quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Reinauguração do estádio do Santa Cruz – Line array com inclinação invertida e diferentes modos de salvar uma cena na mesa digital.

Olá pessoal.

Domingo passado, dia 18, teve a festa de reinauguração do estádio de futebol do Santa Cruz aqui em Recife.

A proposta era ter um show da Spok Frevo Orquestra com cantores convidados, e que os músicos e os cantores fariam o trabalho sem cobrar cachê por serem torcedores do Santa Cruz.

Spok, que é tricolor, montou a banda e o pessoal da organização convidou os cantores que eram torcedores assumidos. Veio Nando Cordel, Canibal, Getúlio Cavalcante, Isaar, Fábio Trummer, etc.

Como um dos proprietários da empresa de som é tricolor, ele me perguntou se eu não queria ir para ajudá-lo, pois sou torcedor do Santa Cruz também. Falei que topava.

Chegamos muito cedo ao local (não era nem 9 da manhã), pois teríamos que montar e ligar todo equipamento, fazer um sound check com a Spok Frevo e com alguns cantores. Enquanto eu ajudava Arnaldo nas ligações entre a mesa e o palco, Eduardo e Mário Jorge (técnico de Elba Ramalho, irmão de Rogério e também um dos proprietários da empresa de som) ligava o P.A. e as caixas que ficavam atrás das barras (ou balizas, ou gols, ou traves). O show começaria às 16h e teria que acabar às 18h. O palco deveria ser completamente desmontado para o jogo começar às 18:30h. Falaram que se o palco não fosse totalmente desmontado no tempo estabelecido, corria-se o risco do time da casa, no caso o Santa Cruz, perder o jogo por WO.

Rogério (foi ele que me convidou para o serviço), torcedor do Santa Cruz e um dos proprietários da empresa de som, já tinha ido no estádio para ver o que seria necessário para a sonorização do evento.

Seria apenas uma mesa para fazer o P.A. e monitor. A mesa escolhida foi a digital M7CL da Yamaha.

Armamos a banda nas duas laterais do palco, deixando o meio livre para que os cantores pudessem cantar de frente para os dois lados do estádio. O palco foi montado na frente das sociais e das cabines dos repórteres.

Ligamos 4 vias independentes de fones (bateria, percussão, baixo e guitarra) e 4 vias independentes com monitores de chão (3 vias para os metais e uma para os cantores convidados). Como a mesa ficou um pouco afastada do palco, fiquei na mesa atendendo aos pedidos de Rogério que ficou com o microfone sem fio alinhando os monitores de chão. Depois de alinhar os monitores, Rogério veio para a mesa e começou a fazer o sound check com a banda. Foram montados 4 grupos espaçados de caixas para sonorizar as sociais e as cadeiras. Cada grupo era formado por 6 caixas line array da D.A.S. AERO 28 mais 4 caixas de sub-graves. As caixas do line array ao contrário de como são usadas normalmente (penduradas com inclinação de algumas caixas para baixo), foram montadas no chão com a inclinação invertida. A cobertura sonora tinha que ser de baixo pra cima, porque o público ficava em arquibancadas que começavam no nosso nível e iam subindo. Acima dessa arquibancada ainda tinham as cadeiras.

Para cobrir as arquibancadas atrás das duas barras, foram colocados dois grupos espaçados de caixas formados por 2 caixas “tipo” KF850 mais 2 caixas de sub-graves. E para cobrir a arquibancada lateral (lado oposto das sociais e cadeiras) foram colocados 6 grupos de caixas espaçadas. Cada grupo era formado por 2 caixas “tipo” KF750.

