No sábado passado operei o monitor de um show intitulado “Pelos Olhos do Mar” (PODM) no Festival Afropunk Experience Recife, que aconteceu no Campus da UFPE, aqui bem pertinho da minha casa.
Vou usar o termo PODM para não ter que escrever todo o título quando eu precisar usar no texto.
Esse projeto que foi lançado no final de 2025 é capitaneado por Lia de Itamaracá e Daúde.
O álbum que está nas plataformas digitais tem dez músicas.
Passamos o som um dia antes do show, ou seja, na sexta-feira (dia 11/09).
Eu já estava ciente que seria uma CL5 da Yamaha no monitor e já montei uma cena inicial da mesa no editor offline para esse show.
Fui para dois ensaios antes pra ver como era o show, porque eu não conhecia nada do projeto.
Só sabia que as cantoras eram Lia de Itamaracá e Daúde.
Também nunca tinha feito nada com as cantoras antes.
Ensaio geral - Estúdio 1 - Olinda - PE.
Para ser mais exato, quando meu amigo Lindemberg, técnico de PA de Lia, entrou em contato (acho que em agosto), foi para fazer o convite pra participar no monitor da turnê do projeto por várias cidades do Nordeste, que começaria em novembro.
Mais uma vez fiquei meio indeciso em aceitar porque o trabalho seria no monitor.
Vem logo na minha mente as caixas de monitor sem manutenção, com falantes ou drivers queimados, cada uma falando de um jeito...
Mas quando eu estava explicando isso para Lind, ele já foi me avisando que nesse show todos usam fones, incluindo as duas cantoras.
Já gostei da notícia.
Logo depois ele falou que nesse projeto eles levam para fazer o monitor uma mesa rack PreSonus StudioLive 32R (foto abaixo).
Clique na imagem para ampliar.
Como podem notar na foto, a mesa só tem as entradas e saídas, não existem faders ou botões, tudo é controlado via iPad ou laptop.
Por isso é chamada de Rack.
O resto das entradas e saídas estão na parte de trás do equipamento.
Algumas mesas tipo rack possuem alguns botões no painel frontal, incluindo até display digital, como a Wing Rack da foto abaixo, mas as mais simples e logicamente mais baratas, só colocam as entradas e saídas.
Clique na imagem para ampliar.
Gostei mais ainda dessa segunda informação que Lind me passou e eu aceitei o convite, antes mesmo dele falar que levavam também os amplificadores de fone para todos os músicos!
Por coincidência eram os amplificadores da Waldman, iguais aos que eu tenho aqui comigo e que sempre levo para meus trabalhos no monitor.
As duas artistas usariam in-ear sem fio.
Ótimo.
Tou nessa!
Ensaio geral - Estúdio 1 - Olinda - PE.
Mas antes dessa turnê que começa em novembro, tinha esse show no dia 12 de setembro aqui em Recife no Afropunk.
Massa.
Já seria um primeiro contato com o show antes da turnê.
Mas resolvi usar o sistema do festival no monitor, principalmente porque o sistema PreSonus não estava ainda com todos os cabos necessários para fazer o serviço sem complicações.
Estamos providenciando isso agora.
Fiquei sabendo que teríamos seis sistemas SEM fio da Shure no Afropunk, e no dia resolvi usar todos os seis, deixando só bateria e percussão com meus sistemas COM fio da Waldman.
Então, Lia, Daúde, Lígia (guitarra), Erick (teclados) e Deco (trombone) usariam os in-ears sem fio, e eu colocaria os meus com fio para Max (bateria) e Tonyboy (percussão).
O sexto sistema sem fio ficou de reserva para alguma emergência, e ficou o tempo todo com Marcos, produtor de Lia.
Ele estava ouvindo exatamente a mesma mixagem que ia para o fone de Lia de Itamaracá.
Perfeito.
No rider técnico do PODM que eu recebi, todas as vias de monitor são MONO.
Montei a cena da CL5 com as vias mono, mas não vai ser assim na turnê.
Vou usar as vias no modo estéreo!
A PreSonus tem 16 saídas mais as duas do LR.
Dá para fazer tranquilamente, sobrando até duas saídas que devo usar para a via dos intérpretes de Libras e para a via da caixa de subgrave da bateria.
Mas isso é assunto para outra postagem.
Pelos Olhos do Mar - Soundcheck - Afropunk - Recife - PE.
Passamos o som um dia antes.
Fui bem cedo para o local do evento, e consegui adiantar bastante coisa no palco.
Passei minha cena para a mesa, fiz minhas ligações com cabos, necessárias para minha comunicação interna com o roadie e produtor.
Liguei meu roteador sem fio e fiz a conexão da mesa com o iPad.
Nossas coisas já estavam posicionadas no palco, mas antes iriam passar o som de DJs.
Fiquei aguardando a nossa hora, mas como falei, com muita coisa já adiantada.
Vixe...
Parei de escrever faz uns dias, e hoje é quinta-feira (17/09), e nem lembro quando comecei.
Vou tentar finalizar e postar hoje mesmo.
Estou com umas pendências aqui, ajustando os detalhes para o show de Otto em Salvador no dia 26 de setembro, ou seja, no outro final de semana.
Mas esse show se transformou em três shows.
Um dia antes faço Lavínia, e um dia depois faço novamente Otto, todos em Salvador, logicamente.
Fora isso, estou dando uma olhada no sistema aqui em casa (foto abaixo) que vai me acompanhar na turnê do PODM, que começa em novembro.
Vai ser de novembro até janeiro, rodando por cidades do Nordeste, e deve ter em torno de vinte shows.
Estamos providenciando o “cabeamento” para facilitar o trabalho, mas já comecei a montar a cena inicial para usar no monitor dos shows, testando a conexão com o iPad e com o laptop.
Tudo funcionando perfeitamente.
Voltando ao show PODM no Afropunk...
Como eu estava falando...
Quando a banda entrou no palco para passar o som, já estava bem adiantado o serviço, e foi só checar se estava tudo ligado no lugar certo e começamos o soundcheck.
Foi um pouco mais “puxado” do que eu estava imaginando, mas não interferiu no contexto geral da tranquilidade.
Voltei para casa cedo e bem satisfeito!!!
Sexta-feira? Cedo?
Vinho, né?
E foi isso que eu fiz.
No outro dia, só precisava chegar perto do horário do show, mas como sou bem agoniado, e moro ao lado do evento, cheguei no palco perto das 18h.
O show seria às 22h.
Nem a pulseira de identificação eu tinha, mas como conhecia quase todos do palco, incluindo o diretor de palco, ele me colocou para dentro sem a credencial, que depois peguei com o nosso produtor quando ele chegou horas depois.
Tudo certinho no palco, só mudaram alguns ajustes nos sistemas de in-ears, passando de mono para estéreo.
Tranquilo.
Vai ser a primeira coisa que vou fazer quando for a hora do nosso show, pensei.
Só aguardar a nossa hora.
Enquanto aguardava...
Recebi o aviso no meu celular do pagamento do cachê desse show!
Bom, né?
Bom não, excelente!!!!
Principalmente levando em consideração o mercado de shows e eventos na minha região, onde o normal é esperar um tempinho para receber, onde 30 dias é o considerado “normal”, pois muitos trabalhos que faço, os artistas são contratados por prefeituras e/ou governos.
Para vocês terem uma ideia, estou aguardando o cachê de um trabalho que fiz no dia 28 de junho!!!!
São João do Recife.
Nada ainda!!!!
Prefeitura do Recife... Ajuda aí a gente!!!
Entenderam porque me assustei ao receber o cachê três horas antes de fazer o trabalho?
E isso me fez lembrar de mais um detalhe nessa produção do PODM que faço questão em divulgar.
Marcos me pediu para baixar um aplicativo no celular, onde posso ver várias informações, como agenda, shows confirmados e ainda para confirmar, meus recebimentos e o que vou ainda receber...
Tudo muito bem explicado.
Achei espetacular!!!
Portal de Gestão, como mostra a foto abaixo.
CCEL = Centro Cultural Estrela de Lia.
Clique na imagem para ampliar.
Nunca tinha visto nada igual até agora.
Fora esse susto bom do aplicativo, me assustei ainda duas vezes, com atitudes que são consideradas anormais aqui na minha região.
