sexta-feira, 27 de março de 2026

Operando o monitor do Rec-Beat - A despedida dos festivais?

 
Olá pessoal.
Não é de hoje que já venho falando para colegas e amigos de profissão da minha vontade de parar de trabalhar em festivais.
Já fiz vários...
O primeiro deve ter sido o Abril Pro Rock (APR), no começo dos anos 2000, quando fui contratado pela empresa de som PA Áudio, dos meus amigos Normando, Rogério e Mário Jorge.
Dos mais importantes, acho que só faltava eu trabalhar no Rec-Beat.

E esse foi, acredito, o principal motivo para eu aceitar o convite para operar o monitor do evento.
O segundo motivo foi a remuneração.
Sempre achei que esse é um dos maiores problemas dos festivais daqui.
A remuneração. O cachê.
A responsabilidade é bem grande, o "rojão" é tão grande quanto, as horas dormidas são pouquíssimas, e em muitos casos não dá nem para se alimentar direito.
Lembro na época do começo no APR, quando colavam o papel com o cronograma das passadas de som e do início dos shows, e quando eu olhava, não existia pausa para almoçar e/ou jantar!
Era um soundcheck atrás do outro, e logo em seguida começava o primeiro show, que acabava bem tarde, e a técnica tinha que chegar bem cedinho...
Hoje as pausas existem nos cronogramas, mas nem sempre dá para seguir ao "pé da letra".
E em muitos casos, algum colega que está mais folgado naquele momento, traz o almoço ou lanche pra gente comer numa brechinha de tempo ao lado da mesa de monitor (ou PA).


Aconteceu algumas vezes nesse trabalho que fiz no carnaval no Cais da Alfândega (Recife), principalmente na hora do jantar.
E pela praticidade, pedia sempre um hambúrguer "artesanal", que era bem gostoso.
Fica meio complicado comer uma quentinha com aqueles garfos de plástico que quebram na primeira espetada na carne.
Quebrei tanto estes talheres, que na época que estava começando, andava com um garfo e faca de metal na minha maleta de ferramentas!
Cheguei perto de engolir alguns pedaços de dentes de garfo, que quebravam sem eu notar e ficavam no meio da comida.
Já foi por hoje...
Queria só começar o texto para deixar um começo definido.
Semana que vem termino e faço a postagem.
Estou me arrumando para dois trabalhos nesse fim de semana, que tá parecendo cronograma de festival.
Hoje é quinta-feira (26/03 - 23h35), e viajo na madrugada do sábado para Fortaleza, onde faço o monitor de Rachel Reis.
Volto na madrugada do domingo para Recife, onde vou fazer nesse mesmo dia o monitor do show de Fernando Anitelli, vocalista do grupo O Teatro Mágico.
Depois conto como foram os trabalhos...
Amanhã faço exames de sangue pela manhã e arrumo as coisas para o "bate-e-volta" em Fortaleza.
----
Já arrumei tudo aqui para a viagem, e vou ver se consigo terminar esse texto hoje, sexta-feira.
Como falei acima, fui fazer uns exames, tou tentando mais uma vez dar uma geral nesse corpinho de 60 que eu tanto maltrato.
Falei de rojão nos festivais, né?
Nesse não foi diferente...
Mudei muitas caixas de monitor do lugar, com a ajuda do meu amigo Léo Mattos, que foi contratado pela empresa de som para me dar uma assistência.
E ele deu mesmo, como sempre!
Léo, quando eu estava começando no monitor da Versão Brasileira, já trabalhava em empresa de som, e me encontrei várias vezes com ele nos palcos, onde ele sempre foi muito profissional e solícito.
Dificilmente saía um NÃO da boca dele, o que não era muito comum naquela época, e até hoje isso ainda não mudou completamente.
Sempre o admirei por causa desse profissionalismo, e dessa vontade que ele tinha de sempre querer ajudar a resolver problemas no palco ou no som do PA.
Pois bem...
Eu não imaginava que esse trabalho com ele no Rec-Beat seria a última vez que eu iria vê-lo.
Dias atrás recebi a péssima notícia que ele tinha falecido.
Voltou pra casa depois de um dos trabalhos dele com som, sentou na sala, e morreu.
Tinha me falado em uma das várias conversas lá no palco do festival que estava muito contente com um serviço diário que ele estava fazendo, que garantia um "fixo" que ajudava muito para pagar as contas.
Atualmente ele operava o som do PA do cantor Santanna, O Cantador.
Mas já trabalhou para vários outros artistas daqui de Recife, como Quinteto Violado e André Rio.
Mais um cara "gente boa" que foi embora...
Uma merda saber que não vou mais me encontrar com ele nos palcos.
Vamos em frente, como diz Silvério Pessoa.
Aprendi muito novinho e de uma forma cruel, que a vida não para!
Voltando ao Rec-Beat...
Coincidência ou não, na quarta-feira de cinzas, apareceu uma dor no meu cotovelo direito, e ao que tudo indica é uma tal de Epicondilite Lateral.

