Olá pessoal.
No dia 22 de agosto fui operar o som do monitor da cantora Kell Smith lá em Campina Grande (PB).
Não conhecia a Kell, e quem me indicou foi Moisés, técnico daqui de Recife.
A gente fez recentemente dois trabalhos com Geraldo Azevedo, onde ele operou o som do PA desses shows.
Pois bem...
Ele entrou em contato e me perguntou se eu não queria fazer esse monitor porque ele não iria poder fazer.
Na hora falei que não queria.
Pelas mesmas razões que estão me cercando nesses últimos anos.
Ando meio cansado do monitor, ando meio desconfiado do meu trabalho, e estou pegando muito equipamento abaixo das necessidades dos shows, principalmente aqui na minha região (Pernambuco).
Ok, o show seria na Paraíba.
Rapaz... Dependendo da situação, não muda muito não, viu?
Quem leu aqui as postagens anteriores viu o sufoco que foi no show de Geraldo naquela região recentemente.
Fora esse meu receio, eu não conhecia a banda, não conhecia a cantora, não sabia se seria caixas de monitor, o que aumenta absurdamente o risco de dar merda...
Principalmente quando quem vai cantar sussurra ao microfone na hora de cantar.
É bronca.
Aí não aceitei o convite e até dei a opção para Moisés de chamar um amigo nosso para esse serviço.
Ele concordou com a opção e nos despedimos.
Avisei até a esse amigo que eu tinha indicado ele para esse monitor de Kell, e ele me falou que poderia fazer.
Fiquei em casa depois fazendo minha autoanálise.
Sempre converso comigo mesmo, e me dou grandes “esporros” nessas conversas solitárias!
Não sei se esse termo é usado em todo Brasil, mas esporro aqui em Recife significa também: Ação de reprimir de maneira muito violenta e, normalmente, grosseira.
Me cobro muito, quase que doentiamente.
E essa autoavaliação às vezes me leva a não aceitar alguns trabalhos, por achar que o serviço está acima do meu nível profissional.
Depois de algumas horas tentando me convencer que fiz besteira, e conseguir assumir que realmente fiz besteira, entrei em contato com esse amigo que eu tinha indicado para fazer o serviço no meu lugar e falei para ele que iria fazer o serviço, e expliquei o motivo.
Ele achou que eu não poderia fazer o serviço por causa da agenda, mas expliquei o verdadeiro motivo.
Ele falou que tudo bem, não tinha problema.
Em seguida liguei para Moisés e falei que eu tinha mudado de ideia, e perguntei se ele já havia passado o nome do nosso amigo para a produção de Kell Smith, e ele falou que não tinha feito isso ainda.
Dei sorte.
E ele passou meu contato para a produção da artista.
Que novela para aceitar um convite de trabalho, né? (Risos)
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| Modo Sends On Fader, ouvindo a via de Kell Smith. |
Pedretti, o técnico de Kell que não poderia fazer esse show por questões de saúde, entrou em contato e me passou o Rider Técnico do show.
Só que tinha um detalhe... Eu moro em Recife e não em Campina Grande.
A banda e artista iriam direto de São Paulo para a cidade na Paraíba.
Falando com o Bruno, que é o tecladista e faz também a direção técnica e produção da artista, dei a opção de ir de ônibus ou alugaria um carro aqui em Recife para me deslocar até lá.
Ele me pediu um tempinho, e iria ver se não conseguiria me encaixar na passagem aérea que foi comprada para Pedretti. Pelo menos foi isso que entendi.
No mesmo dia ele entrou em contato novamente, já informando que o voo deles iria passar por Recife, onde iriam fazer uma conexão para Campina Grande, e que conseguiu me colocar nesse voo Recife > Campina Grande.
Tudo resolvido.
Segui com eles nesse segundo avião.
Encontrei-me com todos no portão de embarque, onde me apresentei e conheci todos da banda (incluindo Kell) e da técnica.
A ideia seria deixar as coisas no hotel, almoçar, e depois seguir para o palco, onde iríamos passar o som.
Ahhh!
Um detalhe.
No evento não tinha sistema sem fio de in-ears, e combinei com Bruno em alugar um sistema PSM900 aqui para a cantora, e usaríamos meus sistemas com fio da Waldman para a banda.
Todos na banda usam fones!!!!
Alegria total!
Pelo menos para o técnico de monitor. (Risos)
Eu já estava com o sistema em mãos para a viagem, quando Bruno me falou que conseguiu um rack com 4 sistemas PSM900 e que estava levando na bagagem.
Ótimo!
Decidi usar um desses para Kell, outro para a convidada, um para o baixo e outro para a guitarra.
Bateria e teclado usariam meus sistemas com fio, e o PSM que eu estava levando, ficaria como o “reserva” de Kell Smith.
E assim foi.
