sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Dicas de como sincronizar o laptop com as mesas da Yamaha via cabo de rede e como passar sua cena para a mesa M7CL sem apagar as cenas já existentes.

Olá pessoal.

Este texto de hoje é direcionado aos meus colegas de trabalho. Por isso, se você não é do ramo, eu aconselho a “pular” este texto, pois ele é 100% técnico.

Vou aproveitar que não tenho nenhum show ou evento para comentar, pois não fiz nenhum trabalho depois da M.I.M.O., e vou dar duas dicas que acredito que serão muito úteis para algum colega.

A primeira dica é minha e eu aprendi de tanto errar. Como não é muito simples sincronizar as mesas M7CL e LS9 com o laptop (usando o Studio Manager) via cabo de rede, resolvi colocar aqui um email que passei para um amigo meu operador de áudio que me solicitou um passo-a-passo de como fazer esta sincronia. A outra dica é do colega Jaksandro Silva, que eu vi no fórum do site Monitorland (http://monitorland.com.br/joomla/index.php), que pertence à Lázzaro (operador de monitor de Ivete Sangalo). Ele fala de como passar uma cena para dentro da mesa M7CL (usando o pendrive) sem apagar as cenas existentes dentro da mesa. Vamos ao que interessa.

DICA 1

Lembrando que uso PC e o cabo de rede usado aqui é o invertido (Cross).

Segue o texto:

DESATIVE O WINDOWS FIREWALL ( Control Panel > Windows Firewall > Clicar em OFF).

Depois de trabalhar com a mesa ligue-o novamente, pois essa é uma proteção para a internet. É aconselhável deixar em OFF quando for usar o

Studio Manager com as mesas via cabo de rede (M7CL ou LS9).

1 - Ver na mesa (Setup > Network) os endereços IP e MAC Adderess e copiar exatamente o que está na mesa no DME-Network Driver que está no control panel do seu laptop. No Device Name você coloca o que achar

melhor, tipo: Mesa Bizoca, Mesa Gabisom, Festival de Verão, etc. Clicar em Apply e depois em Save and Close.

2 - Depois em Control Panel > dois clicks Network Connections > dois clicks Local Aerea Connection > um click Internet Protocol (TCP/IP) > clicar Properties abaixo a direita >

ativar a opção : Use the following IP address > Colocar o IP adress igual ao da mesa MUDANDO só o último número (ex: o IP da mesa é 192.168.0.128 - digite 192.168.0.1). O Subnet Mask aparece quando você clica em uma das suas janelas.

Agora vamos rodar o Studio Manager:

Click no tipo da mesa, no caso de conexão via rede, ou vai ser M7CL ou LS9. Click em ADD ->

Click na aba acima MIDI PORTS. Vão aparecer duas janelas (Input Ports e Output Ports). Click no quadrinho ao lado do nome que você colocou no DME-N Network (mesa Bizoca, Mano, etc). Marque

nas duas janelas o nome. Click em APPLY e dê OK.

Vai aparecer uma janela com a foto da mesa que você vai usar, a M7CL por exemplo.

Dê dois clicks na foto.

Vai abrir o editor da mesa.

Agora vai em FILE > SYSTEM SETUP.

Nesta janela você clica no INPUT PORT que está escrito Not Assigned e escolhe o mesmo nome que você colocou no DME-N Network (Mesa Bizoca, Festival de Verão, etc).

Faz isso também no OUTPUT PORT e clica OK.

Se os nomes não aparecerem nestas janelas de INPUT e OUTPUT, você cometeu algum erro no caminho. Já teve caso de eu ter que digitar a senha da mesa no

ADMINISTRATOR PASSWORD, pois a mesa estava protegida, e já teve caso também que precisei reiniciar o laptop para ele entender as mudanças feitas no Network Connections.

Quando você clicar OK, o computador já está pronto para sincronizar com a mesa. Já fiz isso tudo COM e SEM o cabo de rede ligado do laptop a mesa.

Vai agora em SYNCHRONIZATION que fica na fileira de nomes lá em cima e clica em RE-SYNCHRONIZE.

Se esta opção não estiver ativa, aconteceu algum erro no caminho e não vai ser possível sincronizar. Tem que ver aonde foi o erro.

Quando você clica em Re-synchronize, vai aparecer uma janela, aonde é perguntado como vai ser o sincronismo (cuidado agora!). Se fizer a coisa errada, apaga-se todas as cenas da mesa. Cuidado.

Atualmente, por estar acostumado com o programa, abro minha sessão no Studio Manager e sincronizo do PC para o CONSOLE, mas desmarcando a opção ALL LIBS. Depois é só salvar esta sessão numa cena vaga da mesa.