Recebi diária nos dois dias que fui para o ensaio, e recebi uma ajuda de custo para o dia do soundcheck!!!!!!
E todos esses recebimentos, incluindo o cachê pago do show, estavam registrados lá no aplicativo.
É quase em tempo real!
Show de bola!!!!
Parabéns MP Entretenimentos Promocultural.
Conseguiram assustar o velhinho aqui.
Vou ficar na torcida (não rezo) para que outras Produtoras consigam seguir esse modelo de trabalho.
E o show???
Não deu trabalho.
Pelos Olhos do Mar - Showtime - Afropunk - Recife - PE.
Foi praticamente tudo dentro da normalidade de um trabalho no monitor, onde todos usam fones.
Ainda coloquei um “cheirinho” de algumas coisas no side, como a base gravada e as vozes das cantoras.
Mas tudo com um nível bem abaixo do normal.
Foi mais para tirar um pouco do silêncio que fica no palco quando todos estão usando fones na monitoração. (Risos)
Realmente não tenho o que falar sobre o show.
Normal, ajustando alguns detalhes nas vias de alguns músicos aqui ou ali, mas tudo dentro da normalidade.
Não fui despedido da futura turnê, então deu certo, né?
O que eu poderia ainda falar é... É que foi o primeiro de muitos!!!
Aguardar os dias dos ensaios para ajustar a cena inicial da PreSonus que já comecei a fazer aqui em casa, e rodar pelas cidades do Nordeste com o Pelos Olhos do Mar, com o sistema de monitor “embaixo do braço”.
Nunca fiz isso antes, mas tenho quase certeza absoluta que deve ser muito legal!!!!
Depois eu conto como foi!
Um abraço a todos.
PS: O cachê que recebi no dia, já reservei para pagar o plano de saúde que vence dia 25! (Risos)
No dia 22 de agosto fui operar o som do monitor da cantora Kell Smith lá em Campina Grande (PB).
Não conhecia a Kell, e quem me indicou foi Moisés, técnico daqui de Recife.
A gente fez recentemente dois trabalhos com Geraldo Azevedo, onde ele operou o som do PA desses shows.
Pois bem...
Ele entrou em contato e me perguntou se eu não queria fazer esse monitor porque ele não iria poder fazer.
Na hora falei que não queria.
Pelas mesmas razões que estão me cercando nesses últimos anos.
Ando meio cansado do monitor, ando meio desconfiado do meu trabalho, e estou pegando muito equipamento abaixo das necessidades dos shows, principalmente aqui na minha região (Pernambuco).
Ok, o show seria na Paraíba.
Rapaz... Dependendo da situação, não muda muito não, viu?
Quem leu aqui as postagens anteriores viu o sufoco que foi no show de Geraldo naquela região recentemente.
Fora esse meu receio, eu não conhecia a banda, não conhecia a cantora, não sabia se seria caixas de monitor, o que aumenta absurdamente o risco de dar merda...
Principalmente quando quem vai cantar sussurra ao microfone na hora de cantar.
É bronca.
Aí não aceitei o convite e até dei a opção para Moisés de chamar um amigo nosso para esse serviço.
Ele concordou com a opção e nos despedimos.
Avisei até a esse amigo que eu tinha indicado ele para esse monitor de Kell, e ele me falou que poderia fazer.
Fiquei em casa depois fazendo minha autoanálise.
Sempre converso comigo mesmo, e me dou grandes “esporros” nessas conversas solitárias!
Não sei se esse termo é usado em todo Brasil, mas esporro aqui em Recife significa também: Ação de reprimir de maneira muito violenta e, normalmente, grosseira.
Me cobro muito, quase que doentiamente.
E essa autoavaliação às vezes me leva a não aceitar alguns trabalhos, por achar que o serviço está acima do meu nível profissional.
Depois de algumas horas tentando me convencer que fiz besteira, e conseguir assumir que realmente fiz besteira, entrei em contato com esse amigo que eu tinha indicado para fazer o serviço no meu lugar e falei para ele que iria fazer o serviço, e expliquei o motivo.
Ele achou que eu não poderia fazer o serviço por causa da agenda, mas expliquei o verdadeiro motivo.
Ele falou que tudo bem, não tinha problema.
Em seguida liguei para Moisés e falei que eu tinha mudado de ideia, e perguntei se ele já havia passado o nome do nosso amigo para a produção de Kell Smith, e ele falou que não tinha feito isso ainda.
Dei sorte.
E ele passou meu contato para a produção da artista.
Que novela para aceitar um convite de trabalho, né? (Risos)
Modo Sends On Fader, ouvindo a via de Kell Smith.
Pedretti, o técnico de Kell que não poderia fazer esse show por questões de saúde, entrou em contato e me passou o Rider Técnico do show.
Só que tinha um detalhe... Eu moro em Recife e não em Campina Grande.
A banda e artista iriam direto de São Paulo para a cidade na Paraíba.
Falando com o Bruno, que é o tecladista e faz também a direção técnica e produção da artista, dei a opção de ir de ônibus ou alugaria um carro aqui em Recife para me deslocar até lá.
Ele me pediu um tempinho, e iria ver se não conseguiria me encaixar na passagem aérea que foi comprada para Pedretti. Pelo menos foi isso que entendi.
No mesmo dia ele entrou em contato novamente, já informando que o voo deles iria passar por Recife, onde iriam fazer uma conexão para Campina Grande, e que conseguiu me colocar nesse voo Recife > Campina Grande.
Tudo resolvido.
Segui com eles nesse segundo avião.
Encontrei-me com todos no portão de embarque, onde me apresentei e conheci todos da banda (incluindo Kell) e da técnica.
A ideia seria deixar as coisas no hotel, almoçar, e depois seguir para o palco, onde iríamos passar o som.
Ahhh!
Um detalhe.
No evento não tinha sistema sem fio de in-ears, e combinei com Bruno em alugar um sistema PSM900 aqui para a cantora, e usaríamos meus sistemas com fio da Waldman para a banda.
Todos na banda usam fones!!!!
Alegria total!
Pelo menos para o técnico de monitor. (Risos)
Eu já estava com o sistema em mãos para a viagem, quando Bruno me falou que conseguiu um rack com 4 sistemas PSM900 e que estava levando na bagagem.
Ótimo!
Decidi usar um desses para Kell, outro para a convidada, um para o baixo e outro para a guitarra.
Bateria e teclado usariam meus sistemas com fio, e o PSM que eu estava levando, ficaria como o “reserva” de Kell Smith.
E assim foi.
Semana passada apareceu uma infecção intestinal na terça-feira que fui parar na emergência.
Quando voltei no domingo de Campina Grande desse trabalho com Kell, fui direto para um bar com amigas de Caruaru que vieram para Recife pegar meu Amigo sanfoneiro que chegaria de viagem perto das 20h.
Deve ter sido alguma coisa do sunomo de kani que não combinou direito com as paredes do meu velho intestino...
Passei a terça-feira mal, mas depois fui me recuperando.
Perdi 3 shows que eu tinha marcado em Caruaru no fim de semana (28, 29 e 30/08), onde consegui colocar amigos no meu lugar.
Tou zerado!
Já comi até caldinho de bacalhau ao coco nessa terça-feira que passou!
Falando em caldinho...
A ideia era deixar as coisas no hotel, almoçar, e depois seguir para o palco, onde iríamos passar o som.
Só que não deu.
Pelo menos para a técnica e para o Bruno que também faz a produção.
Achei puxado para ele esse acúmulo de funções, mas...
Complicado você tocar e ainda fazer a produção.
O pessoal da banda ainda conseguiu comer algo no hotel, antes de seguir para o palco.
Como só tinha uma pessoa na cozinha do hotel, era impossível fazer todos os pratos dentro um prazo curto.
Seguimos para o palco sem almoço mesmo.
Lá a gente dava um jeito.
O único jeito que conseguimos foi ligar todos os nossos equipamentos, checar tudo, e a banda já chegou para passar o som.
Só deu tempo para beber água.
Eu já tinha montado uma cena em casa da DM7 (Yamaha), o que facilitou muito meu trabalho.
Sempre facilita, para ser sincero.
Já íamos começar o soundcheck, quando notei que o efeito (reverb) não estava indo para o in-ear da cantora.
Oxe, por quê?