Semana passada apareceu uma infecção intestinal na terça-feira que fui parar na emergência.
Quando voltei no domingo de Campina Grande desse trabalho com Kell, fui direto para um bar com amigas de Caruaru que vieram para Recife pegar meu Amigo sanfoneiro que chegaria de viagem perto das 20h.
Deve ter sido alguma coisa do sunomo de kani que não combinou direito com as paredes do meu velho intestino...
Passei a terça-feira mal, mas depois fui me recuperando.
Perdi 3 shows que eu tinha marcado em Caruaru no fim de semana (28, 29 e 30/08), onde consegui colocar amigos no meu lugar.
Tou zerado!
Já comi até caldinho de bacalhau ao coco nessa terça-feira que passou!
Falando em caldinho...
A ideia era deixar as coisas no hotel, almoçar, e depois seguir para o palco, onde iríamos passar o som.
Só que não deu.
Pelo menos para a técnica e para o Bruno que também faz a produção.
Achei puxado para ele esse acúmulo de funções, mas...
Complicado você tocar e ainda fazer a produção.
O pessoal da banda ainda conseguiu comer algo no hotel, antes de seguir para o palco.
Como só tinha uma pessoa na cozinha do hotel, era impossível fazer todos os pratos dentro um prazo curto.
Seguimos para o palco sem almoço mesmo.
Lá a gente dava um jeito.
O único jeito que conseguimos foi ligar todos os nossos equipamentos, checar tudo, e a banda já chegou para passar o som.
Só deu tempo para beber água.
Eu já tinha montado uma cena em casa da DM7 (Yamaha), o que facilitou muito meu trabalho.
Sempre facilita, para ser sincero.
Já íamos começar o soundcheck, quando notei que o efeito (reverb) não estava indo para o in-ear da cantora.
Oxe, por quê?
Deixei tudo endereçado.
Quando fui conferir o Rack de efeitos e equalizadores gráficos, comprovei que não era o que eu tinha feito em casa.
Na linha DM tem uma pegadinha que foi até comentada num grupo de áudio aqui de Recife dias antes desse trabalho, e mesmo assim eu acabei caindo na pegadinha!
Impressionante!
Depois do show eu ri, mas na hora não teve graça.
Existe uma opção chamada de SAFE PLUG-IN / GEQ ALLOCATION...
Vou até pegar a foto que colocaram no grupo... Um momento.
Vou dar uma pausa aqui para ajustar a cena do show de Lia de Itamaracá & Daúde no Festival Afropunk em Recife, que vai acontecer dia 12/09 e eu vou operar o monitor.
Acho que só volto no texto amanhã, sexta-feira.
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Eis a danada da foto que foi colocada no grupo de áudio de Recife, e mesmo assim eu dancei!
Essa configuração não tem no editor offline da mesa, só tem na mesa de som, que você encontra nas opções de SCENES. (Foto abaixo)
Então... Antes de você chamar sua cena (load), olhe antes nas configurações na DM7 se a opção está desmarcada, como mostra a foto.
Se estiver ativada, todos os seus plugins e equalizadores gráficos (GEQ) não vão ser carregados, e dependendo da situação, vai ser um caos.
No meu caso foi mais simples, e consegui ajustar o básico antes de iniciar o soundcheck com a banda, mas numa cena mais complexa, cheia de muitos detalhes nos efeitos e equalizadores gráficos, a coisa pode complicar valendo!!!
Depois desses ajustes rápidos na minha cena, começamos a passar o som, com todos da banda no palco com seus sistemas de fone, com e sem fio.
E tudo fluiu bem.
Kell Smith chegou e eu entreguei seu sistema de in-ear, e seguimos ajustando pequenos detalhes, pois o “grosso” já estava bem adiantado.
Ainda passamos o som com a convidada.
Quando todos estavam satisfeitos, encerramos o soundcheck.
Salvei a cena na mesa novamente e nos meus dois pendrives.
Deu tempo de ir num restaurante jantar!
Se não me falha a memória, já passava das 18h.
O almoço virou janta!
Mas valeu a pena, pois o motorista nos levou para um restaurante onde tinha uma carne de sol espetacular.
Show de bola!
Fiquei molinho depois da janta.
Seguimos para o hotel, mas não teríamos muito tempo de folga.
Tomar banho, esticar rapidamente as pernas na cama, e já se preparar para voltar ao palco.
O técnico da empresa de som combinou comigo que não mexeria em nada nas minhas saídas de monitor, que usaria outras saídas.
Quando puxei minha cena diretamente da mesa, ainda notei algumas coisas estranhas, e Léo me pediu para chamar a cena (load) diretamente do pendrive, usando a opção ALL DATA.
Fiz isso, conferi meu rack de efeitos e estava tudo certo, mas algumas saídas que eu não iria usar não estavam do jeito que eu achei que estariam.
