sábado, 16 de novembro de 2024

Operando o PA do Downtown Aldeia Festival - Pulei um pouco mais nessa edição.

 
Olá pessoal.
Mais uma vez fui convidado para operar o som do PA das bandas locais que não iriam levar seus técnicos para o Downtown Aldeia Festival 2024.
Fui até dar uma olhada nas postagens anteriores onde falei sobre esse evento para lembrar como fui parar lá!
Esse ano foi a quarta edição do festival.
Na primeira, que aconteceu em 2022, eu fui para operar o som do PA da banda Ira!.
Fui indicado por amigos para a produção da banda.
Um amigo músico de Recife, sabendo que eu estaria com a banda paulista no festival, me chamou para operar o som da banda dele, a Iron Maiden Cover.
Fiz uma postagem sobre esses meus dois trabalhos na primeira edição do evento.
A segunda edição aconteceu no mesmo ano da primeira, onde a banda Blitz foi a atração nacional.
Fui convidado então pelo festival para operar o som do PA para as bandas locais, mas eu já tinha trabalhos agendados e não pude aceitar.
No ano passado, mais uma vez fui convidado pela produção do festival para o mesmo serviço, operar o som das bandas locais que não iriam levar técnico.
Nessa terceira edição as atrações nacionais foram Lobão e Biquíni Cavadão, que não usa mais o Cavadão no nome, é só Biquíni agora.
Fui fazer esse trabalho.
Foram 6 bandas locais, onde só uma levou o técnico de PA.
Logicamente Lobão e Biquíni levaram seus técnicos.
Falei também desse trabalho aqui no Blog, só procurar.

Downtown Aldeia Festival 2024.
Esse ano recebi o mesmo convite, que à princípio seria para operar o som do PA de apenas 3 bandas, que passou depois para quatro.
As atrações nacionais seriam: Nenhum de Nós, Camisa de Vênus e Supla.
Já com a data agendada, recebi uma mensagem do produtor da banda Ira! (Pelicano), me falando que o filho dele era o produtor da banda Camisa de Vênus, e me perguntou se eu não poderia operar o som do PA da banda.
Logicamente, aceitei o convite.
Então, o número de bandas que eu iria operar passou para cinco.
Pelicano nem sabia que eu já iria participar do festival em Aldeia.
Bom saber que meu trabalho com a banda Ira! rendeu frutos.
Pedro, produtor da Camisa de Vênus e filho de Pelicano, entrou em contato e acertamos os detalhes.
Esse ano foram sete bandas no total.


House Band (School of Rock), Supernova, Bob Tayson, Tears For Fears Experience, Supla, Camisa de Vênus e Nenhum de Nós.
Dessas sete bandas, só não operei o som de uma! A Nenhum de Nós que levou seus técnicos.
Não estava no roteiro eu operar o som de Supla, mas... Vamos em frente, como sempre diz Silvério Pessoa.
Quem leu a postagem anterior, sabe que fui direto de Arcoverde para o local do festival em Aldeia, só deixei a bolsa com as roupas sujas em casa.
Isso foi na sexta-feira passada, dia 08/11.
Nesse dia era só para o soundcheck de algumas bandas.
E serviu também para ligar, testar e alinhar todos os equipamentos.
Eu já sabia que Camisa de Vênus não iria passar som, seria um linecheck antes de começar o show. (Vixe!)
Depois de saber que Supla tinha sobrado pra mim, fiquei sabendo também que seria linecheck pra ele também! (Vixe 2!)
Para complicar mais um pouquinho para mim, não consegui colocar duas mesas iguais no PA.
O fornecedor foi outro esse ano, seria a empresa Selva Nua.
Mas eu já sabia que não iria ter problemas com a qualidade do serviço.
Westinghouse faz muito bem o trabalho dele!!!!
Gosto muito quando ele está com a empresa Selva Nua nos eventos por onde passo.
Sei que vai funcionar!
E não me decepcionei mais uma vez com ele!
Acertamos que seria a S6L (Venue) no palco 1, e a PM3 (Yamaha) no palco 2.
A posição das mesas nos palcos foi determinada pela preferência do técnico de Nenhum de Nós, que solicitou a PM3 no PA.
Sabendo então onde iria ficar cada mesa, fiz em casa todas as cenas iniciais das bandas que eu iria operar o som, usando os editores offline das duas mesas.
Nunca tinha usado o editor da PM3, fui atrás de algumas informações, e consegui montar a cena das duas bandas que seriam comigo no palco 2.
Como já imaginei que Supla realmente seria comigo, montei também a cena inicial dele.

