quarta-feira, 21 de junho de 2023

Cachê Sapataria - Tá vivíssimo!!!

Olá pessoal.
Propaganda a turma sabe fazer, mas organizar esses pagamentos dos artistas que se apresentam nas datas festivas como Carnaval e São João ainda está longe de acontecer, pelo que ainda vejo.

Essa desorganização nos pagamentos tem efeito dominó, e quem mais sofre é a parte técnica.
Me parece que esse ano, o grande vencedor do "Cachê Sapataria" foi a prefeitura de Olinda.
Por que sapataria?
Até 60/90/120/150/180 dias para começar a pagar, sem juros!!!! (Sem risos)
Até que não vi muita gente reclamando nas redes sociais.
Acho até que virou uma coisa "normal" e se acostumaram.
Ou desistiram, né? Porque cansa ficar solicitando o óbvio!
Eu mesmo falei pouco, porque aceitei os trabalhos sabendo que iria sofrer no pagamento.
E não deu outra.
Aceitar é uma coisa, e achar que está certo é uma coisa completamente diferente!
A maioria dos trabalhos que eu fiz nos quatro dias de carnaval, esperei no mínimo 2 meses para começar a receber.
Os que me pagaram depois de apenas um mês (apenas?!), eu acredito que pagaram sem receber do contratante, o que seria o mais justo, mas nem todos conseguem fazer isso, ou não se programam para fazer isso, não é?
E é muito difícil os técnicos não aceitarem esses trabalhos, pois a grande maioria dos artistas estão sendo contratados por prefeituras ou governos.
Nessa segunda-feira (19/06/2023), foi aniversário do cachê de um  trabalho que fiz no palco da Praça do Carmo em Olinda.
Aniversário de 4 meses!!!!
Pois é... O Carnaval Dos Sonhos!!! (De quem?)
Quando essa grana entrar, nem sei quanto vai estar valendo, de tantos juros que já paguei, enquanto aguardo os pagamentos.
Dos males, o menor... Só falta eu receber esse show em Olinda.
Se é que dá pra chamar de menor ou melhor, né?
Mas juntando todos os cachês que chegaram bem atrasados, o prejuízo foi grande!!!!
Nem vou falar como me virei pra passar por esses quatro meses pós-carnaval.
Na verdade, ainda estou passando.
E a bola de neve continua, porque agora são os shows do São João!!!! (Sem risos)
Um amigo meu, que não é do ramo, me falou num dia desses, enquanto conversávamos sobre o assunto: --- Tá vendo?? Não foi para Jericoacoara!! Burro! Você escolheu!!
Segundo ele, e alguns familiares, era pra eu ter ido andando para a praia famosa. (Risos)
Vamos em frente! (Viram como gosto dessa frase?)
Como não tinha comentado nada durante esses meses, só em alguns grupos fechados, resolvi avisar aqui no Blog que nada mudou, para a "turma dos gestores" não achar que está tudo organizado.
O que é uma mentira.
Espero que um dia os "Slogans Maravilhosos-Surpreendentes-Colossais" como o de Olinda desse ano, façam jus às atitudes por trás dos eventos!
Falei apenas das prefeituras, porque não fiz nenhum trabalho no interior de Pernambuco, mas nem sei também se esse cachê de Olinda tem a ver com o governo (FUNDARPE e/ou EMPETUR).
Os dois trabalhos que fiz em Natal (RN), só recebi depois de 2 meses!
Parece que combinam, né?
Fica então registrado aqui no Blog que o Cachê Sapataria não morreu!!!!!
Continua vivíssimo!!
Só não sei por quanto tempo a turma da técnica sobrevive.
Um abraço a todos.

segunda-feira, 19 de junho de 2023

Dica dos Amigos 011 - Como conectar as mesas CL/QL com o laptop, via cabo de rede.

Olá pessoal.
Semana passada recebi um aviso que alguém tinha deixado um comentário numa postagem que eu fiz em 2016, falando sobre um erro que acontecia ao tentar abrir uma cena da CL no editor offline.
O comentário de Leovam nem era sobre a postagem, ele me perguntou se eu poderia explicar como era que se fazia para conectar a mesa CL da Yamaha com o laptop usando o cabo de rede.
Puxei pela memória e não me recordei de ter feito isso alguma vez, e fui até procurar no Blog.
Só encontrei postagens falando como seria essa conexão via cabo de rede com a M7CL e LS9, também da Yamaha.
Achei até que poderia ser do mesmo jeito para fazer essa conexão com a CL3 e CL5.
Como nunca tinha feito essa conexão, fui perguntar para um amigo que está em contato direto com CL.
Monteiro é o técnico responsável pelo som do Teatro RioMar Recife, além de ser operador de PA e/ou monitor de vários artistas.
Conversando com ele via WhatsApp, ele me explicou direitinho com se fazia.
E é muiiiiiito mais simples que a conexão com a M7 ou LS9!!!!!!
Nessa conversa, ele me falou que iria fazer um vídeo para que a explicação ficasse melhor.
Aproveitei essa ideia dele, e falei que iria aproveitar esse vídeo, colocando-o numa postagem do Blog falando sobre esse assunto.
É exatamente o que estou fazendo agora.
Tiraria a dúvida do leitor Leovam e de muitos outros que porventura não sabem também como se faz essa conexão.
Essa conexão é muito importante, porque é um modo de passar uma cena para a mesa, caso aconteça algum problema com a porta USB, que é onde colocamos normalmente o pendrive para transferir nossas cenas.
Por incrível que pareça, nunca precisei usar essa conexão via rede para transferir uma cena!!!
Mas é bom saber como se faz.
Fora isso, podemos usar essa conexão com o laptop via roteador sem fio.
Já fiz muito isso com a LS9 no FITO, operando os shows de Tom Zé, com a mesa no palco e eu lá na frente com o laptop via wireless em cima de uma bancada.
Já falei sobre esses shows do FITO aqui no Blog anos atrás. Só procurar.
Mas vamos voltar para o assunto dessa postagem, que é a conexão e sincronismo das mesas CL/QL com o laptop usando o cabo de rede.
Nesse caso é um cabo de rede normal, viu?
Com a M7 e LS9 era uma cabo CROSS, mas nem sei mais se é assim hoje em dia! (Risos)
Só lembrando que depois da conexão com a CL/QL, vem a parte do sincronismo.
Cuidado! Já apaguei mesa por causa disso.
Porque nessa etapa o programa pergunta se você quer sincronizar PC>Console ou Console>PC.
Para passar uma cena que está no seu laptop para a mesa, tem que escolher a opção PC>Console MAS tem que desabilitar a opção ALL LIBS, que quer dizer "Toda a Livraria".
Já falei também sobre esse assunto em textos passados, como esse AQUI de 2008!!!!
Bem...
Segue abaixo o vídeo produzido por Monteiro, onde ele explica como fazer a conexão do laptop com a CL/QL usando o cabo de rede.
Caso aconteça algum problema para ver o vídeo direto na postagem, podem ver também no YouTube, só clicar AQUI.
Com certeza essa dica do meu amigo vai ajudar muitos colegas e amigos do áudio.
Obrigado Monteiro.
Um abraço a todos.

