Tenho certeza que vou indicar tantas entrevistas do Corredor 5 aqui no Blog, que vou ficar repetitivo.
Mas prefiro me tornar repetitivo do que egoísta.
Seria um egoísmo da minha parte não indicar, comentar ou sugerir essas entrevistas.
Principalmente para quem vive de música, shows e eventos!!!!
Acho que é quase uma obrigação ouvir o que esse pessoal tem pra falar.
E Moogie tem muito o que falar!
Quem é do ramo, principalmente de estúdio de gravação, sabe quem é Moogie Canazio.
Não lembro de ouvir falar que ele mixou o som de algum show ao vivo.
Ele é reconhecido "mundialmente" pelos trabalhos em estúdios.
Ele é brasileiro, viu???!!!
Mora lá nos EUA, mas nasceu aqui no Brasil!
Vi na sexta-feira (29/04/22) esse bate-papo no Corredor 5 (YouTube).
O Clemente foi até Los Angeles para fazer essa entrevista.
Não sei se ele foi exclusivamente fazer isso, só sei que foi lá que aconteceu a conversa, e que tem quase 2h30min de duração, mas que é tão boa, que parece ter 10 minutos.
Com certeza, o Moogie tem histórias para contar que renderiam um número de horas de conteúdo que eu não consigo calcular.
Já estou com outra entrevista "engatilhada" aqui para ver, com o produtor musical Mario Caldato Jr., que foi Júnior Evangelista quem me indicou.
Mas essa entrevista, como a de Moogie, já estavam agendadas para minhas noites com vinho.
Não vou me estender hoje aqui, vim só indicar essa conversa de Clemente com Moogie.
Com certeza, mesmo sem ver ainda, a conversa com Caldato deve ser muito boa também.
Como foi a com Manoel Poladian, Tico Santa Cruz, Marcelo D2, Ney Matogrosso...
Já tenho várias outras entrevistas agendadas pra ver, como podem notar nas fotos abaixo.
Um alívio para quem passou mais de dois anos sem saber direito para que lado deveria ir, como foi o caso dos profissionais que vivem de shows e eventos para garantir o "pão-de-cada-dia".
Foi complicado, e sei de casos de técnicos que preferiram não voltar mais para o ramo, ficando no novo trabalho que conseguiram durante a pandemia.
Os eventos e shows estão voltando... E com força!!!!!
Não paro de divulgá-los nas minhas redes sociais.
Uh uhhhhhhhhhhh.
Vou falar de um desses shows que divulguei, e participei, pois não divulgo só os que eu participo.
Lembram do texto do QI no show do Ira!?
É...
Nesse caso aqui não foi bem uma indicação, mas foi a lembrança do meu nome, o que é bem perto do QI.
Um dos técnicos da Academia da Berlinda não poderia fazer o show, e numa conversa entre o outro técnico (Adriano Duprat) e o produtor (Duda Lopes), meu nome foi lembrado.
Duda me ligou perguntando se eu poderia fazer o show no Festival DoSol, em Natal (RN).
Esse show aconteceu no dia 10 desse mês (abril).
Falei que poderia fazer, e ele passou meu nome para o escritório em São Paulo, que cuida da agenda da banda.
Como eu já tinha feito vários trabalhos com a Nação Zumbi, que também é desse escritório, foi mais fácil aceitarem meu nome.
Esse trabalho no dia 10 com a Academia, foi o primeiro que fiz com a banda.
Conhecia alguns músicos de trabalhos que eu fiz com outras bandas onde eles participaram, mas com a Academia da Berlinda, seria a primeira vez.
E mais uma vez, conversei antecipadamente com o técnico, que iria operar o som do PA nesse show em Natal, e que normalmente faz o monitor da banda.
Acho muito importante essa conversa antecipada, como fiz com o Ira!, agora com a Academia, e também estou falando com o de Elba Ramalho, meu Amigo Mário Jorge, onde faço dois shows no mês que vem, onde ele não vai poder fazer.
Essas conversas antecipadas ajudam, e muito, no resultado do trabalho.
Pelo menos, sempre achei isso.
Munido de todas as informações sobre a banda que Adriano me passou, como rider técnico, mapa de palco, input list, e uma cena de monitor da PM5D (Yamaha), que seria a mesa digital usada no show da Academia, decidi usar essa cena de um show anterior para iniciar o soundcheck.
Mais uma vez vou usar uma cena que não é minha, para iniciar um trabalho.
Não é sempre assim, ok?
Em Elba, por exemplo, vou montar uma cena aqui em casa da CL5, que vou usar para operar o som do PA, no show do dia 6 de maio.
Ainda aguardando para saber qual será o equipamento do dia 7, em Caruaru, para ver qual caminho seguir. Pode ser que seja mais interessante começar com uma cena que Mário Jorge usou em algum show anterior. Não sei... Ainda vou decidir mais na frente.
Se for a mesma formação da banda no segundo show, e a mesa sendo uma CL5, uso a minha cena do show anterior! Simples.
Tudo depende das informações que ainda vou receber.
Vamos para Natal...
Todos na banda usam monitores de chão, com exceção do baixista, que usa um in-ear mais o monitor de chão.
São sete músicos no palco.
Bateria, baixo, guitarra, teclados, percussão, e duas vozes principais.
Academia da Berlinda em ação. (Foto by Duda Lopes)
Ahhh...
Ajustei a cena que recebi de Adriano no editor offline, e passei essa cena para o cartão PCMCIA, que é a mídia que a mesa reconhece para ler as cenas.
A outra maneira de passar uma cena para a PM5D, é conectar o laptop via USB com a mesa, abrir a cena no editor offline da mesa no Studio Manager da Yamaha, e sincronizar o laptop com a mesa.
A grande desvantagem desse modo, é ter que ligar um laptop, e a demora para fazer a conexão, que muitas vezes não acontece por causa de versões desatualizadas, tanto do software, quanto do firmware da mesa de som.
Mas sempre levo a cena nos dois modos, tanto no cartão quanto no laptop.
Como sempre salvo minha cena no cartão em ALL DATA, isso implica em eu apagar todas as cenas que estão na mesa do festival quando eu for passar a minha.
Por causa disso, sempre salvo primeiro no meu cartão a mesa do festival, e depois passo minha cena.
Quando acabo o trabalho de soundcheck, salvo a cena no meu cartão, e passo de volta a cena do festival, onde estão as cenas das outras bandas.
E na hora do meu show, passo minha cena novamente para a mesa.
E se depois que eu passei o som, teve soundcheck de outras bandas e que vão tocar depois do meu show, repito todo o processo que falei acima antes de passar a minha cena na hora do show.
Tudo bem... É para o técnico de cada artista salvar sua cena, e é para o técnico da empresa de som salvar todas essas cenas no seu cartão pessoal, mas nem sempre isso acontece.
Tem técnico de artista que não tem o cartão, e deixa a cena apenas na mesa (Vixe!!), e tem empresa de som que não disponibiliza esse cartão PCMCIA.
Ou seja...
Todo cuidado é pouco!
Como ainda tinha um tempinho sobrando, liguei meu laptop para conferir se eu conectava normalmente com a mesa.
Consegui. Ok.
Sincronizei minha cena com a mesa, com o cuidado de desmarcar a opção ALL LIBS, que quer dizer "todas as bibliotecas".
Janela com as opções de sincronização entre laptop e mesa de som.
Se esta opção estiver marcada, quando você passar sua cena para a mesa, essa cena vai com todas as bibliotecas, inclusive a de cenas. Aí lascou!
Vai apagar as cenas que estão guardadas na mesa de som!!!
Fazia tempo que eu tinha feito essa conexão via USB com a PM5D.
E quando notei que não mudaram os nomes nos canais na mesa de som quando acabou a sincronização, não perdi tempo e fui passar a cena que estava no meu cartão.
Logicamente, fazendo todo aquele procedimento que falei acima sobre salvar tudo da mesa antes.
Quando eu passei minha cena do cartão para mesa, e vi que estava tudo certo, notei onde foi meu erro antes com o laptop.
Eu sincronizei errado. Tem duas opções na hora da sincronização.
PC > Console, e Console > PC.
Eu não notei que estava marcado Console > PC.
Ou seja... Transferi tudo que estava na mesa para o laptop.