Fiz uns ajustes rápidos, pois eu não usaria aquelas saídas, e fui conferir todas as minhas vias de monitor, e tudo estava certinho, chegando onde era para chegar.
Aí foi só fazer um linecheck rápido e começar o show.
Zero de problemas durante todo o show!
Um pedido simples para aumentar um pouco do click para o baterista... Outra coisinha ali...
Tudo muito tranquilo o tempo todo!!
Fiquei brincando em alguns detalhes durante o show, porque estou usando hoje em dia o modo pós fader no monitor, depois de muito tempo relutando, principalmente porque morro de medo dos faders loucos que encontro pela estrada.
Essa DM7 do show estava perfeita.
Então eu dava uma subida na hora dos solos da guitarra, e lembro que aumentei geral o violão para a banda, deixando normal para o músico que tocava.
Com o pós fader você consegue fazer isso.
Tou me acostumando, e já montei a cena inicial do monitor que vou fazer dia 12 aqui em Recife em pós fader.
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| Cena inicial da CL5 do show de Lia de Itamaracá & Daúde. |
Show de Lia de Itamaracá & Daúde, no Campus da UFPE.
Já está montada a cena da CL5, e vou só dar uma olhada geral mais na frente.
Vou fazer uma turnê grande pelo nordeste com esse show de Lia & Daúde, chamado Pelos Olhos Do Mar, onde vou usar a mesa PreSonus StudioLive 32R.
É uma mesa de rack, não tem fader ou botões, toda operação é feita pelo iPad ou laptop.
Já dei uma olhada no editor offline da mesa e já vou começar a montar a cena inicial, mas antes dessa turnê tenho trabalhos ainda com Otto e Flaira Ferro.
Vamos voltar ao show de Kell Smith, né?
Não tenho mais o que falar sobre o show, foi tudo certinho, com todos no palco satisfeitos (pelo menos aparentemente).
Ahhhhh!
Não usei o side. Deixei desligado!
Geralmente faço isso.
Se todos estão com in-ear, dificilmente abro o som do side, deixando-o para uma emergência.
Ninguém sentiu falta ou pediu isso durante o show, então ele ficou “caladinho”.
Fiz a velha pesquisa no camarim após o show e todos falaram que foi tudo certo, nenhuma observação a fazer.
Então tá... Estão falando, eu acredito.
Perguntei para Bruno e Ígor (tecladista e baterista) se gostaram do sistema Waldman, da sonoridade dele, e os dois falaram que gostaram.
Massa.
Kell Smith não me falou nada, então deduzi que foi tudo certo para ela.
Nem na nossa farrinha pós-show num bar “alterna”, onde arrisquei beber umas vodkas, a cantora fez comentários sobre o monitor.
Não deveria beber aquela vodka naquele local, mas a vontade de comemorar o sucesso do trabalho foi mais forte do que a desconfiança da legitimidade do produto. (Risos)
Voltei antes do final da farra para o hotel, que ficava bem perto, e eu estava começando a sentir frio, porque fui do jeito que estava no palco, de bermuda e camiseta.
Não levei casaco.
Comi uma batata frita que estava no quarto do hotel e fui dormir.
Nem banho eu tomei.
Só quando acordei para o café da manhã eu fiz isso.
Reforcei o café da manhã, pois já estava combinado que eu seguiria direto do aeroporto do Recife para o bar!
Não iria almoçar, logicamente.
E foi assim que aconteceu.
Despedi-me de todos no corredor do desembarque em Recife, porque a turma iria fazer a conexão para São Paulo.
Como eu não tinha despachado mala, segui direto com minha mochila e case para o Caneca Fina, onde iríamos comer caranguejos.
Enquanto eu aguardava Fabiana e Olivanda, fiquei sabendo que não tinha mais caranguejos!
Tristeza total!
Decidimos então ir para outro bar.
E enquanto estávamos jogando conversa fora, comendo o "sunomono de kani e guioza", e eu com minha vodka com suco de cajá, lembrei do dia que Moisés me chamou para fazer o trabalho no monitor de Kell Smith e eu disse não.
E pensei: Ainda bem que mudei de ideia!
Iria perder a oportunidade de participar de um trabalho bem legal, com pessoas e músicos bem legais!
Ainda bem que mudei de ideia no dia, pensei novamente.
Eu estava muito feliz por causa disso.
E nem imaginava naquela hora, que eu iria passar o começo da terça-feira numa emergência de hospital. (Hoje dá para rir)
Um abraço a todos.
PS: Acho que fiz legal o trabalho, pois Pedretti entrou em contato depois, perguntando se eu poderia enviar a cena inicial desse show em Campina Grande, para adiantar o serviço dele no próximo show de Kell Smith, que aconteceria em Garanhuns (PE).
Enviei a cena pelo WhatsApp, e soube depois que deu tudo certo!




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