Clique na imagem para ampliar.
Mesmo Léo me ajudando a carregar as caixas pesadas de monitor, acredito que esse esforço pode ter ajudado no aparecimento dessa tal de epicondilite.
Estou supondo, pois a inflamação é causada geralmente por movimentos repetitivos, como um tenista.
Estou começando a tratar.
Mas que é rojão trabalhar num festival, é sim.
Principalmente no monitor!!!!!!

Chico Chico.

Como sou o responsável pelo monitor do evento, faço o monitor das bandas que não trazem seu técnico.
Para terem uma ideia, das 20 atrações, só uma trouxe o técnico de monitor, e teve um caso do técnico de PA operar o monitor lá da frente, com todos no palco usando fones.
O resto, eu operei.
Mas não fui sem saber, isso é o normal aqui.
Fui contratado para isso mesmo.
Não sei como é num Lollapalooza ou Rock In Rio...

Ajuliacosta.

Tinha até o que comentar sobre a parte técnica, mas não vou entrar nesse assunto.
Uma coisa posso até falar, que pode ajudar outros técnicos no monitor de futuros festivais.
Resolvi não desconectar nada das vias de monitor.
Tanto das vias de caixa como as vias dos in-ears.
Pluguei uma vez e não mexi mais.
Fiz uma lista mostrando como estavam as saídas, e para onde iam, e se aparecesse uma banda com seu técnico, era só fazer o patch digital, sem desplugar nada!
Colei essa lista ao lado da mesa de monitor, como mostra a foto abaixo.


Deu muito certo isso, e foi bem simples para o único técnico que apareceu no palco fazer o patch digital para suas vias de monitor.
Já tinha feito isso no último trabalho que eu fiz no Festival No Ar Coquetel Molotov.
Funciona absurdamente!


Mas não vou entrar na parte técnica dessa vez, e que teria muito assunto para falar!!!!!
Quando resolvi escrever, foi para falar sobre o desgaste físico (e mental) causado por um trabalho num festival de música.
Como falei antes, fiz muitos, mas estou realmente cansando da "puxada".
Não tenho mais o corpinho de 30 anos.
Agora o danado tá com 60, e eu não cuido muito bem dele.
Mesmo com a melhor remuneração que eu consegui até hoje em festivais, e recebendo o valor total depois de apenas uma semana, o Rec-Beat foi o empurrão que estava faltando para minha decisão.
Foi a minha despedida dos festivais?
Foi sim.
Espero ter contribuído com meu trabalho para o sucesso dos vários festivais por onde passei.
Sempre me diverti.
Mas não estou mais me divertindo como antes.
Vou deixar para os mais novinhos o serviço, com mais disposição, fôlego e talento!!!
E muito obrigado a todos que me convidaram para esses festivais.
Tem muita gente que acredita em mim, mais do que eu mesmo!!
Um SESI Bonecos, FITO, MIMO, ou coisa do tipo, ainda posso até aguentar...
Mas no PA!!!!
No monitor, dá mais não.
Um abraço a todos.

PS: Organizar aqui o vinho para aguardar pela hora de seguir para o aeroporto às 2h da madrugada... (Risos)

quinta-feira, 19 de março de 2026

Seis shows de Flaira Ferro na Caixa Cultural Brasília - Foi radical!