Por isso, a cena que estava na mesa não "saiu do canto", e me assustei ao notar que os nomes nos canais não mudaram. Mas não mudou nada na mesa!!!
Mas tudo bem... Já estava tudo ok com minha cena devidamente instalada na mesa.
Estava?
A mesa travou!!!!!!
Congelou. Nenhum comando funcionava.
Vixe...
Solução?
Desliga e liga de novo. (risos)
Reiniciou a mesa, tudo funcionando.
Para garantir, passei minha cena novamente para a mesa via cartão.
Tudo ok.
No vídeo abaixo, minha visão da mesa de monitor durante o show.
Só me restava torcer (não rezo) para não congelar novamente!
Posso adiantar, acabando com o suspense, que não congelou mais. Nem durante o show.
Esse comentário (breve) abaixo vai só para meus amigos e colegas da profissão. Os leigos, podem pular o comentário.
---
Foi a primeira vez que fiz o monitor usando o método PÓS FADER.
Tenho muito receio em usar esse método, porque sempre encontro faders "doidos" na estrada.
E esses problemas com os faders subindo e descendo aleatoriamente, podem causar danos enormes numa monitoração pós fader, pois vai "esculhambar" o monitor de todos os músicos ao mesmo tempo!!!!
E se estão usando fones, piorou, pois é direto no ouvido do músico/artista!!!!
Quase não usei o fader para aumentar e/ou baixar o sinal na via de todos ao mesmo tempo.
Para ser mais exato, usei uma única vez, num solo de guitarra.
Só por esse trabalho, ainda não vi motivos para mudar o velho método de monitoração PRÉ FADER, que é o que eu uso sempre.
Num caso de começar do zero num soundcheck, e ainda com todos os músicos usando fone, o método pós fader deve facilitar as coisas, agilizando no envio dos canais para os monitores, porque ao levantar o fader, o sinal vai para todos os monitores ao mesmo tempo. Mas isso o técnico tem que deixar ajustado na sua cena antecipadamente, usando o editor offline da mesa.
Pra fazer isso na hora do soundcheck, eu acho melhor usar o método pré fader mesmo.
Vamos voltar para o show...
---
Com minha cena já na PM5D, fui ajustar os monitores e os side no palco.
Nada de anormal, só pedi para trocar uma caixa de um par, pois estava falando diferente, e o som ficava pendendo nos ouvidos.
Logicamente, eu zerei os equalizadores em todas as vias, quando ajustei a cena em casa usando o editor.
Como seriam outros monitores, com outros amplificadores, eu não iria abrir todos os canais de uma vez, usando o mesmo ganho que estava na cena do show anterior que Adriano fez.
Poderia "estourar" tudo no palco.
Tinha pensado em baixar todos os faders e ir subindo um por um até chegar no "ponto ideal" na monitoração de todos os músicos.
Mas Adriano me deu uma sugestão que achei melhor.
Deixar os faders onde estavam, diminuir o ganho de todos os canais, e ajustar esse ganho até o músico que estava tocando o instrumento achar que estava legal para ele no monitor.
Se estava bom para esse músico, era muito fácil que estaria bom também para os demais.
E foi assim que eu fiz.
E deu certo.
Se eu estivesse usando uma cena com tudo em pré fader, também teria ido por esse caminho.
O soundcheck foi muito tranquilo!!!
E o que mais me impressionou foi o volume do som no palco.
Baixo!!! Muito baixo!
Deu tempo de voltar para o hotel e ainda deu para dar um cochilo!
No vídeo abaixo, feito pelo produtor Duda Lopes, mais um pouco do show.
Achei o local do show um pouco estranho, uma área "meio" abandonada da cidade, no bairro da Ribeira.
Prédios maltratados, com cara de abandonados, ninguém nas ruas...
Fiquei até pensando: --- Será que vai dar gente?
Deu, e muita!!!
Eram dois palcos, e teríamos tempo de sobra para ajustar nossas coisas, enquanto outra banda se apresentava no outro palco.
Depois de tudo checado no nosso palco, aguardei pela hora do show.
Nem lembrava mais que a mesa tinha congelado no início do soundcheck.
O show foi mais tranquilo do que o soundcheck!
Para não falar que não teve um único contratempo, a corda da guitarra partiu.
Mas nada a ver com a monitoração.
(Foto by Duda Lopes)
E com o público na mão, cantando as músicas da banda, a Academia da Berlinda fez um grande show!
Mesmo com várias caixas de som no palco ajudando os músicos a se escutarem, parecia que todos estavam usando fones.
Lógico que não é igual quando todos usam fones, onde não se escuta a voz de quem está cantando, mas foi bem parecido.
O side estava ligado, mas com poucos instrumentos direcionados para lá, e ainda com o volume geral bem abaixo do "normal", levando em consideração os meus trabalhos com outras bandas.
Por isso falei que era o sonho de todo técnico de monitor, operar o palco da Academia.
Não é muito relax para quem está operando monitor, quando tem muitas caixas de som fazendo o trabalho, pois o risco de alimentação é proporcional ao número de caixas.
Quanto mais caixas, maior o risco de microfonia. E quanto mais volume nessas caixas, mais aumenta o risco.
Mas nesse show, o risco diminuiu muito por causa do baixo volume de som no palco.
Não quero também dizer com isso, que um volume alto de som no palco vai sempre causar realimentação (microfonia), pois um dos trabalhos do técnico de monitor é ajustar essas caixas para serem usadas sem realimentar, mesmo que o volume esteja alto no palco com os instrumentos e vozes.
Apenas quis mostrar o risco da realimentação no palco em relação ao volume do som no palco.
Durante todo o show, apenas uma coisa me chamou a atenção.
Notei algumas expressões na fisionomia do baterista (Irandê), que eu achava que ele não estava satisfeito com o monitor.
Mas em nenhum momento ele me falou alguma coisa ou pediu para o roadie falar alguma coisa comigo.
Relaxei.
Mais um pouquinho do show abaixo, filmado por Duda Lopes.
No camarim, fui perguntar a todos sobre a monitoração, se gostaram, ou se teve alguma coisa que não ficou legal.
Tudo ok, falaram.
Aí eu insisti, e perguntei à Irandê se realmente ele tinha gostado, lembrando da sua expressão facial em algumas músicas, mas ele falou pra eu relaxar, que não tinha nada a ver com o monitor, e ele fazia isso de vez em quando durante o show, e que foi tudo certo.
E completou: --- Pode passar no RH, pra efetivar a cargo de SUB Oficial. (risos)
Depois de um comentário desse, me animei mais ainda, e resolvi até beber uma cerveja!
Mas só consegui beber uma latinha mesmo. Não consigo mais gostar.
Final do show. (Foto by Duda Lopes)
Agora... Se tivesse no camarim uma garrafa de vinho tinto seco... Eu teria "esticado" a comemoração de um ótimo trabalho, e que foi brindado com um ótimo show.
Aproveitei a mania de Lula Queiroga de colocar títulos longos nos seus discos (CDs), e fiz isso no título dessa postagem.
Ficou massa. E acho que ganhei dele por várias palavras!!!!!!!!
Como é massa os títulos das obra do Lula (Queiroga).
Gosto muito dos seus discos, mesmo antes de trabalhar nos seus shows.
Então vocês imaginam como me senti no Teatro do Parque operando o som dele, né?
Mas não vim aqui hoje falar sobre essa minha predileção.
Só lembrei dele, ao colocar o título do texto.
O assunto aqui hoje não tem nada a ver com a família Queiroga (que é enorme!).
Convivo com "Os Queirogas" faz muito tempo... Vixe... Nem gosto muito de lembrar, pois é uma comprovação de como o tempo passa muito rápido. Gravei a voz da mãe deles em jingles!!!!
Mêves Gama...
Vamos pular essa parte, pra eu não chorar. (Olha o vinho fazendo efeito)
A porra do texto de hoje não tem nada a ver com eles!!!!!!!!!!!!!!!
(É muito bom escrever, sabendo que não vai ter censura no texto - Censura nunca mais!)
Tenho fé (modo de falar) que eu vou começar esse texto...
Tomar água aqui pra desacelerar...
A produtora do projeto do Blog pela LAB, e o rapaz responsável pela divulgação nas redes sociais vão ficar "putos", pois não vou seguir o cronograma do projeto, e vou postar antes de ter a cartela que avisa sobre a postagem.