Deixei tudo endereçado.
Quando fui conferir o Rack de efeitos e equalizadores gráficos, comprovei que não era o que eu tinha feito em casa.
Na linha DM tem uma pegadinha que foi até comentada num grupo de áudio aqui de Recife dias antes desse trabalho, e mesmo assim eu acabei caindo na pegadinha!
Impressionante!
Depois do show eu ri, mas na hora não teve graça.
Existe uma opção chamada de SAFE PLUG-IN / GEQ ALLOCATION...
Vou até pegar a foto que colocaram no grupo... Um momento.
Vou dar uma pausa aqui para ajustar a cena do show de Lia de Itamaracá & Daúde no Festival Afropunk em Recife, que vai acontecer dia 12/09 e eu vou operar o monitor.
Acho que só volto no texto amanhã, sexta-feira.
----
Eis a danada da foto que foi colocada no grupo de áudio de Recife, e mesmo assim eu dancei!
Essa configuração não tem no editor offline da mesa, só tem na mesa de som, que você encontra nas opções de SCENES. (Foto abaixo)
Então... Antes de você chamar sua cena (load), olhe antes nas configurações na DM7 se a opção está desmarcada, como mostra a foto.
Se estiver ativada, todos os seus plugins e equalizadores gráficos (GEQ) não vão ser carregados, e dependendo da situação, vai ser um caos.
No meu caso foi mais simples, e consegui ajustar o básico antes de iniciar o soundcheck com a banda, mas numa cena mais complexa, cheia de muitos detalhes nos efeitos e equalizadores gráficos, a coisa pode complicar valendo!!!
Depois desses ajustes rápidos na minha cena, começamos a passar o som, com todos da banda no palco com seus sistemas de fone, com e sem fio.
E tudo fluiu bem.
Kell Smith chegou e eu entreguei seu sistema de in-ear, e seguimos ajustando pequenos detalhes, pois o “grosso” já estava bem adiantado.
Ainda passamos o som com a convidada.
Quando todos estavam satisfeitos, encerramos o soundcheck.
Salvei a cena na mesa novamente e nos meus dois pendrives.
Deu tempo de ir num restaurante jantar!
Se não me falha a memória, já passava das 18h.
O almoço virou janta!
Mas valeu a pena, pois o motorista nos levou para um restaurante onde tinha uma carne de sol espetacular.
Show de bola!
Fiquei molinho depois da janta.
Seguimos para o hotel, mas não teríamos muito tempo de folga.
Tomar banho, esticar rapidamente as pernas na cama, e já se preparar para voltar ao palco.
O técnico da empresa de som combinou comigo que não mexeria em nada nas minhas saídas de monitor, que usaria outras saídas.
Quando puxei minha cena diretamente da mesa, ainda notei algumas coisas estranhas, e Léo me pediu para chamar a cena (load) diretamente do pendrive, usando a opção ALL DATA.
Fiz isso, conferi meu rack de efeitos e estava tudo certo, mas algumas saídas que eu não iria usar não estavam do jeito que eu achei que estariam.
Fiz uns ajustes rápidos, pois eu não usaria aquelas saídas, e fui conferir todas as minhas vias de monitor, e tudo estava certinho, chegando onde era para chegar.
Aí foi só fazer um linecheck rápido e começar o show.
Zero de problemas durante todo o show!
Um pedido simples para aumentar um pouco do click para o baterista... Outra coisinha ali...
Tudo muito tranquilo o tempo todo!!
Fiquei brincando em alguns detalhes durante o show, porque estou usando hoje em dia o modo pós fader no monitor, depois de muito tempo relutando, principalmente porque morro de medo dos faders loucos que encontro pela estrada.
Essa DM7 do show estava perfeita.
Então eu dava uma subida na hora dos solos da guitarra, e lembro que aumentei geral o violão para a banda, deixando normal para o músico que tocava.
Com o pós fader você consegue fazer isso.
Tou me acostumando, e já montei a cena inicial do monitor que vou fazer dia 12 aqui em Recife em pós fader.
Cena inicial da CL5 do show de Lia de Itamaracá & Daúde.
Show de Lia de Itamaracá & Daúde, no Campus da UFPE.
Já está montada a cena da CL5, e vou só dar uma olhada geral mais na frente.
Vou fazer uma turnê grande pelo nordeste com esse show de Lia & Daúde, chamado Pelos Olhos Do Mar, onde vou usar a mesa PreSonus StudioLive 32R.
É uma mesa de rack, não tem fader ou botões, toda operação é feita pelo iPad ou laptop.
Já dei uma olhada no editor offline da mesa e já vou começar a montar a cena inicial, mas antes dessa turnê tenho trabalhos ainda com Otto e Flaira Ferro.
Vamos voltar ao show de Kell Smith, né?
Não tenho mais o que falar sobre o show, foi tudo certinho, com todos no palco satisfeitos (pelo menos aparentemente).
Ahhhhh!
Não usei o side. Deixei desligado!
Geralmente faço isso.
Se todos estão com in-ear, dificilmente abro o som do side, deixando-o para uma emergência.
Ninguém sentiu falta ou pediu isso durante o show, então ele ficou “caladinho”.
Fiz a velha pesquisa no camarim após o show e todos falaram que foi tudo certo, nenhuma observação a fazer.
Então tá... Estão falando, eu acredito.
Perguntei para Bruno e Ígor (tecladista e baterista) se gostaram do sistema Waldman, da sonoridade dele, e os dois falaram que gostaram.
Massa.
Kell Smith não me falou nada, então deduzi que foi tudo certo para ela.
Nem na nossa farrinha pós-show num bar “alterna”, onde arrisquei beber umas vodkas, a cantora fez comentários sobre o monitor.
Não deveria beber aquela vodka naquele local, mas a vontade de comemorar o sucesso do trabalho foi mais forte do que a desconfiança da legitimidade do produto. (Risos)
Voltei antes do final da farra para o hotel, que ficava bem perto, e eu estava começando a sentir frio, porque fui do jeito que estava no palco, de bermuda e camiseta.
Não levei casaco.
Comi uma batata frita que estava no quarto do hotel e fui dormir.
Nem banho eu tomei.
Só quando acordei para o café da manhã eu fiz isso.
Reforcei o café da manhã, pois já estava combinado que eu seguiria direto do aeroporto do Recife para o bar!
Não iria almoçar, logicamente.
E foi assim que aconteceu.
Despedi-me de todos no corredor do desembarque em Recife, porque a turma iria fazer a conexão para São Paulo.
Como eu não tinha despachado mala, segui direto com minha mochila e case para o Caneca Fina, onde iríamos comer caranguejos.
Enquanto eu aguardava Fabiana e Olivanda, fiquei sabendo que não tinha mais caranguejos!
Tristeza total!
Decidimos então ir para outro bar.
E enquanto estávamos jogando conversa fora, comendo o "sunomono de kani e guioza", e eu com minha vodka com suco de cajá, lembrei do dia que Moisés me chamou para fazer o trabalho no monitor de Kell Smith e eu disse não.
E pensei: Ainda bem que mudei de ideia!
Iria perder a oportunidade de participar de um trabalho bem legal, com pessoas e músicos bem legais!
Ainda bem que mudei de ideia no dia, pensei novamente.
Eu estava muito feliz por causa disso.
E nem imaginava naquela hora, que eu iria passar o começo da terça-feira numa emergência de hospital. (Hoje dá para rir)
Um abraço a todos.
PS: Acho que fiz legal o trabalho, pois Pedretti entrou em contato depois, perguntando se eu poderia enviar a cena inicial desse show em Campina Grande, para adiantar o serviço dele no próximo show de Kell Smith, que aconteceria em Garanhuns (PE).
Enviei a cena pelo WhatsApp, e soube depois que deu tudo certo!
Quando comecei na Over em 1987, já tinha alguns equipamentos bem legais.
Se não me falha a memória, já era um mixer da Numark com um par de toca-discos MKII da Technics.
Esse conjunto era o sonho de todos os Discotecários da época, hoje chamados de DJs.
Não tenho certeza absoluta que já era esse trio para mixar, acho que não peguei toca-discos de correia, já era o MKII (ou MK2) com Direct Drive (Tração Direta).
O famoso toca-discos Technics MKII.
