dinheiro extra para os vinhos!!!!
Vou até usar um termo do meu ex-sogro Juzenildo aqui no final. 
"Muito deselegante" o que a Azul fez.
Acho que foi muito pior do que isso, mas... Vou finalizar com finesse, com delicadeza.
Um abraço a todos.

domingo, 5 de abril de 2026

Monitor de Rachel Reis em Fortaleza - Tratamento de luxo.

 
Olá pessoal.
No dia 28 de março fui para Fortaleza para operar o monitor do show de Rachel Reis.
Normalmente quem faz esse serviço é meu Amigo Adriano Duprat.
Nesse show ele foi como o diretor técnico, função que nos próximos shows vai ser assumida por Cíntia, roadie que está com Rachel já faz um bom tempo (se não me engano).
Para quem acompanha o Blog, não preciso dizer que não foi a primeira vez que trabalhei no show da artista de Salvador.
Na maioria das vezes fiz o monitor e uma vez operei o som do PA.
Não lembro se postei sobre esse trabalho...
É uma grande satisfação profissional ser contratado por uma artista de Salvador, e num desses trabalhos o show foi numa cidade perto de Salvador, que foi onde operei o som do PA.
Gratificante isso.
Muitos sabem que não é nada fácil "andar" com uma equipe técnica, principalmente usando o avião como transporte.
Fora isso, tem a diária de alimentação e a hospedagem.
Sempre toco nesse assunto, pois é um fator que interfere (e muito!) numa contratação.
Viajei de madrugada para Fortaleza, junto com minha amiga Natalie, que iria operar a luz do show.
Ela sempre faz trabalhos com Rachel Reis.
Mais um de Recife "trabalhando pra fora". (Risos)
Ahhh... O diretor musical da artista também é de Recife!!!
Guilherme Assis (Gui para os mais íntimos) além de diretor é o guitarrista da banda.
Muito bom ver a turma daqui trabalhando para fora da nossa região!!!!
Chega de detalhes... Voltar para o show.
Deu tempo para descansar, porque só iríamos para o local do show à tarde.
O show aconteceu no espaço famoso da cidade chamado Estação das Artes.

Estação das Artes - Fortaleza.
Até apareceu uma oportunidade de fazer um show lá com Otto tempos atrás, mas acabei não indo.
Já tinha informações de que o local não ajudava na acústica, o que dificulta o trabalho.
Comprovei isso quando começamos a passar o som.
Nossa grande vantagem é que todos usam fone no show de Rachel Reis, inclusive ela.
Fico imaginando como foi Otto lá, onde todos usam caixas na monitoração, mais dois amplificadores de guitarra, e o volume sonoro no palco é bem alto.
Nesse show de Rachel não tem nem amplificador de guitarra!
Realmente, faz uma diferença grande, tanto para o monitor quanto para quem está operando o PA.
Quanto mais som naquele ambiente, pior.
Como o ambiente é um grande corredor, com paredes cruas, as reflexões são enormes, ajudando a "emboloar" o som.
As caixas do line array direito, olhando para o palco, ficam quase coladas à parede lateral.
Tem que inclinar um pouco para o meio do salão, e acho que eles sempre fazem isso em todos os shows.
Não lembro se fazem isso também com o line do lado esquerdo...
Adriano já tinha me passado que seria uma CL5 no monitor, e montei uma cena inicial em casa, como geralmente faço.
Dificilmente chego para um trabalho sem uma cena inicial.
Um sistema de in-ears foi alugado na cidade, para todos da banda, para os dois roadies e que incluía um para o técnico de monitor (eu).
Um luxo hoje em dia isso.
Quando cheguei no local, estava tudo funcionando e plugado na mesa de monitor, onde eles seguiram "à risca" o que estava no rider técnico.
Só precisei mudar o patch do side, porque não usaria pelos auxiliares e sim pelo LR da mesa.
Como todos usam fones, eu nunca coloco nada no side, só uso em caso de emergência.
Nesse dia, só me pediram para colocar um pouco de bumbo, e só!