 
Olá pessoal.
Eu tinha até planejado falar sobre dois trabalhos anteriores, mas vou deixar mais pra frente, pra não perder o "frescor" desses seis shows de Flaira Ferro em Brasília.
Recebi o convite para participar desses shows bem antes, e no começo eram 4 dias de shows, um por dia.
Só depois fiquei sabendo que teríamos duas sessões no sábado e no domingo.
Isso aconteceu do dia 12 ao dia 15 desse mês.
Ou seja... Na quinta-feira passada aconteceu o primeiro show, e nesse domingo que passou aconteceram os dois últimos shows.
Voltei para Recife nessa segunda, dia 16.

Acredito que mais na frente vou falar ainda sobre o monitor que fiz de Lucy Alves no dia 14 de janeiro, e sobre o trabalho no monitor do Rec-Beat, que aconteceu nos 4 dias de carnaval.
Essa é minha intenção, mas não posso garantir, ok?
Como sabem, não gosto de "voltar atrás" no tempo, atropelando a cronologia dos trabalhos.
Mas de vez em quando saio desse padrão. Pouco, mas saio.
Passei mais de uma semana ajustando os detalhes técnicos desses shows no teatro da Caixa Cultural Brasília.
Já estava decidido alugar na cidade várias peças da percussão como também uma bateria completa.
Peguei o contato do responsável (Pial) por essas locações, e fui ler o documento enviado pelo teatro, mostrando o que eles tinham.
A primeira coisa que falei com a produção da artista foi para contratar outro técnico em Brasília, para eu não ter que operar o som do monitor e PA ao mesmo tempo.
Fui prontamente atendido.
Principalmente porque tinha mesa de monitor e mesa de PA.
Duas M7CL, mas eram ES, onde as duas mesas compartilham o mesmo Stage Box onde são ligados os canais.
A mesa de PA controla os ganhos dos canais como também a ligação do Phantom Power (48V).
Depois de ver todos os detalhes dos equipamentos, fui falar com Pial sobre o que iríamos precisar alugar.
Amanhã (sexta) vou para Caruaru, fazer um farrinha no fim de semana com amigos que residem lá.
Talvez eu nem consiga acabar esse texto hoje, aí vou tentar fazer isso lá, se tiver folga.
Se não der, faço isso na segunda-feira.
Alugamos uma bateria completa, um timbal com suporte, um pedal de bateria e algumas estantes e suportes para a percussão.
Pedi também um mini pedestal para o microfone do bumbo da bateria, 10 cabos de microfone (XLR), 2 DIs (Direct Box), e uma máquina de fumaça.
Ahhh... Solicitei também uma caixa de subgrave para o baterista.
O resto eles tinham lá.
Decidiram que eu iria operar o som do PA.
Marcelo foi o técnico contratado na cidade para o monitor, e contrataram também Angélica para ser a roadie.
Na luz, Natalie Revorêdo, amiga daqui de Recife.
A banda é formada por 4 músicos.

Foto by Arara Produção Audiovisual.
Baixo (VS / synth / vocal), Sanfona (synth / vocal), Percussão (vocal) e Bateria.
Miguel, Lucas, Aishá e Max, como está na foto acima, da esquerda para a direita.
Peguei com Miguel um rider antigo e fiz outro no Ridermaker, ajustando as coisas para esses shows.
Miguel é o diretor musical desse show chamado Afeto Radical, que é o nome do disco lançado recentemente pela cantora.
Só procurar no Deezer ou Spotify.
Tinha lá no teatro o CD pra vender, tinha até o vinil!!!!
Quem quiser a mídia física, só pedir aqui nos comentários o contato da produção da artista.
Ainda vou ajustar novamente esse rider técnico para servir para outros shows, que tenho certeza que vão aparecer.
Já tem previsão para 2 shows em São Paulo em junho.
Estou aguardando a confirmação, mas as datas já estão reservadas na minha agenda.

