Olá pessoal.
Mais uma vez fui operar o som do monitor da “trupe” (banda?) O Teatro Mágico (OTM).
Eles gostam do termo trupe, tanto que na camisa da equipe tem o nome estampado nas costas.
A primeira vez que tive contato com a trupe, foi no FIG, onde operei o som do PA, e faz um bom tempo.
Foi a única vez que operei o som da frente, nas outras fiz sempre o monitor, como nesses dois shows que aconteceram nos dias 21 e 22 de maio, em Recife e João Pessoa respectivamente.
Ou seja... Foi na semana passada que aconteceram os shows.
O primeiro foi aqui no Teatro do Parque.
O input é bem enxuto, com 25 canais no total.
Bateria, baixo, teclado/sampler, sanfona/synth e uma vocalista que também participa dos números circenses e que toca guitarra numa determinada música.
Cinco músicos mais o Fernando Anitelli, vocalista que toca violão e guitarra.
E todos usam fones!!!!!
Ajuda muito no trabalho, pois não dependo de monitores de chão, onde muitas vezes encontro com problemas.
Quando dá, todos usam in-ears sem fio.
Quando não é possível, Anitelli usa o sistema próprio, e colocamos sistemas com fio para todos da banda.
Nardão, diretor técnico e que assume várias outras funções na trupe (risos), incluindo a operação do som do PA, tem 4 sistemas Waldman, iguais ao que tenho, e ele sempre anda com esses sistemas.
Mas preferi usar os meus sistemas, porque eles têm o protetor no botão de mono e estéreo que fabriquei com meu amigo Evangelista, e que já expliquei aqui no Blog sobre esse problema do equipamento.
Passei para ele o arquivo do projeto do protetor do botão, onde ele pode confeccionar a peça em qualquer lugar que tenha impressão 3D.
Teatro do Parque - Recife - PE.
Nardão me informou que iria alugar uma mesa X32 da Behringer para os dois shows.
O Teatro do Parque tem até uma DL32 da Mackie, onde usam no monitor, e falei isso para Nardão, explicando que minha preferência seria fazer com uma X32.
Cada vez fico mais desanimado em operar o som de um show no iPad, seja no PA ou monitor.
Curto não.
Pois bem...
Mesmo sabendo que tinha uma mesa no teatro para o monitor, foi decidido usar a X32.
Mas apareceu um probleminha...
Os cabos que tem no teatro para splitar (dividir) os sinais para a mesa de PA e monitor são bem curtos, pensados para serem usados com a mesa Mackie, onde ela fica em cima do stagebox, e não é preciso cabos longos para fazer essas ligações.
A DL é controlada via iPad.
Como a X32 iria ficar um pouco distante do stagebox que envia os sinais para a mesa de PA, uma TF5 da Yamaha, foi preciso alugar um spliter para dividir nossos sinais para as duas mesas.
Probleminha resolvido.
Coloquei a mesa exatamente onde queria.
Usei ainda o iPad para alguns ajustes no palco, como o side, que é usado apenas para que o pessoal que faz os números aéreos de circo escute o som das músicas.
Não esqueçam que todos no palco estão com fones.
Mas durante o show não toquei uma única vez na telinha da Apple, operando o som pela mesa com controles físicos!
Ajustamos muita coisa pela manhã, e finalizamos a montagem e ajustes depois do almoço.
Quando a banda chegou, tudo estava ligado e testado.
E a passagem de som foi bem tranquila.
Deu tempo até da turma ensaiar alguns detalhes do show.
Teatro do Parque - Recife - PE.
Apareceu um problema num dos meus sistemas de monitor durante o soundcheck, mas como levei um extra, troquei rapidamente, e depois vou ver o que aconteceu com o equipamento.
Devo ver isso essa semana.
Caso eu não tivesse levado o extra, Nardão tinha os dele, e tudo seria resolvido do mesmo jeito.
Sempre sigo uma frase nos meus trabalhos com relação a equipamentos: “É melhor sobrar do que faltar.”
Sempre deu certo até hoje essa atitude.
A tranquilidade do soundcheck continuou no show.
E pelo que notei, todos saíram felizes, trupe e público.
Eu também! Saí bem feliz com o trabalho.
Teatro do Parque -Recife - PE.
Mais uma vez comprovei que não tem comparação trabalhar com uma mesa “normal” com faders e botões!!!!
Tudo é mais rápido e prático!
E para um monitor isso é absurdamente importante!
Deu tempo até de beber duas taças de vinho em casa, pois a viagem para João Pessoa no outro dia seria depois das 10h da manhã.
Atualmente estou fazendo mais exames do que shows.
Resolvi dar mais uma geral no corpinho maltratado.
Já fiz vários exames e ainda vou marcar outros.
