quarta-feira, 18 de junho de 2008

Forrocaju – Pense numa correria!


Olá pessoal.

Já estou em casa depois de nove horas de avião da Europa até Recife, aonde já tinha um ônibus esperando a gente para seguir direto pra Aracaju. Foram mais umas oito ou nove horas pra chegarmos lá, pois o ônibus apresentou um defeito e tivemos que esperar estacionado na saída de Recife. E Levei quase dez horas pra chegar em casa vindo de Aracaju. Pegamos um engarrafamentozinho na entrada do Cabo de Sto Agostinho e o ônibus foi deixando o pessoal pelo caminho, aonde eu fui o último a ser despachado na guarita do meu prédio, com um monte de equipamentos, pois já temos show na quinta-feira, dia 19 em Carpina – Pernambuco. Resumindo... Estou um pouquinho quebrado.

Chegamos em Aracaju, direto de Paris, no começo da madrugada do dia do show, na segunda-feira. Era uma hora da manhã e eu estava completamente desorientado por causa do fuso horário. Já tinha dormido no avião e no ônibus, mas ainda estava com sono, ou seria o cansaço? Não sei. Só sei que fiquei ainda na internet falando com os amigos e ainda precisava fazer uma sessão do show no meu laptop para a mesa digital. Quando acabei de fazer a sessão, era bem pertinho das 5 horas da manhã. Fui dormir e só acordei ao meio-dia para almoçar e esperar a hora do sound check. Mário Jorge (trabalha com Elba Ramalho) que faria o monitor no lugar de Normando, ainda não havia chegado, pois ele não pode vir com a gente no ônibus e ficou responsável em arranjar um meio de chegar lá sozinho. Conseguiu chegar antes de sairmos para o sound check, que foi marcado para as 16h e combinamos que chegaríamos duas horas antes para armar logo nossos equipamentos. E foi assim que fizemos. Como o problema com a nossa mesa de monitor ainda não foi resolvido, usaríamos a mesa do evento, que seria uma digital também. Normando passou para Mário Jorge a cena gravada num pendrive de um show anterior de Silvério em que usamos uma mesa igual e isso facilitou bastante o trabalho de Mário. Estávamos ligando os equipamentos, quando surgiu a possibilidade de Silvério Pessoa não conseguir chegar a Aracaju, pois ele ficou em Recife quando chegamos de Paris e não estava conseguindo chegar ao aeroporto, porque chovia muito em Recife, e quando chove muito em Recife, não conseguimos nos movimentar, a não ser que você use um caminhão ou um jet sky!



Detalhe de Mário Jorge ligando os nossos monitores.





Realmente ele perdeu o vôo, e decidimos passar o som sem o cantor mesmo. Como já tínhamos uma cena feita, Mário Jorge só precisou fazer alguns ajustes no fone dos músicos e no in-ear de Silvério, pois tudo já estava mais ou menos endereçado. Pra mim não seria tão difícil também, pois passei toda banda e era só encaixar a voz na hora do show. O problema é que os dois canais de voz de Silvério não chegaram legais pra mim lá na frente, e resolvemos fazer um split (separação) na voz. Pegaria o sinal limpo da voz de Silvério sem passar pelo Kaos Pad (equipamento que ele usa para processar efeitos na voz). Depois de feito isso, a voz chegou legal pra mim. Salvei a sessão da mesa no meu laptop e o técnico da empresa de som salvou a cena na mesa e a sessão no laptop dele. Prevenir nunca é demais!

Ah! Esqueci de falar que a sessão que fiz no hotel no meu laptop não serviu de nada, pois o software da mesa era versão 2 e eu fiz minha sessão usando o editor da mesa na versão anterior. Vou ter que andar com sessões para as duas versões da mesa. A mesa não consegue ler uma sessão feita na versão antiga.

Fomos para o hotel esperar pela hora do show, que ainda dependia da hora que o cantor iria chegar, pois a única solução encontrada foi ele vir de carro de passeio mesmo!



As duas mesas digitais do P.A.
Usei a da direita, mas as duas são iguais.




