quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Show de Silvério Pessoa no Summerville – Usando o SAC/SAW da RML Labs.


Olá pessoal.
O SAW foi o primeiro software de gravação multitracks que eu usei em estúdio, e isso foi há muito tempo atrás.
SAW quer dizer Software Audio Workshop.
Usei durante um bom tempo, mas devido a complicações na parte de edição, resolvi mudar para outro software chamado Vegas.
Não passei nem um mês com o Vegas e mudei novamente de software, indo para o Pro Tools, que naquela época estava começando a aparecer para o mercado.
Usei por muito tempo o Pro Tools, chegando ainda a testar o Nuendo, mas quando saí do estúdio ainda gravava no Pro Tools.
O Pro Tools hoje em dia está em milhares de estúdios de gravações. 
Mas atualmente no meu laptop uso o Nuendo, pois gostei muito de umas funções na parte de edição, que é o que uso mais nos meus trabalhos de montagem de áudio para VT e Spot publicitário.
Porque estou falando tanto em software de gravação?
Porque a mesa de som deste show de Silvério Pessoa no Hotel Summerville foi um equipamento baseado no SAW.


O nome do equipamento se chamava SAS (Solar Audio System). E o proprietário (Sérgio) me falou que está tentando patentear o equipamento. Inclusive, ele falou que a próxima melhoria seria implementar a tela "touch screen" (sensível ao toque).
Fui no site da RML Labs e vi que o software é criado lá e eles vendem e a pessoa monta o equipamento como desejar.
O nome do software é SAC (Software Audio Console).

Estádio do Arruda.

Como eu queria que o povo brasileiro se unisse como uma torcida de futebol, todos torcendo, gritando, chorando, pagando 4 reais numa garrafinha de água mineral de 500 ml sem reclamar muito, lutando por uma só razão, por uma só paixão.
Enquanto via o jogo (da série D do campeonato brasileiro) do meu querido Santa Cruz no campo lotado com 60 mil pessoas fiquei imaginando isso.
Noto que os brasileiros lutam mais por suas paixões do que por um país melhor.
Eu mesmo sou um deles, que não participei de uma marcha contra a corrupção que aconteceu aqui em Recife dias antes deste jogo de futebol da série D!

Mais de 60 mil pessoas.
 
Sou acomodado como a maioria dos torcedores que estavam naquele campo e que também não saíram de casa num feriado para protestar contra a corrupção no nosso país.
Nossos valores estão bastante invertidos, creio eu.
Prometi a mim mesmo que não poderia deixar de ir à próxima marcha, que tenho certeza que vai acontecer novamente!


Ao chegar ao hotel, fui aprender como funcionava o sistema montado por Sérgio Boi (é este o nome dele no mercado).
O equipamento ficava no palco, e eu poderia controlá-lo da frente do palco usando um laptop via wireless.
Enquanto os músicos iam armando seus equipamentos, eu fui perguntando para Sérgio como funcionava “a coisa”.
Como todo equipamento (ou quase todo), este tinha os pontos positivos e os negativos.
E o que vou falar aqui é uma opinião minha, não quer dizer que todos vão sentir isso ao manusear o equipamento.
Vou tentar nem me estender muito no assunto, pois acaba ficando chato. Já vi que os leigos não vão entender muito sobre o que vou falar, mas não tem como eu deixar de falar sobre o assunto, pois foi a primeira vez que trabalhei com tal equipamento.
Por isso, não vou ficar chateado se os leigos parassem de ler aqui este texto. Realmente vocês não vão entender nada.



Achei que o equipamento, pelo pouco tempo de contato que tive com ele, tem mais pontos negativos que positivos. Pelo menos neste dia eu senti isso. Pode ser que com outro contato e com algumas coisas funcionando que neste dia não funcionaram, eu tenha outra impressão.
O que achei de positivo?
O equipamento é muito pequeno, fácil de transportar e dá para colocar num pequeno espaço no evento.
O custo deve ser bem menor do que comprar uma mesa digital (este ponto positivo é mais para o dono da empresa).