A próstata deu alterada, e já marquei o urologista.
O fígado já tem esteatose faz é tempo, mas achei que estaria pior.
Colesterol e triglicerídeos (bem) acima do desejável...
Falta ainda ver o coração...
Continuo solteiro, mas o coração que vou checar é o que bombeia o sangue. (Risos)
Resumindo... Resultado normal dos exames, para quem não se cuida, né?
Segui com Neto no carro dele no outro dia para João Pessoa.
Ele foi o roadie desses dois shows, e também estava comigo no show anterior do OTM na UFPE.
Demoramos um pouquinho para sair de Recife por causa de um congestionamento na BR, mas deu tempo de chegar bem no local do show, só um pouco depois da hora combinada.
Paramos no caminho para pegar umas coxinhas pra comer no carro, porque tínhamos certeza que não daria tempo para almoçar.
E foi isso mesmo que aconteceu.
Chegamos no local do show e já colocamos a mão na massa!
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| Arrumando o palco. Nardão perto da mesa e Saúde perto da bateria. |
Centro de Convenções Cidade Viva.
Achei que era um centro de convenções normal, mas não era.
Tinha uma ligação com religião.
E isso ficou claro ao ver a cruz enorme na lateral do palco.
E ela não poderia sair do lugar, porque era chumbada no chão do palco.
Ficou estranho, mas...
Seguimos em frente.
Dar uma pausa aqui pra uma macaxeira com charque feito pela minha irmã, que é uma mãe para mim.
Perdemos nossa Mãe muito cedo. Eu tinha sete anos, ela cinco.
Gosta mais do Santa Cruz do que eu, de tanto acompanhar nosso Pai nos jogos no Estádio do Arruda, quando eu troquei os jogos do Santinha pelas farras!
Fritei um ovo com gema dura para complementar a macaxeira com charque.
Depois tomar meu velho leite quente com Nescafé, e talvez um pedacinho de panetone...
Hoje não tem vinho, só amanhã.
Regras religiosas, que de vez em quando não sigo.
A minha igreja só tem eu, e quem decide tudo sou eu mesmo.
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Muitos cabos e DIs no meio do palco, onde provavelmente teve algum culto no dia anterior.
Achamos melhor já ir desligando tudo para facilitar nossas ligações, enquanto esperávamos pelo técnico de som do local.
E foi uma boa decisão.
Esperei o técnico chegar para saber onde seria a melhor posição da mesa de monitor, e em qual lado colocar.
Quando ele chegou, foi a primeira coisa que perguntei e colocamos a mesa onde ele achava melhor, bem perto do stagebox que enviava os sinais para a mesa de PA.
Mas...
Tivemos que fazer uma operação de guerra para ligar nossas coisas, porque tudo lá foi projetado para as necessidades das apresentações religiosas, onde nem mesa de monitor tinha.
Tudo era feito da mesa de PA.
Soundcheck - João Pessoa - PB.
No palco só dois monitores na parte da frente, que eu acredito que são usados para o envio das vozes dos padres (pastores ou outro tipo de religioso).
O apelido do técnico era “Saúde”.
Adorei, não tinha como errar o nome dele.
Ele foi uma peça muito importante para o resultado do show.
Resolveu todos os nossos problemas e necessidades, não medindo esforços para nos ajudar!
Muito obrigado Saúde pelo atendimento.
Tivemos que fazer mudanças radicais nas ligações dele para os cultos, mas em momento algum ele falou que não poderia ser feito.
Seria importante ter o side para o pessoal do aéreo, e não tinha isso lá, mas Saúde resolveu isso também.
Não usei as duas caixas de monitores que ficam na frente do palco, e elas foram retiradas, deixando o palco limpo, como é o normal nos shows do OTM.
Saúde conseguiu duas caixas num tripé para o nosso side.
Quase faltou cabos XLR para ligar tudo, e o aluguel de uns cabos extras pela nossa produção foi essencial e salvou.
Acho que não iria dar para ligar o side sem esses cabos extras.
Ligamos e checamos tudo, onde tomei um susto quando vi que os microfones sem fio não estavam chegando na minha mesa de monitor.
Mas fui eu quem ligou errado no spliter, onde nunca se sabe qual é o número que vale... O que está em cima da conexão ou abaixo dela.
Pra completar, o spliter que foi alugado não tinha numeração contínua nas pontas que iam para a mesa de monitor.
Eram números minúsculos impressos nos cabos de 1 a 8, e vários grupos de oito pernas com as suas respectivas cores.
Verde 1 a 8, azul 1 a 8, vermelho 1 a 8...
Precisei ligar para o dono do multicabo para saber a ordem das cores... 1 a 8 (1-8 verde), 9 a 16 (1-8 azul), 17 a 24 (1-8 cinza), e por aí vai.