Na programação, éramos a segunda atração e entraríamos às 23h. Como houve um pequeno atraso de meia hora na primeira atração, deu para Silvério chegar, e ele foi direto para o palco enquanto religávamos nossos equipamentos. Fui para frente para colocar minha cena na mesa e checar se estava chegando tudo certinho e após conferir tudo, começamos! O show transcorreu sem anormalidades. Só notei um “hummmm” na região dos graves que descobri durante o show que vinha do canal de guitarra. Ele só era percebido quando a banda parava. Comuniquei ao pessoal do palco este problema, mas como não conseguiram solucionar, fiquei o tempo todo fechando o canal da guitarra quando a banda parava. Restava saber como tinha sido lá no palco. No camarim, conversamos.

Pra Silvério, foi tudo perfeito. O baterista, Ricardinho (que estava fazendo o primeiro show de Silvério substituindo Augusto que ficou na Europa para tocar com a Spok Frevo Orquestra), me contou que na última música Wilson, nosso percussionista, bateu com o pé nas tomadas de AC e desligou a monitoração. Ele tocou toda música sem ouvir nada dos outros instrumentos, a não ser o que vinha do som do P.A.. Como era a última música, ele relaxou. E André que toca acordeão também teve problemas com seu monitor. Ele me falou que o amplificador do fone que fica na cintura caiu, e após a queda ele parou de funcionar. Não lembro se ele me falou em qual parte do show aconteceu isso.
Visão geral do espaço aonde é feito o Forrocaju. No centro, a House Mix, aonde está o controle do som que vai para o público e das luzes do palco.


É... Foi um corre-corre, mas no geral, deu tudo certo.

Fui elogiado pelo som por uma pessoa que estava na House Mix (aquela casinha que fica na frente do palco e onde está o controle geral do som e da luz de um show), mas não achei que tive o mesmo resultado de Paris, por exemplo. Não achei tão redondinho o som. Mas esse é um defeito sério que tenho, e que talvez até me ajude na profissão sem eu saber. Tenho uma autocrítica muito forte e tento sempre melhorar.

Um abraço a todos.

sábado, 14 de junho de 2008

Show em Paris – Um dia da caça, outro do caçador!

Olá pessoal.

Nada como um dia atrás do outro, ou pra ser mais específico, nada como um show atrás do outro.

Estou aqui no quarto do hotel ouvindo a gravação, me deliciando com o show em Bobigny - Paris, e relembrando de como este show foi totalmente o inverso do show da Bélgica, pelo menos no que diz respeito à parte técnica. Os ambientes eram até muito parecidos, pois este show em Paris foi num teatro também. Achei a acústica deste último bem melhor e isso refletiu na qualidade do som. Nada falhou. As duas mesas eram excelentes, o P.A. (Nexo) era excelente. Estou até me tornando repetitivo nos elogios a este line arraw, mas ele é muito bom mesmo.

A noite seria só com artistas de Recife. Silvério Pessoa abriria a noite, depois tinha a Spok Frevo Orquestra e no final o DJ Dolores discotecaria para o pessoal. Então a ordem do sound check seguiu exatamente como é para ser, ou seja, inversamente à ordem de apresentação. Spok passou primeiro, desarmou algumas coisas e nós passamos e deixamos tudo ligado, pois começaríamos a noite. O DJ Dolores como iria só discotecar, não estava com banda, fez só um line check quando acabamos, e seu material foi puxado para a lateral do palco.

Foi tudo muito tranqüilo e perfeito no nosso sound check. Inclusive o pessoal nem queria falar que estava tudo muito bom, pois lembraram da Bélgica!

Rogério que veio fazer o monitor da Spok Frevo, aproveitou o embalo e fez o monitor de Silvério também. Mais uma vez, tudo perfeito. Mas se eu disser que não ficamos receosos por causa da Bélgica, eu estaria mentindo. Antes de começar, conferi os canais de voz de Silvério no meu fone para ter certeza que estava tudo ok.




Parte final do show. O público subiu no palco para dançar Côco.





E tudo foi realmente (quase) perfeito pra mim! Coloquei este “quase”, simplesmente por causa de uns estalinhos que deu no cabo da viola (mas foi resolvido rapidamente), e porque não vi que Silvério pegou o sem fio e ele cantou umas 4 palavras sem som na frente, pois deixo desligado este microfone para evitar vazamentos desnecessários. Vou ter que rever este caso do sem fio. Ou vou deixá-lo sempre aberto, ou vou combinar seriamente aonde o cantor vai poder cantar com ele.
Curiosidades no show? Achei o público muito diversificado na idade. Vi muitas crianças na faixa dos dez anos como também vi muitos idosos na faixa dos sessenta anos. Nada fácil fazer um show para um público tão diversificado. Mas notei que todos gostaram e pediram até bis, mas não tínhamos mais tempo. Uma pena, pois estava muito gostoso lá na frente. Estava tão calmo fazer o som que dei até uma olhadinha no jogo da França contra a Holanda que o técnico de som da empresa estava vendo. A França dançou! Perdeu com folga.




Minha cara de felicidade no final do show ao lado do técnico Francês.





Teve alguns desencontros no palco com relação à execução e mudança errada de música, mas isso só quem ficou sabendo fomos nós da equipe. Por isso os músicos e Silvério não estavam com a mesma alegria que eu, mas entendo o lado deles também, pois pra eles não foi 100%.

O público não notou nada, lógico!

O show acabou, eu desarmei meu laptop e fui desarmar o equipamento de Silvério no palco. Depois foi só comemorar o resultado do show. Eu estava muito contente e recuperado do susto na Bélgica. Tomei uns copos de vinho acompanhado de uma carne de porco fatiada bem fininha e meio crua que tinha no camarim e era muito gostosa. Voltei para o hotel, liguei o laptop e coloquei a gravação do show pra tocar. Já era muito tarde, só escutei umas três músicas do show e fiquei muito satisfeito com o que ouvi. Fui dormir pensando: Um dia da caça, outro do caçador!

Ce la vie.

Próximo show? Aracaju.

Um abraço a todos.

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Flagey, Bruxelas – Bélgica – A vida é um aprendizado, sempre!


Olá pessoal.

Impressionantemente impressionante! Não tinha outras palavras para começar este texto.

A Lei de Murphy se fez presente neste show como eu nunca tinha visto!

Tudo estava perfeito. O lugar era lindo. Deu público. Tivemos todo tempo para fazer o sound check. Não tinha nenhum outro show antes ou depois da gente. O palco era só nosso!

O técnico de monitor era muito bom, o som era muito bom, a mesa era boa e a acústica do local não era tão boa assim. Nada poderia dar errado. Mas deu! E de um jeito que eu nunca tinha presenciado!

Meu grande erro foi a confiança total de que nada poderia dar errado. Não fiz o line check que geralmente faço quando o palco é modificado para outros shows antes do nosso, pois não haveria show antes do nosso! E paguei caro por isso. Não passou pela minha cabeça que algo poderia dar errado neste show. Passamos o som e tudo ficou ligado e funcionando. Aguardamos um pouco mais de uma hora pra começar o show. Perguntaram se estava tudo ok comigo e eu disse: sim, pode começar.

Augusto soltou a vinheta de abertura e eu fui abrindo os canais. Tudo certo, mas... Cadê a voz do cantor? Nada!

O show começou e a voz de Silvério não saía no som da frente. Notei que ele estava se ouvindo normalmente, e isso me deixou mais desesperado, pois o problema era só na frente. A primeira coisa que fui ver foi se realmente eu tinha aberto o canal da voz, mas tinha certeza disso pois é a primeira coisa que abro quando a vinheta começa. Mas nessas mesas digitais que você tem várias páginas de faders, não custa conferir. Depois de quase dois minutos sem voz e sem achar o problema com os técnicos Belgas, falei por um microfone interno com Silvério e a banda que não dava pra continuar. Teríamos que parar para achar o problema. E assim foi feito. Qual foi o problema? Vou tentar explicar.

Esta mesa digital que estava usando, a DM2000, só tem 24 entradas analógicas. Se necessitar de mais entradas, como é o nosso caso que trabalhamos com 32 canais, estes canais extras tem que entrar em conversores análogo/digital para converter os sinais e enviar digitalmente estes sinais para a mesa. Eu tinha 8 canais entrando neste conversor: violão, acordeão, escaleta, voz guitarra, voz Silvério L, voz Silvério R, voz Silvério sem fio e Air Fx. O problema é que os canais de voz de Silvério estavam chegando no conversor mas não estavam indo para a mesa. Ou o cabo digital deu problema ou as entradas digitais da mesa foram desconfiguradas. Os técnicos Belgas olharam a configuração digital e disseram que estava correto, então eles enviaram os dois canais de voz por outro caminho, e me mostraram aonde estava agora. Só que eu baixava os faders destes canais e a voz continuava saindo. Algo estava errado ainda, e eu não sabia o que era, pois não sabia como eles estavam fazendo as ligações digitais. Eles olharam assustados para minha observação e modificaram novamente as ligações, e os dois canais de voz chegaram. Ok, já podemos começar. Recomeçamos e foi aí que tive o outro susto. Todos os outros 6 canais que estavam no conversor não chegavam também na mesa. Não tinha violão, acordeão, escaleta, voz da guitarra, voz sem fio e air fx.


Falei novamente pelo microfone interno e notei que Silvério não iria parar mais. Chamei novamente os técnicos locais e eles foram redirecionando os outros canais digitalmente. Conseguimos recolocar quase todos os canais, mas não deu pra redirecionar o sem fio e a voz da guitarra. Ficamos sem estes canais até o final do show. O sem fio não fez tanta falta, mas o da voz da guitarra era importante. Depois de toda essa emoção (dispensável!), o show transcorreu normalmente (quase) e teve até bis! Mas não consegui disfarçar meu desânimo no jantar logo após o show. Fui dormir pensando no episódio e tentando achar outras opções para resolver o problema mais rapidamente, e acabei achando. Queria não ter achado, pois fiquei pior, mas tenho que levar isso como um aprendizado. Vivemos num eterno aprendizado. Em qualquer profissão.

Qual seria a outra solução?

Não lembrei na agonia, que na hora que estávamos ligando os instrumentos, nós cancelamos uns 4 canais da percussão, pois estes instrumentos não vieram para a Europa, por causa da nova política de peso nos transportes aéreos. Os técnicos Belgas ligaram estes canais na mesa, mas não usaríamos. Eu tinha estes canais livres dentro dos 24 que tinham entrada analógica. A solução era pegar os cabos com os sinais da voz de Silvério, do acordeão e o da voz da guitarra e colocar nestas entradas vagas em vez de ficar nas entradas do conversor. O resto seria redirecionado via digital. Resolveria mais rapidamente meu problema e por completo, mas infelizmente não enxerguei isso na hora.

Ainda bem que Silvério Pessoa não lê este meu Blog!

Um abraço a todos.

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Chegando na Europa - Day Off - Como são os nossos dias aqui de folga.

Oi pessoal. Vou usar este espaço para colocar fotos dos nossos dias de folga (Day Off) nesta primeira parte de turnê aqui na Europa. Não entrarei muito em detalhes, pois uma imagem vale mais que muitas palavras.

Detalhe do mapinha que é mostrado durante todo o vôo no trajeto Recife > Lisboa.








Dentro do avião TAP - Vôo Recife > Lisboa.











Aeroporto de Orly - Paris.













Arrumando nossos instrumentos na van - Paris.










Saguão do hotel em Paris, enquanto finalizava o texto de Aquiraz.










Saindo de Paris para a Bélgica na nossa van.














Barzinho na Bélgica, especialista em cerveja!











As duas cervejas que tomei.















Chegando em Paris.













Quarto do hotel na Bélgica. E a coragem pra levantar para ir trabalhar??












Compras na Bélgica.












Ouvindo a gravação do show no quarto do hotel em Paris.









Passeando na Bastilha - Paris. Tinha perdido (achei depois) o casaco e o dia estava frio.









Jantar em Paris antes do show. O baterista Augusto em pose suspeita.
Eheheheheheheh
Rimos muito durante toda a turnê.












No quarto de hotel em Paris, ouvindo o show que gravei no laptop.












