sexta-feira, 27 de março de 2026

Operando o monitor do Rec-Beat - A despedida dos festivais?

 
Olá pessoal.
Não é de hoje que já venho falando para colegas e amigos de profissão da minha vontade de parar de trabalhar em festivais.
Já fiz vários...
O primeiro deve ter sido o Abril Pro Rock (APR), no começo dos anos 2000, quando fui contratado pela empresa de som PA Áudio, dos meus amigos Normando, Rogério e Mário Jorge.
Dos mais importantes, acho que só faltava eu trabalhar no Rec-Beat.

E esse foi, acredito, o principal motivo para eu aceitar o convite para operar o monitor do evento.
O segundo motivo foi a remuneração.
Sempre achei que esse é um dos maiores problemas dos festivais daqui.
A remuneração. O cachê.
A responsabilidade é bem grande, o "rojão" é tão grande quanto, as horas dormidas são pouquíssimas, e em muitos casos não dá nem para se alimentar direito.
Lembro na época do começo no APR, quando colavam o papel com o cronograma das passadas de som e do início dos shows, e quando eu olhava, não existia pausa para almoçar e/ou jantar!
Era um soundcheck atrás do outro, e logo em seguida começava o primeiro show, que acabava bem tarde, e a técnica tinha que chegar bem cedinho...
Hoje as pausas existem nos cronogramas, mas nem sempre dá para seguir ao "pé da letra".
E em muitos casos, algum colega que está mais folgado naquele momento, traz o almoço ou lanche pra gente comer numa brechinha de tempo ao lado da mesa de monitor (ou PA).


Aconteceu algumas vezes nesse trabalho que fiz no carnaval no Cais da Alfândega (Recife), principalmente na hora do jantar.
E pela praticidade, pedia sempre um hambúrguer "artesanal", que era bem gostoso.
Fica meio complicado comer uma quentinha com aqueles garfos de plástico que quebram na primeira espetada na carne.
Quebrei tanto estes talheres, que na época que estava começando, andava com um garfo e faca de metal na minha maleta de ferramentas!
Cheguei perto de engolir alguns pedaços de dentes de garfo, que quebravam sem eu notar e ficavam no meio da comida.
Já foi por hoje...
Queria só começar o texto para deixar um começo definido.
Semana que vem termino e faço a postagem.
Estou me arrumando para dois trabalhos nesse fim de semana, que tá parecendo cronograma de festival.
Hoje é quinta-feira (26/03 - 23h35), e viajo na madrugada do sábado para Fortaleza, onde faço o monitor de Rachel Reis.
Volto na madrugada do domingo para Recife, onde vou fazer nesse mesmo dia o monitor do show de Fernando Anitelli, vocalista do grupo O Teatro Mágico.
Depois conto como foram os trabalhos...
Amanhã faço exames de sangue pela manhã e arrumo as coisas para o "bate-e-volta" em Fortaleza.
----
Já arrumei tudo aqui para a viagem, e vou ver se consigo terminar esse texto hoje, sexta-feira.
Como falei acima, fui fazer uns exames, tou tentando mais uma vez dar uma geral nesse corpinho de 60 que eu tanto maltrato.
Falei de rojão nos festivais, né?
Nesse não foi diferente...
Mudei muitas caixas de monitor do lugar, com a ajuda do meu amigo Léo Mattos, que foi contratado pela empresa de som para me dar uma assistência.
E ele deu mesmo, como sempre!
Léo, quando eu estava começando no monitor da Versão Brasileira, já trabalhava em empresa de som, e me encontrei várias vezes com ele nos palcos, onde ele sempre foi muito profissional e solícito.
Dificilmente saía um NÃO da boca dele, o que não era muito comum naquela época, e até hoje isso ainda não mudou completamente.
Sempre o admirei por causa desse profissionalismo, e dessa vontade que ele tinha de sempre querer ajudar a resolver problemas no palco ou no som do PA.
Pois bem...
Eu não imaginava que esse trabalho com ele no Rec-Beat seria a última vez que eu iria vê-lo.
Dias atrás recebi a péssima notícia que ele tinha falecido.
Voltou pra casa depois de um dos trabalhos dele com som, sentou na sala, e morreu.
Tinha me falado em uma das várias conversas lá no palco do festival que estava muito contente com um serviço diário que ele estava fazendo, que garantia um "fixo" que ajudava muito para pagar as contas.
Atualmente ele operava o som do PA do cantor Santanna, O Cantador.
Mas já trabalhou para vários outros artistas daqui de Recife, como Quinteto Violado e André Rio.
Mais um cara "gente boa" que foi embora...
Uma merda saber que não vou mais me encontrar com ele nos palcos.
Vamos em frente, como diz Silvério Pessoa.
Aprendi muito novinho e de uma forma cruel, que a vida não para!
Voltando ao Rec-Beat...
Coincidência ou não, na quarta-feira de cinzas, apareceu uma dor no meu cotovelo direito, e ao que tudo indica é uma tal de Epicondilite Lateral.