Depois dele me explicar, liguei todos os canais na mesa.
E por isso achei que o problema poderia ser nas minhas ligações na mesa de monitor.
De ter me enrolado com os cabos coloridos, ou o colega ter me passado errado a sequência das cores.
Nardão foi quem notou o erro, que estava na ligação na bandeja do spliter.
Susto passado, começamos o soundcheck.
Logicamente, usei a mesma cena do show anterior, onde basicamente só reajustei os ganhos de alguns canais, e algumas equalizações, mas o “grosso” já estava chegando bem legal nos fones de todos.
Eram microfones e DIs diferentes, não esqueçam desse detalhe.
Até a bateria era outra.
A mesa não era a mesma, mas era do mesmo modelo.
Foi só passar a cena do show anterior que salvei no pendrive.
Fiquei um pouco triste quando ouvi o baterista falar que estava melhor do que o dia anterior... (Risos)
Mas é melhor do que ouvir que estava pior, né?
Seguimos em frente sem atropelos, onde tudo estava se encaixando bem.
Showtime - João Pessoa - PB.
O soundcheck foi bem tranquilo também nesse show de João Pessoa.
Só no finalzinho foi que notei que o LR do fone de Anitelli estava invertido.
Ele me pediu para inverter os lados das vozes e eu estava escutando certo, ele escutava invertido.
Como chequei todas as vias no começo da nossa montagem, e isso eu faço sempre, estava tudo correto com relação ao estéreo de todas as vias, incluindo a dele.
Tentamos desconectar os cabos do fone que são de encaixe (por isso acontecem esses erros) para inverter o estéreo, mas estava bem difícil de soltar o segundo lado, e deixamos como estava mesmo.
Tomamos até um susto porque o som não voltou igual nos fones, e depois de alguns ajustes (e rezas) de Nardão, o som finalmente chegou perfeito!
Anitelli já estava com cara de "Porque deixei fazer isso?"... (Nem vou rir)
Mais um susto contornado.
Esperamos pela hora do show, que não demorou muito para começar.
A trupe se divertindo no soundcheck.
Shows em teatros geralmente começam cedo, diferente de um show aberto gratuito com várias atrações.
Só deu tempo de fazer um lanchinho no camarim.
Outra coisa muito boa em shows em teatros, no meu ponto de vista, é que dificilmente o show vai desagradar o público.
E tem uma razão bem simples para isso.
Todos ali pagaram para ver o show, ou seja, foram já com a intenção de ver o show.
Já gostam das músicas do artista ou estão dispostos a ouvir o que ele tem a dizer.
Num evento gratuito, e principalmente com várias atrações, nem sempre o público que está na hora do show veio ver aquele show.
Temos vários exemplos de artistas maltratados pelo público que não queria ver aquele show, como o caso famoso de Carlinhos Brown no Rock In Rio de 2001.
Um absurdo o que fizeram com ele.
Nesse show em João Pessoa e também no de Recife, o público queria ver o show do OTM, como foi também no da Concha Acústica da UFPE em outubro de 2025, que eu também participei no monitor.
Fiz uma postagem sobre esse show na UFPE, que acredito ter sido um show inesquecível para a trupe criada em Osasco (SP).
Mas vamos voltar para o show em "John People".
Só tive um probleminha (novamente) no monitor da vocalista, mas dessa vez não foi o equipamento que deu problema.
Ela conseguiu, não sei como, apertar o botão mono/estéreo mesmo com a proteção, e a via mudou de estéreo para mono, e quando isso acontece, o som desaparece quase que totalmente devido a problemas na fase do sinal.
Por causa disso, a proteção do botão é indispensável.
Já passei por vários casos de sistemas pararem durante ou no início do show.
Algumas vezes o músico esqueceu que desligou para sair do palco e não ligou novamente, teve caso do músico que não encaixou bem o plugue do fone na caixinha, e teve até músico que não notou que o cabo que entra na caixinha estava desconectado!
A vocalista do OTM sai muito da sua posição, para fazer as acrobacias aéreas, muda muito o lugar da caixinha amplificada onde entra o fone, e isso aumenta o risco de alguma coisa não encaixar direito.
Tem até a imagem dela no vídeo abaixo na hora da falha, “procurando” o som que não chegava aos seus ouvidos, mas logo depois sanamos o problema.
Vídeo by Neto Alves, nosso roadie.
E o outro probleminha aconteceu entre a penúltima e última música, no in-ear do cantor.
Aí foi mais complicado resolver.
Só consegui achar o problema depois que o show acabou.
Ele ficou cantando as músicas finais ouvindo um lado bem mais alto do que o outro.
Para mim estava tudo normal.
Sinal entrando no transmissor certinho, nenhum canal mais alto do que o outro.