O sanfoneiro cochilou no avião, e fizeram a cabeça dele de lixeiro!

terça-feira, 10 de junho de 2008

Aquiraz, Ceará – Navegart – Inauguração da NOSSA mesa de monitor. Quase de novo!

Olá pessoal. Já estou na Europa para os dois shows de Silvério Pessoa. Um no dia 11 na Bélgica e outro no dia 13 em Paris. O terceiro show, no dia 14, vai ser ele cantando como convidado da Spok Frevo Orquestra. Estou na madrugada (00:24h) do dia 10 sozinho num hotel em Paris digitando este texto e tentando lembrar do show em Aquiraz. Viajaremos depois do almoço para a Bélgica. Estou tentando melhorar uma otite no ouvido esquerdo, decorrente de uma gripe forte que peguei antes do show de Aquiraz e que foi agravada na viagem para o Ceará de avião por causa da compressão e descompressão da aeronave na decolagem e aterrissagem. Meu ouvido simplesmente tapou por causa das secreções da gripe! Tomei até injeção, coisa que tenho verdadeira fobia, para ver se chegava bem aqui na Europa, mas não cheguei, e estou tomando uma bomba de antibióticos para diminuir a inflamação do ouvido. Fiquei no hotel para resistir ao vinho que deve estar rolando solto na casa do nosso produtor aqui da Europa, Marc Regnier, e que pode não ser muito recomendável para quem está tomando antibióticos. Temos que fazer alguns sacrifícios de vez em quando, não é?

Vamos voltar para o Ceará...

Aquiraz fica perto do famoso Beach Park de Fortaleza, pois passamos por ele no caminho com a van. O show seria na beira do mar e na frente do palco foi montado um tablado de madeira, pois haveria uma apresentação de quadrilha junina. Depois desta apresentação seria o show de Silvério.

A viagem de avião foi muito rápida, acho que deu só uma horinha. Dava até pra Dominguinhos ir, que não daria tempo dele ficar com medo!

Estava tudo tranqüilo e programado. O hotel era bem perto do palco, que dava pra ir andando. Chegamos na hora programada e começamos a armar os nossos equipamentos. Usaríamos a bateria do evento, pois está muito complicado e caro levar muito peso nestas viagens de avião pelo Brasil. Estamos tentando otimizar nossos volumes e cada viagem é um aprendizado.

Mesmo o evento disponibilizando uma excelente mesa digital de monitor, resolvemos levar a nossa mesa digital para a tão famosa inauguração. E tudo ia perfeitamente bem. Passamos o som da bateria toda e quando íamos usar as entradas digitais da mesa, um dos nossos conversores de 8 canais não funcionou! Normando ainda tentou achar uma saída, mas perdemos tempo com isso, e o que tínhamos de folga de tempo no começo do sound check foi por água abaixo. A solução foi passar todas as nossas ligações para a mesa do evento e recomeçar do começo novamente o sound check para refazer o monitor, pois na frente não alterava nada a troca das mesas de monitor e o que eu já tinha feito não foi perdido. O sound check foi meio agoniado pelo tempo que perdemos no começo, e Silvério queixou-se no final que não tinha ficado confortável seu in-ear. Não tínhamos mais tempo, e o resto seria ajustado durante o show mesmo. A boa notícia era que tudo ficaria montado, pois seríamos a primeira atração. Fomos para o hotel jantar e esperar o horário do show.

O show não foi tranqüilo. Tivemos problemas com o canal do hihat (chimbal) e com o canal do baixo durante o show. No hihat, a solução encontrada foi trocar o microfone por um dinâmico que não precisa de alimentação extra para funcionar. Perdi na qualidade, mas os estalos pararam. O baixo eu não sei qual foi o problema, e demorou um pouco mais para ser solucionado. Ficamos parados uns 2 minutos enquanto o pessoal no palco tentava solucionar. Leandro, guitarrista, que vai substituir Renatinho nos shows de junho no Brasil, teve problemas com seus pedais também. O desconforto no palco era evidente, pelo menos pra mim que estava de frente e conheço todos da banda. E ainda pra completar, caiu uma chuva no meio do show que fez com que o pessoal corresse para baixo das tendas para não se molhar, deixando a frente do palco vazia. Eu sabia que as pessoas continuavam vendo o show embaixo das tendas, mas para quem está no palco, não é uma sensação muito boa ver as pessoas correndo para longe. A partir deste momento o show foi sendo levado em banho-maria até o final para cumprir tabela.

Senti em determinado momento do show, perto do final, uma mudança no timbre da voz de Silvério, fazendo com que houvesse uma pequena realimentação. Fiquei até o final do show segurando para não apitar, pensando que o problema era comigo. Conversando no camarim logo após o show, fiquei sabendo que Silvério não conseguiu ir até o final usando o in-ear, pois tinha um ruído muito alto e ele teve que tirar o fone. Por isso, Normando teve que colocar a voz dele no side, e foi por isso que houve a mudança de timbre na voz e o aparecimento do princípio de realimentação, porque o som que saía no side era captado pelo microfone. O princípio da realimentação vinha do palco e não lá da frente como eu achava, pois eu não sabia que estavam usando o side.

Estamos marcando uma sessão na Bélgica hoje à noite para ouvir este show de Aquiraz que gravei no laptop e tomar uns vinhozinhos (ou cerveja!!). Sempre aproveitamos algo dessas gravações.

Um abraço a todos.

domingo, 1 de junho de 2008

Natal – MPBeco – Inauguração da NOSSA mesa de monitor. Quase!


Olá pessoal.

Chuva! Muita chuva!

Tudo aconteceu tão rápido, que nem foto eu me lembrei de tirar.

As fotos que aparecem aqui foram tiradas por Silvério Pessoa. Vou tentar ser breve também nos comentários, pois não tem tanta coisa assim pra falar (será?).

Saímos de Recife na madrugada do sábado num micro-ônibus com destino à Natal - RN.

Silvério Pessoa foi um dia antes para fazer a divulgação do festival e do seu show.

Enquanto eu tomava uns drinks na minha casa na sexta-feira com André Julião (músico da banda), Silvério entrou em contato e nos informou que estava chovendo muito lá. E quando chegamos ao local do show no sábado, ainda continuava chovendo. Isso foi perto do meio-dia. O pessoal da empresa de som ainda estava finalizando a montagem dos equipamentos. Já sabia que a mesa de P.A. seria a digital M7CL da Yamaha (muito comum hoje em dia nos eventos), e por isso me adiantei e programei uma sessão do show no meu laptop. Isso faria com que eu ganhasse tempo na hora do sound check.

A grande novidade neste show seria a inauguração da NOSSA mesa de monitor digital. Há um bom tempo atrás, conversando com Silvério, discutimos a possibilidade da compra deste equipamento para andar com a gente nos shows no Brasil e exterior, mas o preço final ficou alto e ainda existiam outras prioridades. Tudo foi resolvido quando Normando, operador de monitor de Silvério e proprietário de uma empresa de som, propôs comprar a mesa para a empresa dele e alugar para os shows de Silvério por um preço camarada. E assim foi feito!

O certo seria fazer antecipadamente um ensaio como se fosse um show para gravar esta cena da monitorização, mas infelizmente não existe aqui em recife um estúdio de ensaio que tenha o equipamento necessário (mesa, microfones, cabos, etc) para simular um show. Por causa disso, esta cena teria que ser feita num show mesmo! Outra solução, um pouco mais cara, seria locar um equipamento de som profissional e simular um show num teatro ou qualquer outro local disponível.

Detalhe da NOSSA mesa digital 01V96 que usaremos no monitor dos shows de Silvério Pessoa.
O tamanho reduzido e as funções que nela existem, são os fatores principais que permitem seu transporte como mesa pessoal de monitor.







Continuava chovendo em Natal enquanto descarregávamos os nossos equipamentos e os levávamos para o palco. Colocamos a nossa mesa de monitor ao lado da mesa do evento e Normando foi fazendo as ligações necessárias. Fui para frente, liguei e sincronizei meu laptop com a mesa. Coloquei para tocar meu CD de Lisa Stansfield, e ouvi como estava soando o P.A.. Sempre uso a mesma música de Lisa para conferir o P.A. (os músicos não agüentam mais ouvir!), pois estou acostumado com a sonoridade dela. Com a música tocando sinto se tem muito grave, ou pouco agudo, ou muito médio, ou pouco sub-grave (o espectro sonoro vai muito mais além desses que falei, mas não achei necessário ser mais detalhista).