Clique na imagem para ampliar.
Com as cenas das bandas no pendrive, segui para o local do festival, sem saber direito se as cenas que fiz da PM3 estavam certinhas.
Não tinha receio das cenas da S6L, pois sempre estou montando cenas para as mesas da Venue, mas usei o editor específico da S6L, mesmo sabendo que essa mesa consegue enxergar as cenas de outros modelos da Venue, como a Mix Rack ou S3L. 
O layout do software é praticamente o mesmo!
Enquanto escrevo aqui, recebo uma mensagem de meu Amigo Normando, onde ele me pede pra ir lá na casa nova dele, para pintar as paredes.
Falei que seria falta de caráter da minha parte fazer isso, já que nunca pintei as paredes das minhas casas!
Oxe!
Me chame para um churrasco! (Risos)
Falando em churrasco, vou até ver aqui o que vai ser o almoço de hoje...
Vou ali na esquina pegar minha quentinha, porque desisti já faz um tempo de fazer almoço em casa.
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Hoje já é sexta-feira, feriado.
Não voltei para o texto depois do almoço de ontem.
Peguei um cupim assado, sucesso total.
Vamos voltar para o Festival?
Eu ainda não tinha decidido se iria passar o som das bandas usando a cena específica de cada uma que eu fiz em casa.
A outra opção que eu tinha era passar o som da primeira, duplicar essa cena, e ajustar os canais para o soundcheck da próxima banda.
Mas daria um trabalho grande, porque os canais iriam sair do lugar, e eu tinha colocado plugins específicos para determinados canais.
Resumindo... Eu teria que fazer muitos ajustes em cada cena duplicada.
Resolvi então usar a cena específica de cada banda para fazer o soundcheck.
Carioca, responsável pelas ligações no palco (Patch) me perguntou logo que eu cheguei no palco:
---Titio, vai ser um input fixo para todas as bandas que não vão trazer o técnico, ou ligo os canais exatamente como está no input list de cada banda?
Pedi para ele ligar como estava no input list de cada banda.
Adiantar um pouco o tempo aqui... Depois do festival, já em casa, fui ler as postagens dos anos anteriores falando sobre esse festival, e vi que eu combinei com meus amigos do palco para fazer um input fixo para as bandas "sem técnico".
As duas mesas eram iguais no evento passado, o que facilitava.
Passei o som da primeira banda no palco 1, peguei a cena e levei para a mesa do palco 2, onde todos os canais seriam ligados na mesma posição.
Aí foi só reajustar o ganho do canal e levantar o fader, que já estava 80% pronto!
Ou até mais, viu?!
Nem lembrava mais desse detalhe.
Nesse ano eu não poderia fazer isso, pois as mesas eram diferentes.
Não iria poder aproveitar uma cena da mesa 1 na mesa 2.
Passei todas as cenas para suas respectivas mesas, e com a grande assistência de Íkaro ajustei tudo na PM3, onde a bronca maior era fazer o patch DANTE da console.
Westinghouse levou Íkaro para ficar na housemix dando assistência nas mesas de som.
Como Íkaro domina bem a PM3, ficou fácil.
Sem ele, eu não sairia do canto nessa questão do patch e de outros detalhes da mesa.
Ele foi me mostrando o caminho, porque eu nunca tinha trabalhado com uma PM3 antes desse dia.
As cenas estavam certinhas, só tivemos que montar o patch, e informar por onde iriam sair os sinais para o PA, Sub e Front.
Na S6L eu nem precisei de ajuda nessa questão do patch, porque isso é bem simples de se fazer, não tem o DANTE no meio, e eu já conhecia a maioria dos caminhos.
Mesmo assim, ainda pedi orientações para Íkaro porque não lembrava de certos detalhes de operação na S6L.
Tudo certo.
Ajustado esses detalhes, foi aguardar pelo primeiro soundcheck.
Como eu tinha decidido usar as cenas específicas de cada banda, quando eu passei o som da primeira banda na S6L, eu salvei na "library" (livraria) os "presets" (predefinições) dos canais principais, como bumbo, caixa, tons e surdo, guitarra e voz.
Tanto a S6L como a PM3 tem essa função, por isso agi do mesmo jeito na PM3.
Esse preset do canal salva tudo o que eu fiz no canal, como ganho, equalização, compressão, gate, e até o nome do canal vai igual, que eu acho ser a única falha do processo.
Mas tudo bem...
Me ajudou muito essa função.
Na foto abaixo eu mostro onde está essa função na mesa Venue.

