Olá pessoal.
Quando comecei na Over em 1987, já tinha alguns equipamentos bem legais.
Se não me falha a memória, já era um mixer da Numark com um par de toca-discos MKII da Technics.
Esse conjunto era o sonho de todos os Discotecários da época, hoje chamados de DJs.
Não tenho certeza absoluta que já era esse trio para mixar, acho que não peguei toca-discos de correia, já era o MKII (ou MK2) com Direct Drive (Tração Direta).
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| O famoso toca-discos Technics MKII. |
Quanto ao mixer, também não lembro se já era um Numark, mas com certeza eu posso afirmar que não tinha Sampler, onde podemos gravar qualquer coisa (base ou voz) para depois jogar em cima de uma música que já está tocando.
Não existia ainda a famosa abertura da Over, como muitos falam até hoje, porque nem TVs ainda existiam na boate.
O primeiro sampler da boate, era um equipamento externo, onde não tínhamos muito tempo de gravação, acho que no máximo chegava a 2s.
Pode ter sido somente 1 segundo!
O primeiro “carimbo” que a gente produziu com o nome OVER POINT, onde usávamos para marcar as músicas durante a noite e também nas famosas Fitas da Over que vendíamos muito bem!
Até hoje tem gente com alguma fita da época
Bem, o primeiro carimbo foi com a voz de Denny Oliveira, locutor de rádio FM na época.
Não lembro também, qual a rádio em que ele trabalhava.
Quando as três TVs (alugadas da Colortel) foram incorporadas à casa, uma abertura de vídeo foi produzida, mas era bem simples, falando hoje em dia, pois na época acho que foi a primeira boate a fazer isso.
Várias imagens de pessoas dançando eram intercaladas com uma contagem numérica, com os números aparecendo enquanto uma voz contava regressivamente em inglês: Ten, nine, eight, seven, six...
No final surgia a locução: Ladies and gentlemen, welcome to Over Point.
Também não recordo se era Denny Oliveira na locução.
Pode ter sido já um locutor famoso de comercial e jingles do Brasil.
JR vivia dentro de agências de publicidade da família.
Depois vieram as aberturas cantadas por coros e solistas!!!
Eu mixei essas aberturas no Estúdio Estação do Som.
Enquanto não existiam as aberturas, a gente inventava...
Muitas vezes abrimos a noite com o som de uma batida seca de uma caixa de bateria, que entrava absurdamente alta, enquanto os clientes estavam surrando no ouvido da paquera, enquanto ouviam uma música bem leve...
Essa abertura marcou uma geração.
Muitos gritavam de susto e dsespero, e os garções perguntavam quando seria, porque alguns chegaram a derrubar bandejas.
Fui tirar umas dúvidas com meu sobrinho, que era o Discotecário da casa e foi quem me mostrou os primeiros passos na discotecagem e também na música ao vivo.
JR DJ.
Não era um mixer Numark quando cheguei lá, era um Tonos de 4 canais, e como eu tinha falado, nem sonhava em ter sampler.
Já era um bom mixer, viu?
E já era o par de MKII da Technics, que pesava 12kg cada um.
Eu ficava horrorizado, quando JR inclinava bastante o equipamento com uma música tocando e a agulha não saía do disco.
Parecia bruxaria!
Pois bem, comecei minha carreira de DJ com o mixer Tonos mais os dois Technics.
E voltando ao assunto lá em cima... Como o Tonos não tinha sampler, usávamos um processador externo, onde nosso amigo Luizinho Referência projetou um botão grande com cabo para a gente disparar o sampler.
Era um da Micrologic, e tinha apenas 1 segundo de tempo!
Luizinho Sempre participou desses ajustes tecnológicos!
Era uma novela para gravar e também para disparar, por isso a razão do projeto desse botão grande que ficava na bancada.
Não demorou muito pra chegar uma notícia até a gente de um mixer chamado Numark, que tinha 4 segundos de gravação, e essas gravações poderiam ser feitas diretamente no mixer!!!
Um sonho!!!!
Não precisaria mais de cabos indo até o processador e voltando para um canal do mixer.
Tinha só um probleminha...
Tinha 4s de tempo para gravar, que você escolhia com um botão giratório se seria 1, 2 ou 4s de gravação.
Mas... Só gravava uma vez.
Se o DJ quisesse outro sampler com 1, 2 ou 4s, o banco que estava gravado era apagado!
Mesmo assim, quase choramos com os 4 segundos de espaço para gravação.
A gente brincou muito com esses 4 segundos!
E era muito fácil gravar!
A gente escolhia onde estava o áudio, que normalmente a gente pegava de um disco de vinil, mas poderia ser de uma fita K7 que o equipamento já estava ligado sempre em um dos 4 canais do mixer para tocar as primeiras músicas lentas da noite...