quarta-feira, 31 de maio de 2023

Sade (Live Bring Me Home) - Um audiovisual de extremo bom gosto.

Olá pessoal.
Duas semanas atrás, exatamente no dia 18/05, encontrei esse show no YouTube.
Gosto muito de Sade Adu, conhecida pela maioria por Sade, uma cantora britânica que nasceu na Nigéria.
Fez muito sucesso nos anos 80, principalmente com a música Smooth Operator, mas sempre levei o som dela comigo, seja no HD externo, pendrive, e agora no Deezer.
Suas músicas sempre tocaram na Over Point da minha época.
Acredito que nesse dia 18 eu fui procurar algo dela no YouTube para acompanhar meu vinho Chileno.
Não conhecia esse show de 2011 (12 anos atrás!!), que foi gravado no Citizens Bank Arena, em Ontario (Califórnia).
Preparei os petiscos, enchi a taça, liguei minha caixinha Flip 4 da JBL na TV, e fui ver o show.
Excelente surpresa!!!
O show tem duas horas de duração, mas de tão bem feito, o tempo passa rápido.
Sempre com meu foco no SOM, fui me deliciando com o show.
A caixinha Flip da JBL, para mim, é uma grande opção para quem quer ouvir bem um som de um show ou filme.
A minha é a 4, mas acho que já está na 6.
Muito pequena, por isso muito fácil de transportar em viagens.
Ela é estéreo e tem entrada auxiliar, que é por onde ligo o som da TV, para não ter atraso entre som e imagem com uma ligação Bluetooth.
Potência sonora muito boa para o tamanho, perfeita para meu apartamento de 64 metros quadrados, ou qualquer quarto de hotel.
E qualidade sonora excelente, sem exageros em determinadas frequências.
Ótimo custo/benefício.
Normalmente não tenho o mesmo interesse pela imagem como tenho pelo som, por razões óbvias, mas...
Já no começo do show, comecei a prestar mais atenção nas imagens.
Palco absurdamente "clean" (limpo), e não lembro de ter visto um posicionamento dos músicos como o que feito nesse show. Como entram e como saem.
Chama a atenção!
E foi aí que o show ganhou mais beleza!
O som estava maravilhoso, mas as imagens também estavam.
Como gosto muito da cantora e de suas músicas, isso ajuda ainda mais numa avaliação positiva.
E ainda tinha o vinho para ajudar a amolecer uma opinião mais desfavorável! (Risos)
Embriagado (em todos os sentidos) pelo que eu estava vendo, comecei a mandar mensagens, indicando o show para colegas e amigos da profissão, principalmente iluminadores, porque achei a luz sensacional.
A primeira turma que me veio à cabeça foi o Estesia, aqui de Recife, que faz essa ligação forte entre som, luz e imagens nos shows que fazem.
Já operei o som de alguns desses shows, por isso a certeza dessa interatividade.
No dia, não pensei em falar desse show aqui no Blog, principalmente por achar que a garrafa de vinho pudesse ter interferido na minha avaliação.
E deixei o assunto de lado, porque também não tive nenhum retorno dos iluminadores, produtores e cantores que eu pedi para ver o show.
Vai ver foi a garrafa de vinho que amoleceu demais minha percepção, né?!
Mas...
Ontem eu recebo a mensagem de Carlos Filho, vocalista do Estesia, elogiando o show.
Ahhh. Se Carlinhos elogiou o show, é porque eu estava certo mesmo!
Já é um excelente aval para a minha opinião!
Ele é muito detalhista, perfeccionista, e de um gosto musical apurado e requintado.
Mesmo assim, resolvi ver novamente o show ontem, depois da nossa troca de mensagens.
E sem colocar uma gota de álcool na boca, só água.
Não teve jeito...
Continuei com a mesma opinião!
Todas as fotos vendo o show na sala são de ontem, logicamente.
Não tem garrafa de vinho na mesinha. Notaram? (Risos)
Por causa dessa força de ontem do cantor, escrevo esse texto hoje, indicando esse belo trabalho audiovisual, que eu já deveria ter indicado no dia após eu ter visto.
Não posso também deixar de comentar que o diretor do vídeo teve uma importância enorme para o excelente resultado final do produto.
No meu ponto de vista, ele conseguiu filmar e montar o vídeo com maestria, e conseguiu deixar o telespectador dentro do show, como se estivesse lá na Arena.
Mesmo que você nunca ouviu falar de Sade, e nunca ouviu uma música dela (o que acho pouco provável), veja esse show pensando num trabalho audiovisual.
Muito provavelmente, acredito eu, você deve achar que, pelo menos, é um trabalho charmoso, elegante, e de muito bom gosto.
Foi isso que senti nas duas horas de show!
Quem quiser ver esse show no YouTube, clique AQUI.
Um abraço a todos.