Clique na imagem para ampliar.
Mesmo Léo me ajudando a carregar as caixas pesadas de monitor, acredito que esse esforço pode ter ajudado no aparecimento dessa tal de epicondilite.
Estou supondo, pois a inflamação é causada geralmente por movimentos repetitivos, como um tenista.
Estou começando a tratar.
Mas que é rojão trabalhar num festival, é sim.
Principalmente no monitor!!!!!!

Chico Chico.

Como sou o responsável pelo monitor do evento, faço o monitor das bandas que não trazem seu técnico.
Para terem uma ideia, das 20 atrações, só uma trouxe o técnico de monitor, e teve um caso do técnico de PA operar o monitor lá da frente, com todos no palco usando fones.
O resto, eu operei.
Mas não fui sem saber, isso é o normal aqui.
Não sei como é num Lollapalooza ou Rock In Rio...

Ajuliacosta.

Tinha até o que comentar sobre a parte técnica, mas não vou entrar nesse assunto.
Uma coisa posso até falar, que pode ajudar outros técnicos no monitor de futuros festivais.
Resolvi não desconectar nada das vias de monitor.
Tanto das vias de caixa como as vias dos in-ears.
Pluguei uma vez e não mexi mais.
Fiz uma lista de mostrando como estavam as saídas, e para onde iam, e se aparecesse uma banda com seu técnico, era só fazer o patch digital, sem desplugar nada!
Colei essa lista ao lado da mesa de monitor, como mostra a foto abaixo.


Deu muito certo isso, e foi bem simples para o único técnico que apareceu no palco fazer o patch digital para suas vias de monitor.
Já tinha feito isso no último trabalho que eu fiz no Festival No Ar Coquetel Molotov.
Funciona absurdamente!


Mas não vou entrar na parte técnica dessa vez, e que teria muito assunto para falar!!!!!
Quando resolvi escrever, foi para falar sobre o desgaste físico (e mental) causado por um trabalho num festival de música.
Como falei antes, fiz muitos, mas estou realmente cansando da "puxada".
Não tenho mais o corpinho de 30 anos.
Agora o danado tá com 60, e eu não cuido muito bem dele.
Mesmo com a melhor remuneração que eu consegui até hoje em festivais, e recebendo o valor total depois de apenas uma semana, o Rec-Beat foi o empurrão que estava faltando para minha decisão.
Foi a minha despedida dos festivais?
Foi sim.
Espero ter contribuído com meu trabalho para o sucesso dos vários festivais por onde passei.
Sempre me diverti.
Mas não estou mais me divertindo como antes.
Vou deixar para os mais novinhos o serviço, com mais disposição, fôlego e talento!!!
E muito obrigado a todos que me convidaram para esses festivais.
Tem muita gente que acredita em mim, mais do que eu mesmo!!
Um SESI Bonecos, FITO, MIMO, ou coisa do tipo, ainda posso até aguentar...
Mas no PA!!!!
No monitor, dá mais não.
Um abraço a todos.

PS: Organizar aqui o vinho para aguardar pela hora de seguir para o aeroporto às 2h da madrugada... (Risos)

Nenhum comentário: