Olá pessoal.
Ainda nem desfiz a mala da viagem de São
Paulo, muitas vezes acabo deixando as coisas dentro uma semana ou até mais um
pouco.
Nesta quinta-feira tenho outro show de Alceu
Valença para fazer o monitor aqui em Recife, e ainda teria outro em Caruaru no
dia 31, mas como eu tinha uma viagem marcada nesta sexta-feira dia 30 para
Gramado, não vou poder fazer este trabalho do dia 31.
Por causa desta viagem para o Rio Grande do
Sul, não mexi na mala, vou só complementar.
Vou falar hoje dos dois shows de Alceu no SESC
Pompéia. Na Choperia.
Já fiz vários trabalhos na Choperia do SESC
Pompéia, já fui com Silvério Pessoa, com Naná Vasconcelos. Muito legal o local.
Atualmente, para fazer o monitor tem uma M7CL e
para fazer o PA tem uma PM5D, mesas digitais da Yamaha.
O local onde fica a mesa de PA não é muito
confortável, pois fica num elevado na frente do palco, e o técnico tem que
subir por uma escada de ferro presa na parede.
Não dá para ficar subindo e descendo a todo
instante para ouvir o som na mesma posição do público.
Mas neste show não seria meu este desconforto
porque estava de volta à Choperia para fazer o monitor.
Rogério é quem iria fazer o exercício físico
de subir e descer da plataforma elevada.
Eu já sabia que não existia side no palco da
Choperia.
E não lembrava quais eram os monitores porque
na maioria das vezes que fui lá, fui para fazer o som do PA.
Rogério me comunicou que tinha três tipos de
monitores. Meyer Sound,
Turbosound e JBL.
Ou seja, eu estava bem servido.
À princípio, eu tinha pensado em colocar dois
Meyer para Alceu, os outros dois Meyer para fazer o side improvisado, os Turbosound
para fazer bateria e guitarra, deixando os JBL para fazer os teclados e o
baixo.
Por sugestão de Rogério, decidimos colocar os
outros dois Meyer para fazer guitarra e bateria, pegamos quatro Turbosound para
fazer o side, e usamos os JBL para monitorar os teclados e o baixo.
Passei a cena do show anterior (ai) para a M7CL,
zerei os equalizadores, e fui dar uma checada nos monitores.![]() |
No detalhe, os dois monitores Turbosound improvisados como Side. |
Fiz o mesmo procedimento de sempre.
Peguei o microfone sem fio de Alceu,
coloquei-o em outro canal modificando o patch digital, e com ele sem
equalização nenhuma, inclusive sem o filtro HPF, fui ouvir os monitores.
Já no dele fiquei feliz. Os monitores em nada
lembravam o do show anterior.
Muito mais equilibrado e claro. Encorpado.
Não é possível que eu erre na mão aqui...
Pensei com meus botões...
Não mexi em quase nada no equalizador da via.
Lembrei do show anterior e dos comentários de
Alceu no ensaio sobre o som no palco e deixei o som dos monitores mais “vivo”, mais
“brilhante”.
Continuei ouvindo os outros monitores e não me
assustei com nenhum.
Mesmo sendo diferentes, foi fácil chegar ao
que eu queria, mexi pouca coisa em todos eles.
Não teria subgrave na bateria, e a intenção
era colocar dois monitores de chão para Cássio Cunha, mas como só tinha disponível
quatro Meyer Sound, ficou só um monitor mesmo para a bateria.
Os JBL serviram perfeitamente para os teclados
e para o baixo. Tudo certinho.
Abri o canal original da voz de Alceu para
checar o monitor dele já com o efeito de ambiência (reverb), mas antes de
ouvir, zerei a equalização do canal, deixando apenas o HPF ligado.
Gostei do que ouvi. Deixei o canal sem
equalização mesmo.
Fiquei esperando a banda chegar para o sound
check.
Vou ali comprar umas camisas de mangas
compridas para a viagem de sexta para Gramado.
Já vou ganhar de presente as luvas e o
gorrinho.
Só tenho uma e tá bem mais frio lá do que em
Recife!