Podemos usar excelentes plugins, mesmo sabendo que é muito difícil alguém comprar todos aqueles plugins que estavam no equipamento, pois sei que é uma fortuna!
Os plugins (ou a grande maioria) deveriam ser “piratas”, como o Nuendo que eu uso aqui no meu laptop. 
Estou até vendo a possibilidade de comprar um original. Impressionantemente (não esperava) o preço do Nuendo que encontrei aqui no Brasil passava dos R$ 5.000,00.
Nos EUA custa U$ 1.800,00. Salgado, não?
Estou vendo uma solução.
Nem as grandes empresas de som daqui de Recife tem pacotes grandes de plugins nas suas mesas Venue, pois não dá para usar (ainda) os “piratas”.
Outro ponto positivo, mas quando se tem tempo sobrando, é que podemos fazer diferentes regulagens (equalização, compressão, efeitos, etc) dos canais de instrumentos para cada via de monitor. Cada via de monitor tem uma mesa independente!
Usar o laptop na frente do palco via wireless para controlar o equipamento que está no palco sempre é um ponto positivo.
Outra coisa muito legal é que é muito fácil gravar todos os canais separadamente. Pelo que entendi, o sistema grava exatamente com os ajustes que eu dei nos canais para o som da frente. Os nomes já vão direto para os tracks de áudio, não precisa escrever nada, é só dar o REC e pronto, a gravação começa. Muito prático.
Logicamente eu pedi para Sérgio gravar o show e vou abrir aqui os tracks separados no meu Nuendo (pirata) para dar uma mixada.

Usando o laptop no sound check.

Vamos aos pontos negativos.
Achei muita informação para pouca tela. Mesmo Sérgio colocando algumas páginas nas teclas F1, F2, F3, F4, F5 e F6 do teclado, ainda perdi muito tempo para chegar onde queria, principalmente porque nunca tive contato com o equipamento. A tela do equipamento não era pequena e mesmo assim achei que faltava tela para a quantidade de informação. No laptop piorou a situação!
Perdi muito tempo re-equalizando os canais para as diferentes vias de monitor. A opção de uma mesa diferente para cada via é legal, mas perde-se muito tempo para fazer o monitor. Poderia haver uma opção para se usar as mesmas regulagens dos canais que foram feitas para o som da frente no envio para as vias de monitor.
Como os ganhos dos canais são físicos e estes ficam acoplados ao sistema no palco, não podia aumentar ou baixar o ganho pelo laptop. Muito ruim isso. Tem que ir no palco para mexer nos botões de ganho.


Outra coisa muito negativa era que eu não podia mexer nos plugins usando o laptop.
Para se fazer isso, todos os plugins devem ser instalados também no laptop que vai ser usado no trabalho. Imaginaram a bronca?
Já parei aqui para trabalhar nos áudios de GM, já tomei meu leite com Nescafé acompanhado de torradas Balducco, ovo mexido e presunto e vi o jogo de vôlei feminino entre Brasil e Cuba no PAN. 
Dei uma diminuída no adoçante porque minha (ex) sogra e minha irmã me falaram que o produto não estava fazendo bem às pessoas. Elas vivem ligadas nestas notícias. Se é verdade, eu não sei. 
Aconselharam-me trocar o adoçante pelo açúcar Demerara. Um açúcar que não é processado como aquele branquinho que normalmente conhecemos, ele é meio escuro como se fosse um açúcar mascavo. Ele é bem mais caro que o branquinho, mas já troquei. Quem sou eu para discutir com as minhas enfermeiras, não é verdade? 
Vou parar novamente aqui para editar os áudios. Antes eu só tinha preparado o roteiro para o locutor gravar. Agora ele está me enviando as locuções. 
Volto daqui a pouco para finalizar esta nossa conversa.
--



Hoje já é quarta-feira, e ainda estou trabalhando nos áudios de GM. Comecei a escrever este texto na segunda-feira.
Não vou me alongar mais neste texto. Também já falei quase tudo sobre o trabalho.
O sistema de som foi mais que suficiente para o show. Ele era formado por uma caixa de sub-graves mais duas caixas “tipo” line array por lado. Não lembro a marca das caixas line array. As caixas de sub-graves, se não me falha a memória, eram da marca Attack.
Não sou muito de ficar olhando marcas. Coloco Lisa Stansfield para tocar no meu laptop e escuto o sistema, e neste dia vi que não teria problemas com o som porque o sistema falou a contento.
Depois de fazer o sound check (que não foi curto), fui com toda a nossa equipe para um camarim improvisado no hotel para aguardar a hora do show.
O combinado era que o show seria depois do jantar. Seria...
Mas não foi.
Mudaram os planos e me avisaram que o show seria na hora do jantar!