Detalhe do line array com a inclinação invertida. Era necessária esta inclinação para poder atingir também as cadeiras que ficavam acima das sociais. Dois grupos (dos seis) de caixas colocados no chão na lateral oposta ao palco. Um dos grupos de caixas colocados atrás das barras. Enquanto Rogério fazia o sound check, fui dar uma conferida nas caixas que ficavam atrás das barras. O volume do som estava muito baixo. Falei para Mário Jorge aumentar a mandada do sinal. A mixagem do som do evento foi monoaural (http://pt.wikipedia.org/wiki/Monoaural ). Quando voltei, Rogério foi organizar as ligações dos microfones dos metais e eu fiquei na mesa de onde não sai mais. Passamos o som com alguns cantores convidados e nada foi mexido na mesa, pois a banda era a mesma. Só em uma participação de um grupo eu fiz mudanças na mesa e por isso tive que salvar outra cena. Mais uma vez fiz como no trabalho no monitor do Baile do Menino Deus e salvei as duas cenas com os canais abertos. Vou explicar.

Num trabalho normal com uma banda, quando eu acabo de fazer o sound check, eu desligo todos os canais e salvo a cena com estes canais desligados. Isso é necessário porque normalmente existe outro show antes do meu e quando este show acaba, o pessoal tem que desligar muitos cabos no palco para poder ligar os meus, pois as posições dos instrumentos nos canais variam de uma atração para outra. Se eu chamar minha cena e os canais estiverem abertos, com certeza vamos ouvir grandes estalos e/ou ruídos muito altos por causa destas mudanças nas conexões, podendo causar até danos às caixas de som. Então, assim que o show anterior acaba eu chamo minha cena que está com os canais desligados e o pessoal pode fazer normalmente as novas ligações. Quando está tudo ligado no palco e eu confiro se está chegando tudo certo pelo meu fone, ligo os canais e o show começa. Logo no começo do show, salvo novamente esta cena no mesmo lugar, só que agora com todos os canais abertos. Faço isso agora para evitar que o som pare se eu chamar acidentalmente minha cena novamente, pois a cena antiga está com os canais fechados! Já aconteceu isso comigo uma vez e não é nada interessante. Bati acidentalmente no botão RECALL. Existe uma preferência na mesa digital que o usuário decide se é para a mesa perguntar se realmente é para chamar a cena quando o botão recall é apertado ou se a cena é para ser carregada imediatamente ao se apertar este botão. No dia que bati acidentalmente no botão, esta opção de confirmação estava desativada. Quando não tenho tanta pressa para fazer esta mudança, deixo a opção de confirmação do pedido ativada.

No caso do monitor do Baile do Menino Deus e neste evento no estádio, eu tive mudanças durante o show e eram imediatas. Neste do estádio, entraria um grupo no meio do show que não seria acompanhado pela Spok Frevo e este grupo usaria alguns microfones da Spok Frevo para outros instrumentos. Por isso fiz as modificações necessárias no sound check e salvei em outra cena com os canais abertos do grupo, e desliguei os da Spok Frevo porque não iriam tocar nada nesta hora. Desativei também na mesa a confirmação do pedido, pois as cenas deveriam entrar imediatamente quando eu apertasse o recall. Quando o grupo acabou de se apresentar, voltei imediatamente para cena da Spok Frevo (que salvei com os canais abertos) e o show continuou sem parada nenhuma. Da esquerda para direita: Os irmãos Mário Jorge e Rogério.

Perto do final do show, Mário Jorge me falou que dois amplificadores que estavam do outro lado queimaram. Nem fiquei sabendo o motivo. Depois pergunto pra ele. Este foi o único contratempo que tivemos.

Desligamos rapidamente o palco e o mesmo foi desmontado dentro do tempo exigido. Por causa disso, alguém da organização comentou que poderia haver outro evento como aquele em outros jogos normais.