PS: Também não me recordo de já ter visto um artista reverenciar seus músicos como Sade fez nesse show!

segunda-feira, 29 de maio de 2023

Over Point - O mérito é todo seu!

Olá pessoal.
Vou me tornar repetitivo aqui nos textos sobre a Over, pois sempre vou afirmar que ela sempre esteve à frente do tempo na época, pelo menos no tempo em que eu estive lá.
Esse caso nunca vou esquecer.
Tecnologia sempre foi o forte da boate.
No final dos anos 80, a boate possuía equipamentos próprios para a música ao vivo.
Tinha mesa de 16 canais, microfones, monitores, processador de efeito...
Tinha duas máquinas de efeitos!!!!
Um Quadraverb da Alesis e um SPX 900 da Yamaha. Não tenho certeza se era um SPX 90 ou 900.
Uma eu usava nas peças da bateria e percussão, e o SPX usava nas vozes e/ou na guitarra.
Meu sobrinho JR era (ainda é) muito ligado nesse lance de tecnologia, e sempre teve naquela época a assessoria de Luizinho Referência nas questões relacionadas ao áudio.
Quando saímos da mesa de 8 canais da Staner para a de 16 da Alesis, foi indicação de Luizinho.
Ele deu várias indicações, e sempre foi o responsável pela o alinhamento do som e também pelos projetos de caixas e sistemas de amplificação a serem utilizados.
A mesa da Alesis era mais dura que uma rocha, operacionalmente falando, mas tinha 16 canais!!!!
Um luxo para uma boate naquele tempo!
E eu lá... Aprendendo na marra!
DJ operar som ao vivo de boate? Jamais. Não lembro de outro fazer isso aqui em Recife naquele tempo.
Seguindo esse padrão da tecnologia, meu sobrinho deu a ideia de instalar uma antena parabólica na casa.
Pra que?
Para poder pegar o sinal da MTV, que era gerado no sudeste, e não chegava aqui em Recife!
Esse sinal ia para o equipamento do Bar Ponto de Encontro, onde eu passava tardes e mais tardes das minhas folgas gravando fitas de vídeo com a programação da MTV.
Enquanto eu gravava, acompanhava o que estava rolando na música pelo mundo.
Com essas gravações "brutas", eu escolhia clipes que achava interessante e montava (editava) as fitas de vídeo que seriam passadas no bar.
Não sabia naquele tempo, mas eu estava fazendo a tão famosa "playlist" dos dias atuais, só que manualmente.
Com essa gravação do Ponto de Encontro, levava o videocassete lá para a boate, fazia a conexão com o vídeo de lá e saía editando...
Usava a velocidade mais lenta (EP) para gravar na outra fita, conseguindo assim muito mais tempo de clipes.
Acho que na velocidade EP, se conseguia 4h de clipes.
Não me recordo, mas era capaz de eu ter usado a velocidade EP também para gravar as fitas brutas no Ponto de Encontro.
E não é que toca aleatoriamente aqui Losing My Religion no meu Deezer?!?
Esse texto é exatamente para falar sobre essa música!
Numa dessas várias gravações e edições de fitas de vídeo, usando os clipes da MTV, me deparei com a banda R.E.M. cantando Losing My Religion.
Achei muito legal!!!
Não me recordo porque não levei o clipe para tocar na boate...
Não sei se só vi uma reportagem na MTV sobre a música da banda... Acho que sim.
A música não combinava com a boate. Era fato.
Era muito fora do perfil dela, mas eu adorei a música!
Minha recordação já pula para um dia onde eu estava com DJ Érico numa loja de discos importados, tentando achar músicas para tocar nas boates onde a gente trabalhava.
Ele era DJ de outra boate.
Era a loja de Flávio Galetinho, que ficava em Boa Viagem.
Uma loja especializada para DJs, trabalhando basicamente com discos importados, onde cada disco só tinha uma música, com várias versões.
O chamado "Remix" de 12" (doze polegadas).
Nessa procura por músicas, me deparo com o remix de Losing My Religion da banda que eu vi na MTV!!!!
Que massa!!! Uh uhhhh!
Achei a música!
Mostrei todo animado o meu achado para Érico, falando que eu iria tocar a música na boate.
Ele perguntou se eu tinha endoidado, porque a música não tinha nada a ver com a casa.
Ahhh, que se dane!
Achei a música massa, e vou tocar lá, falei pra ele.
Ok... Tu que sabe... Falou ele.
Levei o disco.
Logicamente, por estar bem fora do perfil da Over Point, meu sobrinho também não gostou.
Mas vamos tentar, falei pra ele... Vamos tentar.
Ele não mudou muito de ideia não, viu? (Risos)
Mas o disco estava na cabine.
Vou esperar uma oportunidade boa para tocar.
Como eram essas oportunidades para lançar músicas novas?
A gente esperava o salão estar completamente lotado para jogar a música nova.
Mesmo sem o aval do meu sobrinho, escolhi uma hora para fazer isso.
Salão lotado, animação...
A gente tinha uma vinheta com o nome Over Point cantado por Robson Ricardo.
Robson era a voz mais conhecida nas rádios da cidade, porque ele cantava muitos jingles publicitários, incluindo o famoso jingle do Hotel Jardim, que na realidade era um Motel.
Quem mora aqui em Recife, nunca esquece esse jingle.
Tocava muito.
Pois bem...
Com o salão cheio, faço o corte na música que estava tocando, jogo a vinheta e solto a introdução da música da banda... 
Tan nan nan nan nan... (Lembram?)
E...
Parecia que tinham jogado uma bomba no meio do salão!!!!
Nunca esqueci da cena!
Só ficou UM casal no meio do salão dançando!!
Será que o casal soltou um "peido" na hora e eu não fiquei sabendo? (Risos)
E foram os dois que soltaram ao mesmo tempo, pois um peido só, não causaria toda aquela correria.
Nunca vi um "êxodo dançante" tão grande!
Logicamente, levei o maior "esporro" do DJ principal da Over, meu sobrinho.
Eu entendi perfeitamente o desgosto dele, pois foi uma debandada que a gente nunca tinha visto ali.
Eu entendi, mas ainda apostava na música.
E estava disposto a tentar outras vezes, sempre esperando um salão lotado para poder encaixar a música.
Na segunda tentativa, o salão secou de novo, mas bem menos!!!
Acredito que uns 7 casais ficaram no salão...
Devo ter levado outro esporro, não lembro.
Mas fui tentando... Sempre usando a mesma técnica... Salão cheio, música, salão cheio, música...
E as debandadas foram diminuindo... Até chegar num ponto que já era uma música que daria para tocar em quase todas as noites.
Foi aí que ela começou a tocar nas rádios locais!!!
Aí veio a compensação de tantos salões esvaziados...
À partir desse dia, se a gente não tocasse toda as noites, apanhávamos dos clientes!
Sucesso total!
Numa dessas noites, eu estava na frente da cabine, observando o movimento, vendo o pessoal dançar... E meu sobrinho estava comandando a noite naquela hora.
A gente revezava durante a noite, o que era muito bom, porque cada um tinha um jeito de "tocar".
Isso foi antes da reforma da casa, acredito que em 1991, e a boate era bem pequena.
Meu sobrinho estava na cabine, e bateu no vidro me chamando a atenção.
Olhei pra ele, que estava me chamando.
Entrei na cabine e perguntei o que ele queria.
Ele me passou o fone, apontou para o disco que estava pronto para ser tocado, e falou: --- R.E.M..
E eu retruquei: --- Sim. Certo, ok. O que é que tem? 
E ele completou: --- Pode colocar. O mérito é todo seu!
Achei muito legal a atitude dele.
Peguei o fone, e coloquei a música para tocar, do mesmo jeito que fiz na primeira vez, cortando e colocando a vinheta.
Só que agora, eu já sabia qual seria a reação do público!!!!
Era assim que funcionava a cabine da Over Point!!!
Lembro que não gostei de Pump Up The Jam da banda Technotronic, quando estava escutando os discos novos na cabine da boate num dia de folga.
Achei que não iria dar certo.
Agora foi eu quem achou que não era o perfil da boate. (Risos)
Mas JR gostou.
E tocou. E deu no que deu.
Gosto da R.E.M. até hoje.
Tanto que a banda está na minha lista de favoritos no Deezer.
Technotronic também.
E Losing My Religion toca até hoje!
Como Pump Up The Jam também!
Um (Over) abraço a todos.

