Não tinha como eu não deixar essa situação registrada aqui no Blog.
Como muitos já sabem, fiz 60 anos no mês passado.
E isso me permitiu ser considerado "prioridade" na hora de embarcar nos aviões.
A festa foi tão grande, que até me filmaram quando eu estava na fila para embarcar...
Tem amigo safado quem pode!
Fazer o que, né?
A idade chega para todos.
Usei pela primeira vez a fila das "Prioridades Por Lei".
Não sou fã da velhice, não tenho esse discurso de internet.
Respondo do mesmo jeito que Caetano Veloso respondeu tempos atrás quando uma repórter fez uma pergunta, já afirmando: --- É muito bom ter 50 anos, não é Caetano?
Resposta: --- Não minha filha... Bom mesmo é ter 20 anos! Aí é bom.
Acho a mesma coisa.
Com 20 anos eu jogava bola quase todos os dias, achava até que era imortal.
Jovem sempre acha que é imortal...
Bebia água quente em torneiras enferrujadas, apertava na campainha e corria, soltava bomba no São João nas casas dos vizinhos...
Até ovo eu joguei na galera que sentava na parte de baixo no cinema São Luiz...
Entrávamos com as bandejas fechadas de 12 ovos na mochila.
Esperava ter um cena escura para ninguém ver a gente jogando.
Por sorte, nunca pegaram a gente.
Jovem também é sem noção, não é?
Cinema São Luiz - Recife - PE.
O frescor da juventude é inebriante, e só conseguimos ver isso quando deixamos de ser jovens.
Mas... Faz parte, não é?
Do mesmo jeito que acho melhor ter 20 e não 60, prefiro também chegar aos 60 do que morrer com 20!
Perdi alguns amigos quando eram jovens.
Não estão aqui comigo para entrar na fila das prioridades, infelizmente.
Minha mãe não chegou aos 40 anos!!!!
Eu tinha sete.
Então vamos aproveitar todos os momentos, não é?
Gostando ou não.
E entrar na frente da galera que tem até um "cartão diamante duplo misturado com ouro", tem um gostinho bom.
Arrumar a mala tranquilamente no bagageiro, sem estresse, não tem preço! (Risos)
Gostei.
Pelo menos uma regaliazinha para os velhinhos...
Mesmo eu ainda com idade mental da época dos ovos no Cine São Luiz! (Risos)
Resolvi colocar um título ao caso, pois até o caso 31 não falava nada do assunto.
Esse caso não faz muito tempo que aconteceu, e resolvi falar dele por causa de uma conversa hoje com amigos num grupo de áudio.
Um amigo colocou no grupo um vídeo onde um ator fala sobre o legado de um técnico da EMI, gravadora de uma banda chamada The Beatles, e a ligação desse técnico com a máquina de tomografia computadorizada.
Segue o vídeo abaixo.
Estávamos falando sobre "legado", e comentei que ouvi uma vez alguém falar que só queria deixar um legado para seus filhos.
Achei bem legal o pensamento dele.
Conversa vai, conversa vem... Lembrei desse caso.
Um jovem estava trabalhando na produção de um evento aqui em Recife chamado Porto Musical.
Festival bem famoso aqui na cidade, onde a grade é formada principalmente por bandas desconhecidas, o que para mim deveria ser essa a principal função dos festivais.
Deram uma parada recentemente por causa de falta de patrocínio ou apoio de prefeitura e/ou governo, infelizmente.
Pois bem...
O rapaz chegou para trabalhar no primeiro dia, e algum colega ou amigo dele que também fazia parte da produção, falou:
Veja se consertaram tal coisa lá no palco, porque o técnico de monitor contratado para o evento é muito chato, principalmente com falhas graves de estrutura ou nos equipamentos de áudio.
A pessoa que fez a solicitação ao jovem não sabia que ele era filho do tal técnico de monitor chato.
Raian era o nome do jovem.
E o técnico de monitor se chamava Ildemar, mais conhecido no meio artístico como Titio.
Ou seja... Eu! (Risos)
Raian me contou isso depois do evento, onde rimos muito.
Não lembro o que estava errado que preocupou tanto a outra pessoa da produção.
Mas devem ter resolvido!
Falei disso no grupo de áudio, e ainda comentei: Que legado "fela da puta" o pai tá deixando pro filho, né? (Risos)
Depois da conversa no grupo, lembrei que nunca tinha falado disso aqui no Blog, e acho legal deixar registrado esse acontecimento, que parece mentira, né?
Mas foi verdade!
Ahhh!
Só para deixar registrado também, participei das primeiras edições do Porto Musical pela PA Áudio, e dever ter postagens aqui no Blog falando sobre alguns desses trabalhos.
Uma abraço a todos.
PS: Nunca me incomodou ser chamado de chato, principalmente quando estou lutando pelo certo, justo, correto... Pelo óbvio.
Só a parte onde Ritchie fala dos mosquitos, já vale uma reflexão musical!
Menina Veneno é só a ponta do iceberg...
Um abraço a todos.
PS: Ainda tenho que finalizar a mala, pois viajo amanhã para participar de dois ensaios de Lucy Alves, antes da gravação do DVD (chamo audiovisual) na quarta-feira que vem em João Pessoa.