Foto by Arara Produção Audiovisual.
Nem lembro direito quando fiz vários shows seguidos no mesmo lugar, sem ter que desligar nada!
Sem banda de abertura ou fechamento, sem DJ no início ou no final de cada show.
Foi só o show de Flaira Ferro nos quatro dias.
Lembro que fiz isso uma vez com Silvério Pessoa numa das turnês na Europa.
Foram 5 dias de shows seguidos no mesmo local.
Era uma mesa analógica ainda, e deve ter sido em 2005 ou 2006...
Um show por dia, não teve duas sessões como esse aqui de Flaira.
Ahhhh. Operei o som da peça de teatro Gostava Mais Dos Pais, que aconteceu no Teatro do Parque, e foi bem parecido com esse trabalho com Flaira, mas não tinha banda, era só os dois atores no palco mais o áudio dos vídeos.
Mas vou falar mais alguns detalhes desses 4 dias com 6 shows na Caixa Cultural.

Soundcheck.

No dia 10 já foi uma turma contratada pela produção de Flaira para o teatro, armar os equipamentos alugados, seguindo o rider técnico que enviei.
Tudo foi posicionado seguindo o mapa de palco (foto abaixo), e Eduardo ligou todos os canais seguindo o input list do rider.
Tinha um pessoal também para posicionar e ligar os equipamentos de luz, mas...
Natalie sofreu direitinho para organizar as coisas.
Tanto que teve que ir no dia 12 bem cedinho para o teatro, e só chegamos perto das 16h.

Clique na imagem para ampliar.

Clique na imagem para ampliar.
Essa montagem e ligação dos canais no dia 10 ajudou muito no serviço.
Chegamos a Brasília no dia 11, deixamos as malas no hotel, almoçamos e seguimos à tarde para o teatro.
Posicionamos no palco os equipamentos que os músicos levaram de Recife, como laptop, placa de áudio, teclados, SPDS etc...


Conseguimos ajustar tudo no PA e monitor, e conseguimos passar o som, mas sem a cantora, porque ela tinha outro compromisso nesse dia.
Mas já tínhamos passado de 80% de satisfação.
As duas mesas estavam com problemas nos faders, e eu aconselhei o nosso técnico de monitor a não mudar de página de fader, pra evitar problemas nos monitores dos músicos.
Usamos fone e caixa na monitoração da banda.
Flaira só usou caixa de som no monitor.
Não mudei também de página de fader, e usei meu iPad para mexer em algumas configurações sem precisar usar os faders.
Resolveu meu problema, mas no monitor tudo é mais complicado.
Mas não tivemos mais sustos nos monitores quando Marcelo parou de mudar de página de fader.
Seguimos...
Coloquei as duas caixas do front na frente do palco na horizontal, porque eles usam nas laterais na vertical, apontadas para o centro.
Eu já tinha conversado com amigos que já tinham passado pelo teatro com outros shows, e eles me adiantaram que o PA não cobre bem o espaço, ficando um "buraco" sonoro no centro.
Logicamente, foi a primeira coisa que eu fui conferir.
Na realidade, o line array da casa, formado por duas caixas por lado, é uma "invenção", porque elas não foram projetadas para esse serviço.
Foram projetadas para serem usadas como monitores de chão na horizontal, ou até como monitores na vertical em cima de tripés.
Nem lembro se elas tinham o local na parte de baixo para encaixar no tripé...
Simplesmente pegaram duas, colocaram uma em cima da outra na horizontal, presas por 4 hastes de ferro, com um espaço entre elas, e com uma pequena inclinação na caixa de baixo, que acredito que foi feito sem calcular nada.
E nem tinha como calcular ou usar um software específico para esse serviço, porque realmente não era um line array.
Por causa disso, realmente existe na casa um BURACO enorme na cobertura sonora, principalmente para as pessoas que estão mais próximas do palco.
Quanto mais perto do palco, menos você escuta o som.


As duas caixas que eles usam em pé nas laterais para o front, que eu mudei para o centro do palco colocando elas deitadas, são do mesmo modelo das caixas do "fake" line array.

Visualmente não ficou interessante minha arrumação, mas me salvou na questão da cobertura sonora!
No dia 12, chegamos ao teatro à tarde, para passar tudo novamente, mas com Flaira Ferro.
Deram uma passada no show, e fomos ajustando as coisas.
Já achei bem legal, mas notei que o som ficava bem mais alto para quem ficava na linha das caixas do line, ou seja, as pessoas que ficavam nas cadeiras das laterais.
Quanto mais perto dessas caixas mais alto era o som.
Dei uma ajustada ainda nisso, tentando combinar com as caixas do front, mas ainda achei alto o som na casa...
Também achei que isso poderia mudar um pouco quando o local estivesse lotado, mas não aconteceu.
Começamos o primeiro show já bastante satisfeitos com o soundcheck.
Mas não demorou muito para um dos técnicos da casa me avisar que tinha gente reclamando do volume alto do som.