quarta-feira, 24 de maio de 2023

Johnny Hooker no Armazém 14 - Tirando Jeri, foi tudo dentro do esperado para mim.

 

Olá pessoal.
O show de Johnny Hooker no Armazém 14 seria minha despedida dos shows, não sabia por quanto tempo, mas seria o último.
Seria mesmo? Não foi.
Explicação mais na frente.
Esse show aconteceu no sábado passado, dia 20.
Cheguei bem cedo ao local do show, para adiantar as ligações dos in-ears, e de tudo que eu pudesse adiantar.
Um Amigo técnico me alertou, por causa de experiências anteriores, que era muito provável eu encontrar problemas com os equipamentos da empresa de som.
Já fui preparado.
O sistema de in-ears foi alugado por fora.
O cantor e a maioria da banda usariam in-ears.
Menos riscos.
Caixas de monitor para o guitarrista, para a baterista, que usaria junto com o in-ear, e para o tecladista, que seria apenas para ser ligada se tivesse alguma bronca com o in-ear.
Essas caixas estavam falando até legal!
Menos um problema.
A baixista usaria apenas o in-ear, como Johnny Hooker.
Chequei o som do side e estava soando bem também.
Quando eu estava ligando o sistema de in-ears, todos com o mesmo ajuste de nível de entrada de sinal, me deparei com um sinal absurdamente alto numa das bases. 
Essa base estava, como falei, com o mesmo ajuste de nível de entrada, que deixei em -3dB.
Para testar, tirei os cabos da saída extra 3/4 do Slot 1 da mesa de som, e coloquei os cabos de envio para outra base dos in-ears, e vi que o mesmo sinal muito alto também apareceu na outra base.
Ou seja... O problema era na saída extra 3/4 da mesa.
Por que extra?

