quinta-feira, 27 de março de 2008

Participação em festival confirmada.

Olá pessoal.

Confirmado. Participarei mais uma vez (acho que é a sexta ou sétima) do festival Abril Pro Rock, que acontece nos dias 11, 12 e 27 de abril.
Mas foi por pouco, muito pouco mesmo, que essa continuidade não foi quebrada!

Por causa do velho “leilão” que ocorre muito por aqui na hora de contratar a empresa para a sonorização, houve um enxugamento nas equipes técnicas dos palcos, fazendo com que os próprios donos da empresa (que são técnicos também) assumissem algumas funções antes preenchidas por outros profissionais. Fui um dos poucos que não foi degolado, acho que pelo fato da empresa de som não ter um número maior de sócios!! (rs)

Ficarei como operador de monitor do palco 2. Quem não trouxer o seu operador, que no palco 2 é o que mais acontece, eu faço o serviço. Fico até relembrando algumas bandas que já passaram pelo palco 2... Pitty, Cachorro Grande, etc, etc.

Para quem quiser conferir a programação, aqui está o link do festival:

http://www.abrilprorock.com.br/2008/

Um abraço a todos.

quarta-feira, 19 de março de 2008

Turnê 2008 - Primeira parte confirmada.

Olá pessoal.

Acabo de receber por email a confirmação da primeira parte da turnê 2008 na Europa com Silvério Pessoa.

Viajarei dia 8 de junho e retornarei dia 15 de junho.

Vão ser 4 shows nesta primeira ida:

11/06 Flagey - Brussels (B) 12/06 L'Astrolabe - Orléans (F) tbc 13/06 MC 93 - Bobigny (F) 14/06 MC 93 - Bobigny (F) - Silvério Pessoa special guest Spok Orchestra Um abraço a todos.

terça-feira, 18 de março de 2008

A entressafra e suas consequências.


Essa falta de shows e eventos que estou passando neste mês de março, me fez sentir coisas totalmente contrárias ao que geralmente sinto. Sempre, independente do lugar onde estava trabalhando ou com quem estava, batia a saudade de casa e o desejo de voltar assim que possível. Na minha primeira turnê fora do Brasil que foi em 2005 e que durou 110 dias, quando cheguei na marca dos 60 dias, me bateu um desespero para voltar pra casa, que acredito que se eu pudesse de alguma forma fazer com que minha ex-esposa sentisse o que senti, o nosso casamento não teria acabado. Kkkkk. Vamos ver se eu vou sentir a mesma coisa agora como um homem solteiro. Acredito que sim, pois mesmo solteiro, tenho um herdeiro (hoje com 12 anos) me esperando e morrendo de saudades. Acho que essa turnê de 110 dias foi mais difícil pra ele do que pra mim. Sempre gostei de estar em casa nas horas vagas, mesmo que fosse para comer aquele macarrão pronto (Nissin Que Nojo) com aqueles temperos. Conversando recentemente no carnaval com Denílson, que opera o P.A. de Lenine, ele me falou algo que recordo agora fazendo este texto. Ele me falou: Pôxa Titio... Vivemos viajando por causa do nosso trabalho, e quando chegamos em casa, a mulher quer sempre sair de casa, viajar! É uma situaçãozinha complicada essa nossa. Kkkkk

O artista com quem trabalho está se recuperando de uma cirurgia, por isso não tem nenhum show dele em março e não consegui nenhum trabalho extra para este mês até a data de hoje. Os trabalhos no estúdio de jingles, para complicar mais ainda, deram uma diminuída assustadora e isso está me fazendo repensar por qual caminho seguir, pois quem segurava a onda nessas entressafras de shows era o estúdio. Não preciso nem falar que por causa disso tudo, minhas finanças estão completamente desajustadas, não é?

Não estou acostumado a ficar em casa esperando dar a hora de pegar meu filho no colégio ou de almoçar e dar um cochilinho depois. Não vou negar que é muito legal dar um cochilo depois do almoço, mas realmente não estou muito afim que isso continue. E esta vontade e necessidade de sair de casa que estou sentindo nestes dias, faz muito tempo que não sinto! É muito curioso isso, e queria passar este meu caso para vocês. Quando as coisas voltarem ao normal (pelo menos é isso que espero), os sentimentos vão se inverter novamente, acredito eu! E a vida continua nesta gangorra que teima em ficar variando de posição.

Viver exclusivamente de shows aqui no Recife é uma tarefa quase impossível, mas este mês de março está fazendo com que eu olhe mais para este lado e tente buscar outras alternativas. Só tenho confirmado até a data de hoje um show para fazer com Silvério Pessoa no dia 2 de abril num hotel no Cabo de Santo Agostinho e tem o Abril Pro Rock que é um evento que participo como operador de monitor do palco 2 já faz uns 5 anos, mas esse ano não tenho a certeza que vou participar, pois não sei se será a mesma empresa de som que vai fazer o evento e que sempre me contrata. A primeira parte da turnê 2008 na Europa de Silvério Pessoa que seria de maio até junho não está confirmada ainda e se fosse confirmada, com certeza eu iria. A segunda parte, que seria de julho até agosto, está bem mais adiantada, mas não tenho a certeza se irei, pois existe a possibilidade de um trabalho para eu fazer numa produtora na campanha política que está por vir. Como a campanha terá uma duração de 3 meses, fica inviável para eu financeiramente trocar estes 3 meses por apenas 1 mês de turnê. Mas isso também não está nada acertado. Só estou mostrando as possibilidades. Caso se concretize a política, irá outro operador de áudio no meu lugar na turnê, pois Silvério, como ele me disse, não faz mais shows ou turnês sem o seu operador. Graças a Deus!!! Essa atitude de Silvério é seguida pela grande maioria dos artistas hoje em dia aqui de Recife. Até artistas ou bandas que ainda não tem a mesma expressão no cenário musical como Silvério, fazem questão de andar com seus próprios operadores. Isso era muito diferente na época que iniciei na carreira com a Banda Versão Brasileira no final dos anos 80, aonde a grande maioria utilizava os serviços dos funcionários das empresas de som, que não tinham idéia de como era o show e muitas vezes por acharem que não tinham obrigação de fazerem tal trabalho sem serem remunerados pelos artistas ou bandas, faziam o serviço sem muito interesse, causando assim distúrbios com os músicos e artistas. As próprias empresas conseguiram melhorar esta relação entre funcionários e artistas, mas não acabaram por completo, principalmente nas pequenas empresas.

Por causa dessa mudança no mercado, aonde a grande maioria dos artistas tem seus próprios operadores de áudio, fica mais difícil para um técnico conseguir fazer um trabalho com outro artista. Essa possibilidade aumenta em datas especiais, como as festas juninas e o carnaval, aonde temos um acréscimo absurdo de quantidade de shows. Neste carnaval, operei o P.A. da banda Delrey e fui contatado, mas não pude fazer Siba e a Fuloresta porque tinha show de Silvério no mesmo dia e ele é minha prioridade, pois ele me prioriza também.

E assim seguimos nessa gangorra maluca que é a vida!

Espero que este texto sirva pra alguém em alguma coisa.

Um abraço a todos.

sábado, 8 de março de 2008

Desistindo da profissão? Quase.


Não lembro mais em que ano foi, nem em qual mês e muito menos qual foi a data ou o dia.
O trauma foi tão grande que minha memória, que já não é lá essas coisas, fez questão de deletar estas datas. Mas o caso nunca sairá da minha memória, pois quase desisto da profissão por causa desse festival!
Lembro-me que estava no estúdio de jingles (Audiomidi) em que trabalho, quando Rogério, amigo meu e sócio da empresa de som PA Áudio, me ligou e falou que teria um trabalho para eu fazer. Era um festival da Philips que seria no Marco Zero e teria atrações internacionais. Ele queria que eu fizesse o monitor do evento. Para quem não sabe o que é “fazer o monitor” de um evento, vou tentar explicar.
Em um show temos dois tipos de som. Tem o som que as pessoas que vão ao show escutam na frente que é chamado por nós técnicos como som do P.A., que é a abreviação das palavras em inglês Public Address ou Endereçado ao Público. E tem o som que só os músicos que estão no palco escutam que chamamos de som de monitor. E a palavra já diz tudo. Este som serve para os músicos se monitorarem, e com isso tocarem no tom e ritmo certo. Cada músico tem (ou era pra ter) um monitor próprio aonde podemos colocar qualquer instrumento da banda para ele escutar, inclusive o próprio instrumento dele.
Agora vocês já sabem pra que servem aqueles fones nos ouvidos dos músicos ou as caixas que ficam no chão perto de cada músico. Mesmo não vendo nada no chão ou na cabeça do cantor, não se iludam, pois o cantor deve estar usando um sistema de monitor sem fio chamado In-Ear (dentro do ouvido). São fones minúsculos e até uns bem modernos pré-moldados que são feitos sob medida para o músico ou cantor. Esses fones e sistemas sem fio vieram ajudar e muito no resultado final do som de um show, pois os mesmo reduzem à zero a realimentação no palco, aqueles apitos chatos que vocês escutam em alguns shows e que não fazem parte da música. E dependendo da intensidade destas realimentações, o show pode parar mesmo. Por isso, este técnico que fica no palco e que muita gente ainda que vai a um show não sabe que ele existe, é de uma grande importância no resultado final do show ou do evento. Se não houver nenhuma caixa de monitor no palco e mesmo assim você ouvir aqueles apitos, pode ter certeza que a causa vem do som da frente que está retornando para o palco e causando as realimentações. Quem tem que resolver agora o problema é o técnico de P.A..
Comecei minha carreira aqui em Recife, fazendo o monitor da Banda Versão Brasileira, e naquela época existia uma diferença de cachê entre os dois técnicos. O de P.A. recebia mais, pois os artistas achavam que ele era mais importante. Sempre achei injusto isso, pois sabia que um monitor mal feito poderia acabar com o show. Ainda bem que esta diferença nos cachês não existe mais. Os próprios artistas reconheceram a importância do técnico de monitor.
Agora que vocês já sabem a diferença entre técnico de P.A. e de monitor, vamos voltar ao festival da Philips.
Rogério estava me contratando para este festival porque a empresa dele estava adquirindo uma mesa digital para ser usada nos monitores, eu já fazia monitor e tinha uma certa afinidade com estas mesas pois trabalhei com uma bem simples no estúdio e ele achava que não tinha pessoa mais indicada pra isso na época (modéstia à parte, mas era verdade). Mas mesmo com esta afinidade, falei pra ele que era muito diferente a minha mesa para a que ele estava comprando. Seria a primeira mesa digital nos monitores em Pernambuco! Uma Yamaha DM2000. Ele me falou (e meu erro foi acreditar) que a mesa chegaria uma semana antes do começo do festival, dando tempo assim para eu dar uma estudada nela. Resumindo... a mesa chegou na tarde do dia anterior da passada de som com as bandas do festival! Ficamos toda tarde e entramos pela madrugada só para aprender o básico sobre a nova mesa! Não deu outra. Catástrofe na passada de som! Não tinha como naquele espaço de tempo dominar o brinquedinho, pois aprendi só o básico! Para complicar mais ainda, as atrações eram gringas e tinha um tal de Ray Leman (não sei se era exatamente assim o segundo nome) que usaria até um piano acústico na sua apresentação com banda. Esse Ray era um daqueles artistas que dão “chilique” quando as coisas não estão acontecendo como querem. E esses chiliques tornaram a passada de som muito mais agonizante e estressada! Coisas que eu fazia rapidamente com uma mesa analógica, não estava conseguindo fazer nesta nova mesa. Coisas que eu tinha certeza que estava fazendo certo, os músicos me confirmavam o contrário! Só fui descobrir os motivos uma semana depois quando ligamos a mesa no galpão da firma e procuramos aonde foram os erros. Não tinha como saber desses detalhes naquele espaço de tempo.
Os produtores locais do festival (os mesmo do Abril Pro Rock – Paulo André e Melina), sem saberem os reais motivos de tal demora na operação do equipamento, já desesperados, pediram pra chamar outro técnico para me ajudar, mal sabendo eles que o outro técnico jamais tinha trabalhado com tal mesa também. Ninguém em Recife tinha trabalhado com aquela mesa!!!!!
Lindemberg chegou do meu lado e perguntou: --- Oi Titio, qual é a bronca?
Eu apontei para a DM2000 e respondi, perguntando: --- Quer assumir a mesa?
Não? Então fica do lado aí pra ver se eu resolvo. (Risos. Só agora, porque no dia eu não ri)
Ele ficou ao meu lado sem saber o que estava acontecendo direito, mas isso deu mais tranquilidade aos produtores. A pressão foi grande! O produtor nacional da Philips chegou aos berros ao meu lado me chamando de incompetente e perguntando se eu nunca tinha visto aquela mesa, e eu com minha sinceridade brutal, respondi esquecendo completamente dos meus amigos da empresa de som que tinham me contratado: ---Não cacete! Vi esta porra desta mesa ontem!!!
Não consegui me conter. Já estava completamente estressado. Agora, escrevendo este texto, me pego rindo da situação, mas não foi nada engraçado no dia!! Se não me falha a memória, duas passadas de som foram extremamente estressantes. Essa de Ray e outra de um grupo de velhinhos de Cuba que não recordo agora o nome. Fui no decorrer das passadas de som e dos shows me tornando mais rápido, mesmo fazendo um caminho mais longo para chegar aonde queria, pois não sabia que tinha outro caminho. Mesmo com toda a pressão e estresse, passamos todas as bandas e agora só restava esperar o começo do festival.
A grande ansiedade agora era saber se as cenas de cada banda que foram gravadas na mesa digital iriam voltar exatamente como foram salvas. Essa é uma das grandes vantagens meus caros leitores das mesas digitais em festivais, aonde têm várias bandas para se apresentarem no mesmo palco com o mesmo som. Podemos gravar tudo que foi feito para cada banda na mesa: equalização, endereçamento, compressão, etc, etc. E com um simples toque esta cena volta em menos de um segundo na hora da apresentação da banda. A demora maior agora era para religar os cabos nos seus devidos lugares, pois eles mudam de acordo com cada banda. Antes das mesas digitais, todo técnico tinha que anotar TUDO em mapas (papel) e seguir este mapa e retornar (ou pelo menos quase) os controles para o lugar marcado. Nunca voltava exatamente do mesmo jeito, mas funcionava e funciona até hoje quando a mesa não é digital. Conheço técnico (Léodim – Mundo Livre S/A) que tira foto da mesa com câmera digital e faz isso até hoje e já tentei usar a muito tempo atrás um gravador K7 portátil, aonde gravava minha voz falando o que tinha feito em cada canal. Não deu certo, pois quando estava escutando a gravação, sempre aparecia alguém gritando alguma coisa ao meu lado e eu me perdia. Uso mapas até hoje nas mesas analógicas.