Quanto ao mixer, também não lembro se já era um Numark, mas com certeza eu posso afirmar que não tinha Sampler, onde podemos gravar qualquer coisa (base ou voz) para depois jogar em cima de uma música que já está tocando.
Não existia ainda a famosa abertura da Over (muitos falam dela até hoje) porque nem TVs ainda existiam na boate.
O primeiro sampler da boate, era um equipamento externo, onde não tínhamos muito tempo de gravação, acho que no máximo chegava a 2s.
Pode ter sido somente 1 segundo!
O primeiro “carimbo” que a gente produziu com o nome OVER POINT, foi com a voz do locutor Denny Oliveira, onde usávamos para marcar as músicas durante a noite e também nas famosas Fitas da Over que vendíamos muito bem!
Até hoje tem gente com alguma fita da época.
A gente usava o sampler externo para carimbar as músicas.
Quando as três TVs (alugadas da Colortel) foram incorporadas à casa, uma abertura de vídeo foi produzida, mas era bem simples, falando hoje em dia, pois na época acho que foi a primeira boate a fazer isso.
Várias imagens de pessoas dançando eram intercaladas com uma contagem numérica, com os números aparecendo enquanto uma voz contava regressivamente em inglês: Ten, nine, eight, seven, six...
No final surgia a locução: Ladies and gentlemen, welcome to Over Point.
Também não recordo se era Denny Oliveira na locução.
Pode ter sido já um locutor famoso de comercial e jingles do Brasil.
JR vivia dentro de agências de publicidade da família.
Depois vieram as aberturas cantadas por coros e solistas!!!
Eu gravei e mixei essas aberturas no Estúdio Estação do Som.
Enquanto não existiam as aberturas, a gente inventava...
Muitas vezes abrimos a noite com o som de uma batida seca de uma caixa de bateria, que entrava absurdamente alta, enquanto os clientes estavam surrando no ouvido da paquera, dançando ao som de uma música bem leve... (Risos)
Essa abertura marcou uma geração.
Muitos gritavam de susto e desespero, e os garções perguntavam quando seria, porque alguns chegaram a derrubar bandejas.
Fui tirar umas dúvidas com meu sobrinho, que era o Discotecário da casa e foi quem me mostrou os primeiros passos na discotecagem e também na música ao vivo.
JR DJ.
Não era um mixer Numark quando cheguei lá, era um Tonos de 4 canais, e como eu tinha falado, nem sonhava em ter sampler.
Já era um bom mixer, viu?
E já era o par de MKII da Technics, que pesava 12kg cada um.
Eu ficava horrorizado, quando JR inclinava bastante o equipamento com uma música tocando e a agulha não saía do disco.
Parecia bruxaria!
Pois bem, comecei minha carreira de DJ com o mixer Tonos mais os dois Technics.
E voltando ao assunto lá em cima... Como o Tonos não tinha sampler, usávamos um processador externo, onde nosso amigo Luizinho Referência projetou um botão grande com cabo para a gente disparar o sampler.
Era um da Micrologic, e tinha apenas 1 segundo de tempo!
Luizinho Sempre participou desses ajustes tecnológicos!
Era uma novela para gravar e também para disparar, por isso a razão do projeto desse botão grande que ficava na bancada.
Não demorou muito pra chegar uma notícia até a gente de um mixer chamado Numark, que tinha 4 segundos de gravação, e essas gravações poderiam ser feitas diretamente no mixer!!!
Um sonho!!!!
Não precisaria mais de cabos indo até o processador e voltando para um canal do mixer.
Tinha só um probleminha...
Tinha 4s de tempo para gravar, que você escolhia com um botão giratório se seria 1, 2 ou 4s de gravação.
Mas... Só gravava uma vez.
Se o DJ quisesse outro sampler com 1, 2 ou 4s, o banco que estava gravado era apagado!
Mesmo assim, quase choramos com os 4 segundos de espaço para gravação.
A gente brincou muito com esses 4 segundos!
E era muito fácil gravar!
A gente escolhia onde estava o áudio, que normalmente a gente pegava de um disco de vinil, mas poderia ser de uma fita K7 que o equipamento já estava ligado sempre em um dos 4 canais do mixer para tocar as primeiras músicas lentas da noite...
Era só escolher a fonte sonora e gravar.
Ahhh, poderia gravar também do PGM, ou seja, o que estava saindo pelo L/R do equipamento.
Ele vinha também com alguns efeitos, como Echo e Delay, onde a gente selecionava o canal que estava tocando e acrescentava o efeito.
Simplesmente show de bola!!!!!
Numark PPD, Modelo DM 1775 (foto abaixo).
Mixer Numark DM 1775.
Clique na imagem para ampliar.
No primeiro círculo de cima para baixo, o DJ escolhia qual o tempo do efeito, que está com os números na cor branca, ou escolhia o tempo de gravação do sampler (1, 2 ou 4) com os números na cora laranja.
No círculo abaixo o usuário escolhia o tipo de efeito que iria usar Delay ou Echo (cor branca) e se fosse gravar algum sampler colocava em Write, podendo testar várias vezes se a gravação ficou boa, sem cortar nada, escolhendo entre Single e Repeat (as opções do sampler na cor laranja).
Single: Você disparava e o sampler tocava uma vez e parava, e se você tocasse no botão enquanto o sampler estava tocando, o áudio parava, e voltava para o começo aguardando um novo disparo
Repeat: Você disparava, e quando tocava mais uma vez no botão ele recomeçava o áudio do começo sem parar o áudio.
Era onde a gente fazia o famoso: O o o o o o o Over Point.
O botão central sem marcação era onde a gente escolhia o percentual do efeito, se queria mais ou menos repetições do Delay ou Echo, e quando era usado nos samplers de voz ou bases, mudava o andamento do áudio, modificando assim o tom.
Lembram da voz começando bem fininha, e vai se tornando mais grave?
Era nesse botão.
A gente podia ficar brincando com o tom da gravação o tempo todo, e às vezes a gente tinha que acelerar ou atrasar a gravação para encaixar no tempo da música que estava tocando.
Ahhhh.
Fora isso tudo, existia um equalizador gráfico de 6 bandas que atuava no máster de saída do mixer.
Poderia estar ou não ativado.
Muitas vezes equalizávamos o som do geral quando a música estava entrando porque era bem diferente do áudio da música que estava tocando.
Mas esse equalizador só funcionava para o máster.
Não existiam ainda os botões de equalização em todos os canais dos mixers de hoje em dia!
Pois bem...
Depois dessa explicação para quem não é do ramo e muito menos DJ, vou falar onde apareceu o problema grande!
Estávamos muito felizes com o 1775 da Nurmark, mas...
Recebemos outra informação.
Putz!!!
Isso não levou um ano depois da compra do 1775, viu?
A Nurmark tinha lançado um novo modelo chamado 1975 (!!!!!!).
A primeira coisa que perguntei foi: Tem quantos segundos agora para gravar? 30?
E JR respondeu: Não, são os mesmos 4!
Você está doido!
Comecei a rir.
E tu achas que a gente vai convencer Rogério Amorim em comprar um novo equipamento de mixagem, não vendo mudanças significativas nesse novo?
Foi aí que a gente foi ver o que tinha mudado na nova versão.
Realmente foram poucas, mas bem consideráveis.
Tiraram o botão lá de baixo e agora o DJ escolhia se seria efeito ou gravação de sampler nas 5 pequenas teclas que ficavam acima do lado direito (ver foto).
Clique na imagem para ampliar.
Mixer Technics DM 1975.
Delay, Echo, Repeat, Single e Write.
Todos eles com LED indicando o que está selecionado.
Boa.
Mas ainda não dava para marcar uma reunião.
Basicamente eram quase as mesmas funções, mas colocaram teclas abaixo do equalizador gráfico, e a gente podia escolher agora em qual canal iríamos ativar a equalização, e se a gente selecionasse todos, era como equalizar o LR do máster porque tudo seria afetado pela equalização.
Apareceram dois botões de equalização no canal do microfone do DJ, com grave e agudo.
Ajudava.
Essa equalização de 6 bandas poderia ser ativada também no efeito (Fx e Sampler) como também no canal do microfone do DJ.
Mas... Nada da gente marcar a reunião.
Aí chegamos na parte do sampler!