A mesa M7CL da Yamaha vem com 16 saídas físicas (analógicas) atrás dela.
Mas o proprietário pode expandir essas saídas, comprando placas de expansão (entradas/saídas), que são colocadas em 3 Slots, podendo fazer mais 12 saídas analógicas.
Nessa mesa do show, tinha duas placas de saídas extras instaladas.
Cada placa com 4 saídas. Foto abaixo.
O problema apareceu na saída 3/4 da primeira placa.
Como não achei nada nas configurações internas da mesa que poderiam estar causando o problema, resolvi escolher outras saídas da mesa para enviar os sinais para a base.
Escolhi duas saídas nativas da mesa, que já vem nela.
Ao fazer isso, resolvi meu problema, e os sinais chegaram com o mesmo nível das outras bases.
O problema realmente era na saída 3/4 da placa de expansão.
Tudo ligado e checado, só me restava esperar pela banda, que viria direto para passar o som e ficava no camarim aguardando a hora do show.
Antes de Johnny iria ter uma DJ, e depois teria outra banda, que não iria passar o som.
Massa!
Os nossos equipamentos não seriam desligados e/ou desmontados!
Menos outro risco!
Os riscos foram diminuindo. Notaram?
Acho que meu Amigo técnico vai errar no prognóstico que deu, pensei.
(Prognóstico: Ação que, se pautando em dados reais, indica o que poderá acontecer.)
A mesa M7CL da Yamaha já é famosa por problemas.
É uma mesa antiga muito boa, mas sem uma manutenção constante, esses problemas aparecem "com força"!
O mais famoso deles é o "fader maluco", onde esses faders assumem vida própria, subindo e descendo sem a gente tocar neles.
Ou seja...
Podem acabar com o trabalho do operador de áudio e/ou podem até acabar com o show, dependendo da quantidade de faders com essa "doença".
Dei uma testada rápida antes do soundcheck e notei o problema em apenas um fader.
Fiquei de olho nele, e se o problema continuasse, eu teria que escolher outro fader para controlar o canal do instrumento.
A banda chegou e começamos com o soundcheck.
Foi tudo seguindo normal.
Inclusive, o fader nem deu mais problemas...
Eita. Legal.



Usei uma cena do show anterior que eu fiz com Johnny Hooker, meses atrás aqui em Recife.
Essa cena era de outra mesa da Yamaha, a CL5, mas a gente tem um conversor de cena que ajuda bastante no trabalho.
Converti a cena da CL5 para a M7CL.
Nessa conversão, algumas coisas são perdidas, mas a maioria dos ajustes são convertidos.
E no show anterior, a baixista não usou in-ear, e também seria outro baterista nesse show.
Mas a formação da banda seria a mesma.
Só teve o acréscimo de 3 canais extras de instrumentos, em relação ao show que eu fiz anteriormente.
Para não prejudicar a cena da mesa, colocamos esses canais extras no final, depois de todos os canais.
Então todos os outros canais estariam com os ajustes do show anterior, incluindo o envio para os monitores dos músicos.
Mesmo sendo outro músico na bateria, ela pediu para deixar a mixagem que eu tinha feito para o baterista do show anterior no fone dela, e a gente ia ajustando as coisas.
Foi assim que eu fiz, e deu super certo.
Tava indo tudo bem, até que apareceu um ruído no meu ouvido enquanto ouvia as vias dos músicos, e fui tentar achar de onde vinha os estalos.
Não era um ruído contínuo, aparecia de vez em quando, mas se aparecia em todas as vias dos músicos, era algum canal que estava indo para todos.
Achamos!!!
É no canal da guitarra!
E depois de alguns testes, descobrimos que o problema era no amplificador, que estava dando estalos.
Como o som desse amplificador, que era microfonado, ia para todos os músicos, todos eles escutavam os estalos.
Já estávamos no final do soundcheck, e mostramos o problema para os técnicos da empresa.
Só que... Não tinha amplificador de reserva!
Só depois do show, o guitarrista me falou que tinham comunicado pra ele que o amplificador seria trocado. Ele me falou isso no camarim, depois do show! (Risos)
Na hora do show, quando anunciaram: --- E com vocês, JOHNNY HOOKER!!!
Cadê o som da guitarra?
O amplificador morreu!
Morreu mesmo. Nem som tinha mais!
Corre pra lá, corre pra cá, tenta ligar o amplificador, nada de sinal!
O problema não é nos pedais do guitarrista! Simplesmente o amplificador morreu!
E agora?
Não tem outro amplificador.
Vamos ter que usar em LINE (linha)!
Não tem outra solução.
Usa o canal do Violão 2, que não vamos ter hoje, falaram.
Não!! Vou usar o mesmo canal da guitarra, que já está endereçado para todos os músicos!
Despluguei o cabo do microfone que estava pegando o som do amplificador, liguei num DI (Direct Injection ou Direct Box), e liguei o cabo que saía dos pedais do guitarrista no DI.
Ok, agora é só eu ajustar o ganho, que a guitarra já está indo para todos.
Começamos o show assim!
Mas deu certo.
Durante o show, fazendo os ajustes normais de uma monitoração, notei que o reverb aumentava sozinho em algumas vias.
Lembrei do fader louco!!!
Mas não notei que esse fader da volta do efeito estava louco.
Selecionei o canal do efeito, e foi quando notei na tela da mesa, o botão (knob) da mandada para a via girando sozinho!
Vixe!!
Não lembro de já ter visto isso. O botão girar sozinho.
O normal é o fader mexer sozinho.
A mesa estava com alguns "probleminhas"...
Aprendi mais uma!!
Meu Amigo do prognóstico acertou.
Fora esses probleminhas do amplificador e da mesa, deu para chegar até o final do show com uma certa tranquilidade.
Alguns pedidos normais dos músicos durante o show.
Nenhuma microfonia, o que é muito importante.
Para ser sincero, já peguei vários equipamentos de som com muito mais problemas do que esses do  show de sábado!
Nenhum pedido do cantor durante todo o show...
Eu vou até perguntar a Júnior "Bokaum", produtor técnico, se Hooker falou algo pra ele sobre o monitor, pra saber onde acertei ou errei.
Mas no contexto geral, acho que foi tudo dentro do que eu imaginava.
Vídeo produzido por @golarrole. As imagens do vídeo foram feitas durante o evento.