Escolhendo ao contrário, do CONSOLE para o PC,

e marcando ALL LIBS, você sincroniza a mesa com o laptop passando todas as cenas que tem na mesa para o laptop também. Aqui você não corre o risco de apagar as cenas da mesa.

Obs: Quem quiser usar o programa Studio Manager da Yamaha, é só ir no site da empresa e baixar o programa que é de graça. Você tem que baixar também os editores das mesas (cada mesa tem um editor diferente), o USB-MIDI Driver (para a conexão das mesas via USB) e também o DME-N Network Driver (para a conexão das mesas via rede).

O endereço é:

http://www.yamahaproaudio.com/downloads/firm_soft/index.html

DICA 2 - Lembrando que esta dica 2 não é minha e nunca testei, só estou repassando o comentário de Jaksandro. Mas com certeza eu vou testar qualquer dia desses. Segue o texto dele:

Calma amigos! Tem solução sim para essa coisa de rodar cena na M7CL sem apagar a mesa toda.

Tenho feito da seguinte forma:

* Na área de acesso às funções, pressione a tecla SETUP para acessar a janela SETUP, em o nível de usuário "Administrator".

* Vá em USER LEVEL , depois USER LEVEL for GUEST, lá você acessar a janela popup, selecione SET ALL e depois tire a seleção de SCENE LIST.

Ao terminar as configurações, feche a janela e pressione a tecla SETUP na área de acesso às funções.

* Em nível de usuário, mude para GUEST.

* Coloque o seu Pen drive e rode sua cena.

Observe que com essas configurações no nível GUEST você não consegue Salvar a cena.

* Volte em SETUP, em nível de usuário, agora mude para "Administrator".

Escolha uma memória de cena vazia e dê STORE.

Pronto! Você colocou a sua cena na mesa, sem apagar as demais.

Abraços,

Jaksandro Silva

71 8201-2056

jaksandrosilva@mac.com

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Vou tentar fazer isso mais vezes, ou seja, colocar textos falando de outras coisas sem ser só dos eventos que faço, pois dá uma movimentada no Blog, não é mesmo?

Um abraço a todos.

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

M.I.M.O. - Mostra Internacional de Música em Olinda – Duas mixagens diferentes ao mesmo tempo. (O difícil não é errar, mas sim admitir que errou!)

Olá pessoal. Trabalhei mais uma vez este ano na MIMO ( http://www.mimo.art.br/2008/index.php ). Foram cinco dias (3 a 7 de Setembro) operando o som de shows que aconteciam dentro das igrejas de Olinda. Só no primeiro dia, na quarta-feira, no show do percussionista Ramiro Mussoto na Igreja de São Pedro, que eu não operei o som porque o artista trouxe seu operador. Nos quatro dias seguintes em que fiquei na Igreja do Seminário ninguém trouxe técnico. A proposta inicial deste evento é trazer música (clássica e/ou instrumental) para dentro das igrejas de Olinda. A princípio pensamos em nem usar amplificação para dentro da igreja, só enviando o sinal dos instrumentos para as caixas de som que ficam fora da igreja para o pessoal que não consegue entrar por falta de espaço. Mas já estão aparecendo shows com canto e com muitos instrumentos percussivos e eletrônicos, dificultando mais ainda o serviço, pois as igrejas não têm nenhum tipo de tratamento acústico e por causa disso temos um tempo de reverberação muito alto. Isso interfere, e muito, na inteligibilidade do som. Visão geral da parte interna da Igreja do Seminário. A falta de tratamento acústico, dificulta a inteligibilidade do som. Dia 03/09 No show de Ramiro Mussoto, o seu operador (que usou quase 32 canais!) teve problemas com o volume do som, pois o percussionista estava querendo uma monitoração igual à de shows normais, coisa que fica inviável dentro de uma igreja. Ao contrário do que aconteceu com os demais shows que operei na Igreja do Seminário em que não usei nenhuma caixa de retorno, neste show de Ramiro existiam 6 caixas no palco saindo som para monitoração. Isso já deixou o nível alto do som e quando o operador somou com o som da frente, tudo ficou muito alto e confuso! A produção do evento veio me cobrar um ajuste no volume. Expliquei que não era comigo que eles tinham que falar, e sim com o técnico do artista, pois era ele que estava operando o som. Eu só estava lá para ajudá-lo em algum pedido e mostrar como funcionava o sistema de som e a mesa. O operador de Ramiro alegou (com razão) para a produção que não tinha como ele diminuir o volume geral se o volume dos monitores não fosse também atenuado, pois grande parte da massa sonora já estava vindo do palco. Este volume alto no palco era escolha do artista. Agora era uma questão de acordo entre a produção e o artista! Depois de alguma conversa, o artista foi convencido que não dava pra usar os monitores com aquele volume e o sound check acabou. O sistema de som era formado por uma mesa M7CL da Yamaha (que controlava o P.A. e monitor), quatro caixas amplificadas (eram só duas, mas o técnico de Mussoto pediu mais duas), e duas caixas de sub pra reforçar um grave se necessário. Esse mesmo sistema seguiria comigo para os outros dias na Igreja do Seminário. Vista panorâmica do pátio da Igreja do Seminário na Sé, em Olinda. Lá no fundo, Recife.

O show foi muito bom e o volume estava, por incrível que pareça, mais baixo do que no sound check. Não tivemos qualquer problema durante todo o show. Um dos pontos altos (pra mim) foi uma música com 5 berimbaus afinados em tons diferentes. Nunca tinha visto. Muito legal. Ramiro Mussoto toca de vez em quando em cima de bases gravadas no laptop e este áudio estava sincronizado com o vídeo. Muito bom também.

Quando estava desarmando o equipamento no final do show, tive a má notícia de que a mesa de som não seguiria comigo para a outra igreja como estava combinado. Os shows lá seriam menores, provavelmente nem precisaria de monitoração, e com uma mesa menor daria pra fazer o serviço. Até aí, tudo bem... Mas quando eu soube que a mesa que seria colocada era a mesma que “apagou” em Fernando de Noronha, eu gelei! Mas me garantiram que ela estava completamente consertada! Nada mais me restava a não ser acreditar. Mesas de som e luz posicionadas e escondidas na lateral do palco na Igreja do Seminário.

Dia 04/09

Cheguei cedo à Igreja do Seminário para montar e ligar o equipamento. As caixas já estavam posicionadas e eu fiquei esperando a mesa de som chegar. A atração deste dia seria Zabé da Loca, uma senhora de 84 anos tocando pífano. Na formação ainda teria mais um pífano, uma caixa, uma zabumba e pratos. No sound check foi decidido que não seria necessário o uso de monitores. Foram pedidos pela banda dois microfones headset, que encaixam na cabeça e o músico fica com as mãos livres. Eles seriam usados, logicamente, por quem tocaria os pífanos. Depois de tudo ligado, pedi para tocarem alguma coisa e eu fui me sentar nas cadeiras para ouvir o que precisaria ser colocado no som da frente e o que não seria necessário, pois já dava para ouvir legal só com o som acústico do instrumento. Minha mesa estava ao lado do palco, como foi no ano anterior, mas caso eu participe no próximo ano do evento, vou pedir encarecidamente que a mesa seja posicionada no seu devido lugar, que é de frente para o palco.

Mais adiante eu conto qual o problema que eu tive e que poderia ter sido evitado caso a mesa estivesse no lugar certo.

No ano anterior, tudo que saía no som dentro da igreja saía com a mesma proporção no som que estava fora. Era o mesmo sinal. Este ano decidi (Mário Jorge fez a mesma coisa na Igreja da Sé) fazer duas vias separadas, pois notei no ano anterior que precisava de volumes diferentes dos instrumentos nos dois locais. Às vezes nem é necessário colocar o instrumento no som de dentro, pois tudo soa alto por causa da acústica, mas preciso do som de todos os instrumentos no som que está fora da igreja. Foi o caso dos pratos, que quase não coloquei no som de dentro, mas para o som de fora foi preciso mais sinal.

Depois de passarem algumas músicas, ajustei o som de dentro e pedi para tocarem mais umas duas para eu ajustar o som de fora. Nessa hora, Zabé da Loca já tinha decidido parar de tocar, e eu continuei com o resto da banda. Sound check de Zabé da Loca.

O som das caixas de fora estava muito ruim e eu não consegui melhorar. Acreditava ferrenhamente que era culpa da qualidade dos pré-amplificadores de entrada e da equalização da mesinha “safadinha” da empresa de vídeo que estava lá fora para receber meu sinal que vinha de dentro mais o sinal do DVD, pois antes das apresentações passavam documentários e filmes na parte exterior. Nem pensei em outra causa. Lembram que eu falei que um dos pontos positivos de trabalhar com empresas de som é que temos mais tempo de contato com os equipamentos, entendendo-os melhor? Pois bem... Cometi um erro grosseiro aqui, que tenho até vergonha de falar, pois é uma coisa quase inadmissível para uma pessoa que trabalha com áudio já faz um tempinho, mas este Blog foi feito pra contar os bastidores, e é isso que continuarei a fazer, mesmo eu fazendo uma grande merda! Aqui vou comentar uma parte técnica, que os leigos não vão entender direito, mas eu tenho que falar. Vou tentar achar as palavras mais simples pra facilitar o entendimento de quem não é do ramo.

Por eu não ter muita experiência com as ligações dos equipamentos, o pessoal da empresa de som coloca sempre comigo no evento uma pessoa da firma que sabe tudo sobre as ligações e eu fico mais na parte de operação do equipamento. Qualquer dúvida sobre as ligações era só perguntar pra este colega. Como neste evento não existiam ligações complexas, fiquei com Mano, um funcionário da empresa de som, que começou como carregador e se interessou em aprender a ligar os equipamentos e está querendo aprender também a operar o som. Da mesa para as caixas de som que ficavam dentro da igreja não tinha o que errar, pois as caixas eram amplificadas e era só enviar o sinal do meu máster para elas. Para que as caixas de fora funcionassem, era preciso enviar meu outro sinal para um rack de amplificadores e destes amplificadores saiam os cabos para as caixas. Até aí ele fez tudo certinho. O problema foi que ele esqueceu (e eu nem sabia que existia naquelas caixas) que aquelas duas caixas foram feitas para serem usadas tanto em modo passivo como ativo. Calma! Não tem nenhuma relação com sexo!

No modo passivo, apenas um sinal do amplificador alimenta as duas partes da caixa: a parte responsável pelo grave/médio-grave e a parte responsável pelo médio/agudo. No modo ativo, é preciso dois sinais distintos de amplificação, um para cada parte da caixa. E existe atrás da caixa uma chave para escolher qual modo vai ser usado. E logicamente, esta chave não tem nenhuma marcação de posição e é bem escondidinha. Quando ela está na posição para passivo, é só ligar o sinal que vem do amplificador na entrada de baixo que o sinal também vai pra parte de cima. Agora... Quando a chave está para ativo, o sinal que entra na parte de baixo não é enviado para a parte de cima, que fica esperando o outro sinal de amplificação entrar no seu conector de entrada. Resumindo... O som estava muito diferente do som de dentro porque simplesmente as duas caixas estavam com as partes responsáveis pelo médio e agudo desligadas. Como a parte da caixa responsável pelo grave e médio-grave falava um pouquinho de médio, achei que o problema estava nos componentes dos pré-amplificadores e dos equalizadores da mesa que não estavam respondendo direito nos agudos. Erro grosseiro, pois várias vezes passando o monitor ou P.A., notei com o primeiro “alô som” que tinha coisa parada. Fazer o que? Aconteceu. Paciência. Não notei desta vez.

O show foi muito aplaudido, e o som estava muito bom dentro da igreja. Só complicava mais quando o músico batia com muita força na caixa, pois reverberava muito e embaralhava um pouco o som, mas ele fez isso poucas vezes. Conversando com o músico que tocava um dos pífanos, e quem realmente puxava toda banda, ele me falou que se arrependeu de não ter usado monitor, pois em certas horas ficava difícil escutar direito o que tocava, por causa da reverberação do local.

Fui dormir pensando e acordei pensando naquele som da parte externa. Foi quando deu o estalo e me lembrei dos monitores de palco que tem esta mesma chave. Liguei na mesma hora para Arnaldo (lembram dele?) e já perguntei afirmando: Arnaldo, aquelas caixas externas da igreja tem a mesma chave dos monitores de chão, não é? Ele riu e disse que sim. Fiquei puto! Caralh#%@+#!!!!

Dia 05/09

Vejam o que dizia o programa do festival para este dia: Haim Isaacs, voz, piano, água, saco plástico e pedra, Izidor Leitinger, trompete, berrante, concha, voz, piano, percussão, vassoura e dijiridoo.

Que danado é dijiridoo??? Vassoura, saco plástico e pedra eu sabia o que era.

Imaginaram o que estava por vir?

Haim veio falar comigo no dia anterior depois de acabar o sound check de Zabé da Loca. Me perguntou se poderia cantar alguns minutos no local, e eu ingenuamente falei que não tinha microfone ligado para voz e os que estavam ligados eu não poderia mexer, pois estavam regulados para o show de Zabé. Ele me explicou que seria sem microfone, era só pra sentir como iria soar a voz dele no ambiente. Depois de passear pelo palco ouvindo como soava sua voz em cada canto, ele se despediu e me informou que não queria nada microfonado no show da dupla. Tudo seria feito acusticamente. Falei que eu teria que colocar alguns microfones, pois precisava mandar o áudio para fora da igreja, pois existiria público lá fora. Ele assustado, perguntou: Verdade? Nãoooo! E eu pensando que estava na França, respondi: Ouiiii!(risos)

Sound check da dupla Haim Isaacs (no piano) e Izidor Leitinger (na vassoura). Um dos microfones perto do piano e na estrutura de ferro atrás do pianista, está um dos microfones shotgun preso na estrutura. Para visualizar melhor, click na foto que ela é ampliada.

Consegui entender ainda com meu inglês chulo, que se não fosse pra colocar o som dentro da igreja, eu poderia usar os microfones. Ele realmente não queria nada amplificado dentro do recinto. Para complicar mais um pouquinho, pediu para a produção do evento para retirar minha mesa que estava na lateral do palco. Colocaram-me quase dentro dos vestiários dos religiosos! Agora, além de não escutar quase nada, eu não via absolutamente nada do palco!

Esperei eles espalharem seus “instrumentos” musicais no palco pra ver o que faria na microfonação. Pensei em espalhar microfones “à condensador” para captar o ambiente como um todo, pois são mais indicados para este tipo de captação por serem muito mais sensíveis do que os “dinâmicos”. O problema é que eu só dispunha de 3 desses microfones naquele dia, pois o restante estava espalhado pelas outras igrejas fazendo os outros shows. Então só me restava escolher aonde colocar estes três microfones. Coloquei um perto do piano apontado para o fundo do palco, pois ele era um microfone de cápsula grande com captação cardióide. Conseguiria captar o piano e uma boa parte da frente. Os outros dois, tipo “shotgun”, por serem mais direcionais, eu posicionei mais afastados um em cada lado no fundo do palco apontados para o meio, para tentar captar os músicos em movimento. Se eu tivesse mais uns dois do tipo que coloquei perto do piano, teria um resultado bem melhor, mas já ficou satisfatório com estes três. Até o som da vassoura varrendo o chão saiu perfeitamente lá na área externa!

Descobri neste dia que daria para eu escutar pela mesa o sinal que eu estava mandando para a área externa, se este sinal fosse enviado pelos auxiliares 5 ou 6. Não perdi tempo e modifiquei minha ligação anterior. Agora era só ficar com o fone de ouvido administrando o volume dos microfones. Foi tudo tranquilo com o show. O público gostou, mesmo não sendo um show comum. Vai ver que gostaram exatamente por causa disso! Achei algumas partes chatas, mas achei também partes belíssimas. Estava curioso pra ver como ele tocaria a “pedra”, mas só o vi uma vez, nas poucas saídas que dei do meu posto, colocando-a na nuca com a cabeça baixa enquanto falava frases. Muito bonito a parte vocal do show. Acho que era em hebraico que eles cantavam. Combinou muito bem com o ambiente religioso, mesmo eu não sendo nada religioso! Gravei este show. Vou ouvir com mais calma.

Não posso falar do visual do show, pois na maior parte do tempo eu estava lá atrás sozinho, esquecido e sem ver nada! (risos)

Dia 06/09

A princípio eu achava que seria a orquestra MIMO com Egberto Gismonti no piano, mas não foi bem assim.

Seriam várias apresentações do pessoal que participou das oficinas. Cada turma (cordas, percussão, madeiras, metais, dedilhados, friccionados) entrava e tocava duas peças curtas. No final seria realmente a Orquestra MIMO com Egberto Gismonti ao piano.

Mais uma vez o som não seria amplificado para dentro da igreja. As caixas só eram ligadas por causa da locutora que fazia a apresentação da atração da noite.

Aproveitei os 3 microfones que eu tinha usado na noite anterior e peguei dois excelentes microfones (Neumman KM 184) que não seriam usados nas outras igrejas. Estes KM 184 são microfones excepcionais. Os dois que usei foram exatamente os que comprei na Europa para esta empresa de som, quando eu estava em turnê com Silvério Pessoa. O preço do par? 1.110,00 euros! Valem cada centavo! Nem sei quanto custa dois destes aqui no Brasil.

Depois que eu soube que haveria mudanças de posicionamento durante as apresentações, decidi pegar o microfone que eu uso no estúdio (AKG C414), pois ele tem uma opção de captação chamada OMNI que capta tudo ao redor dele (360 graus).

Deixei os dois shotguns no mesmo lugar do dia anterior, nas estruturas de ferro. O de cápsula grande eu deixei só para o piano. Os dois KM eu posicionei atrás do maestro, na altura da cabeça, como se fossem os seus ouvidos.

Usei uma técnica de captação chamada XY (http://audiolist.org/forum/kb.php?mode=article&k=74). Ficou muito legal. E o microfone AKG eu posicionava no meio do grupo que ficasse mais afastado dos outros microfones ou que não tivesse uma massa sonora forte, como era o caso dos violões. Eu ficava com o fone de ouvido escutando o sinal que estava sendo enviado para a área externa, e ia dosando os volumes dos 6 microfones. Estava legal. Nem deu tempo de ir à área externa pra conferir como estava, pois foi um corre-corre. Só na última apresentação, que era a Orquestra com Egberto (tinha que ser!), não deu pra colocar os dois KM na posição correta, pois o piano ficou colado com o tablado do maestro, e a qualidade da captação caiu, mas nada pra se desesperar. Achei que o resultado final foi muito bom. Esta minha convicção mudou depois do encontro com o pianista André Mehmari no outro dia!

Dia 07/09

Depois da tempestade... A calmaria. Seria só um piano neste dia!

André Mehmari era o nome dele.

Já sabia com certeza como microfonaria o piano. Quem arrisca um palpite?

Lógico que seriam os dois Neumman KM 184, e mais nada!

O André até falou que tinha dois microfones com ele, mas quando eu falei que usaria o 184, ele disse ok.

Enquanto ele testava o piano, eu fui preparando os pedestais, microfones e fui ligando o equipamento. Foi aí que minha convicção do dia anterior foi pro espaço! Ao ligar uma das caixas amplificadas, apareceu um ruído constante, e na mesma hora o pianista comentou: este ruído estava ontem no som durante toda a apresentação! Pela maneira como ele falou, tinha certeza que ele estava falando a verdade! Parecia que tinham jogado um balde com água gelada na minha cabeça. O som do dia anterior estava muito bom na parte externa e dentro aquela caixa ficou com aquele ruído durante o show? Inacreditável! Fiquei muito chateado.

Parte do bom trabalho do dia anterior comprometido por causa de uma mania besta que certas produções, de certos eventos, ainda têm. Teimam em achar que não influencia em nada a mesa de som do P.A. ficar ao lado do palco, ou até atrás do palco como fiquei nos 3 dias na Igreja do Seminário. Não tinha como escutar aquele ruído do lugar onde estava!

Já teve um caso de eu me negar a operar o som de um show de Silvério Pessoa numa casa de festas aqui em Recife, pois os donos da casa se negavam a colocar a mesa na frente. Não abri mão. Depois de muita negociação, resolveram colocar a mesa onde eu queria (e onde é o correto!).

Detalhe do local onde a mesa de som ficou na maioria dos dias do evento. Não se via nada do palco e não se ouvia nada do som das caixas!

Como eu sabia que o ruído não vinha da mesa ou de qualquer microfone, pois nenhum deles estava ligado naquela hora, o problema estava no caminho da mesa até a caixa, ou seja, nos cabos que faziam esta conexão. Normalmente esta ligação é feita com apenas um cabo, mas as caixas estavam longe da mesa e foi preciso emendar vários cabos para chegar até a caixa. Fui checando, balançando cada um dos cabos e emendas até achar o tal cabo com problema. Dependendo da posição que ele estava, entrava em curto, provocando o ruído. Por isso, quando liguei no dia anterior não tinha nenhum ruído e com a movimentação e mudanças nas posições dos músicos, alguém deve ter pisado ou batido e o ruído apareceu. Troquei o cabo com defeito e fui microfonar o piano de André Mehmari.

Ele ficou tocando e fui novamente me sentar no fundo da igreja para ouvir. Ele tinha me falado que achava que nem precisaria colocar o som do piano nas caixas de dentro. Mas eu fiz um teste e enviei um pouquinho do som para as caixas de dentro que estavam posicionadas no meio ainda, por causa do show do dia anterior, e ficou muito bom o resultado. Parecia que todo som vinha do piano. Muito bom. Ele falou que por ele tudo bem, se eu estava achando melhor. Gravei uma parte do sound check e coloquei pra ele escutar o som gravado. Ele disse que estava muito bom. Coloquei o sem fio ao lado do piano para ele falar quando quisesse. Como o microfone fazia um barulho quando era desligado, combinei com ele que deixaria ligado sempre mas fechado na mesa e ao final de cada música eu abriria. Ao ouvir a primeira nota do piano eu o fecharia novamente. Ok? Ok. Encerramos o sound check.

Foi tudo tranquilo. O som do piano estava muito bonito. Fui uma vez lá fora para conferir como estava, quando ele anunciou que tocaria três músicas seguidas. Muito bom, mas um pouco alto para um concerto de piano. Baixei a mandada na minha mesa e relaxei.

No final do show, transferi o áudio da gravação para o pendrive do pianista. Depois passei para um DVD o áudio das gravações que eu tinha feito de 3 das 4 apresentações naquela igreja para a galera que estava responsável em gravar o evento! Não achei muito justo isso. Uma empresa que está ganhando para registrar o evento, usar meu áudio... Acho certo não. Falaram que as gravações que fizeram não ficaram boas. E não ficaria nunca! Simplesmente apontar um microfone qualquer para o meio de um palco numa igreja e achar que vai gravar bem... O buraco é mais embaixo.

Fui pra casa satisfeito com o resultado geral do meu trabalho, e pensando se eu iria lembrar de tudo para escrever sobre os cinco dias! Estava com tanta vontade de estar com meu filho, que nem a tapioca “Romeu e Julieta” eu comi novamente.

Um abraço a todos.

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Evento em Fernando de Noronha – Vi até Sereia!

Olá pessoal.

Pela primeira vez, desde 2004, deixo de fazer um show de Silvério Pessoa para fazer outro evento, mas eu estava precisando desta semana de férias (trabalhando) em Fernando de Noronha.

Viajei na terça-feira, dia 26 e o primeiro dos dois dias de evento só seria na sexta-feira dia 29!

Uh uhhhh! Desta vez teria tempo para dar umas voltas na ilha, pois da primeira vez que fui só deu tempo de dar um mergulho no mar 1 hora antes de viajar de volta para Recife. O grande problema na ilha é que tudo é muito caro. Paguei R$ 7,50 num casquinho com duas bolas de sorvete, e joguei-o fora na metade, pois estava horrível o sabor! Só não joguei antes porque me lembrei do preço. Diferente do delicioso milk-shake de ovomaltine que tomei em outro lugar no outro dia e paguei R$ 9,90. Um litro de gasolina é quase 4 reais! E se você não tiver um bugre à disposição, tudo fica mais complicado.

Não vou nem falar nos preços dos passeios e mergulhos que são as grandes atrações da ilha e nem na taxa de preservação (parece que é em torno de 32 reais por dia por pessoa), pois não quero desanimar vocês. Resumindo... Se forem pra lá, levem bastante dinheiro, pois vão precisar!

Vista aérea do morro Dois Irmãos. Acabei indo exatamente para a mesma praia que conheci da outra vez. A Baía dos Porcos e a Cacimba do Padre (onde fica o famoso morro Dois Irmãos). Mesmo conhecendo os dois lugares, não posso reclamar. Tudo é muito bonito. O que me chamou atenção foi o crescimento de bares e restaurantes. Lembrei-me de Porto de Galinhas. A pousada que fiquei era uma casa que foi transformada em pousada. Fiquei sabendo que para abrir um negócio na ilha (não averigüei), a pessoa tem que arrumar um sócio nativo. Por isso existem muitas casas que viraram pousadas. O dono se associa a uma pessoa de fora que entra com o dinheiro, constrói uma casinha nos fundos pra ele morar, e reforma a casa principal adicionando quartos. Esqueci de perguntar quanto era uma diária. Visão do morro Dois Irmãos quando estávamos voltando da Baía dos Porcos.

Mas vamos comentar o evento, pois este texto está parecendo um documentário sobre a ilha.

Seriam dois dias de shows. Quatro atrações por noite, aonde 3 seriam de artistas da ilha e 1 seria de um artista de fora, no caso Recife. Montamos o equipamento na quinta-feira. O palco foi armado ao lado do famoso Bar do Cachorro. Uma parte do equipamento veio de navio e outra parte de avião. O local era espaçoso e fiquei meio desconfiado se com o equipamento disponível daria pra cobrir toda área. O sistema era um Line Array compacto da D.A.S. com 8 caixas (4 por lado), mais oito caixas de sub. Depois de tudo ligado, coloquei vários CDs para ouvir, e notei que não teria problemas. Dava para cobrir satisfatoriamente. Não teria muita folga, mas iria funcionar. Pra trabalhar folgado, mais duas caixas por lado no Line Array e mais duas caixas de sub resolveriam, mas tudo bem. Chegar com equipamento lá na ilha é complicado por causa do peso. Por isso foram duas mesas compactas para fazer o serviço.

Duas digitais da Yamaha. Uma 02R para fazer o monitor e uma 01V96 para fazer o P.A.. Eu iria fazer o som da frente (P.A.) e Arnaldo, conhecido meu desde o tempo da Versão Brasileira, seria o responsável pelo monitor. Sou fã de Arnaldo. A disposição dele me assusta. Grande profissional. Gosto muito de trabalhar com ele.

Este ao fundo é Arnaldo, funcionário da P.A. Audio. Me sinto seguro quando ele está no palco.

A montagem foi tranqüila. Testamos tudo e fomos para a pousada antes de escurecer. Deu tempo de comer uma pizza e de ir para um luau, mas quando estava começando a ficar bom, tivemos que voltar porque teríamos que chegar no outro dia as 8h, pois o primeiro sound check estava marcado para 9h. Os horários foram marcados corretamente, ou seja, inversamente à ordem de apresentação. Quem se apresentaria primeiro, faria o sound check por último, pois o equipamento já ficaria todo armado e ligado no palco. A atração de Recife neste primeiro dia seria Reginaldo Rossi. Foi o único artista a levar os seus operadores (P.A. e monitor). Operei o som das outras sete atrações do evento, assim como Arnaldo também.