Mas o Recife Virado vai ficar no lucro, pois o projeto aprovado é para seis textos em três meses, e vou escrever muito mais nesse tempo!
Esse texto já é o sexto. Dois meses de gratificação.
O Blog é temporal. Tem "timeline". Pulsa.
Segue meus trabalhos, meus shows, minhas farras na varanda em feriados religiosos... Difícil seguir uma "regra".
Como a produtora e o rapaz da divulgação são, respectivamente, minha Ex-esposa e meu Filho, eles não vão esquentar com essa minha atitude, pois me conhecem bem.
Vamos para o tema do texto...
Tudo começou com uma conversa hoje com um Amigo cantor.
Ou seja... Conversa entre amigos, onde falamos de tudo.
Sexo eu nem falei, pois estou mais parado do que obra que a turma promete em campanha política!
Mas o "mote" principal da conversa foi sobre divulgação do trabalho, no caso, as músicas desse cantor amigo meu.
Foi quando eu cheguei nas palavras "relevante" e "irrelevante".
Aí o bicho pegou, pois foi mais de uma hora discutindo (amigavelmente) sobre o assunto.
Ele falando que o CD ainda era uma forma relevante de divulgar um trabalho, e eu falando que era totalmente irrelevante.
Mesmo eu achando que qualquer forma de divulgação de um trabalho é válido, no caso da divulgação de músicas, acho irrelevante o CD (HOJE EM DIA!).
Quem é que tem CD-Player hoje em dia em casa?
Lembrando que é um pensamento meu, pelo meu ponto de vista.
Cada um acha o que é ou não relevante.
Nem é minha área, pois sou operador de áudio, não sou artista.
Mas dependo dos artistas. Trabalho para eles em muitos casos.
Se os artistas não fazem shows, tenho menos opções de trabalho.
Meu desejo é que eles tenham o maior número de shows possíveis no mundo!
Mas se o público não escuta as músicas desses artistas, como esse público vai pagar para ver um show desses artistas?
Para mim, é matemática. Sempre.
E hoje em dia, que o show é a fonte de renda principal da maioria dos artistas?
Pelo que notei nas minhas idas à Europa (2005 a 2012), eles consomem, pagam, vão para festivais, pra ver shows de artistas que nunca ouviram.
Aqui, até agora, não vejo isso.
Mesmo com a internet, uma ferramenta poderosa de divulgação, ainda hoje é difícil aqui no Brasil alguém PAGAR para ver um show de um artista (música), sem conhecer a música dele.
Cinema e teatro ainda a turma vai sem saber direito o que espera, mas música? Difícil.
Mas vamos voltar para o CD, que é ponto principal dessa conversa.
Quem tem CD-Player hoje em dia em casa para ouvir um CD?
Nem vem mais nos laptops!
Ou seja... Eu acho difícil alguém ouvir um CD hoje em dia em casa. Vinil, piorou!
K7? Lascou, né?
Aí passei mais de uma hora com esse Amigo cantor discutindo esse assunto.
Ele produziu CDs para venda e divulgação.
E eu, com minha sinceridade "faraônica", falei que ele deveria usar esse dinheiro do CD para outro tipo de divulgação, ou até para um cenário de um show dele.
Não teve jeito.
O CD para ele era relevante, e eu falando que era mais um prazer pessoal dele como artista.
Cansamos do diálogo, e entramos na conversa de vinhos.
Nesse mesmo momento, eu conversava sobre esse mesmo assunto com um técnico de som, também amigo meu (que me colocou no circuito de shows décadas atrás), e que me falou de uma frase que ele ouviu de Zé da Flauta.
Quando ele me falou a frase, lembrei na hora de outro caso, quando eu estava vendo uma live do Porto Musical, sobre direito autoral, onde Heloísa Aidar falou mais ou menos isso: "Os artistas tem que quebrar essa redoma, onde todos que estão ao redor dele sempre concordam com ele."
Nada a ver com direito autoral, né? Mas por alguma razão, ela acabou falando sobre isso.
Peguei essa live na metade.
Aí chegamos no título dessa postagem!!!!!!