Chequei todos os in-ears, estava tudo ok.
Foi só aguardar o começo do soundcheck.
Fizemos o linecheck, onde tivemos que ajustar algumas coisas, mas tudo dentro do nosso tempo.
Depois de checar todos os canais, começamos o soundcheck.
Todos os músicos no palco com seus fones e Adriano foi coordenando do palco com um microfone sem fio que ia para todos os músicos, e para mim também, logicamente.
Depois do som passado para a banda, Rachel chegou e passamos com todos.
Já existia uma mix para o fone da cantora.
Aí foi só fazer pequenos ajustes para todos.
Tudo dentro da normalidade.
Rachel é bem tranquila com a monitoração, que até assusta.
Dificilmente ela pede alguma coisa!
No soundcheck não pediu nada!
No show, só pediu (cantando) para aumentar o maestro do VS. (Risos)
Uma amiga me indicou um filme, e fui ver.
Chatinho de ver, não entrou na minha lista de dicas de filmes, mas acho que ela me indicou para mostrar que posso fazer parte do TEA (Transtorno do Espectro Autista) e não sei disso!
Será? Vou prestar mais atenção nisso.

O show... Ahhh o show...
Como é o normal, conferimos todos os canais e vias de fones rapidamente antes de começar.
Tudo normal, sem atropelos, e o show começou.
E o palco limpo, sem as caixas de som nos monitores foi importante para o resultado sonoro.
Mesmo sem as caixas de monitor, o som era bastante "reverberado" em cima do palco, por causa das peças acústicas da bateria e percussão, que se somavam com o som do PA.
E no side ficou só o bumbo mesmo, do começo até o final do show.
Não estou dispensando mais os microfones dos roadies nos meus trabalhos.
Coloco um em cada lado do palco, com fio mesmo, e eu levo os microfones que possuem chave on/off.
Inclusive vou ter que comprar outro, pois o que estava comigo quebrou a chave liga/desliga.
Esses microfones dos roadies não podem ficar abertos o tempo todo, porque o sinal deles fica direto no meu fone.
Ligou a chave ON, escuto a voz deles independente do que eu esteja fazendo na hora.
Coloco meu fone quando vamos começar e só retiro quando o show acaba.
Atendi algumas solicitações dos roadies durante o show, onde eles pegaram esses pedidos dos músicos, mas tudo também dentro da normalidade.
Fiquei durante grande parte do trabalho "procurando cabelo em ovo".
Escutando as vias dos músicos e da cantora...
Desde o começo do trabalho foi um tratamento de luxo!
Cíntia e Batata como roadies.
Natalie na luz nem falo mais, pra não ficar repetitivo.
Víctor Vaughan no PA.
Já tinha trabalhado com ele quando fui fazer o monitor da Academia da Berlinda em Salvador.
Sempre é uma tranquilidade.
Faz tempo que ele é o técnico de PA da banda BaianaSystem (Salvador - BA).
Foi bem mais complicado para ele no PA do que pra mim no monitor, pois a acústica da casa realmente não ajuda.
Fernando Castro estava mais uma vez na produção, e é tão solícito que "dá raiva". (Risos)
Durante o show, deu um problema de RF no in-ear de um músico, que eu nem vi o pessoal resolvendo.
Adriano com os roadies resolveram o problema, que eu nem notei.
Não me falaram nada.
Será que foi por que entrei no grupo "Preferencial" dos 60+?
Ou eles desconfiam que sou autista? (Risos)
Ahhh....
Os sistemas alugados de in-ears (PSM 1000 da Shure) estavam perfeitos, tudo muito bem cuidado.
Um luxo.
Não tenho o contato do fornecedor, porque não fui eu que tratou disso, mas quem quiser esse contato é só me falar por aqui nos comentários da postagem ou entrar em contato pelo WhatsApp, que eu consigo essa informação com a produção de Rachel Reis.

O show foi "show!!!!".
A satisfação de todos no palco era visível, incluindo a cantora.
A satisfação do público idem.
(Ou como sempre falo, se não estavam satisfeitos, estavam fingindo bem.)
Dá para notar isso nos poucos vídeos que eu fiz.
A única bronca foi voltar para casa na madrugada do outro dia.
E mais uma vez Fernando me "atropelou com seu caminhão de gentileza".
Na verdade, NOS atropelou!
Foi realmente um tratamento de luxo durante todas as horas que passei em Fortaleza.
Só a empresa aérea Azul não fez isso.
Mas aí é assunto para a próxima postagem!
Um abraço a todos.