Reginaldo Rossi não fez sound check. Como a formação da banda dele é muito parecida com a formação das outras bandas, o operador de áudio de Rossi aproveitou uma cena minha de uma das bandas e acrescentou um canal para o teclado e outro canal para o trompete. Aproveitaria minha regulagem dos demais canais e faria os ajustes na hora do show. Deu tudo certo. Foi tudo tão tranqüilo, que ficamos conversando durante o show de Reginaldo e acabei esquecendo de tirar uma foto do local com o público que compareceu em peso.

A curiosidade deste dia foi a primeira atração da noite (morador muito querido da ilha e influente), que seria só voz e violão, conseguiu mudar o horário da sua apresentação que estava marcado para as 22h, pois ele sabia que não teria muito público. Quem começou a noite foi o outro artista local que estava programado para ser o segundo da noite. Fiquei sabendo depois que o artista influente quis ainda que sua apresentação fosse logo após a primeira, mas a produção do evento não relaxou mais pra ele e falou que agora ele só entrava depois do show de Reginaldo Rossi ou não entrava mais. Depois de ficar observando os dois primeiros shows, o artista “influente” notou que não conseguiria empolgar o público depois de dois shows com banda só com voz e violão e montou uma banda com os amigos da ilha para tocar com ele. Pela primeira vez na minha vida, uma voz e violão no sound check virou uma banda completa na hora do show. Não tive problemas, pois como tinha usado uma cena de uma das bandas anteriores para fazer a cena do show dele com voz e violão, só fiz levantar os outros canais que já estavam regulados, mas desligados. No palco não foi tão simples assim. Arnaldo teve que fazer o inverso. Chamou uma cena da banda anterior e encaixou o cantor e seu violão. Na segunda música já estava tudo ok.

Os músicos que acompanhavam os artistas locais eram basicamente os mesmos. O baterista Jonas, só não tocou com Reginaldo Rossi e Edy Carlos porque eles trouxeram seus próprios bateristas de Recife. E não tocou com o Maracatu porque não existia bateria na formação do grupo! Resumindo... Ele subiu no palco pra tocar com 5 artistas, inclusive com o “influente” que formou a banda no camarim!

Como o evento começou tarde, acabou tarde também. Desligamos tudo e fomos para a pousada dormir. O sound check do segundo dia estava marcado para as 13h.

Na pousada notei que meu computador não estava ligando com a fonte. O fio foi prensado e cortado. Minha sorte foi ter salvado na mesa também as cenas das bandas. Nem sempre salvo, ou nem sempre salvava, pois agora vou sempre salvar para não quebrar a cara se o laptop der problemas.

Chegamos no horário combinado e começamos o sound check. Só tivemos problema com a segunda passada de som, pois Edy Carlos teve problemas no passeio de barco e chegou atrasado, mas fizemos o sound check dele rápido e finalizamos tudo dentro do tempo.

Começamos a noite mais uma vez fora do horário, pois não tinha ninguém quando deu 22h no relógio. E se fosse para esperar até que aparecesse gente como no dia anterior, eu ainda estaria lá esperando sentado tomando minha vodka com laranjada ou limonada! O público foi minguado.

Notei no primeiro show que um dos músicos olhava constantemente para a mesa de monitor e falava alguma coisa. Depois fiquei sabendo que a mesa apagou (desligou) durante o show, mas voltou. No segundo show, o Maracatu, a sorte não foi a mesma, pois a mesa apagou geral e não tinha acordo para voltar. A solução foi enviar da minha mesa da frente algum sinal para os músicos se guiarem enquanto o pessoal do palco tentava ressuscitar a danada da mesa!

Arnaldo e Normando abriram a mesa como se abre um corpo numa operação e começaram a vasculhar se tinha alguma coisa solta, decorrente da trepidação da viagem aérea ou da forma “não muito gentil” de como são colocadas as bagagens no interior do avião. Enquanto isso eu já estava vendo quantas vias separadas de monitor eu poderia mandar lá da frente. E o Maracatu tocando.

Normando ligou para Humberto, responsável pela manutenção dos equipamentos da firma, e ele indicou aonde poderia estar o problema. E realmente acharam, mas tiveram que soldar os fios diretamente nos pinos sem usar o conector, pois o mesmo estava danificado. O palco já estava sendo arrumado para o terceiro show da noite que seria Edy Carlos. Tudo transcorreu normalmente neste show, e a mesa só deu uma apagada rápida no último show da noite sem causar grandes problemas. A grande maioria das pessoas que estavam lá nem imaginaram o que estava acontecendo, pois o som não parou. E depois que passa a agonia, vem a satisfação. No final do evento, depois de desligar tudo do meu setup da frente, subi no palco com uma dose de vodka com limonada e falei pra Arnaldo: --- Entre mortos e feridos, salvaram-se todos!

Ah! Sobre a Sereia que eu vi na ilha...

Nem vou falar, pois vocês não acreditam em sereias, não é mesmo?

Um abraço a todos.