Ainda perguntei onde estavam essas pessoas no teatro, mas ele não soube me responder.
Baixei o máster da mesa e um pouco do front também.
Essa observação agora vai para meus colegas de profissão...
Sempre uso o front por um AUX (auxiliar) em pós fader, onde tenho o controle de todos os canais separadamente, e sempre coloco a voz 3 ou 4 dBs acima do resto da banda.
Enviando um Matrix para o front, não posso mudar nada na mixagem para as caixas mais próximas do "gargarejo".
Mas do jeito que uso, quando eu baixo o máster da mesa (L/R), não baixa nada do front.
O show seguiu sem outras reclamações.
Já foi bem legal, com todos bem satisfeitos no palco.


No segundo dia, seguindo a tranquilidade que foi no primeiro, chegamos à tarde novamente, para ficar direto para o show, como foi no primeiro dia.
Passamos o som novamente, onde a cantora ajustava também o show, com algumas mudanças pontuais.
Com o volume do máster igual ao primeiro dia, fui conferir novamente o front usando meu iPad.
Zerei o volume do front e fui subindo o fader enquanto a banda passava o show com Flaira, tocando pra valer.
E quando escutei um som só, com a soma do PA, parei de subir o fader.
Fui na primeira fileira de cadeiras ainda pra conferir se ficou alto demais para essa fileira, mas estava bem legal.
Rodei pelo teatro, sentando em vários pontos da casa pra conferir ainda se estava incomodando o volume do som, mas nem nas laterais achei que isso estava acontecendo.
Não mudei mais esse volume durante todos os shows!
Fiz uma foto da cena do último dia, para mostrar o quanto eu baixei.

Clique na imagem para ampliar.
Os shows foram fluindo com tranquilidade durante os 3 dias restantes.
E o som da banda foi ficando mais justo, e isso também acontecia na mixagem do som.
Tenho certeza que foi melhorando.
A cantora só me pediu para diminuir os delays que eu coloquei em algumas músicas.
Me empolguei! (Risos)
No último show, que eu gravei e mandei para todos da banda, achei muito boa a mix, mesmo eu não me preocupando com essa gravação.

O que me interessava era o som para o público.
Nem olhei para o gravador durante a gravação.
Acredito que Flaira Ferro gostou muito dessa turnê de seis shows, que foi o lançamento aqui no Brasil do show referente ao seu novo trabalho Afeto Radical, formado por 11 músicas.

Se não me engano, ela fez esse show na Womex (Europa), mas sem a percussão.
Com a banda completa, eu acho que só aconteceu nesses shows em Brasília.
Acho que a foto abaixo consegue passar a alegria que foi essa temporada na Caixa Cultural Brasília.

Foto by Arara Produção Audiovisual.
Eu achei bem radical...
Radicalmente bom!
E falei pra cantora em algum momento lá em Brasília: --- Pode levar esse show para qualquer lugar do mundo, que eu não tenho medo da resposta do público.
Espero que eu tenha conseguido transmitir com texto e algumas fotos e vídeos, o que aconteceu e o que eu senti nesses trabalhos.
Ela deve ter se divertido.

Foto by Arara Produção Audiovisual.
Eu me diverti muito no PA!!!
Até dei uma dançadinha lá na mesa de som, mas felizmente ninguém filmou!
Ia acabar com minha fama de mau e de insensível. (Risos)
Um abraço (radical) a todos.

PS: Esqueci de comentar uma coisa sobre as caixas de som do PA e do front...
Elas "falavam" muito bem, só não foram projetadas para line array.
Eram da Yamaha.
E as duas caixas de subgraves (uma por lado) também falavam muito bem.
Não lembro, mas acho que eram também da Yamaha... Mas não tenho certeza absoluta.
Só posso falar que fizeram bem o serviço, onde tive que maneirar no volume, pois era muito SUB pra pouca sala.

segunda-feira, 2 de março de 2026

Parece mentira... Mas foi Verdade! - Caso 33 (Quebraram o cenário da Globo).