Os mesmos 4 segundo para gravar, só que...
Colocaram 4 bancos de 1 segundo cada (A, B, C e D), e cada um com seu LED na cor laranja para indicar que estão selecionados.
Massa.
Aí vem o “pulo do gato”!
A gente podia combinar eles tanto para gravar quanto para tocar!
Poderíamos ter quatro samplers de 1s (A, B, C, D), ou dois de 2s (AB, CD), ou ainda um de 1s e outro com 3s (A, BCD)... Era só combinar as letrinhas!
Na A a gente deixava o carimbo com voz do nome da boate.
No B e C a gente poderia deixar um sampler mais longo, e no D outro sampler curto, um copo quebrando por exemplo.
Era só combinar os bancos!
Para tocar era a mesma coisa...
Queria carimbar a música com a voz falada, e estava no A?
Conferia se estava em Single ou Repeat, selecionava a tecla A e disparava.
Logo depois a gente queria a voz cantada?
Tirava a seleção do A e selecionava o D.
O LED acendia na hora.
Aí era só disparar e brincar.
E logicamente podíamos reagravar só o(s) banco(s) selecionado(s), sem interferir nos outros.
Muita massa!!!!!!
Já podemos marcar a reunião!
Tínhamos alguns argumentos.
Mas não muito fortes, não é?
Lembrando que, esses equipamentos não eram nada baratos.
Nessa época da reunião, Rogério Amorim tinha feito uma reforma grandiosa no escritório.
Estava muito pequeno para tantos departamentos e papéis com informações.
Tudo era anotado, o que entrava e o que saía, tanto de dinheiro quanto de material para limpeza e/ou bebidas e comidas.
Todas os pratos eram “porcionados”!
Todos os alimentos eram guardados em porções!
Lembram que falei aqui sobre as garrafas de bebidas com água no balcão?
Procurem.
Ninguém fazia aquele controle em 1987/90.
Hoje até pode ser, com computador... Mas ainda duvido que fazem daquele jeito.
Eu já tinha deixado a boate fazia um bom tempo e fui sair com ele para uma farrinha aqui perto de casa no famoso Bar Arriégua.
Ficamos sentados por horas, e ele me falou dos roubos que ainda aconteceram e até por funcionários bem antigos.
Fiquei muito triste quando soube.
Titio... Falou ele. Com casas noturnas, seja boate, bar ou restaurante, não tem como não ser roubado, eu só dificultava um pouco.
Ainda passei um bom tempo indo para bares e boates de Recife, onde eu conhecia muita gente, tanto DJs, seguranças ou músicos e garçons.
E quando escutava as conversas desses colegas e amigos tive a certeza que Rogério não exagerou em uma única palavra.
Mas vamos para a reunião.
Sentamos na sala dele e começamos a explicar o caso, e acho que nem terminamos a frase, e ele interrompeu: Tão ficando doidos, é? (Risos - Hoje, no dia não foi)
Acabei de atualizar o mixer da boate e vocês estão me pedindo outro?
Não, não, não! Esqueçam!
Passamos um bom tempo tentando e recebendo o NÃO, onde ele ficou louco quando explicamos que seriam os mesmos segundos para gravação.
Foi aí que achamos uma brecha numa pergunta que ele fez:
Praticamente as mesmas funções, só com essa mudança um pouco mais radical nos 4 segundos???
Vocês estão doidos, não vou gastar mais dinheiro com isso e perguntou:
O público vai notar essa mudança, duvido!?!?
Olhei para JR e falamos que teoricamente NÃO, não acreditámos que na teoria o público iria notar isso, mas de algum jeito sim.
Foi quando perguntamos: Esse mesmo público vai notar essa reforma absurda do escritório que você fez?!?!
Nunca mais esqueci da cara dele de desânimo, de ter levado um xeque-mate numa partida de xadrez.
Ele olhou para nós com desânimo e falou: Vocês são foda (de chato), podem comprar esse mixer!!!!
Era um desânimo, mas junto com um sorrisinho de "ok, vocês venceram".
Ele sempre nos respeitou nos comentários e ideias, e isso era recíproco.
Participamos de várias reuniões para decidir coisas importantes do funcionamento da casa.
Mas isso vai ser para outra postagem.
Nesse dia, foi nosso último tiro na conversa.
Mas a gente acertou em cheio no alvo com a comparação.
Pouco tempo depois o equipamento já estava na cabine de som.
E deve ter ido até o final de vida da casa, pois era uma excelente ferramenta.
Hoje seria uma carroça com as inovações tecnológicas, mas nos anos 80/90 era uma Ferrari!
Poderíamos comparar muita coisa ali com Ferraris.
Um abraço a todos.
PS: Da próstata parece que escapei, mas apareceu uma infecção intestinal na terça-feira que fui parar numa emergência.
Tomando antibiótico e um tal de Hidralyte desde a terça para cuidar disso, e estava até bem, sem febre alta e diarreia.
E não é que me aparece um herpes hoje na boca???
Sintomas como se fosse gripe, mas já me adiantaram que é herpes.
Baixa imunidade.
Ou seja... Mais exames pela frente.
E espero não parar novamente na emergência!
Ainda bem que cancelei meus trabalhos do fim de semana em Caruaru que vão acontecer hoje, sábado e domingo.
Mandei amigos para me substituir nos três shows e vários amigos pessoais acharam um exagero eu não ir fazer os trabalhos.
Não deu bronca grande no exame que eu fiz da próstata!
Estou informando porque falei no final da minha última postagem que iria falar aqui o resultado do exame de ressonância magnética que eu iria fazer pra saber o nível da bronca.
Não deu nada grave.
Já começo com uma ótima notícia hoje, não é?
Dessa eu me livrei.
Já marquei uma volta ao urologista para saber do tratamento que devo fazer.
Eu tratei rapidamente em aceitar o convite que eu recebi para fazer o monitor de dois shows de Geraldo Azevedo, mesmo eu estando bem desanimado para fazer monitor.
Já falei algumas vezes aqui dos motivos, mas esse assunto não é para essa postagem!
Cesinha Michiles, diretor musical do artista, entrou em contato e me perguntou se eu queria fazer esses dois trabalhos, substituindo Júnior Evangelista, que é meu Amigo e não poderia fazer essas duas datas.
Júnior é o técnico de monitor de Geraldo.
Os shows aconteceram nos dias 07/08 em Salvador (BA) e 08/08 em Dona Inês (PB), ou seja...
Nesse final de semana que passou!
Estou escrevendo esse texto na segunda-feira, dia 10/08.
Ontem fui à casa do meu Filho beber um vinho com ele, e levei uma moqueca mista do Bar Gota Serena, que é muito boa!
Dia dos Pais!!!
Vocês acham que eu lembrei?
Foi Raian quem me lembrou.
Depois de aceitar o convite para o trabalho no monitor, fui falar com Evangelista para ele me dar umas “dicas” do show.
Até cenas de mesas de som ele me enviou, mas eu não tinha decidido se as usaria ou se montava as cenas dos dois shows do zero.
Eu nem sabia quais seriam as mesas dos dois shows!
Da frente para o fundo: Toninho, Johnanthan, Cesinha e Xanfe.
Geralmente pego essas cenas com os amigos que vou substituir, para dar uma olhada em como eles trabalham nesses shows com seus artistas.
Atualmente, é muito comum encontrar três mesas nos palcos para o monitor.
E todas são da Yamaha: CL5, DM7 ou PM5D.
Isso eu falo em shows de grande porte.
A PM5D está começando a desaparecer dos palcos, o que é normal, mas ainda a encontramos por aí...
Fiquei aguardando notícias da produção do artista sobre os equipamentos, enquanto olhava as cenas que Júnior me enviou.
Da esquerda para a direita: Romero, Augusto e Jerimum.
Acho que ele me enviou cena de CL5 e DM7, não lembro se mandou também de PM5D.
Mesmo ainda não decidindo se eu iria usar essas cenas, comecei a ajustar a cena da CL5 para meu gosto, onde já coloco os nomes e cores dos canais que sempre uso.
Cada técnico tem seu jeito de nomear os canais.
Eu sempre coloco os nomes no nosso idioma: Bumbo, caixa, esteira, surdo...
Mas ainda misturo com alguns termos em inglês, colocando Hi-Hat (chimbal) e Over (pratos).
