Olá pessoal.
Na postagem anterior eu falo que já tinha um assunto pronto para postar aqui, mas que mudei de ideia ao ver o documentário de Paulinho da Costa.
Lembram?
Pois bem... Esse aqui é o assunto, e a foto acima é a que eu já tinha escolhido para a capa da postagem.
Ouvi muito o termo “temporada” bem antes de entrar para o mundo do áudio em 1987.
Fui na IA pegar uma explicação, que coloco abaixo.
Para mim, turnê é uma coisa, temporada é outra.
Turnê são vários shows seguidos em locais e lugares diferentes.
Temporada são vários shows seguidos num mesmo local.
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Cantor “fulano de tal” vai fazer uma temporada de 16 shows no Canecão... Ou vai fazer uma temporada de 2 meses!!!
Ouvi muito isso.
Mais uma vez fui na IA. (Risos)
Canecão era uma referência quando se falava em temporadas de shows.
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Só vim a trabalhar numa temporada em 2005, 2006...
Não lembro exatamente o ano, mas foi em uma das turnês de Silvério Pessoa na Europa.
Eita!!!!!
Lembrei!
Foi em 2005, onde passamos 110 dias rodando por lá.
E no final dessa turnê fizemos 5 shows seguidos num palco de um festival na Alemanha.
Para mim, foi uma temporada dentro de uma turnê!
Mesa analógica ainda, sem banda abrindo ou fechando, sem DJs nos intervalos...
Montamos, ligamos tudo, soundcheck, e tudo ficou armado e ligado.
Era só chegar, checar se tudo estava chegando na mesa de som, e o show começava minutos depois.
A primeira vez a gente nunca esquece, né?
Foi lindo!
Fui num grupo de áudio que participo (Info & Jobs), onde sei que tem muitos técnicos que fizeram essas temporadas no Canecão, para tirar umas dúvidas.
Não demorou muito para uma "avalanche" de depoimentos soterrar a tela do grupo no WhatsApp!
Ricardo Tenente, produtor de vários artistas renomados até hoje, falou: Chico Buarque e Maria Bethânia ficaram 6 meses (!) em cartaz no Canecão.
Teve um espetáculo em 1977 com Tom Jobim, Vinícius de Moraes, Toquinho e Miúcha que passou quase 8 meses em cartaz!
E Tenente ainda manda uma pérola sobre a casa de shows, falando:
"Não sei se já comentei aqui, mas a logo do Canecão era um caneco ou xícara num pires.
Nem todos notavam."
Eu imaginava que seria muito difícil essas temporadas serem iguais a esse meu caso aqui na Alemanha.
Por isso fui lá no grupo confirmar.
Realmente eram diferentes.
Nem sempre (ou quase nunca) conseguiam deixar tudo montado e ligado.
E a razão era simples.
Uma demanda muito grande de shows, com público garantido.
Eram muitos artistas fazendo temporadas ao mesmo tempo no Canecão.
Resolvi falar sobre esse tema (Temporada, não de Canecão) ao ver uma foto que tirei no trabalho que eu fiz em março com Flaira Ferro no Teatro Caixa Cultural em Brasília.
A foto transmite uma tranquilidade, uma paz...
E foi mesmo!
Transmite a certeza que não vai ter sol, chuva e ventos! (Risos)
Foram 4 dias de shows, e em dois dias foram duas sessões.
Ou seja... Seis shows seguidos!!!
E diferentemente do que acontecia no Canecão, nesses shows de Flaira nada foi desmontado e/ou desligado.
Eu até trabalhei em um caso parecido entre os shows na Alemanha e esses de Flaira Ferro.
Mas não foi um show de música com banda, e sim uma peça de teatro.
Gostava Mais Dos Pais, que aconteceu no Teatro do Parque em maio de 2025.
Nesse trabalho no Parque, foram 3 dias de espetáculo, sendo um dia com duas sessões.
O prazer foi bem parecido.
Era só as vozes dos dois atores, um violão, um canal estéreo do vídeo que interagia com os atores, e mais dois canais reservas para as vozes.
Mas a situação foi a mesma...
Armou, ligou, testou? Só aguardar para começar.
Nada foi desligado ou desmontado.
Hoje em dia, com as broncas técnicas que encontramos na estrada em diversos shows, principalmente quando esses shows são em datas festivas de prefeitura e/ou governo, como São João, Carnaval, Réveillon etc, quando a gente faz uma temporada como essas de Silvério, Flaira ou a peça de teatro de Bruno Mazzeo e Lúcio Mauro Filho, a emoção é grande!!!
Realmente o choque é grande!
Ahhhh! Fora os problemas técnicos que aparecem nos eventos, tem também os problemas climáticos!!!
Chuva, sol quente, inundação, palco dando choque, vazamentos na cobertura onde a água cai exatamente em cima da mesa de som... E por aí vai.
Teve um dia que a água do temporal estava caindo sobre a minha mesa de monitor, e tivemos que cobrir com uma lona, igual ao que o pessoal usa para cobrir a carga nos caminhões.
Peso absurdo para passar a lona por cima da mesa, a água caindo, e o show continuando...
Quando fiquei embaixo da lona, senti uma coisa úmida e áspera arranhando minha cabeça, e depois do susto notei que a lona estava molhada e cheia de areia!!!!
Quase uma lama.
Uma verdadeira lixa úmida!!!!
Fiquei embaixo dessa lona por um bom tempo com a cabeça roçando na lona, pois o show não foi interrompido.
Nem vou falar como ficou minha cabeça...
Tenho vários casos parecidos com esse da lona para falar, mas deixa quieto.
Aí... Quando olhei a foto da minha mochila em cima da cadeira dentro da cabine de controle do teatro em Brasília, resolvi falar sobre essa tranquilidade que passei nessas 3 temporadas que participei.
Geralmente as temporadas acontecem em locais fechados.
Das três que eu participei, só os shows na Alemanha aconteceram numa área aberta, os outros dois exemplos aconteceram em teatros.
Foram poucas temporadas (infelizmente) que eu participei, mas não posso deixar de falar que é muito bom!!!!!!
Se eu fosse de rezar, rezaria para fazer muito mais temporadas!
O lendário Canecão não existe mais, mas...
Ainda temos Circo Voador, SESC, Caixa Cultural...
Né?
Ah! Muito obrigado aos colegas e amigos do grupo Info & Jobs pelos depoimentos, e que estão falando até agora lá sobre os casos, emoções e "bizarrices" que passaram na casa de shows no Rio de Janeiro.
Um abraço a todos.
PS: Se eu colocasse aqui na postagem o testemunho de vários técnicos e produtores que estão falando no grupo sobre seus causos no Canecão, não ia ter linha suficiente no Word para o texto!





