A primeira coisa que fiz quando cheguei lá na frente na hora do show foi baixar 3 dbs do máster.
Não tive nenhum problema com o laptop no controle do equipamento que estava no palco. Não perdi o sinal em nenhum momento. Ainda deu para tomar umas duas tacinhas de vinho enquanto trabalhava sentadinho numa cadeira.


Minha opinião sobre show na hora do jantar continua a mesma. Procurem em textos anteriores. Continuo achando que não combina.
Do mesmo jeito que não combina show de Racionais MC’s num teatro!
Falo deste outro trabalho que participei num próximo texto.
Um abraço a todos.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Rapidinha 136 - Escravo do trabalho?

Enquanto comia com um Amigo uma galinha de cabidela no Bar do Tonhão, tive que conferir um roteiro de um áudio para ver se o tempo estava certo para o locutor gravar a locução.
Este Amigo (que tirou estas duas fotos), enquanto conversávamos e depois de me ver montando meu setup, comentou para eu ter cuidado para não me tornar escravo do trabalho.

Eu me divirto com esta possibilidade de trabalhar (e ganhar uns trocados) em qualquer lugar (e a qualquer hora) onde minha internet da Claro funcione.
O maior exagero que fiz foi editar um áudio num motel!
Pensando bem... Será que sou um escravo e não sei?

sábado, 1 de outubro de 2011

Mudança de Palco 038 - Simplesmente Janelle Monáe.


Tive o prazer de conferir o show de Janelle Monáe aqui em Recife.
O show dela foi um dos que antecederam o show de Amy Winehouse.
Não tenho dúvida que ela é um caminho sem volta.
Querem apostar?
Dá gosto ver (ouvir) o show desta "menina".

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Fast Track Ultra – Control Panel não abre!


Olá pessoal.
Este texto é totalmente direcionado aos meus colegas do ramo.
Como vocês já sabem por textos anteriores, comprei a interface de áudio Fast Track Ultra da M-Audio.
A minha Fast Track Pro já foi vendida. Sabia que não iria demorar muito para vendê-la.
Já inaugurei minha nova placa de áudio nos trabalhos que fiz na MIMO.
Gravei os três dias em que trabalhei para o evento.
Tudo estava certinho, gravações sem nenhum defeito, nenhum travamento, até que um dia desses fui abrir o Control Panel da placa para dar uma olhada e a janelinha não abriu de jeito nenhum!
Eu já tinha aberto este Painel de Controle (Control Panel) logo quando instalei o "driver" da placa. Abria normalmente e abri mais de uma vez, só que uns dias atrás parou de abrir.
Desinstalei e instalei novamente o driver da placa, e nada!


É neste control panel que você ajusta as entradas e saídas da placa, entre outras coisas.
Inclusive, no control panel da Fast Track Ultra eu posso usar a placa sozinha (sem abrir nenhum software) como uma mesinha de som de 6 canais (sendo 4 com controle de volume de entrada), podendo adicionar até efeitos nos canais, pois a placa possui um DSP interno com efeitos (Echo, Delay, Plate, Hall 1 e 2, Room 1, 2 e 3). Só não tenho como equalizar os canais, mas já resolve numa emergência.
Hoje decidi resolver este problema do control panel e fui na internet procurar a resposta.
E já na primeira tentativa consegui uma resposta.
Fui no fórum dentro do site da M-Audio para ver se tinha mais alguém com este meu problema, e achei um caso quase idêntico ao meu lá. 
O fórum é em inglês. Mas mesmo não entendendo muito da língua, consegui resolver meu problema seguindo a dica de um colega chamado FRAMOS que estava explicando para outro colega como resolver o problema.
Já falei várias vezes aqui no Blog que encontramos tudo na internet, é só uma questão de procurar direitinho.
Vou colocar aqui a resposta do FRAMOS (será que é Brasileiro?) para ajudar alguém aqui que esteja com o mesmo problema.
Segue a dica:

NOTE: YOU SHOULD ONLY DO THIS WITH THE UNDERSTANDING THAT YOU CAN CAUSE IRREVERSIBLE DAMAGE TO YOUR SYSTEM. PLEASE PROCEED WITH CAUTION AND GO THRU EACH STEP CAREFULLY!!!

Hold down function/Windows key and press the letter R. This will open the Run window.
Type in: regedit
Then expand the the folder named:
HKEY_Current User and go to folder located at: /Software/M-Audio/MAUSBFTUCpl
Once you are in the "MAUSBFTUCpl" folder, delete the folder named:
"WindowLayout"
Close the registry editor and launch your interface's control panel. It should now be working.



Obs: Não consegui abrir a janela REGEDIT como ele falou. Sou muito ruim na hora de "conversar" com o computador. Não conheço os atalhos para entrar em determinados locais.
Fui no search do meu laptop e escrevi a palavra regedit e apareceu o caminho.
Segui à risca o que framos falou e consegui abrir novamente o painel de controle da Fast Track Ultra.
Voltei no fórum da M-Audio e agradeci ao colega pela dica.
Um abraço a todos.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Comemorando!


A primeira Nota Fiscal a gente nunca esquece!
Pelo menos eu não vou esquecer.
Como dizia o texto das minhas amigas da Level:
"Que venha o novo, de novo!"

domingo, 18 de setembro de 2011

M.I.M.O. 2011 – Fugi de Egberto.


Olá pessoal.
Normalmente eu costumo explicar o título do texto no final da conversa, mas hoje vai ser diferente. Já vou começando com a descrição de uma conversa minha com Rogério (PA Áudio) pelo telefone dias antes da Mostra Internacional de Música em Olinda (MIMO).
Segue a conversa:

- Oi? Alô?
- Fala Fulerage!
- Fala Gostosão.
- Tais aqui em Recife entre os dias 7 e 11 de setembro? MIMO novamente.
- Rogério... Depende... Se for para operar o som de Egberto Gismonti, eu não tou aqui em Recife não. Vou tá na China vendo a novela Escrava Isaura!
- (Gargalhadas!) Certo, vejo um jeito de você não fazer este show.
- Ok, então estou em Recife nestes dias. Qualquer coisa, me liga. Um abraço.
- Tchau.


Foi assim que fechei o trabalho na MIMO deste ano.
A maioria dos trabalhos que faço para a empresa PA Áudio acontece somente porque um dos donos não pode fazer o serviço.
E tem lógica. Se os três sócios (que são técnicos de áudio também) podem fazer o trabalho, pra que pagar outra pessoa pra isso, não é?
Depois de vários remanejamentos de datas, acabei trabalhando em três dias de festival.
Fiquei sabendo ano passado, que Egberto Gismonti não era uma pessoa muito fácil de se lidar, e como tenho o mesmo perfil, resolvi não me confrontar com tal situação.
Entendam isso como uma questão de saúde.
Como o pessoal da PA Áudio (e muita gente agora) sabe que sou deste jeito, não se assustaram com o meu pedido.
Operei o som da Igreja da Sé nos dias 7 e 8, e no dia 9 fui remanejado para o Mosteiro de São Bento.