Pela previsão, tem um dia que vai dar 2 graus!
Nunca cheguei nem perto de um frio destes!
--
Já fui e voltei de Gramado.
Não peguei os 2 graus como falei acima.
A temperatura girou em torno de 11 graus, e só
quando eu estava saindo do hotel para voltar à Recife, o termômetro marcava 5
graus.
Muito legal a (pequena) cidade.
Não vou me estender muito falando desta viagem,
depois eu faço um texto mais detalhado para o Mudança de Palco aqui no Blog.
Deixa eu olhar onde parei lá em cima. Ah,
esperando a banda para passar o som...
Ela chegou, e estávamos começando a passar o
som.
Neste momento chega Alceu Valença.
Quase nunca ele vem, mas acho que depois do
desconforto do show anterior, ele resolveu dar uma conferida antes.
A primeira coisa que ele fez quando subiu no
palco foi dar um “alô” no microfone dele.
Com certeza ele estava assustado ainda do show
anterior. (risos)
Ele não fez nenhum comentário.
Começamos a passar o som.
Alceu passou mais tempo cantando no salão do
que no palco.
Quando estavam pensando em acabar o sound
check, Rogério pediu (sabiamente) para Alceu passar algumas músicas no palco,
alertando que o que ele iria ouvir lá em cima seria bem diferente do que ele
estava ouvindo na frente pelo som do PA.
Passamos umas duas músicas, foram feitos
alguns pedidos na monitoração e ele foi embora satisfeito.
Estava tudo correndo bem, mas...
Tivemos um problema muito sério no primeiro
dia de show.
O tecladista da banda Tovinho, que é meu
Irmão, estava mal desde a passada de som.
Ele estava suspeitando de uma infecção
intestinal ou que fosse dengue.
Ficamos direto depois do sound check no
camarim aguardando a hora do show, ele ainda dormiu um pouco no sofá, mas não
teve jeito.
Simplesmente ele não conseguia tocar direito,
não tinha forças.
E isso foi durante todo o show! Foi tenso.
Na penúltima música eu notei que Ele estava angustiado,
tentando segurar o vômito.
Mas não conseguiu.
Corri até um banheiro logo atrás da mesa de
som e peguei toalhas de papel.
Voltei até o palco e entreguei as toalhas ao
roadie para ele tentar amenizar a situação.
Nesta hora, Tovinho já estava no fundo do
palco sentado nas caixas dos equipamentos ainda vomitando.
E o show rolando. Sem os teclados,
logicamente.
Paulo Rafael ainda pediu para Tovinho ficar no
fundo do palco, mas ele retornou aos teclados e tocou (tentou) a última música.
Esta foi a parte ruim destes dois shows.
Mas mesmo com este grande problema, o primeiro
show foi muito legal, com o público sempre participando, casa cheia.
Alceu não pediu nada durante o show.
No segundo show, Tovinho estava melhor.
Mal ainda, mas infinitamente melhor.
Ainda fizemos um rápido sound check quando
chegamos ao SESC.
Alceu não apareceu.
Ajustamos algumas “coisinhas” no som do palco,
sempre Rogério me aconselhando algo, e aguardamos mais uma vez no camarim pela
hora do show.
Logicamente, o show foi infinitamente bem mais
justo que o primeiro, pois Tovinho estava bem melhor fisicamente.
Acho que deu um pouco menos de público que o
dia anterior, mas a animação foi a mesma.
Desta vez eu acertei na mão e na decisão.
No caso da decisão, foi mais uma questão de
aceitar as sugestões de Rogério, mas não deixa de ser uma decisão.
Comemoramos depois do show (sem Tovinho) no
barzinho na frente do hotel esta temporada de 3 shows em São Paulo.
Mais uma vez tomei meu vinho, acompanhado por
uma tábua de frios muito boa que o barzinho oferecia numa mesa “self-service”.
No outro dia voltei para casa.
Por mais que seu companheiro de quarto seja
“gente boa”, dormir na sua cama, sozinho ou com sua esposa, é uma sensação
única.
Considero até um prazer (quase sexual)!
Um abraço a todos.
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