Mas vamos para a parte que fugiu completamente do esperado... Pelo menos pra mim!
Mas não foi no show. Aconteceu dois dias depois!!!!
"PS2: Acabo de fechar o trabalho no Ceará. Terça-feira viajo para Jericoacoara.
Mudança profissional mais radical da minha vida. Depois conto a história."
Lembram desse PS2, no final da postagem anterior?
(P.S. = Post Scriptun, Pós Escrito. Indica algo que o autor julga necessário acrescentar a um texto após o seu encerramento.)
Uso muito o termo PS no final dos meus textos.
Usei esse PS seguido do número 2 no texto anterior, porque era minha segunda observação.
Pois é...
Não deu certo essa observação do texto anterior.
Estava tudo fechado naquele momento, porque recebi a ligação do contato do hotel confirmando, enquanto eu encerrava o texto. Por isso entrou como PS. O texto já estava finalizado.
Eu iria operar o som do hotel, principalmente nas festas que acontecem de quarta à domingo, das 16 às 22h.
Folga na segunda e terça.
Eu ia morar no hotel, num quarto ao lado do escritório, que fica atrás do hotel.
As festas acontecem numa cobertura, num telhado.
Pelo que eu vi em vídeos, a área é descoberta, então se chover não tem festa.
Mas acho que não deve chover lá durante muitos dias, né? (Risos)
Basicamente era operar o som para DJs, onde alguns utilizam percussão, violino, sax ou um violoncelo nas apresentações.
Não tem show com bandas, com bateria, baixo, guitarra, teclado, vocais etc...
Era isso que eu estava sabendo.
Eu já vinha acertando os detalhes com o hotel muitos dias atrás.
Acho até que mais de 30 dias.
Fui indicado para esse trabalho por Dérick, técnico aqui de Recife, que agora está morando em São Paulo, e que já fez esse trabalho no hotel em Jeri anteriormente.
O contato do hotel, depois de várias conversas anteriores, me ligou na sexta-feira pra me perguntar se eu poderia finalmente ir para lá na segunda-feira.
Falei que eu tinha um show no sábado (esse de Johnny), e que precisava tirar os pontos da extração de um dente na segunda-feira, e ele falou que ficaria então para a terça-feira essa minha ida.
Ok, falei pra ele. Tudo certo.
Na segunda, enquanto aguardava o atendimento na clínica odontológica, ele me manda mensagem no WhatsApp e pergunta se está tudo certo para minha ida no outro dia.
Falei que sim, que eu estava aguardando somente ele me passar a passagem com o horário.
Foi aí que veio a surpresa!
Ele perguntou se eu não sabia chegar lá, e se eu nunca tinha ido à praia famosa.
Ele queria que, teoricamente, eu "desse meu jeito" para chegar lá.
Respondi a mensagem falando que eu nunca tinha ido à Jericoacoara, mas não era esse o problema para mim, e sim arcar com as despesas pra chegar lá.
Fiquei de ligar para falar diretamente com ele, depois do atendimento para retirar os pontos.
Liguei.
Era isso mesmo que eu tinha entendido.
Era para eu arcar com meu deslocamento até o hotel em Jeri.
Não aceitei.
Falei que isso não era o normal.
E ele foi falar com o chefe dele sobre o assunto, dizendo que entrava em contato mais tarde.
Me ligou no final do dia e falou que realmente não daria para o hotel arcar com esse translado.
Ok então, falei.
Job cancelado!
Agradeci pelo contato, e encerramos a conversa.
Fui até comprar mais mantimentos, porque deixei tudo chegar no finalzinho prevendo essa viagem.
Não toquei no assunto do meu translado para o hotel nas conversas com o contato, mesmo eu achando estranho ele não falar nada sobre isso, porque pra mim é muito normal o contratante arcar com essa despesa. Nem passou pela minha cabeça atitude diferente.
Aprendi mais uma!!
Era até capaz de eu aceitar ir de ônibus, mas nem isso ele ofereceu.
E nem eu pensei em oferecer!
Eu pagar? Isso eu tinha certeza que não iria fazer, independente do meio de transporte.
Logo após nossa conversa sobre o cancelamento do trabalho, liguei para a produção de uma banda que tinha me convidado para um trabalho em junho, e eu tinha negado por causa da viagem para Jeri.
Consegui ainda pegar esse trabalho, e tinha outra data em junho com a mesma banda.
Ok, agendado os dois shows!
Também informei todos meus amigos do ramo que a viagem foi cancelada, pois todos eles estavam cientes dessa minha mudança de Estado.
"Estou na pista" novamente! Falei para todos.
Foto by @golarrole.
Um abraço a todos.

quinta-feira, 18 de maio de 2023

"Decibelimetricamente" falando, está complicado fazer shows em Recife.