Tentei segurar a ideia de não falar nada dos outros trabalhos que eu fiz depois da última postagem falando sobre o show de Lucy Alves em Toquinho (PE).
Porque já se passou muito tempo e também por preguiça para escrever.
Mas achei desleal com quem vem aqui ler o que escrevo, e resolvi fazer um "resumão" dos sete trabalhos.
Vai ser resumo grande mesmo, viu?
Nunca usei Twitter (agora chamado de X), mas sei que são comentários curtos, né?
Vou seguir essa linha, colocando sempre um vídeo do show, que acredito ter de todos esses trabalhos.
1- Rachel Reis (monitor) em Arcoverde (PE).
Lembro que foi bem tranquilo o trabalho no monitor. Deu tempo de passar o som com calma, o que já é um grande começo.
Pelo que recordo, foi tudo dentro da normalidade.
2- Mestre Ambrósio (PA) no Crato (CE).
Geralmente faço o monitor, mas nesse me remanejaram para o PA.
O tempo ficou um pouco apertado para passar o som, mas isso geralmente prejudica mais quem está fazendo o monitor.
Lá na frente foi bem mais tranquilo que no palco, e gostei do resultado sonoro do show.
Até elogiaram, falando que não precisa fazer um som alto pra ficar bom.
Mais um "incentivo" para me afastar do palco.
3- Mestre Ambrósio (monitor) em São Cristóvão (SE).
Voltei para o palco porque o outro técnico contratado não conhecia o som da banda.
Aqui foi agonia tanto para mim no palco quanto para meu colega no PA.
A tranquilidade não reinou no soundcheck.
Fizemos muitos ajustes durante o show!
Sobrevivemos. Como sempre.
4- Baile do Menino Deus (monitor) em Goiana (PE).
Fiz muitos anos o monitor do Baile no Recife.
Comecei indo fazer o monitor só de Silvério Pessoa, mas acabei assumindo o monitor geral do espetáculo.
Mas fazia tempo que não participava desse evento.
Muita coisa mudou de lá para cá...
Aqui não foi o espetáculo completo com os vários solistas convidados.
Adaptaram o formato para as necessidades técnicas e de logística.
Foi bem mais tranquilo no monitor do que eu achei que seria.
Dificuldade muito maior teve meu amigo Carlinhos Borges que fez o PA, onde a house mix ficou "muiiiiiito" longe do palco.
5- Natal Para Sempre (PA/sonoplastia) em Recife.
Exatamente... Não opero só o som do PA, faço a sonoplastia do espetáculo, onde disparo trilhas e efeitos durante toda a peça de teatro.
Só não participei do primeiro ano, e essa foi a décima segunda edição!
Tirando o microfone de um dos atores que parou por causa de suor (mas foi resolvido), e de uma bobeira que dei no segundo dia, fechando o microfone da atriz antes da hora, o resto foi muito tranquilo.
Reflexo dos 10 anos seguidos operando o som do espetáculo.
Mas sempre seguindo o roteiro, que mudou pouco, mas tenho que ir acompanhando.
Um olho na mesa de som e laptop, e o outro no roteiro.
6- Padre Fábio de Melo (PA) em Alagoinha (PB).
Esse trabalho apareceu de última hora.
Mas eu já tinha feito um trabalho antes desse, e também no PA.
Quase impossível chamarem para fazer o monitor, onde o técnico Chicletinho domina perfeitamente a monitoração do padre, onde todos usam in-ears, com e sem fio.
Por causa da cápsula muito sensível do microfone usado pelo padre, o único problema que o técnico de PA tem é com relação às passarelas que avançam do palco e colocam o cantor na frente das caixas de som do PA.
Nesse show foi pior ainda.
Não tinha passarela, mas...
Tinha um grande avanço em toda a extensão do palco, onde as caixas do PA ficaram praticamente dentro desse palco.
Ou seja... O cantor ficava na frente do PA durante todos o show, e a coisa complicava mais quando ele ia para as laterais.
Quase toda a banda estava na linha das caixas do PA.
Nunca tinha visto coisa parecida, e não foi fácil fazer o trabalho.
Sobrevivemos, mas não foi fácil.
7- Lucy Alves (monitor) em Jaboatão dos Guararapes.
Esse foi meu último trabalho em 2025, no réveillon.
E a luta foi bem maior do que o trabalho em Sergipe.
Tanto no soundcheck quanto no show.
Usamos muitos canais (51), e lá só podia usar 48.
Pra ligar tudo no soundcheck e no show foi uma luta.
Onde colocar os dois locutores do evento? Tivemos que improvisar.
Improvisei também para ligar meu microfone e um dos dois microfones dos roadies.
Até minhas vias de monitor eu tive que ir atrás para achá-las na hora do show.
Só deixaram dois cabos ligados.
Começamos o show sem a guitarra, que deve ter voltado na segunda música.
Toda essa agonia refletiu (negativamente) na monitoração, principalmente na da artista.
Não ficou confortável.
Ela foi bastante profissional. Me lembrou Paulo Miklos.
Muita gente discutindo (sem futuro) se é para entrar em 2026 com o pé esquerdo, direito ou com os dois pés...
A gente entrou em 2026 com raça!!!
Um abraço a todos.
PS: Achei fotos no celular de alguns desses trabalhos.