Era só escolher a fonte sonora e gravar.
Ahhh, poderia gravar também do PGM, ou seja, o que estava saindo pelo L/R do equipamento.
Ele vinha também com alguns efeitos, como Echo e Delay, onde a gente selecionava o canal que estava tocando e acrescentava o efeito.
Simplesmente show de bola!!!!!
Numark PPD, Modelo DM 1775 (foto abaixo).
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| Mixer Numark DM 1775. |
Clique na imagem para ampliar.
No primeiro círculo de cima para baixo, o DJ escolhia qual o tempo do efeito, que está com os números na cor branca, ou escolhia o tempo de gravação do sampler (1, 2 ou 4) com os números na cora laranja.
No círculo abaixo o usuário escolhia o tipo de efeito que iria usar Delay ou Echo (cor branca) e se fosse gravar algum sampler colocava em Write, podendo testar várias vezes se a gravação ficou boa, sem cortar nada, escolhendo entre Single e Repeat (as opções do sampler na cor laranja).
Single: Você disparava e o sampler tocava uma vez e parava, e se você tocasse no botão enquanto o sampler estava tocando, o áudio parava, e voltava para o começo aguardando um novo disparo
Repeat: Você disparava, e quando tocava mais uma vez no botão ele recomeçava o áudio do começo sem parar o áudio.
Era onde a gente fazia o famoso: O o o o o o o Over Point.
O botão central sem marcação era onde a gente escolhia o percentual do efeito, se queria mais ou menos repetições do Delay ou Echo, e quando era usado nos samplers de voz ou bases, mudava o andamento do áudio, modificando assim o tom.
Lembram da voz começando bem fininha, e vai se tornando mais grave?
Era nesse botão.
A gente podia ficar brincando com o tom da gravação o tempo todo, e às vezes a gente tinha que acelerar ou atrasar a gravação para encaixar no tempo da música que estava tocando.
Ahhhh.
Fora isso tudo, existia um equalizador gráfico de 6 bandas que atuava no máster de saída do mixer.
Poderia estar ou não ativado.
Muitas vezes equalizávamos o som do geral quando a música estava entrando porque era bem diferente do áudio da música que estava tocando.
Mas esse equalizador só funcionava para o máster.
Não existiam ainda os botões de equalização em todos os canais dos mixers de hoje em dia!
Pois bem...
Depois dessa explicação para quem não é do ramo e muito menos DJ, vou falar onde apareceu o problema grande!
Estávamos muito felizes com o 1775 da Nurmark, mas...
Recebemos outra informação.
Putz!!!
Isso não levou um ano depois da compra do 1775, viu?
A Nurmark tinha lançado um novo modelo chamado 1975 (!!!!!!).
A primeira coisa que perguntei foi: Tem quantos segundos agora para gravar? 30?
E JR respondeu: Não, são os mesmos 4!
Você está doido!
Comecei a rir.
E tu achas que a gente vai convencer Rogério Amorim em comprar um novo equipamento de mixagem, não vendo mudanças significativas nesse novo?
Foi aí que a gente foi ver o que tinha mudado na nova versão.
Realmente foram poucas, mas bem consideráveis.
Tiraram o botão lá de baixo e agora o DJ escolhia se seria efeito ou gravação de sampler nas 5 pequenas teclas que ficavam acima do lado direito (ver foto).
Clique na imagem para ampliar.
Todos eles com LED indicando o que está selecionado.
Boa.
Mas ainda não dava para marcar uma reunião.
Basicamente eram quase as mesmas funções, mas colocaram teclas abaixo do equalizador gráfico, e a gente podia escolher agora em qual canal iríamos ativar a equalização, e se a gente selecionasse todos, era como equalizar o LR do máster porque tudo seria afetado pela equalização.
Apareceram dois botões de equalização no canal do microfone do DJ, com grave e agudo.
Ajudava.
Essa equalização poderia ser ativada também no efeito (Fx e Sampler) como também no canal do mirofone do DJ.
Mas... Nada da gente marcar a reunião.
Aí chegamos na parte do sampler!
Os mesmos 4 segundo para gravar, só que...
Colocaram 4 bancos de 1 segundo cada (A, B, C e D), e cada um com seu LED na cor laranja para indicar que estão selecionados.
Massa.
Aí vem o “pulo do gato”!
A gente podia combinar eles tanto para gravar quanto para tocar!
Na A a gente deixava o carimbo com voz do nome da boate.
No B e C a gente poderia deixar um sampler mais longo, e no D outro sampler curto, um copo quebrando por exemplo.
Era só combinar os bancos!