Na maioria dos nomes eu coloco em português mesmo.
Só em shows que vão acontecer fora do país, uso o inglês para todos os canais, logicamente.
Ou pelo menos tento... (Risos)
Voltando para o trabalho no monitor...
Um número considerável dos meus amigos técnicos usa a opção PÓS fader para fazer o trabalho no monitor.
Eu ainda uso muito a opção PRÉ porque encontro muitas mesas com faders ruins na estrada, que se movimentam sozinhos, e isso é “pedir pra morrer”, principalmente quando estamos fazendo o monitor de um show.
Explicando para os leigos agora...
(Lembrando que o Blog foi pensado mais para falar com os leigos do que com a turma da técnica.)
No monitor, quando estamos usando pós fader no trabalho, quando subimos ou descemos um fader, o sinal de áudio controlado por esse fader vai subir ou descer em todas as vias de monitor, e se a turma estiver usando fones o dano vai ser muito pior, podendo até causar problemas na audição desse músico caso o nível de sinal aumente bruscamente.
Em pré fader não temos esse problema, e mesmo um fader subindo abruptamente sem a nossa permissão, nada vai ser alterado no que os músicos estão ouvindo nos fones ou nas caixas de som individuais.
Mas se o LR da mesa estiver indo para o side, como é o mais comum, o volume vai subir absurdamente nas caixas que ficam nas duas laterais do palco!
Mesmo assim, decidi usar a cena do meu Amigo para fazer os trabalhos.
Vou usar pós fader!
E vou aproveitar o nível dos sinais nos endereçamentos para os músicos.
Já aproveito também as equalizações que Júnior fez, e faço os ajustes de tudo na hora do soundcheck, pois cada show é um show.
A bateria vai ser outra, os DIs vão ser outros, a acústica do ambiente vai ser outra, o vazamento do PA vai ser outro...
Muita coisa vai ser diferente daquele show que Evangelista fez meses atrás, mas vai ajudar (pensei).
Acho.
Na maioria das vezes que fiz isso, ajudou mais do que complicou.
Showtime - Casa Rosa - Salvador (BA).
Enquanto ajustava a cena da CL para meu gosto pessoal, fui informado que no primeiro show em Salvador seria a CL5 e no show na Paraíba seria a M7CL!
Aí complicou.
Para esse show, a M7 deve ter duas placas de expansão, com 4 saídas cada, deixando a mesa com 24 saídas.
Ela tem apenas 16 saídas.
Fora esse problema com a quantidade de saídas (OUTs), essa mesa é muito antiga e não é difícil encontrar problemas nos faders.
Muitos estão com “vontade própria”(!), e como falei acima, é um risco absurdo para quem está fazendo o monitor, principalmente em pós fader.
Mas ainda tem outro grande problema quando os faders estão loucos!
Não podemos usar uma função da mesa chamada “Send On Faders” que agiliza muito o nosso serviço.
Rapidez no monitor é uma peça importante no trabalho.
O dono da empresa de som garantiu que a mesa estava com as placas de expansão e que todos os faders estavam perfeitos!
Ok, então.
Montei no editor offline a cena da CL5 para o show em Salvador e depois eu converti para M7CL usando o Console File Converter da Yamaha, ajustando depois alguns detalhes que não vem na cena convertida.
Eu estava agora com as cenas das mesas dos dois shows, que sempre chamo de Cena Inicial.
Todos usam fones nesse show, incluindo Geraldo Azevedo, e não tem caixas de monitor no palco.
Só a caixa de som do subgrave da bateria e as caixas de som do SIDE.
Quando todos estão usando fones, eu só abro o side numa emergência.
Quanto mais “limpo” o palco, sonoramente falando, melhor para todos!
Achei que seria breve nessa postagem, mas já estou notando que me enganei.
Já estou cansado de escrever, e vou dar uma pausa.
Amanhã eu continuo.
----
Amanhã?
Jamais...
Hoje já é sábado, e não devo postar isso hoje, mesmo eu finalizando o texto e montando a postagem no Blogger.
Mais fácil eu postar na segunda-feira.
Antes de chegarmos a Salvador, ficamos sabendo que mudaram a mesa de PA.
A de monitor seria ainda a CL5.
Passei normalmente minha cena para a mesa de som, e fui dar uma geral nas vias de monitor, onde eu iria usar meus sistemas com fio para todos os músicos.
Mas disponibilizaram 4 sistemas sem fio G3 da Sennheiser, e nossa produção levou um sistema PSM 900 da Shure para Geraldo Azevedo.
Então usei esse PSM para Geraldo, onde dividi (splitei ou esplitei) o sinal para o primeiro sistema G3.
Eu ando sempre com meus cabos para splitar sinais.
Na verdade, não é o famoso cabo Y, é um chamado Z, que possui várias funções, incluindo a função do cabo Y, que é dividir um sinal de áudio para dois dispositivos.
Restou-me 3 sistemas G3, que distribuí para sanfona, flauta e percussão.
Bateria, baixo, guitarra e teclado usariam meus sistemas como fio.
Tudo estéreo.
Via mono só o SUB da bateria e a via destinada ao pessoal das Libras, vias 3 e 4.
Existia uma via mono com duas caixas na frente para Geraldo, mas não usam mais, e essa via ficou para Libras, via 4 é o sub bateria.
Não demoramos para passar o som.
A cena que peguei de Júnior e ajustei, ajudou mais do que atrapalhou.
Ahhh... Quando fui testar o side, o mesmo estava com problemas num dos lados, onde algumas caixas estavam com driver (médio e agudo) parado, e nem perdi tempo com isso, eliminando de vez o uso.
Só ligaria numa emergência grande.
Fui informado que Geraldo Azevedo não iria passar o som nos dois shows.
O guitarrista passou o violão dele, e o sanfoneiro passou a voz.
Com isso, eu já tinha uma ideia de como estava o fone do cantor, e encerramos o soundcheck.
A banda ficou bem satisfeita com a passada de som, e isso já animou.
Daria tempo para voltar no hotel para tomar um banho, mas antes nossa van da técnica parou no caminho para a gente almoçar.
Isso já tinha passado das 16h.
Só deu tempo para tomar um banho no hotel, sem cochilos, porque o início do show seria cedo.
Quando chegou nossa hora, chequei novamente todos os canais e as vias de monitor.
Geraldo checou seu violão ao meu lado, antes de subir ao palco.
A voz seria na hora mesmo.
Showtime - Casa Rosa - Salvador (BA).
O show transcorreu sem atropelos e eu estava sempre ouvindo a via de Geraldo Azevedo, e de vez em quando eu ia escutar as vias dos músicos, principalmente quando alguém pedia algo no seu fone.
Tudo certo.
Geraldo não solicitou nada.
Tudo certo!
Só que não estava!!!
Acho que no meio do show, ele comentou com Cesinha que estava com ruídos no seu fone.
Eu não tinha ruídos ouvindo a via dele.
O diretor de palco, que estava com o bodypack reserva da Sennheiser, e que estava recebendo o mesmo sinal da via de Geraldo não estava ouvindo esses ruídos, então o problema só podia ser no sistema PSM que estava com o cantor.
Depois fiquei sabendo que o ruído aparecia principalmente quando ele cantava, não era o tempo todo.
Putz, fiquei bem desanimado com isso.
Se ele tivesse avisado logo no início do problema, a gente teria trocado rapidamente o bodypack da Shure pelo da Sennheiser que estava com Rodrigo, mas isso não aconteceu, ele não solicitou e ficou todo o show com esse problema!
Fez o show rindo, mas com certeza não estava nada confortável.
Mesmo ele não solicitando, era pra gente ter trocado!
Não adianta agora chorar pelo vinho derramado...
Ahhhh. Esses ruídos não estavam no som do PA.
Passei o resto do dia (e do outro dia) pensando no que poderia ter acontecido.
Fiquei bem desanimado com o ocorrido, mesmo sem o público notar.
A banda saiu muito satisfeita, mas o "ator principal" não.
No outro show eu não teria o sistema de in-ear reserva, seria só o PSM 900 para ele, e todos os músicos usariam meus sistemas com fio da Waldman.
Fiquei pensando nas possibilidades que causaram o problema...