Ah! O outro contratempo foi que queimei as minhas duas orelhas com o sol escaldante. Esqueci de passar o protetor solar nelas! Enrolado na bandeira e segurando o sax, Maestro Spok. Um abraço a todos.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Parece mentira... Mas foi verdade! – Caso 4

Olá pessoal. Essa aconteceu comigo também. Faz tempo e foi novamente quando eu operava o monitor da Banda Versão Brasileira. O show estava rolando numa praia do litoral sul de Pernambuco chamada Tamandaré. Tudo transcorria normalmente. O cantor se movimentava muito pelo palco, pulava, dançava. Existiam ainda 8 bailarinos em cena. Lembro que estava olhando para ele na hora e ele estava vindo dançando e pulando da outra extremidade do palco em minha direção. Baixei a vista para ajustar alguma coisa na mesa e ao levantar a cabeça não entendi a imagem que estava vendo, pois não via mais o cantor na mesma linha da vista da imagem anterior. Demorei uns dois segundos para entender como podia o cantor diminuir tanto de tamanho, pois tive que baixar a vista para poder vê-lo. Ele simplesmente afundou no palco! Abriu-se um buraco exatamente do diâmetro do corpo dele e o pobre só não passou direto porque abriu os braços e ficou enganchado no buraco. Então a imagem que eu via era só os dois braços e a cabeça dele. Não via mais as pernas. Por isso o cérebro demorou um pouco pra entender. Corremos para socorrê-lo. Puxamos ele do buraco (a banda continuou tocando). As laterais do seu corpo estavam todas esfoladas, mas ele bravamente falou que seguiria cantando. Dei o microfone reserva, pois o que ele estava usando foi parar embaixo do palco, e o show prosseguiu até o final. Foi tudo tão rápido que muita gente que estava vendo o show nem notou o incidente. Até o próximo caso. Um abraço a todos. CD Player GPS que vinha na van alugada. Fiquei impressionado, pois era só colocar o CD correspondente ao país, que ele lia as informações e podia retirar e colocar o CD de áudio normal. Enquanto escutávamos as nossas músicas, o som baixava em certas horas e uma voz feminina em Português (de Portugal) dizia pra que lado seguir. Turnê 2006 na Europa com Silvério Pessoa.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Show de Sir Rossi no UK Pub – Melhorada no equipamento de som fez com que eu não tivesse problemas.

Olá pessoal.

Fui operar o som de mais um show da Sir Rossi. Desta vez seria em um barzinho aqui em Recife chamado UK Pub. Já tínhamos feito um show lá anos antes. Já sabia o que iria encontrar. Mas ao chegar à tarde para fazer o sound check, notei que tinham dado uma melhorada no equipamento. Substituíram as quatro caixas antigas do salão por quatro caixas amplificadas da JBL e colocaram também duas caixas de sub-graves da JBL também. Na primeira vez que fiz o show lá, só tinha uma caixa de sub-graves. Uma melhora já significativa. As caixas antigas do salão foram transformadas em caixas de retorno para o palco. E ainda colocaram uma caixa de retorno para o baterista que não existia antes. Se eu não me engano, até a mesa foi trocada. Antes eu acho que era uma Behringer de 16 canais, e agora tinha uma Mackie de 16 canais. Mesma quantidade de canais, mas por usar componentes de melhor qualidade, a Mackie leva vantagem no resultado final no quesito sonoridade. Até o tamanho do palco foi aumentado, deixando tudo mais confortável. Não lembrava se no primeiro show eu tinha colocado microfones em todas as peças da bateria. Por ser um ambiente pequeno, não precisava microfonar tudo. Comecei colocando um microfone no bumbo, outro na caixa e outro no hihat (chimbal). Nos pratos eu sabia que não usaria nada. Minha dúvida era se eu colocava microfones nos dois tom-tons (tambores). Resolvi colocar, pois sou adepto da frase: “É melhor sobrar do que faltar”. Quando fui calculando o que seria usado no show, vi que não teria canais suficientes para microfonar os dois tons da bateria e resolvemos colocar apenas um microfone para captar os dois tambores usados pelo baterista. Os tambores estavam um pouco distantes um do outro e eu não sabia se iria funcionar direito este microfone. Iria pedir pra banda tocar uma música e daria uma volta em todo o ambiente do bar para sentir como estava. Mas antes da banda conseguir tocar uma música, foi decidido deixar os tom-tons sem microfone, deixando este microfone para ser usado pelo trompete e trombone. O sax já tinha um microfone só pra ele, mas o músico não pode vir passar o som. O vocalista da banda também não. Logo no começo do sound check, senti que uma das caixas do salão estava “rachando”, e trocamos esta caixa por uma das que ficava do outro lado do bar, aonde o pessoal não gostava muito do som alto. Não dava pra deixar esta caixa rachando exatamente no local aonde precisava de um nível mais alto de som. Na caixa com problemas eu baixei o volume no botão de controle que tem na sua traseira. Enquanto a banda tocava fui dar a volta no bar e fiz os ajustes necessários. Pensei que não precisaria usar o microfone do hihat, mas tive que aumentar porque ele não estava aparecendo. Os tom-tons também não estavam aparecendo, mas não tínhamos mais canais disponíveis. No monitor não tive reclamações, pois todos estavam se escutando bem. Eu tinha três vias de monitor. Uma para o baterista, outra para o tecladista e uma para o cantor. A via do cantor era a parte mais complicada por causa das caixas que não foram feitas para se usar como monitor. Não tinha como elas trabalharem inclinadas. Duas destas caixas estavam em uma lateral do palco e a outra ficava na lateral oposta, numa distância grande. Posicionei uma das que estava mais perto do cantor para sua direção e a outra deste lado posicionei para o guitarrista. Enquanto a banda tocava, me posicionei no lugar do cantor e usando minha voz dei uma equilibrada no volume até eu começar a escutar minha voz acima da massa sonora que vinha do palco e das caixas espalhadas pelo salão do bar. Tentei até cantar junto com a banda, mas um irmão meu me disse uma vez que eu era desafinado até quando cantava “parabéns pra você”. Minha dúvida era o cantor se adaptar a esta monitoração, pois ele já está acostumado a usar inear aonde se escuta tudo. Ainda liguei pra ele pedindo para trazer o seu equipamento de monitor, mas depois resolvemos fazer com os monitores da casa mesmo. À noite, já no show, só precisei da primeira música para ajustar o monitor do vocalista e para equilibrar os dois microfones dos metais. Não tive mais trabalho nenhum. Não tive nenhum problema de realimentação (microfonia) durante todo show. Só não bebi minha vodka por causa da Lei Seca. No caminho de volta pra casa, enquanto dirigia meu carrinho 1.0 na velocidade de uns 60 Km/h, passou um carrão enorme ao meu lado como um foguete. Pela velocidade que eu estava e como ele passou, estava em uns 120 ou 130 Km/h. Senti-me de novo um imbecil ao ver este carro bater violentamente na traseira de um dos três carros que diminuíam a velocidade por causa do sinal de alerta em um semáforo à frente. Poderia ter sido na minha traseira! Pensei sobre isso ao entrar na rua que ficava um pouco antes do semáforo da colisão. De que adianta seguir as leis se existem pessoas, com muito dinheiro logicamente, que têm certeza que as leis não servem pra eles?

Não tenho mais shows em 2008. Rejeitei um convite para um show no réveillon esperando pegar outro com o cachê bem melhor, mas este show do cachê melhor não apareceu e quando eu tentei pegar o primeiro, já tinha outro operador. Foi um risco que eu assumi. Que venha 2009, pois não agüento mais 2008, mesmo sabendo que vou envelhecer mais um pouco no começo deste novo ano. Ce La Vie.

Saúde para todos que lêem este Blog em 2009, e para quem não lê também.

Mas não desejo porra nenhuma pra gente “do tipo” a que estava dirigindo aquele carrão que quase bate em mim.

Um abraço a todos.