 

Olá pessoal.
Estou quase indo morar em outro Estado, mas deixa eu fechar o trabalho que eu aviso aqui.
Enquanto não vou, continuo fazendo meus trabalhos, e no fim de semana passado fiz dois.
Um show de Otto na La Casa, e um show de Nena Queiroga & Ylana no Plaza Shopping.
Ambos aqui em Recife.
E atualmente posso afirmar que não foi um coincidência o que aconteceu nos dois shows.
Dois shows completamente diferentes, em lugares diferentes, com bandas diferentes, mas com um ponto em comum, que está cada vez mais comum de acontecer aqui em Recife.
O que?
O nível sonoro do show tem que ser baixo!!!
Esse problema com o nível sonoro nas casas de shows aqui em Recife está crescendo de uma forma, que daqui a pouco não tem lugar pra fazer um show com um "som" decente.
No primeiro contato que eu fiz com os técnicos das empresas que iriam sonorizar os shows, a questão do nível baixo do som no ambiente já foi informado.
Vou falar de cada show separadamente.
Otto - Soundcheck - La Casa.

O de Otto aconteceu na La Casa, um casarão muito charmoso numa avenida movimentada de um bairro nobre de Recife.
Um jardim enorme, com várias mesas, cadeiras e guarda-sóis.
Lugar muito bonito!!!
Pelo que entendi, o local é (ou era) um restaurante/cafeteria, e pode ser locado para eventos, como acho que foi o caso desse show de Otto.
Pela foto abaixo, vocês vão poder ter ideia do problema.

O local do show foi montado nesse terraço no final da escada.
Foi colocado uma coberta nesse terraço, onde o mini-palco ficou no lado esquerdo, e a mesa de som no lado direito.
Na foto ainda dá para ver os vários prédios ao redor do casarão, né?
Aí começava a bronca.
E ela foi maior, porque o show de Otto não foi voz e violão.
Em shows mais "calmos", sem instrumentos de percussão e nenhum amplificador de guitarra e baixo, o trabalho para deixar num nível sonoro que agrade a todos (proprietários, clientes e vizinhos) é bem mais fácil.
Mas num show como o de Otto, fica complicado.
E olhe que só foi um guitarrista!!! Normalmente são DOIS!!!!!!!
Com dois amplificadores potentes!
Nesse show, não tinha tanta diferença para o show que ele fez no carnaval na Praça do Arsenal.
Foi só um guitarrista a menos, e algumas peças de percussão que não entraram.
E só!
Então, só o som que vinha do mini-palco já estava bem acima do que era permitido (ou esperado) pelos proprietários da casa.
Fora os instrumentos percussivos (bateria e congas), fora os amplificadores de guitarra e baixo, ainda tinham 4 caixas de monitores no palco, para Otto e dois músicos escutarem suas vozes.
Vou resumir...
Não tinha como ajustar o nível sonoro desse show para o que eles queriam.