Mais uma vez as caixas de som eram clones de Line Array “made in home”, para ser mais exato, feitas em Mossoró – RN. Por causa disso, “insertei” um equalizador no máster da mesa para fazer os ajustes na resposta sonora das caixas, deixando do jeito que eu achava melhor, e esperei para começar o sound check. Como a mesa já estava com a sessão que fiz em casa, pulei várias etapas, pois tudo estava do jeito que eu queria. Eu já sabia que se eu mandasse pelo auxiliar 13 o sinal da caixa da bateria que estava no canal 2, este sinal iria para um processador de efeitos que já estava com o efeito que eu tinha escolhido e este efeito já voltaria para o canal estéreo reservado para estas voltas. Tudo isso e muito mais eu já tinha pré-determinado em casa, tomando leite com café solúvel (sou viciado nesta mistura!). Não canso de falar que é muito prático tudo isso, e não adianta fugir do digital, pois ele veio pra ficar.

Não deu nem pra começar o sound check, pois caiu um temporal e era impossível fazer qualquer coisa. A produção resolveu que deveríamos então ir almoçar e depois retornaríamos para continuar o sound check.

Torci para encontrar no almoço uma carne de sol e fui feliz! E ainda, para minha alegria, tinha arroz de leite, muito comum na culinária da cidade. Nasci em Natal e como arroz de leite até hoje, quando minha irmã faz. Era comum em nossa casa quando éramos criança, ter feijão verde, arroz de leite, farofa d’água e carne de porco assada ou carne de sol. Herança é herança! Ninguém lá no restaurante imaginava o prazer que eu estava sentindo com aquela comida, pois além da necessidade, existia sentimento envolvido.

Voltamos para o palco e recomeçamos o sound check. Ainda chovia, mas bem menos.

Normando também já havia organizado e gravado uma cena na mesa para não começar do zero na hora do sound check. Só não conseguimos sincronizar a mesa com o laptop dele. Como não tínhamos muito tempo (pra variar!) para ver isso, pulamos esta fase e resolvemos que ele usaria a mesa sem o laptop e depois veríamos o que tinha acontecido em outro dia no galpão da empresa dele.


Eu e Normando tentando sincronizar a mesa digital com o laptop dele.





Fiquei no palco ajudando-o (promessa é dívida!) até o técnico de P.A. da empresa de som gritar pelo meu nome lá na frente. Fui novamente para o meu posto e começamos o sound check. Nem precisa falar que estava tudo fora do horário previsto, não é? Começamos pela bateria, peça por peça, mas alguns canais não chegavam aonde eram para chegar, ou simplesmente nem chegavam em lugar nenhum! Perdemos uns minutinhos nestes ajustes e quando passamos toda a bateria e juntamos com o baixo, veio a notícia que o show não seria realizado por causa da chuva. Poxa... estava até ficando legal.

Houve comentários de se transferir o evento para o outro dia, mas também foi descartado, pois não haveria como divulgar isso para a cidade. Resolvemos então ir ao hotel, tomar um banho e retornar ao Recife no mesmo dia. Saímos de Natal perto das 19h e no ônibus ouvimos da produção que existia a possibilidade deste show ser feito no próximo sábado, dia 7. Vai ficar um pouco apertado, pois viajamos de avião no dia 6 bem cedinho para o Ceará e voltamos no dia 7.

No dia 8 já voamos para a Europa. Vamos ver o que decidem.

Cheguei em casa, fiz meu leite com café e comi umas bolachas com requeijão vendo o jogo do Brasil contra o Canadá. Quando me deitei, o relógio marcava 2 horas da madrugada do domingo.

Estou agora na tarde de domingo escrevendo este texto e pensando como vai ser minha estratégia para arrumar a mala para os eventos que estão por vir.

Um abraço a todos.