Fuga de RF, ou plugue do fone mal encaixado, mas ele falou que aparecia mais quando cantava.
Mas não tinha esse ruído no canal da voz dele, quando eu escutava isoladamente.
Se fosse no microfone (48V) dele, todos escutariam esse ruído, e eu não estava ouvindo isso.
Um cabo com defeito ou mal encaixado num dispositivo que é alimentado por 48V pode causar ruídos altíssimos.
Descartei essa possibilidade.
Descartei a possibilidade de acabar esse texto hoje.
Tou bem “enfadado” de ontem, onde resolvi ir pra balada!
Não estou mais acostumado com isso.
Nem dormi muito tarde, pois deitei para dormir às 3h30 da madrugada.
Mas o corpinho não reage igual quando eu tinha 20 e poucos anos, né?
Vou dormir!
Se eu não for comer caranguejo amanhã no Caneca Fina, acabo esse texto.
Caso contrário, só segunda!!!!!!
Ahhhh, lembrei de um detalhe massa para falar aqui.
Antes de chegar nesse ponto do texto aqui, já escrevi o final, para não esquecer os detalhes!!!
Já escrevi quando estava desligando minhas coisas na mesa de som, e vocês vão notar isso lá no final do texto!
Mas escrevi antes! (Risos)
----
Poxa...
Nem fui para o Caneca Fina comer caraguejos.
Tentei convencer uns amigos “papudinhos”, mas não tive êxito.
Vou finalizar então esse texto, e se tudo der certo, faço a postagem hoje.
Deixa eu ler acima um pouco para pegar o embalo do texto, e saber onde parei.
Ahhh, ok.
Fiquei pensando no que poderia ter causado o problema, e por eliminação cheguei numa boa opção.
Poderia ser que estivesse clipando o sinal na entrada do PSM, causando uma distorção...
Eu sempre fico olhando o nível de entrada em todos os sistemas de in-ear.
Por isso coloco sempre todos perto de mim, com a parte da frente virada pra mim, onde posso ver claramente os marcadores de nível de entrada.
Na maioria das vezes que olhei para o display de todos os sistemas de in-ear, nenhum deles estava clipando, mas...
Pode ser que o de Geraldo estivesse clipando só com a voz, causando o ruído que ele falou, que seria uma distorção.
Ahhhh, um detalhe...
Depois do show em Salvador, tirando esse problema com o cantor, eu tinha achado bem legal o resultado.
Por isso, salvei a cena da CL5 no final do show e decidi convertê-la para usar com a M7CL no show em Dona Inês (PB).
Descartei a cena que eu tinha convertido em casa, porque essa nova já estaria com os ajustes do primeiro show.
E deu muito certo!!!! (Uh uhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh)
No avião em Salvador, antes da gente decolar para João Pessoa, já avisei Geraldo Azevedo que iria fazer uma mudança no seu monitor.
Eu iria baixar o máster da via dele na mesa, e ele deveria aumentar o volume do bodypack para compensar.
Eu ajustei algumas coisinhas na cena convertida no hotel, porque já falei que alguns detalhes não vem na cena convertida.
Eu teria que diminuir o número de máquinas de efeitos, por exemplo.
Fui fazendo os ajustes, e já baixei o máster da via de Geraldo, entre 3 e 6dBs, não lembro agora.
Ahhhhhh!!!
Tem como eu saber aqui, só abrir a cena no editor offline.
Vou ver.
Baixei 3dBs como vocês podem ver na foto abaixo.
Clique na imagem para ampliar.
Se ainda assim o nível chegasse no vermelho do mostrador do in-ear durante o show, eu baixaria mais ainda e pediria para Geraldo aumentar um pouco mais o volume no bodypack.
Mas isso não aconteceu.
Ainda baixei o máster da via da percussão no soundcheck, que no show anterior ele usou in-ear sem fio, e nesse na Paraíba estava usando meu sistema com fio.
Mas antes de tudo isso, vou falar dos equipamentos.
A mesa não estava em perfeitas condições como falaram, e só tinha uma placa de expansão com 4 saídas.
Alguns faders estavam com vontade própria, como já falei que é comum nessas M7CL, e decidi usar o iPad durante todo show.
Iria ficar mais lento no serviço, mas eliminaria o perigo do som aumentar absurdamente no ouvido de todos no palco.
Para completar... A placa de expansão estava com problema, onde tinha um ruído (hummmmm) nas quatro saídas.
As duas primeiras eu estava usando para o side, e foi quando notei o ruído.
O responsável pelo som já foi falando: --- Não estava assim esse side.
E eu respondi: --- Mas agora está.
Deixa eu ver se o problema é nas saídas da placa... (Pensei)
As outras duas saídas estavam indo para o in-ear do sanfoneiro, que fiquei sabendo que existia esse sistema próprio do músico um pouco antes de ligar todas as vias.
Quando coloquei o fone para testar o in-ear, o mesmo ruído do side estava no in-ear, ou seja...
As saídas da placa estavam “bichadas”.
Avisei então para o diretor técnico, informando que o músico usaria meu sistema com fio, pois ele não iria aguentar aquele ruído contínuo no seu ouvido.
Problema resolvido. (Que nada!!!!)
E onde eu iria ligar essas vias do side e do fone da sanfona?
Showtime - Dona Inês (PB).
As 16 saídas da mesa de som já estavam comprometidas!
Por isso é necessário placa de expansão para ter mais saídas.
Vixe, me lasquei...
Foi aí que lembrei das saídas 3 e 4!!!
Lembram que lá em cima falei que usamos essas vias para o pessoal das Libras e para a caixa de subgrave da bateria?
Pois bem...
Nesse show não teria sub na bateria nem via para a turma de intérpretes.
Não tinha outra solução.
Até tinha, que seria usar algumas vias em mono, mas nem estava nos meus planos fazer isso.
E usei essas duas saídas (3e4) para o fone com fio do sanfoneiro.
Side?
Vai ter não.
Não tinha mais saídas disponíveis.
Nem usei o side no primeiro show, ficando desligado o tempo todo.
Mostrei para o dono da empresa de som onde estava o problema, e segui em frente com nossas ligações.
Ainda apareceu um contratempo nas ligações dos meus sistemas com fio.
Expliquei em conversa anterior que era só levar um cabo normal de microfone (XLR) da mesa de monitor até o músico, onde ele usaria o amplificador de fone, mas entenderam errado, e puxaram os cabos que eles usam normalmente com o sistema deles, tipo Power Play.
Na ponta do cabo que chegava para os músicos tinha uma entrada de fone P10.
Falei que não dava para ser assim, e chegaram até em falar que não tinha mais cabos de microfone disponíveis.
Só pude falar que tinha que aparecer mais cabos, não tinha jeito.
Não sei como fizeram, mas os cabos começaram a aparecer e deu para ligar todas as vias dos músicos!
Testei todas e a banda subiu no palco, onde fizemos um linecheck e soundcheck ao mesmo tempo.
Esqueci de falar um detalhe...
Chegamos à noite no palco para fazer tudo isso!!!
Não teríamos muito tempo para o serviço.
Era checar tudo rapidamente, colocar a banda pra passar uma ou duas músicas para ajustar seus fones, e esperar pela hora do show.
Geraldo iria fazer o que fez no show anterior, checar seu violão ao lado da mesa de monitor, antes de entrar no palco.
Colocar texto depois de finalizar a postagem, mas esqueci completamente de um detalhe muito importante, e não posso deixar de falar (hoje é terça-feira - 18/08/2026).
Tudo que eu falei acima aconteceu nesse segundo show em Dona Inês, só que...
A banda não passou o som!!!!
A turma da técnica chegou à noite no palco, onde fiz isso tudo que falei acima, checamos todos os canais e todas as vias de monitor (in-ears com fio e sem fio), e deixamos o palco!!!!
Quando chegou a hora do show, a banda subiu ao palco e a gente fez o linecheck e soundcheck ao mesmo tempo!!!!
Ainda deu uma bronca séria na sanfona de Johnanthan que não funcionou, e ele foi salvo por um morador da cidade que tinha um parente que possuía uma sanfona, e podem acreditar... A sanfona tinha um ótimo som!
Passaram uma música, e eu fui ajustando os fones de todos usando minha cena convertida, e Moisés foi ajustando o PA sem cena inicial, fazendo tudo do zero!