Um dos grandes problemas que vejo nesses meus trabalhos, é que os proprietários das casas noturnas acham que todo show é igual, que podem ter o mesmo nível de pressão sonora.
Projetam a casa para shows de voz e violão, e colocam (ou aceitam) shows de rock!
Pra ser sincero, esse projeto do som nem existe na grande maioria dos espaços que vão utilizar música ao vivo.
Aí, não tem como dar certo!!!!
Fiquei sabendo que no Abril Pro Rock desse ano, que aconteceu no Clube Português, foi exigido 70 dB (decibéis) como limite sonoro do PA (caixas direcionadas ao público).
Comecei a rir quando vi o aviso. (Foto no início dessa postagem)
Não tem como um show de rock ficar nos 70 decibéis!!!!!!!!
Só o baterista tocando no palco, sem o som da frente (PA) ligado, já passa desse nível para quem está no ambiente do show!
Nem sei como resolveram isso lá...
Não sei também como tem shows grandes no Clube Português com aquele prédio do outro lado da rua!!!! E vários outros prédios ao redor do local. Não tem como o som não chegar num nível incômodo nas residências ao redor do clube.
No meu caso, durante o show, fui baixando várias vezes o máster da mesa à pedido da produção da casa, até chegar perto de MENOS 10 dB.
Baixar 10 dB, é baixar MUIIIIIIIIIIIIIITO.
Ao chegar nesse ponto, falei que não tinha mais como baixar o volume geral.
Era o máximo que eu poderia chegar naquele show.
Falei que para baixar mais, eu iria cortar todo o som da frente, e ficaria só o som que estava vindo do palco.
Deu para ficar nesse nível durante todo o show, mas sempre quando a dinâmica da banda mudava para cima, chegava gente no meu lado.
Já perto do final do show, chegou alguém do meu lado com o celular me mostrando uma foto de grupo de WhatsApp de algum morador do entorno reclamando do som.
Mas deu para ir até o final do show.
Já guardando meus equipamentos, enquanto tocava uma playlist do laptop da casa, o mesmo rapaz chegou de novo na mesa de som para solicitar que cortasse todo o som, pois agora a polícia estava na frente do estabelecimento! (Nem vou rir...)
Quase impossível agradar todas as partes. Eu reconheço.
Deixei num nível aceitável para o público que estava no local, mas mesmo assim era muito para os moradores.
Como falei, só voz e violão para não ter problemas com a vizinhança.
E como o espaço é todo aberto, até com voz e violão complica, dependendo do horário.
Já estou pegando trauma com polícia chegando nos meus trabalhos.
Esse foi o segundo caso, mas sei que o problema não sou eu.
O problema é onde essas casas de eventos são montadas, como são montadas, e quais os estilos musicais que são escolhidos para serem executados nesses ambientes.
Vamos agora para o show de Nena Queiroga & Ylana...
Show Nena Queiroga & Ylana. (Foto by @paulamaestrali)
Muito legal o espaço montado numa área externa do Plaza Shopping.
Ambiente charmoso e arejado, com mesinhas e cadeiras, quiosques com comidas e bebidas.
Palco legal para o tamanho do ambiente.
Poderia ter mais equipamentos de som, principalmente no PA, que poderia ser o dobro de caixas pelo tamanho do ambiente, mas... Eu já sabia que tinha problema também com o nível sonoro.
Fiquei sabendo que houveram alguns problemas no dia anterior com o AC, e que acabou aparecendo no meu soundcheck, mas conseguiram resolver.
A mesa de som também foi trocada por causa de problemas no dia anterior.
Usei a Ui24 da Soundcraft, que eu só tinha usado duas vezes na minha vida, mas não foi complicado usar as funções, depois da breve explicação do proprietário da empresa de som.
Eu já sabia que existiam os mesmos problemas com a vizinhança como no show de Otto.
Passei o som normalmente pela manhã, e comecei o show à tarde, esperando para ver se iria aparecer o pedido para baixar o som.
Mas não chegou pedido algum!!!
Passeando pelo lugar durante o show, achei que estava boa a cobertura sonora, mesmo eu indo até o final do espaço.
E lá no final, colocaram uma caixinha de reforço sonoro, que era a cópia do som do PA.
Aí tudo ficou bem justinho, onde todos da plateia estavam escutando tudo confortavelmente.
Era outro espaço, bem maior que o terraço do show anterior, era outro show, outro estilo de música... Não era show de rock com guitarras distorcidas!
No show de Otto, o público estava praticamente dentro do palco!
O nível sonoro que vinha do palco de Nena Queiroga não chegava perto do que vinha do palco do show de Otto no terraço da La Casa.
Então foi bem mais fácil juntar o som do palco com o som da frente, deixando confortável para o público e para a vizinhança.
Uma observação... Os dois shows começaram cedo e acabaram cedo, não chegando perto das 22h, principalmente o de Nena Queiroga.
Isso já foi uma grande ajuda.
Show Nena Queiroga & Ylana. (Foto by @paulamaestrali)
Se eles tivessem começado depois das 22h, onde o nível de ruído vindo das ruas (carros e transeuntes) diminui absurdamente, tudo seria mais complicado.
Depois desses shows, conversei com vários colegas e amigos de profissão sobre os problemas com o nível sonoro nos eventos em Recife.
E são muitos fatores envolvidos, que deixam tudo mais complicado.
Muitos reclamantes e reclamados não entendem das leis do município, e alguns estão até acima dessas leis, principalmente os reclamantes.
Muitos reclamados não se importam com o tratamento da casa para shows ao vivo ou música mecânica, não sabendo nem a diferença entre tratamento acústico e isolamento acústico.
Muita residência foi construída ao redor depois da casa de eventos.
E muitas casas de eventos foram abertas no meio de residências, utilizando o espaço já construído sem fazer adaptações para execuções sonoras no ambiente.
São muitos pontos envolvidos, e pela nossa conversa no grupo de áudio do WhatsApp, vai ser difícil chegar num consenso.
Já deixei de fazer um trabalho com uma banda, porque vi que seria uma "novela" o lance do nível sonoro quando conversei com o técnico responsável pela sonorização do evento.
O show seria na casa Di Branco, no bairro da Torre (Recife), já famosa pelos problemas com o nível sonoro.
O mesmo problema... Montam a casa para grandes festas de casamentos e aniversários num bairro residencial, onde vão utilizar música mecânica (DJ) ou bandas ao vivo, mas não fazem um estudo antes para o bom uso dessas atrações musicais.
Eu estou deixando de fazer o trabalho, sou doido mesmo.
Liso mas feliz.
Na Di Branco ou na La casa, só volto se for show de voz e violão. (Risos)
O complicado é: Para o vizinho que está reclamando, a culpa é sempre da casa de eventos, independente das leis, e o proprietário do estabelecimento tem a certeza ABSOLUTA que a culpa é do técnico da banda!
Como trabalho com som, sei perfeitamente o quanto um som externo pode atrapalhar a vida de uma pessoa dentro da sua casa.
Já passei por uma situação, morando num apartamento, onde minha varanda dava para uma rua onde tinha uma casa que usava a calçada como lava-jato.
Era o dia todo ouvindo o som contínuo da máquina de jato d'água na lavagem, que se juntava com o som do aspirador de pó gigante em determinadas horas.
Eu tinha que fechar a janela da varanda para poder ouvir o som da minha TV.
Com a janela aberta era impossível!!!
Sei o quanto o som pode incomodar. Sei disso.
E numa análise particular (não sou o dono da verdade), numa escala de culpa, do menor para o maior culpado pelo problema, eu colocaria:
1- O vizinho. 2- O técnico (operador) do artista. 3- O proprietário da casa de eventos.
Acho que o maior responsável pelo problema é o proprietário da casa de eventos!
Se a casa não tem tratamento e/ou isolamento acústico para eventos sonoros no seu interior, só aceite shows que se adaptem ao local.
Não queira fazer um filme de Spielberg com um orçamento de Jaspion!!!
Decibelimetricamente falando, não vai dar certo nunca!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Um abraço a todos.

PS: O resultado dos dois trabalhos foi massa! Mesmo com as limitações. (E do carro da polícia chegando no final!)
PS2: Trabalho fechado no Ceará. Terça-feira viajo para Jericoacoara.
Mudança profissional mais radical da minha vida. Depois conto a história.