Clique na imagem para ampliar.
Quando eu abria a cena da próxima banda para passar o som, "puxava" as predefinições na livraria para os canais, que estavam em posições diferentes.
Na S6L foram quatro bandas e na PM3 só duas.
As que eu iria operar, logicamente.
Nenhum de Nós estava no palco da PM3.
Passei o som das bandas que estavam sob minha responsabilidade, com o diretor geral do festival já me repreendendo pelo alto volume do som.
Vixe! RECn'Play de novo??? (Risos)
Mas aí ele estava na função dele.
Se ele me pedisse pra zerar o som do PA, eu baixava o fader até o zero.
Mas ele não fez isso. (Risos)
Expliquei que estava passando o som pra ver até onde eu poderia ir.
Naquele momento não tinha público, e quando tivesse uma multidão ali na frente, a "conversa" seria outra.
Mas deixei-o tranquilo, informando que se na hora dos shows estivesse fora dos padrões do que ele queria, eu ajustava as coisas.
Só não poderia fazer com Nenhum de Nós, pois era o técnico da banda no controle.
Aí ele teria que enviar alguém da produção para falar diretamente com o técnico.
Só escrevi por escrever, porque nada disso aconteceu!!!


Nem falei que na hora do show da Camisa de Vênus, minha postura seria diferente.
Não seria o Titio do PA do Downtown Festival, e sim o Titio técnico da banda Camisa de Vênus.
É estranho isso, né?
Mas tem diferença sim!
Nessa hora sou o contratado da banda e não o técnico do festival.
A postura é outra!
Querem um exemplo prático?
Depois de saber qual seria a bateria que iria para a Camisa de Vênus, liguei para o produtor da banda e informei que seria melhor alugar uma bateria.
Falei que estava com as peles "cansadas", e com certeza iria influenciar no som (pra pior).
Expliquei para a diretora de palco (Raynnara) que eu iria fazer de tudo para ser outra bateria na hora da Camisa de Vênus, e ela se entendeu com o produtor.
Estava falando nessa hora como técnico da banda.
Uma bateria foi alugada para Camisa de Vênus.

Banda Supernova. Segundo show do evento. Palco 2.

Cheguei a baixar alguns dBs do máster em alguns shows, mas tudo foi fluindo sem atropelos.
Ahhh. Esqueci de falar duas coisas.
No dia do evento, ainda teve soundcheck de algumas bandas logo cedo, incluindo a Nenhum de Nós, que não conseguiu fazer isso no dia anterior, que era o que estava programado.
Durante o soundcheck da banda paulista, vendo o técnico usar o microfone pra dar uma escutada no som do PA, resolvi fazer a mesma coisa depois, porque eu não tinha feito isso no dia anterior.
Bobeira minha mesmo.
Pedi para Íkaro ligar meu SM58 nas duas mesas, e fiz alguns ajustes finos no equalizador do PA.
Ainda fiz outros ajustes no SUB e no Front, mas só questão de volumes.
Depois dessas mudanças, fui de cena em cena nas duas mesas para colocar esses novos ajustes.
Ahhhh... Eu já tinha colocado os presets dos canais nas cenas de Supla e Camisa de Vênus, que não iriam passar o som.
Eu iria ajustar os detalhes na hora dos shows!
Eita... Que eu já estou com vontade de ir ali comer uns caranguejos...
Regados à vodka com suco de graviola.
Ainda é cedo, ainda é cedo. O relógio marca 10h30.
Devo acabar esse texto até antes do meio-dia.
Devo postar amanhã, sábado... Vamos ver.
Mais uma vez achei que eu poderia passar vergonha depois que ouvi o soundcheck do Nenhum de Nós.
Ano passado tive esse mesmo pensamento (ou sensação).
A banda não passou o som, só os técnicos com a ajuda dos seus roadies.


Ontem, vendo o documentário de Elvis na Netflix (muito bom, diga-se de passagem), teve uma fala de uma pessoa, que nem lembro quem era... Deixa eu ver aqui o nome...
Conan O'Brien.
Fui ver também quem era esse Conan.
Comediante e apresentador de televisão americano.
Pois bem...
Nesse documentário ele falou umas coisas que eu até anotei, porque senti isso várias vezes em vários trabalhos que eu fiz.
Nesse trabalho desse ano no Downtown Aldeia Festival, até que não foi forte, mas mesmo assim senti um pouco.
Vou colocar as palavras que ele falou.

(Abre Aspas)
Se não tiver medo, há um problema.
Se quiser que seja bom, estará aterrorizado. É um sentimento muito solitário.
O medo do fracasso é um ótimo motivador. O medo da vergonha.
Todos sabemos como é se apresentar na frente das pessoas e dar errado.
E é terrível!
(Fecha Aspas)