A gente mandou bem demais!!!! (Uh uhhhhhhhhhhh)
Como eu me esqueci desse detalhe?!?!?
Ainda bem que lembrei à tempo de ajustar.
Seria um desrespeito com todos da equipe não falar isso aqui, por tudo que fizemos nesse dia para que tudo desse certo!
Depois que falei com Geraldo no avião sobre a mudança que iria fazer nesse show, fui combinar depois com nosso produtor Reinaldo sobre o posicionamento do botão de volume do bodypack, pois era ele quem colocava o sistema no cantor.
Ele me falou que no outro show o botão estava no meio, e no linguajar técnico chamamos de “posição meio-dia”, usando o ponteiro do relógio como referência.
Quando ele me passou essa informação, pedi para ele colocar o botão na posição 2h, sem chegar na posição 3h.
Colocando entre 2 e 3h estaria ótimo para mim.
Deu para entender?
Só olhar na foto abaixo.
E Reinaldo fez exatamente o que eu pedi.
O show começou, e fiquei ouvindo a via de Geraldo Azevedo.
Eu teria que ajustar voz e violão na primeira música.
Checar o violão e voz com os músicos no soundcheck é uma coisa, com o artista na hora do show é outra coisa.
Mas os músicos fizeram bem o serviço, e não precisei fazer muitos ajustes no começo do show.
Não apareceu problema algum no monitor de Geraldo Azevedo ou de qualquer um da banda!
Sempre olhando novamente o nível de entrada no visor do transmissor do sistema de Geraldo, o sinal só chegava no primeiro amarelo.
Depois desse amarelo, tem mais um amarelo para depois chegar no vermelho, onde é a indicação que o sinal está "clipando" e isso pode causar distorção.
Não chegou nem perto desse vermelho, e nem sempre quando chega, a distorção aparece.
Chegar de vez em quando é uma coisa, e chegar constantemente é outra.
Uma coisa é certa!
O LED vermelho não está ali para enfeitar, viu? (Risos)
Só tenho a agradecer a todos os músicos que foram pacientes comigo nos dois shows, onde eu estava fazendo o trabalho pela primeira vez, como foi o caso também do meu colega Moisés no PA, que nunca tinha participado de um show de Geraldo Azevedo.
Valeu pessoal!
Augusto, Toninho, Xanfer, Romero, Johnanthan (esse vai soletrar o nome até morrer), Jerimum e Cesinha, que é o diretor musical e foi quem me chamou para os dois trabalhos.
Evangelista deve ter me indicado...
Nem vou agradecer a esse, que seria repetitivo.
Já falei algumas vezes que tem gente que acredita mais em mim do que eu mesmo.
Evangelista é uma dessas pessoas.
O show começou e fui seguindo no serviço.
Tudo normal, e eu até já sabia que alguns músicos precisavam ouvir determinado instrumento com mais volume em determinada música, depois voltava o volume ao normal.
Anotei isso no setlist do show, e quando chegou a hora fiz as mudanças nos volumes dos instrumentos.
Nem olhei para eles na hora (por pirraça), só depois eu levantei a cabeça para ver a reação, e vi o sorriso no canto da boca como se pensassem: --- Ahhh, safado. Ele lembrou!
Eu conheço todos da banda!!!!
São daqui de Recife, e isso é muito legal de ver!
Temos excelentes músicos, técnicos e roadies!
A banda de Alceu é quase toda daqui de Recife, só o sanfoneiro é de Caruaru e o flautista é da Paraíba.
O saudoso Paulo Rafael nasceu em Caruaru!!!!!
Toda vez que vou comer uma buchada, me lembro dele.
Odiava essas comidas pesadas, que ele chamava de “gordurame” (ou era gordurume).
Vou agradecer também às pessoas que fazem parte da equipe de Geraldo Azevedo, que eu não conhecia e que tiveram também a maior paciência com o galeguinho aqui.
Rodrigo, JB, Valmyr e Reinaldo.
Geraldo Azevedo?
Me assustei. “Figuraça”.
Como assim?
Maloqueiro.
Muitos aqui vão falar: --- Tás chamando o cantor de maloqueiro?
Tou.
E no dia que você tiver a oportunidade (e prazer) de conhecer ele por algumas horas ou dias, vai entender o que eu estou falando.
Por enquanto o prazer vai ser só meu!
Mesmo não dando tempo (nem sei se ia ter cabos para isso!) de colocar os microfones para captar a ambiência do público, que endereçamos para os fones do artista e de alguns músicos, o show fluiu como é para fluir.
Foi perfeito.
Showtime - Dona Inês (PB).
Tudo certo no palco com os músicos, e como sempre fico escutando as vias de monitor de todos, e a voz de comunicação de Cesinha vai para todas as vias, incluindo Geraldo, escutei quando ele perguntou na comunicação: --- Tudo certo aí, Geraldo?
Ele respondeu sim com a cabeça e Cesinha olhou imediatamente para mim, e eu dei o OK com o polegar antes dele falar ou dar qualquer outro sinal.
Não tinha mais o que fazer, só curtir o trabalho.
E, no final do show...
Enquanto eu desligava meus equipamentos, recolhendo também meus cabos das vias de monitor, o diretor técnico foi lá na mesa de som e falou: --- Ouviu o que Geraldo falou enquanto saía do palco??? Ouviu? Tá vendo?
Eu não ouvi nada, porque na hora que Geraldo estava saindo do palco, eu ainda estava ouvindo o som da via dele no meu fone, que nem precisava mais, diga-se de passagem.
Só tirei quando a banda parou de tocar.
E enquanto tirava meu fone dos ouvidos, Rodrigo repetiu todo animado o que o artista falou saindo do palco, e me cumprimentou.
Muito bom ouvir aquilo, e nem vou colocar aqui as palavras...
Vou deixar isso entre eu e Rodrigo.
E com esse trabalho fechei uma trilogia.
Posso falar que participei com meu trabalho nos shows dos três artistas do O Grande Encontro.
Alceu Valença, Elba Ramalho e Geraldo Azevedo.
E fechei a trilogia com chave de ouro!
Fiquei muito feliz com isso.
Foi bom para oxigenar minha vontade de trabalhar na monitoração dos shows, porque eu não estava muito animado recentemente com esses trabalhos.
Estava com “falta de ar” no monitor.
Não sei se é a idade pesando, em ter que usar óculos... Me deixa mais lento... Não sei.
Em festivais vocês já sabem que desisti de fazer o monitor.
Respirar fundo e seguir, principalmente porque fechei um trabalho numa turnê grande onde vou rodar pelo Nordeste entre novembro de 2026 e janeiro de 2027.
E advinha...?
Para operar o monitor!!!!!!!
Acho que foi o melhor contrato de trabalho que fechei até hoje.
A produção ainda está acertando os detalhes dos shows, e deve ficar em torno de vinte apresentações.
Ainda pensei em não aceitar por ser no monitor, mas vai ser todo mundo de fone no palco e devemos andar com o sistema completo de monitor, incluindo a mesa de som.
Antes dessa turnê, faço com outra artista uma mini turnê também pelo Nordeste.
Mas nessa, que deve ter cinco ou seis shows, vou operar o som do PA.
Pelo jeito, vou ter muito assunto para falar aqui.
Sábado que vem opero o monitor de mais um show.
Kell Smith.
Moisés me indicou para esse trabalho.
Mas aí é assunto para outra postagem.
Um abraço a todos.
PS1: Em 2020 operei o som do PA do O Grande Encontro, no Teatro Guararapes em Recife, substituindo meu amigo Mário Jorge.
PS2: Espero que o cantor não leia esse Blog. Chamei-o de maloqueiro. (Risos)
PS3: Não teve como eu não lembrar da minha juventude enquanto escutava várias músicas de Geraldo Azevedo durante o show! Dia Branco? Vixe! Meus pensamentos saíram do local... Não tem como separar direito a vida pessoal da vida profissional. Eu sempre achei que andam juntas.
PS4: Moisés postou um cartaz semana na passada no Instagram com uma frase que eu achei muito legal.
Adoro frases que fazem a gente pensar.
Não sei se ele postou por que fez o primeiro trabalho com Geraldo Azevedo...
Achei que combina comigo em muitos momentos que passei e ainda passo na vida.