Banda Versão Brasileira com o Balé Galera do Brasil.
Olá pessoal.
Tem dois casos interessantes que eu passei, que já falei para muitos amigos e colegas, em farras casuais.
Nessa última farra que eu fiz na casa do meu Amigo Normando, enquanto tocava mais uma vez nos assuntos, notei que nunca tinha colocado aqui no Blog esses fatos.
Resolvi então deixar aqui registrado os dois acontecimentos, que parece mentira... Mas foi verdade!
Vamos para o primeiro.
Aconteceu faz muito tempo, quando eu estava começando a fazer shows com a Banda Versão Brasileira, em meados dos anos 90...
O segundo caso também foi com a Versão.
Falo para todos os meus colegas e amigos do meio artístico, que me orgulho muito de ter participado da ideia Versão Brasileira!
Mais pra frente vou fazer uma postagem só falando como surgiu essa Banda.
O que fizeram nos anos 90, hoje em dia é difícil ainda a turma fazer parecido.
A Over Point foi outra ideia que participei no final dos anos 80 que até hoje soa atual, e que não conseguem fazer igual.
Mas vamos ao caso do cenário da Rede Globo, que é o assunto de hoje.
Para terem uma ideia do que foi a Versão Brasileira, a turma andava em 1995 com os 3 técnicos (PA, monitor e luz), com 1 roadie (ou até mais) e ainda com 8 bailarinos!
Independente do local do show!
Recife, Rio de janeiro ou Chile!
Ia todo mundo!
(Em alguns poucos casos, o número dos bailarinos variava nos shows...)
Ahhh...!
Meu cachê como técnico de monitor era 150 reais, e meu amigo do PA (Ricardo) ganhava o dobro!
Achava muito errado isso, mas não demorou muito para eles ajustarem essa diferença, onde ficou 300 reais para ambos.
Estamos em 2026, e tem técnico recebendo ainda esse valor!
Me lembro de Mário Guimarães, dono de empresa de som, que me falou na época: --- Vocês estão inflacionando o mercado! (Risos)
Andar com os 3 técnicos mais 1 roadie é complicado encontrar até hoje em dia!
Se for para fora de Pernambuco, por via aérea, é quase impossível.

Contra-capa do primeiro disco da Banda, produzido no Estúdio Estação do Som.
A Versão Brasileira estava "estourada" no estado de Pernambuco, com a música Balança Brasil.
... E a galera do Brasil... Delirou, delirou!
Essa música toca até hoje por aí...
Depois teve É Tanto Amor, Pra te Namorar...
A ideia foi sensacional.
Era para essa banda estar até hoje tocando, mas...
Encontrei um vídeo na internet de um trecho do show da Versão no Verão Vivo da Band.
Logicamente, eu estava nesse show no monitor, com uma mesa analógica.
Foi a mudança de palco mais rápida da qual participei.
Luciano do Valle adorava o som da banda.

Vou para o "causo" da Globo.
Como todos sabem (até hoje), existe uma "pompa" por parte dos funcionários e diretores da famosa emissora.
Não é à toa, a empresa tem uma força absurda no que se refere a divulgação.
Não é por acaso que 1 minuto de propaganda no SBT, Band ou Rede TV é muito mais barato que o mesmo minuto na Rede Globo.
O alcance dessa emissora é absurdo!
Lembro uma vez que eu estava passando o som pala manhã no palco 2 do Abril Pro Rock décadas atrás, e a emissora estava fazendo uma gravação para veicular no jornal do meio-dia.
Ou era uma reportagem ao vivo, não lembro.
Apareci de longe nessa reportagem, por alguns segundos, e recebi vários telefonemas dos amigos tirando onda, falando que eu estava ficando famoso.
É realmente impressionante o retorno de uma divulgação na Globo de algum produto ou marca, ou banda!
Isso é fato!
Mesmo assim, a Versão Brasileira fez uma coisa naquele dia que atualmente não acredito que façam, mesmo se passando tanto tempo.
Lembrando que a banda não estava estourada no país, só no estado.
Era um show aberto, num palco grande, e essa festa era da Rede Globo ou ela tinha uma grande participação.
Acho que foi em Igarassu, aqui perto de Recife.
O palco era bem alto, e o diretor da Globo naquela época era Jota Raposo.
O famoso Raposo.
Gente boa, mas com aquela pompa da emissora poderosa, o que era normal.
Eu entendo, só não concordo.
Não tem como ser muito maleável, pois a turma acaba estragando os planos de quem está sempre procurando uma perfeição, como é o caso das grandes emissoras de TV.
Mas não posso também falar que muitos diretores exageram nessa direção.
E ninguém vai dizer "não" para eles, né?
Nesse dia, foi diferente.