Para meus colegas do ramo, na Sé eu trabalhei com uma mesa digital Venue da Avid.
Duas caixas amplificadas da Behringer faziam o L/R do sistema e no centro eu tinha um line array DAS mono formado por quatro caixas que recebia o mesmo sinal do L/R via matrix.
Seguindo meu papo para os leigos, no dia 7 foi a apresentação de Ballaké Sissoko (Mali) e Vincent Segal (França).
Nunca tinha visto o instrumento do africano, que se chamava KORA.
Era uma mistura de harpa com berimbau.
Ao todo foram cinco canais na mesa. Três canais para a kora, um canal para o violoncelo de Vincent e um canal para o violoncelista poder falar.
Na kora, foram colocados dois microfones para captar o som das cordas, e o terceiro canal era um DI (direct box) onde entrava um captador que já estava fixado no instrumento, e segundo as explicações que o Francês me deu, este captador era só para “pegar” uma determinada nota mais grave do instrumento.
Segui o conselho do violoncelista francês e filtrei este canal para ficar respondendo somente às frequências graves. Depois fui somando com os outros dois microfones para chegar num ponto que eu achasse que seria o ideal e que satisfizesse os músicos também.
No palco apenas um monitor para o Africano.



Impressionantemente, quem me orientou todo o tempo sobre o som do instrumento africano foi o Francês! O músico africano não dava uma palavra!
A kora emitia muito pouco som. Tive que dar um ganho excessivo nos dois microfones para o som aparecer. E por causa deste ganho excessivo (mas necessário), fiquei sempre no limite da realimentação.
A reverberação dentro da igreja chega perto dos 3 segundos!
O que era para soar TUM, soa TUUUUM. Deu para entender?
Minha sorte foi que o público fez um silêncio fúnebre dentro da igreja durante o show, e isso me ajudou na operação do som.

 
Ainda tive uns dois princípios de realimentação (microfonias) no começo do show, e para piorar o Francês fazia caretas de insatisfação durante as realimentações, mas consegui controlar.
Como o violoncelista mudava sempre a forma de tocar entre o arco e o dedilhado, tive que passar o show todo pilotando o fader do canal do violoncelo para cima e para baixo.
Existe um plugin da Waves que faz este trabalho. Chama-se Vocal Rider.


Kalunga, técnico de PA de Ivete Sangalo, usa este plugin na voz da cantora, pois como o próprio nome do plugin diz, ele é feito para voz, mas eu teria colocado no canal do violoncelo tranquilamente.
Realimentações controladas, o show seguiu sem mais problemas.
No dia 8 a coisa foi bem mais complexa!



Era somente um nome. Arthur Verocai.
Mas quando fui ver as participações, o negócio complicou.
Participariam da apresentação o Projeto Coisa Fina, mais dois cantores, mais uma orquestra de câmara formada por 16 cordas (violinos, violas e cellos)!
Ah! O Projeto Coisa Fina era formado por: bateria, baixo (com amplificador), guitarra (com amplificador), violão, piano acústico, piano elétrico, percussão, 4 saxofones (que tocavam flautas também), trompete e trombone!


Imaginaram isso tudo dentro de uma igreja com quase 3 segundos de reverberação?
Agora, para melhorar ainda mais a coisa, acrescentem vários monitores de chão!
E para finalizar, pois faltou espaço no palco para todo mundo, coloquem a orquestra de cordas e os cantores na frente das caixas do PA!
Resumindo... A confusão estava formada.



Para chegar num consenso, tive que no meio do sound check ir conversar com o maestro e com os músicos para passar o que estava ocorrendo.
Não tinha como eu colocar o som das cordas e as vozes dos cantores no som do PA sem realimentar, pois o som que já vinha do palco (som acústico dos instrumentos da bateria e da percussão, som dos amplificadores do baixo e da guitarra e o som dos monitores de chão) era muito alto e as cordas (todas com microfones) e os cantores estavam na frente das caixas de som!
Quanto mais eu aumentava o som das cordas e dos cantores nas caixas de som do PA, mais este som das caixas do PA era captado pelos microfones das cordas e dos vocais, e este som captado era reenviado para as caixas do PA formando um LOOPING causando a realimentação.