Voltando ao evento...
Todas as cenas voltaram como queríamos e todos os shows transcorreram sem que ninguém que foi ver o evento soubesse o que tinha acontecido nas passadas de som. Não me recordo de ter havido nem um apito sequer em nenhum show.
No final do festival, depois de tudo certo, Rogério veio me agradecer pelo resultado, pois só ele sabia realmente o tamanho da fogueira que tínhamos acabado de pular sem nos queimar!!!
Achei realmente que poderia ser minha culpa naquele festival, pois nunca tinha sido chamado de incompetente, mas hoje quando lembro, rio e me orgulho da situação que consegui reverter.
Existe até hoje uma discussão sobre qual a melhor mesa: analógica ou digital?
Mas isso já é assunto para um outro tema.
Um abraço a todos.

terça-feira, 4 de março de 2008

Fotos de alguns trabalhos.

Projeto Caixa Cultural - 2007 - Rio de Janeiro - Silvério Pessoa

Festival do Acordeão - 2005 - Lille - França - Silvério Pessoa




Ensaio do Carnaval de Pernambuco - Estúdio Floresta - 2006 - Rio de Janeiro











Guaiamum Treloso - 2006 - Recife - Silvério Pessoa














Projeto Seis e Meia - 2007 - Natal - Silvério Pessoa









Guaiamum Treloso - 2008 - Recife - Monitor de Silvério Pessoa













Mistura Fina - 2006 - Rio de Janeiro - Silvério Pessoa












Festival Rio Loco - 2005 - Toulouse - Funk'n Lata













Amsterdã - 2006 - Silvério Pessoa

Curiosidades das turnês passadas.


Como não tenho em mãos muita coisa registrada dos shows que fiz de dezembro de 2007 até hoje, vou dar uma rápida passada nas turnês de 2005, minha primeira turnê internacional e que durou 110 dias, e a de 2006. Vai ser um resumo “resumido”, pois é muita coisa pra mostrar e falar que pode se tornar cansativo se eu tentar mostrar e comentar tudo. Vou colocar, na maioria das vezes, fotos e comentários de coisas que acho “fora do roteiro”, para tentar sempre passar os bastidores.

Este equipamentozinho que está aqui na foto em cima da mesa de som com uma inscrição “Max 95db!” é um decibelímetro. Aparelho que serve para medir o nível da pressão sonora, ou o nível do ruído, ou para ser mais claro: para o dono da festa saber se o som está muito alto para as normas do local. Neste caso da foto, eu não poderia passar dos 95db. Este valor é facilmente ultrapassado na grande maioria dos shows no Brasil, independente do local. Então vocês já devem ter uma idéia de como é difícil manter estes 95db, pois estamos acostumados a passar desta marca. Mas deu pra fazer legal este show que foi na Bélgica. É tudo uma questão de costume.