PS: "Você me atropela com esse seu caminhão de gentileza."
Frase de meu Amigo de infância Carlos, que levo para toda minha vida!
Meu eterno Amigo que se foi cedo, e que eu chamava carinhosamente de Cabeça de Bagre.
Figuraça!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Sempre aparece em meus pensamentos, como hoje, enquanto escrevia sobre esse trabalho.

Cabeça de Bagre!


sexta-feira, 27 de março de 2026

Operando o monitor do Rec-Beat - A despedida dos festivais?

 
Olá pessoal.
Não é de hoje que já venho falando para colegas e amigos de profissão da minha vontade de parar de trabalhar em festivais.
Já fiz vários...
O primeiro deve ter sido o Abril Pro Rock (APR), no começo dos anos 2000, quando fui contratado pela empresa de som PA Áudio, dos meus amigos Normando, Rogério e Mário Jorge.
Dos mais importantes, acho que só faltava eu trabalhar no Rec-Beat.

E esse foi, acredito, o principal motivo para eu aceitar o convite para operar o monitor do evento.
O segundo motivo foi a remuneração.
Sempre achei que esse é um dos maiores problemas dos festivais daqui.
A remuneração. O cachê.
A responsabilidade é bem grande, o "rojão" é tão grande quanto, as horas dormidas são pouquíssimas, e em muitos casos não dá nem para se alimentar direito.
Lembro na época do começo no APR, quando colavam o papel com o cronograma das passadas de som e do início dos shows, e quando eu olhava, não existia pausa para almoçar e/ou jantar!
Era um soundcheck atrás do outro, e logo em seguida começava o primeiro show, que acabava bem tarde, e a técnica tinha que chegar bem cedinho...
Hoje as pausas existem nos cronogramas, mas nem sempre dá para seguir ao "pé da letra".
E em muitos casos, algum colega que está mais folgado naquele momento, traz o almoço ou lanche pra gente comer numa brechinha de tempo ao lado da mesa de monitor (ou PA).


Aconteceu algumas vezes nesse trabalho que fiz no carnaval no Cais da Alfândega (Recife), principalmente na hora do jantar.
E pela praticidade, pedia sempre um hambúrguer "artesanal", que era bem gostoso.
Fica meio complicado comer uma quentinha com aqueles garfos de plástico que quebram na primeira espetada na carne.
Quebrei tanto estes talheres, que na época que estava começando, andava com um garfo e faca de metal na minha maleta de ferramentas!
Cheguei perto de engolir alguns pedaços de dentes de garfo, que quebravam sem eu notar e ficavam no meio da comida.
Já foi por hoje...
Queria só começar o texto para deixar um começo definido.
Semana que vem termino e faço a postagem.
Estou me arrumando para dois trabalhos nesse fim de semana, que tá parecendo cronograma de festival.
Hoje é quinta-feira (26/03 - 23h35), e viajo na madrugada do sábado para Fortaleza, onde faço o monitor de Rachel Reis.
Volto na madrugada do domingo para Recife, onde vou fazer nesse mesmo dia o monitor do show de Fernando Anitelli, vocalista do grupo O Teatro Mágico.
Depois conto como foram os trabalhos...
Amanhã faço exames de sangue pela manhã e arrumo as coisas para o "bate-e-volta" em Fortaleza.
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Já arrumei tudo aqui para a viagem, e vou ver se consigo terminar esse texto hoje, sexta-feira.
Como falei acima, fui fazer uns exames, tou tentando mais uma vez dar uma geral nesse corpinho de 60 que eu tanto maltrato.
Falei de rojão nos festivais, né?
Nesse não foi diferente...
Mudei muitas caixas de monitor do lugar, com a ajuda do meu amigo Léo Mattos, que foi contratado pela empresa de som para me dar uma assistência.
E ele deu mesmo, como sempre!
Léo, quando eu estava começando no monitor da Versão Brasileira, já trabalhava em empresa de som, e me encontrei várias vezes com ele nos palcos, onde ele sempre foi muito profissional e solícito.
Dificilmente saía um NÃO da boca dele, o que não era muito comum naquela época, e até hoje isso ainda não mudou completamente.
Sempre o admirei por causa desse profissionalismo, e dessa vontade que ele tinha de sempre querer ajudar a resolver problemas no palco ou no som do PA.
Pois bem...
Eu não imaginava que esse trabalho com ele no Rec-Beat seria a última vez que eu iria vê-lo.
Dias atrás recebi a péssima notícia que ele tinha falecido.
Voltou pra casa depois de um dos trabalhos dele com som, sentou na sala, e morreu.
Tinha me falado em uma das várias conversas lá no palco do festival que estava muito contente com um serviço diário que ele estava fazendo, que garantia um "fixo" que ajudava muito para pagar as contas.
Atualmente ele operava o som do PA do cantor Santanna, O Cantador.
Mas já trabalhou para vários outros artistas daqui de Recife, como Quinteto Violado e André Rio.
Mais um cara "gente boa" que foi embora...
Uma merda saber que não vou mais me encontrar com ele nos palcos.
Vamos em frente, como diz Silvério Pessoa.
Aprendi muito novinho e de uma forma cruel, que a vida não para!
Voltando ao Rec-Beat...
Coincidência ou não, na quarta-feira de cinzas, apareceu uma dor no meu cotovelo direito, e ao que tudo indica é uma tal de Epicondilite Lateral.