Eu acho que essas palavras não servem só para os artistas.
Essas palavras de Conan são pensamentos dele, imaginando que Elvis estaria passando também por essa situação.
Mesmo sabendo que minhas situações estão ano-luz de distância das de Elvis e Conan, eu tenho esses mesmos medos quando vou operar o som de algum show, que variam de intensidade.
Acho até que senti mais isso operando o som do PA do que no monitor...
Décadas atrás, teve um show de Silvério Pessoa num grande festival na Bélgica chamado Esperanzah!, que minhas pernas tremiam no caminho para a house mix.
E eu falando comigo mesmo pelo caminho: O que é que eu tou fazendo aqui? Não tinha nada que ter vindo pra essa turnê...
O desespero foi grande. Acho que foi um dos maiores que eu senti.
Já falei aqui de outro caso bem mais recente, onde fui operar o som do PA de Lula Queiroga no Teatro do Parque uns poucos anos atrás... Foi difícil também.
As mãos tremiam quando eu ia mexer nos faders.
Por incrível que pareça, esse ano no Downtown, essas sensações não vieram fortes, mesmo eu sabendo que iria fazer Camisa de Vênus (e Supla) sem passar som!
Tudo bem... Bateria, baixo, duas guitarras (sendo uma estéreo), dois vocais e a voz principal de Marcelo Nova...
Tudo bem... Poucos canais.
Mas... As sensações geralmente aparecem, independente do número de canais. (Risos)
Depois que começou o evento, o medo (receio) foi diminuindo, dissipando.
Nem era grande, viu? E foi ficando cada vez menor.
Só na hora do show de Camisa de Vênus que aconteceu uma troca nas ligações dos canais na guitarra estéreo, que agitou um pouco a coisa, principalmente porque os rádios que estávamos usando para comunicação entre PA e monitor descarregaram.
Exatamente na hora das ligações dos instrumentos da banda Camisa de Vênus.
Mas conseguimos nos falar por telefone, e eles já sabiam onde estava o problema nas ligações.
Fora esse probleminha, não teve UM canal que veio trocado na hora dos shows!!!!!
Como era só eu lá na frente, pulando de uma mesa para a outra durante quase todo o evento, em muitos casos eu não podia fazer o linecheck na outra mesa porque estava operando o show de outra banda na outra mesa.
Confiei cegamente na plugação de Carioca e Samuel, e no linecheck de Eduardo (Selva Nua) que estavam lá no palco.
Não erraram UMA ÚNICA VEZ.
É muito bom trabalhar assim!
O contratempo na Camisa de Vênus foi porque a banda trocou a posição dos guitarristas no palco na hora, diferente do que estava no mapa de palco que foi seguido à risca pela equipe técnica do festival.
Mas começamos o show com tudo certinho, nos seus devidos lugares.
Os velhos ajustes nos ganhos um pouco antes de começar... E vamos em frente!!!!!!!!

Camisa de Vênus - Showtime - Palco 1.

Pra variar, foi mais complicado para ajustar os monitores.
Se eu pudesse escolher, ficaria só fazendo PA, mas...
1- Não posso me dar ao luxo.
2- Sou chamado mais para fazer o monitor.
3- Acho que opero "melhorzinho" o monitor do que o PA.
Falei até desse assunto de monitor na postagem anterior, onde reafirmo aqui: Se é para um técnico ganhar mais do que o outro, que seja o técnico de monitor!!!!! (Risos)
Pulei um pouco mais de mesa em mesa esse ano, comparando com o ano anterior.
Achei até engraçado em determinado momento, eu passando de uma mesa para outra durante todo o evento.
Fechava o máster da mesa no final do show e dava quatro passos para o lado, onde estava a outra mesa.
Mas... Ainda tem um detalhe.
O sinal das duas mesas de som entravam num equipamento chamado APB Mix Switch (foto abaixo), onde entrava também o sinal do locutor e o sinal de áudio dos vídeos dos patrocinadores que passavam nos telões de LED. Ainda teria outra entrada para o DJ, mas nesse evento não teve a participação desse profissional.

Clique na imagem para ampliar.

Íkaro era o responsável por abrir e fechar esses canais, com um simples toque nas teclas verdes.
Foi tudo uma maravilha...
Gostei muito do resultado do trabalho, das decisões que tomei.
Funcionaram!
E no meio do último show (Supla) do festival, que não tive trabalho algum para levantar o som, mesmo sem soundcheck, meu diretor geral Lulinha apareceu na house mix me perguntando se eu queria beber um vinho.
Agora eu posso!!! Respondi em tom de celebração. Pode trazer a taça!
Taça? Retrucou ele.
Vou trazer uma garrafa!!!!
E assim foi o final desse meu trabalho no Downtown Aldeia Festival 2024.
Bebendo um vinho Argentino na house mix.
Bebi metade da garrafa, e a outra metade foi em casa, com banho tomado, sentado no sofá com as pernas ardendo em cima de uma mesinha de plástico que uso aqui para várias funções.
A prova da comemoração ainda está aqui no apartamento, como mostra a foto abaixo.

Como é boa a sensação de dever cumprido...
Bem cumprido, eu achei.
Um abraço a todos.

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