No meu fone, escutando a via de Anitelli também normal, nada de som pendendo.
O problema só podia ser no bodypack dele, ou no encaixe do fone nesse bodypack.
Para quem é leigo, bodypack é a caixinha do in-ear sem fio, que eu poderia também chamar de caixinha, mas temos o costume de chamar de bodypack.
Se traduzir ao pé da letra vai sair mochila corporal ou pacote corporal.
Achei no Google uma boa definição para a palavra americana.
Quando o show acabou, peguei a caixinha de Anitelli, e fui procurar o erro (ou defeito).
Etapa por etapa.
Enviei um sinal para o transmissor, tudo ok.
Coloquei meu fone no bodypack e enviei um sinal novamente para o lado esquerdo e depois para o direito do transmissor, que fica ao meu lado.
Na X32 você não consegue enviar esse sinal para várias saídas ao mesmo tempo, não consigo enviar para os dois canais do transmissor do in-ear, que nesse caso era saída 11-12 da mesa.
Só para o LR da mesa tem essa opção.
Falha grave da X32 que nunca ajustaram nas atualizações.
Mas mesmo assim não foi difícil notar o problema, porque um lado estava absurdamente mais alto do que o outro.
Oxe. Por que?
Conferi se estava estéreo no transmissor, só por desencargo de consciência, porque eu testei todas as vias de fones antes.
Tudo certo.
Só pode ser na caixinha, e fui atrás, mesmo tendo feito isso antes de começar o soundcheck também, e estava tudo certinho com o estéreo da via de Fernando Anitelli!!!!
Entrei no “menu” da caixinha onde tem as configurações de áudio e do aparelho.
Estéreo ok, sem limiter ok, sem equalização ok...
Foi aí que vi que o “Balance” estava quase todo para o R!
Para os leigos (Balance = Equilíbrio), é onde a gente regula o nível dos sinais, que normalmente fica no centro, pois o sinal estéreo chega nivelado, mas...
Numa emergência, onde não conseguimos ajustar os sinais que entram no transmissor, podemos compensar um sinal mais alto do que o outro no bodypack, deixando os dois canais iguais no nível, mesmo chegando um sinal desnivelado.
Agora não me perguntem como essa regulagem mudou só no final do show!!!!!!!!!
Não sei responder até hoje.
Mas o problema foi esse.
Esse ajuste do equilíbrio também serve para quando se usa o modo MixMode, mas aí é outra história e um dia eu explico para os leigos.
Ajustei o balance para o centro e salvei.
Quando Nardão apareceu no palco para a desmontagem, expliquei o caso, e mostrei que estava tudo certo agora.
Que não foi problema no fone do Anitelli e nem erro meu na mesa de monitor.
Não tenho o menor problema em assumir um erro.
Nunca tive.
E já cometi erros graves. (Nem vou rir)
Ainda pensei em tomar “umas” com a trupe após o show, mas só tinha cerveja e iriam bebericar na beira da praia.
Se a turma fosse para um bar, onde eu pudesse achar um vinho, ou até a velha vodka cansada de guerra, eu teria ido comemorar.
Ahhhh!
Prepararam um jantar espetacular pra gente no camarim depois do show.
Uma moqueca de marisco.
Show de bola!!!!
Só faltou o vinho mesmo...
Cheguei no hotel, tomei o velho banho morno e fui dormir.
Foi aí que fiquei nos meus pensamentos...
Poxa, muito legal os dois trabalhos, músicas novas, músicos novos, turma legal...
Só não fui para Natal com eles depois para o próximo show porque o local era bem pequeno e a estrutura também, com uma mesa só para fazer os dois serviços.
Quando aceitei o convite para os dois shows, nem lembro se a produção me falou do cachê.
Tudo bem, tenho ideia do cachê, mas não lembro se me falaram.
Acho que já falei aqui no Blog que já fiz um trabalho operando o som do PA para um amigo, onde cobrei duas garrafas de vinho Chileno pelo serviço.
Para mim, ser chamado novamente para um trabalho, como foi nesse caso do OTM, onde fiz dois trabalhos anteriores com a trupe, é bem mais prazeroso do que o cachê!
Sempre pensei assim, e estou vendo que não vou mudar essa visão.
E se acho que não vai ser prazeroso fazer um trabalho, pode ser cachê dobrado, que vou preferir usar o cartão de crédito no dia para comer uns caranguejos com vodka e suco na calçada do bar Caneca Fina ou no Gota Serena.
E se tiver com o “espírito de rico” no corpo, vou beber um vinho com crepe no Bercy.
Acho que é isso que levamos da vida!
Um abraço a todos.
PS: Se a trupe me chamar mais vezes, capaz de eu pintar o rosto também! (Risos)



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