Para tocar era a mesma coisa...
Queria carimbar a música com a voz que agora era cantada, e estava no A?
Conferia se estava em Single ou Repeat, selecionava a tecla A e disparava.
Logo depois a gente queria a voz cantada?
Tirava a seleção do A e selecionava o D.
O LED acendia na hora.
Aí era só disparar e brincar.
E logicamente podíamos reagravar só o banco os bancos selecionados, sem interferir nos outros.
Muita massa!!!!!!
Já podemos marcar a reunião!
Tínhamos alguns argumentos.
Mas não muito fortes, não é?
Lembrando que, esses equipamentos não eram nada baratos.
Nessa época da reunião, Rogério Amorim tinha feito uma reforma grandiosa no escritório.
Estava muito pequeno para tantos setores e papéis com informações.
Tudo era anotado, o que entrava e o que saía, tanto de dinheiro quanto de material para limpeza e/ou bebidas e comidas.
Todas os pratos eram “porcionados”!
Todos os alimentos eram guardados em porções!
Lembram que falei aqui sobre as garrafas de bebidas com água no balcão?
Procurem.
Ninguém fazia aquele controle em 1987/90.
Hoje até pode ser, com computador... Mas ainda duvido que fazem daquele jeito.
Eu já tinha deixado a boate fazia um bom tempo e fui sair com ele para uma farrinha aqui perto de casa no famoso Bar Arriégua.
Ficamos sentados por horas, e ele me falou dos roubos que ainda aconteceram e até por funcionários bem antigos.
Fiquei muito triste quando soube.
Titio... Falou ele. Com casas noturnas, seja boate, bar ou restaurante, não tem como não ser roubado, eu só dificultava um pouco.
Ainda passei um bom tempo indo para bares e boates de Recife, onde eu conhecia muita gente, tanto DJs, seguranças ou músicos e garçons.
E quando escutava as conversas desses colegas e amigos tive a certeza que Rogério não exagerou em uma única palavra.
Mas vamos para a reunião.
Sentamos na sala dele e começamos a explicar o caso, e acho que nem terminamos a frase, e ele interrompeu: Tão ficando doidos, é? (Risos - Hoje, no dia não foi)
Acabei de atualizar o mixer da boate e vocês estão me pedindo outro?
Não, não, não! Esqueçam!
Passamos um bom tempo tentando e recebendo o NÃO, onde ele ficou louco quando explicamos que seriam os mesmos segundos para gravação.
Foi aí que achamos uma brecha numa pergunta que ele fez:
Praticamente as mesmas funções, só com essa mudança um pouco mais radical nos 4 segundos???
Vocês estão doidos, não vou gastar mais dinheiro com isso e perguntou:
O público vai notar essa mudança, duvido!?!?
Olhei para JR e falamos que teoricamente NÃO, não acreditámos que na teoria o público iria notar isso, mas de algum jeito sim.
Foi quando perguntamos: Esse mesmo público vai notar essa reforma absurda do escritório que você fez?!?!
Nunca mais esqueci da cara dele de desânimo, de ter levado um xeque-mate numa partida de xadrez.
Ele olhou para nós com desânimo e falou: Vocês são foda (de chato), podem comprar essa merda de mixer!!!!
Era um desânimo, mas junto com um sorrisinho de "ok, vocês venceram".
Ele sempre nos respeitou nos comentários e ideias, e isso era recíproco.
Participamos de várias reuniões para decidir coisas importantes do funcionamento da casa.
Mas isso vai ser para outra postagem.
Nesse dia, foi nosso último tiro na conversa.
Mas a gente acertou em cheio no alvo com a comparação.
Pouco tempo depois o equipamento já estava na cabine de som.
E deve ter ido até o final de vida da casa, pois era uma excelente ferramenta.
Hoje seria uma carroça com as inovações tecnológicas, mas nos anos 80/90 era uma Ferrari!
Poderíamos comparar muita coisa ali com Ferraris.
Um abraço a todos.
PS: Da próstata parece que escapei, mas apareceu uma infecção intestinal na terça-feira que fui parar numa emergência.
Tomando antibiótico e um tal de Hydralite desde a terça para cuidar disso, e estava até bem, sem febre alta e diarréia.
E não é que me aparece um herpes hoje na boca???
Sintomas como se fosse gripe, mas já me adiantaram que é herpes.
Baixa imunidade.
Ou seja... Mais exames pela frente.
E espero não parar novamente na emergência!
Ainda bem que cancelei meus trabalhos do fim de semana em Caruaru que vão acontecer hoje, sábado e domingo.
Mandei amigos para me substituir e muitos me chamaram de exagero eu desmarcar.
Parece que eu estava prevendo.






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