Looping? Imaginem um círculo, onde o começo e o fim de uma trajetória é o mesmo ponto, assim que a trajetória acaba, ela começa novamente, tornando-se um caminho infinito.
Era isso que estava acontecendo comigo no sound check.
Fui muito filósofo neste comentário...
Depois de um pequeno (acho que não foi tão pequeno) mal estar causado pela minha observação durante o sound check, seguimos com o trabalho e acabamos chegando num ponto que agradou os dois lados: artista – técnico.
Lucas, que fazia parte da produção na Igreja da Sé, conseguiu coordenar o diálogo entre o artista e a técnica.
Como nesta igreja tem público do lado de fora vendo o show por um telão, o som tem que ser enviado lá para fora também.
O problema é que nem sempre coloco o som do instrumento (ex: trompete) no PA porque já estou escutando perfeitamente o som acústico deste instrumento dentro da igreja, mas lá fora ninguém vai escutar, então eu faço outra mixagem para a área externa. E assim foi feito.
Mais uma vez vou falar para meus colegas do ramo.
Diferente da noite anterior do Africano com o Francês, onde a mandada (via auxiliar) do som lá pra fora foi POST fader, neste dia do Arthur Verocai resolvi mudar a mandada para PRE fader.
Por quê?


Porque na primeira noite tudo foi mais calmo. Quase nenhum som acústico dos instrumentos vinha do palco, e o único monitor de chão não estava num volume alto.
Por causa disso, fiz uma mixagem normal de show. Não precisei misturar o som acústico que saía do palco com o som do PA.
Tudo que estava saindo no som do PA era para ser enviado para o som externo na mesma proporção. Poderia até mandar o sinal L/R por um matrix, mas optei pela mandada auxiliar para eu ter a opção de mudar de POST para PRE se eu achasse necessário.
Na segunda noite eu tinha certeza que muita coisa não ia para o som do PA, ou não ia na mesma proporção em relação ao som externo. Por esta razão mudei tudo para PRE fader.
Funcionou.
Já tinha comprado o ingresso do jogo do Santa Cruz contra o Alecrim de Natal, que acontece amanhã no Estádio do Arruda lá em Recife. Mas o telefone tocou e tudo mudou. 
Amanhã? Lá em Recife? 
Isso. Hoje é sábado, pra ser mais exato é o final do sábado, porque o relógio já marca 23:45h, e eu estou numa praia chamada Carne de Vaca, que fica perto da divisa com a Paraíba. 


Parei de escrever este texto na quinta-feira, eu acho... 
Ao telefone estava Paulinha, esposa de Xando, um grande amigo... Trinta anos ou mais, quando esta amizade começou... Iam para Carne de Vaca e me perguntaram se eu queria. Lógico que eu queria! Desmarco quase todo divertimento marcado, que não seja com meu filho, para ficar com estes amigos. 
Prezo muito por isso. 


Estou aqui no quintal da casa que fica na beira do mar. Céu toca no sisteminha de som made in china. Muito legal o som de Céu. 
Todos já foram dormir. Eu dei uma parada de quase duas horas para me recuperar da orgia gastronômica que ocorreu durante o dia. Bebi vodka com Sukita num bar enquanto apreciava um peixinho assado, e quando cheguei na casa voltei para minha Sprite, e continuei no peixinho, depois no marisco, e depois no caranguejo e para finalizar rolou ainda um chambaril! 
Foi muita comida, me lembrou a França! 
Dei um cochilo numa rede aqui na varanda da casa. Como ninguém deu esta parada, fiquei aqui sozinho, sem sono, e querendo beber um vinho. Ninguém aguentou ir mais longe. 
Resolvi escrever. 


Quem é Egberto Gismonti mesmo? 
Só faltou meu Filho aqui. Este lugar me faz pensar que o céu é aqui mesmo. Aproveite!
Papo de ateu, esqueçam.


No final da apresentação de Arthur Verocai, ele fez vários agradecimentos, inclusive à equipe técnica e isso só fez comprovar que tudo valeu a pena.
Estou quase acabando com a garrafa de Sendero de Chile, mais uma opção da Concha y Toro que eu indico. Este é Merlot. Nunca tinha provado este Sendero de Chile. 
Seu Jorge toca no somzinho agora... 
A carne mais barata do mercado é a carne negra, diz ele. 
Não gostei da música não.
Depois de dois dias na Igreja da Sé, a diretoria da PA Áudio me remanejou para o Mosteiro de São Bento.