Começamos a subir os equipamentos pela parte de trás do palco, até que apareceu um problema.
Existia um cenário de madeira no fundo do palco, e as duas entradas para entrar no palco, só passava uma pessoa.
Todo o fundo do palco era preenchido por esse cenário!
A maioria dos nossos equipamentos passou, mas o rack do tecladista da banda, que era do tamanho de um frigobar, não conseguia passar pelo espaço.
Nesse rack estava os vários equipamentos de sampler, com os sons do show, mais uma mesinha de 16 canais da Mackie, onde Tovinho mixava tudo e enviava apenas dois canais para todo mundo.
Sempre o pessoal da empresa de som se assustava quando eu falava que seriam apenas 2 canais para os teclados.
Naquela época, todo mundo usava canais separados para cada teclado que usava.
Tovinho só tinha um teclado que controlava vários equipamentos, e mixava todos na Mackie e tudo saía pelo L/R da mesa, dois canais.
Quando não conseguimos entrar com esse frigobar no palco, fomos avisar Raposo do problema.
E a resposta dele foi bem seca, como era normal: --- Oxe. Qual o problema? Não usa esse equipamento. Tudo resolvido.
Explicamos várias vezes a importância e necessidade desse rack, mas a gente falava em vão.
Quem vai dar atenção a dois técnicos de som, né?
A banda chegou no local, e passamos o problema para Tovinho, que foi falar com Raposo.
Não teve muita mudança na resposta, mesmo o músico (e também sócio diretor da banda) argumentar que os sons que estavam naquele rack era imprescindível para o show.
Não teve acordo.
Raposo falou que teria que fazer o show sem o equipamento.
Tovinho então disse para nossa equipe: --- Pessoal, pode descer tudo, não vamos fazer o show.
Raposo assustado com essa decisão de Tovinho, retrucou: --- Como assim? Não vão fazer o show da Globo? Tá ficando doido, Tovinho?
Tovinho explicou novamente o que tinha falado várias vezes para ele, e quando Raposo viu que a banda iria embora mesmo, perguntou: --- E vocês querem que eu faça o que?
Oxe, abram mais o espaço na entrada do cenário, que permita que a gente passe com nosso equipamento.
E assim foi feito.
Os funcionários da emissora puxaram um dos lados da entrada no cenário de madeira para dentro do palco, até o frigobar passar.
Eu só ouvia os estalos...
Logicamente quebraram o cenário de madeira...
Quebraram o cenário da Globo!
Mas nem deu para notar no vídeo! Eu acho. (Risos)
O show aconteceu normalmente, com o cenário quebrado.
Não deve ter sido fácil para o diretor da Globo "engolir o sapo", pois isso era quase impossível de acontecer, mas com certeza ele sabia da importância da banda para o evento.
O normal (até hoje!!!) é a banda ou artista ceder.
Uns poucos anos atrás, vendo o jornal matinal local da Rede Globo, vi o Palhaço Chocolate cantando com um microfone sem fio embaixo de uma chuva numa matéria ao vivo, sem usar um guarda-chuva.
É... Ainda hoje é difícil a turma falar "não" para a emissora.
Lembrei na hora do caso do cenário quebrado décadas atrás, enquanto Chocolate cantava todo molhado fingindo alegria...
Ainda bem que a matéria foi rápida, e não deu tempo da maquiagem do Palhaço escorrer pelo rosto, derretida pela água que caía insistentemente!
Um abraço a todos.

PS: Quando fui registrar esse caso nas minhas anotações, vi que já tinha falado do segundo caso em 2008!!! Clique AQUI para conhecer o caso onde a Versão fez o show sem o cantor!!