Vamos começar nosso passeio por onde começa uma turnê: no aeroporto!

Na maioria das vezes esse sobe-desce-mala-van-sobe-desce-mala-hotel-van não é nada confortável e lúdico. Muita gente pensa que é só um passeio turístico que estamos fazendo numa turnê dessas, mas esse pensamento está bem longe da realidade. Não agüentei o fuso horário e a espera do nosso produtor que achou que estávamos em outro aeroporto e dormi sem nenhum constrangimento no saguão do aeroporto. E pode ter certeza que essa cara-de-pau (que eu não tinha) você aprende rapidinho numa turnê, pois não tem pra onde correr!

Na nossa van também não é diferente! Já teve um caso de sairmos de um festival e ir direto para outro, dormindo na van, pois uma atração deste outro festival não conseguiria chegar por problemas aéreos. Tinha alguém ligado ao outro festival que viu o show de Silvério e falou com o nosso produtor se dava pra ir para fazer o show no outro festival. Fizemos isso.
Nos nossos “day off”, ou seja, dias em que não temos nenhum show, uma das nossas principais distrações é nos reunirmos no quarto de alguém, levamos uma caixinha com 5 ou 10 litros de vinho que se transforma num filtro (com torneirinha) e jogamos conversa fora até não ter mais assunto. O tempo da conversa é controlado pelo nosso filtro de vinho. Enquanto houver vinho, temos o que conversar! E quando estamos na casa de Patrick e Terezinha (casal amigos de Silvério de longas datas e agora amigos de todos da banda até hoje) o limite da conversa passa a ser “nenhum”, pois é humanamente impossível acabar com o estoque de vinho que eles têm, pois são produtores em St Emilion, cidade que fica à uma hora de Bordeaux. Toda vez que secávamos nosso filtro, Terezinha ia ao reservatório que fica nos fundos da casa e enchia nosso filtro como se estivesse enchendo um tanque de carro com combustível!





Não preciso nem dizer que hoje sou um viciado em vinho (chileno, pois francês é caro), não é?

Terezinha tem tanta saudade do nosso Brasil, que todas as vezes que íamos embora da casa dela, não tinha jeito, ela danava-se a chorar. Isto aconteceu nos 3 anos que fui lá!
A nossa outra grande diversão é passear e conhecer os lugares onde estamos, quando dá tempo, logicamente.

Ao contrário de turnês que alguns amigos meus fazem com outras bandas e falam que só vão aos pontos turísticos, pois já existe um roteiro pré-definido e que não se pode mudar, nós não temos nada pré-definido.


Aconteceu uma coisa engraçada uma vez, nem lembro em que país foi, mas saímos para achar algum lugar onde estivesse passando um jogo de futebol do Brasil contra a Argentina. Rodamos muito de van, o tempo estava feio e chuvoso. Encontramos um pub que estava passando o tal jogo. Estávamos tão empolgados para encontrar um lugar para ver este jogo e tomar uns vinhos, que só fui notar que era um bar gay porque alguém da banda veio me perguntar no intervalo do jogo se eu não tinha notado que o bar só tinha homens!

Já teve um hotel na Espanha muito luxuoso que ficamos apenas umas duas horinhas para tomar banho e fomos embora. Fiz questão de usar tudo que eu tinha direito, inclusive o roupão.





Outra curiosidade foi descer no aeroporto de Veneza (Itália), ir de van até Trieste (Itália) para passar o som do show, pegar a van para ir tomar banho no nosso hotel que ficava na Eslovênia (pequeno país da Europa Central), voltar de van novamente para Trieste para fazer o show, voltar de van para o hotel na Eslovênia para dormir, e pegar a van para ir ao aeroporto de Veneza e partir! E todas as vezes que passávamos na fronteira entre Itália e Eslovênia, um cara carrancudo carimbava os nossos passaportes. Essa foi a única fronteira que estava com alguém verificando e carimbando os passaportes em todas as 3 turnês que fui. Todas as outras fronteiras estavam abertas e sem fiscalização.
Eu posso dizer que fui a estes lugares, mas na realidade não conheci nenhum dos três! Mas não deixa de ser divertido assim mesmo, principalmente porque estou fazendo o que gosto, ganhando por isso e conhecendo lugares que nunca na minha vida pensei em conhecer!
















É uma experiência ímpar (como diz Silvério Pessoa)

Até a próxima.

Um abraço a todos.