O Projeto Coisa Fina iria se apresentar lá, mas sem o Arthur e sem a orquestra de câmara.
Vai ser tranquilo, me disseram. Só o Coisa Fina? Vai ser moleza.
E foi tranquilo mesmo... Mesmo ainda usando seis vias de monitores de chão!
Neste trabalho eu tinha a mesa digital LS9 da Yamaha. Ao contrário do trabalho que fiz na Sé com o Arthur Verocai, onde tinha outra mesa para fazer o monitor, aqui era só a LS9 para fazer os dois trabalhos.
Só solicitei que elevassem as duas caixas de som que estavam no mesmo nível do solo. Pedido atendido, segui em frente.


O sound check não foi tão rápido, mas não foi tão complicado também. Normal.
Quase normal também foi o show. Só um probleminha num canal que falhou algumas vezes. Mas como nem precisei enviar o som para fora da igreja, o som acústico do instrumento conseguiu ficar audível mesmo com o microfone falhando.
Poucas pessoas dentro daquela igreja notaram isso. A acústica da igreja agora ajudou.
Vi em algum meio de comunicação alguém falando que foi o melhor show do dia.
Foi legal mesmo.


O segredo do trabalho na MIMO, acredito eu, é não tentar simplesmente colocar tudo no som do PA. Se o técnico tentar colocar tudo no som da frente não vai se dar bem. Esta é minha opinião.
Já quebrei a cara legal num show de Silvério Pessoa anos atrás na Europa. Tentei colocar tudo no som do PA que era formado por duas (ou quatro, não lembro) caixas amplificadas, desconsiderando o som acústico dos instrumentos e o som dos amplificadores da guitarra e do baixo.
Resultado?
As caixas pararam de funcionar porque tinham um sistema de proteção que era ativado quando havia excesso de sinal. Pararam umas três vezes durante o show, até que “acordei pra jesus” e baixei todos os instrumentos e priorizei a voz que não saía em nenhum monitor, porque não haviam monitores no palco!
Todos usavam fones! Inclusive Silvério, que usava um in-ear.
Quando as caixas travavam, a voz simplesmente desaparecia porque não tinha nenhum monitor de chão.
A partir deste dia comecei, em lugares pequenos, a misturar o som acústico dos instrumentos com o som do PA.
Coloco até microfones nos instrumentos, mas só abro no som da frente quando acho que é preciso.


Acho que a cada ano a coisa complica na MIMO.
Isso no quesito som.
A coisa deixou de ser “intimista”, ao ponto de não caber todo mundo no palco, como foi o caso do Arthur Verocai e convidados, onde metade dos músicos ficou na frente das caixas de som, coisa não muito aconselhável. Tanto não é aconselhável, que quase nunca vemos os músicos nesta posição nos shows mundo a fora.
A acústica das igrejas não combina com som amplificado.
E a cada ano mais músicos e/ou artistas exigem monitores de chão com um nível sonoro igual a um show num palco normal ao ar livre, usam amplificadores de instrumentos com volumes elevados, etc.
E isso dificulta o trabalho de sonorização. Para mim, quanto menos microfones ou amplificadores no palco, melhor.




Falei um dias desses para uma Amiga (Karina) que achava que os shows onde trabalhei na MIMO eram mágicos. Tenho a impressão que os músicos tocam por osmose, que não ensaiam e os instrumentos fazem parte do corpo deles.
O ambiente de uma igreja ajuda para uma sensação dessas, mesmo eu sendo ateu.
Na verdade, eu levo mais para o lado da magia do que da fé. Tudo se torna mágico na hora do show, ninguém sabe mesmo o que ocorreu antes, não é mesmo?
Pelo menos não sabiam até eu criar este Blog.
E o que é mágico para um ateu que acha mágica simplesmente um truque?
Me arrepio, me emociono, acho belo. Mágica pra mim é isso.
Sou eu que estou amplificando o que aqueles caras estão fazendo naquele palco?
Cacete! Tá bonito.


Senti isso em vários momentos nestes três dias de trabalho na MIMO.
O paraíso, pra mim, é aqui mesmo!
E o inferno também!
Vou beber o último gole do vinho tinto, comer um misto quente e dormir. 
Duas horas da manhã.
Um abraço a todos.