Clique na imagem para ampliar.
Mesmo Léo me ajudando a carregar as caixas pesadas de monitor, acredito que esse esforço pode ter ajudado no aparecimento dessa tal de epicondilite.
Estou supondo, pois a inflamação é causada geralmente por movimentos repetitivos, como um tenista.
Estou começando a tratar.
Mas que é rojão trabalhar num festival, é sim.
Principalmente no monitor!!!!!!

Chico Chico.

Como sou o responsável pelo monitor do evento, faço o monitor das bandas que não trazem seu técnico.
Para terem uma ideia, das 20 atrações, só uma trouxe o técnico de monitor, e teve um caso do técnico de PA operar o monitor lá da frente, com todos no palco usando fones.
O resto, eu operei.
Mas não fui sem saber, isso é o normal aqui.
Fui contratado para isso mesmo.
Não sei como é num Lollapalooza ou Rock In Rio...

Ajuliacosta.

Tinha até o que comentar sobre a parte técnica, mas não vou entrar nesse assunto.
Uma coisa posso até falar, que pode ajudar outros técnicos no monitor de futuros festivais.
Resolvi não desconectar nada das vias de monitor.
Tanto das vias de caixa como as vias dos in-ears.
Pluguei uma vez e não mexi mais.
Fiz uma lista mostrando como estavam as saídas, e para onde iam, e se aparecesse uma banda com seu técnico, era só fazer o patch digital, sem desplugar nada!
Colei essa lista ao lado da mesa de monitor, como mostra a foto abaixo.


Deu muito certo isso, e foi bem simples para o único técnico que apareceu no palco fazer o patch digital para suas vias de monitor.
Já tinha feito isso no último trabalho que eu fiz no Festival No Ar Coquetel Molotov.
Funciona absurdamente!


Mas não vou entrar na parte técnica dessa vez, e que teria muito assunto para falar!!!!!
Quando resolvi escrever, foi para falar sobre o desgaste físico (e mental) causado por um trabalho num festival de música.
Como falei antes, fiz muitos, mas estou realmente cansando da "puxada".
Não tenho mais o corpinho de 30 anos.
Agora o danado tá com 60, e eu não cuido muito bem dele.
Mesmo com a melhor remuneração que eu consegui até hoje em festivais, e recebendo o valor total depois de apenas uma semana, o Rec-Beat foi o empurrão que estava faltando para minha decisão.
Foi a minha despedida dos festivais?
Foi sim.
Espero ter contribuído com meu trabalho para o sucesso dos vários festivais por onde passei.
Sempre me diverti.
Mas não estou mais me divertindo como antes.
Vou deixar para os mais novinhos o serviço, com mais disposição, fôlego e talento!!!
E muito obrigado a todos que me convidaram para esses festivais.
Tem muita gente que acredita em mim, mais do que eu mesmo!!
Um SESI Bonecos, FITO, MIMO, ou coisa do tipo, ainda posso até aguentar...
Mas no PA!!!!
No monitor, dá mais não.
Um abraço a todos.

PS: Organizar aqui o vinho para aguardar pela hora de seguir para o aeroporto às 2h da madrugada... (Risos)