A frase de Zé da Flauta foi: "Normalmente, os artistas, estão cercados por Concordólogos, e não por Achólogos!!!!"
E ele explicou. Dificilmente, alguém que está diariamente ao lado de um artista, vai discordar do que ele pensa. Vai sempre concordar, e nunca vai achar nada diferente.
Pode ser a maior merda do mundo que ele vai fazer, mas poucos vão dar uma opinião contrária.
Não tem nada a ver com o que é certo ou errado, mas apenas o que a pessoa acha.
Normalmente, não vai falar.
Eu falo! Me lasquei!!!!!!!!
Dou minha opinião, mesmo sabendo que vou levar um coice!
Sou um ACHÓLOGO. Quando eu acho alguma coisa que o artista não acha, eu falo.
Sou um ser raro!
Muito bom esses termos de Zé da Flauta!
Não tinha como eu não registrar esse fato de hoje no Blog.
Pois é o que mais acontece no meio artístico.
Eu tenho orgulho de ser um "achólogo", independente da situação.
Espero que os artistas que me pedem uma opinião consigam absorver isso, entender.
Alguns nem perguntam mais, pois sabem que se eu não concordar, eu vou falar. (risos)
Opinar, de acordo com a situação, como os políticos fazem, é fácil demais!!!!!!
Pra finalizar, vou falar mais uma vez aqui de um caso famoso de "achologia" que aconteceu comigo e Alceu.
Quem já conhece do caso, releve, que vale a pena falar de novo aqui.
Me encontrei com Alceu no café da manhã depois de um show.
Segue o diálogo, que nunca esqueci:
(Abre aspas)
Oi Alceu, tudo bem?
Tudo bicho. Mas o som do monitor ontem não estava legal não, viu? Tava ruim.
Eita Alceu, você não demonstrou nada no palco que estava ruim, não me falou nada durante o show, eu achei que estava legal.
Tava não. Estava ruim.
Foi mal Alceu...
Beleza... O equipamento de som era ruim, né?
Não Alceu. O equipamento de som era ótimo. Eu que errei na mão.
Ah tá... Ok.
(Fecha aspas)
Gosto muito de uma frase, que eu jurava que era de Chaplin, mas não encontrei nada falando sobre isso. Não importa. A frase é massa.
"A sinceridade pode machucar, mas é muito mais digno falar."
Não doeu muito quando Alceu falou pra mim no café da manhã, porque tenho esse pensamento sobre sinceridade.
A grande maioria das pessoas prefere concordar sempre, pois não causa danos, não precisa explicar nada, e segue o jogo.
Comprar um CD mesmo não tendo um CD-Player para ouvir o que está gravado nele?
Vai ouvir no Deezer ou Spotify, né?
Ok, vai comprar pra ajudar, massa.
Ok, usa o encarte para ver a letra da música, como a gente fazia 10 (15?) anos atrás, né?
Ah tá...
Quando alguém aqui vir um DJ usando vinil num evento, me avise, ok?
Por conhecer essa turma, pois sou um ex-DJ, isso é quase impossível de acontecer.
Mas... SE acontecer, é completamente irrelevante no contexto geral dos DJs!!!
Como é o caso do CD para mim atualmente. Irrelevante.
Quem tá pensando em fabricar vinil para vender para DJs, esqueça! Vai morrer de fome!
Um abraço ("achólogo") a todos!!!!!!!
PS: Janaísa e Raian, me perdoem, mas não resisti ao assunto, e publiquei. Essa é a graça do Blog.
Não tive coragem de colocar o primeiro pensamento que veio à minha mente para o subtítulo: "Foi Irado!".
Mas foi mesmo, viu?
Sou ruim demais nesses trocadilhos.
Pezão fazia isso à todo momento, e fazia muito bem!
Vou fazer uma "salada de frutas" aqui nesse texto, falando sobre vários assuntos.
Vou começar pelo começo, e que é um dos pontos principais desse texto.
Como fui parar na mesa de PA do show do Ira!?
(O nome da banda é com a exclamação no final, ok? - Ira!)
Estava em casa, quando recebo uma mensagem de voz pelo WhatsApp.
Era Rogério, técnico de Alceu Valença, avisando que me indicou para fazer o PA do Ira!.
E que iriam entrar em contato.
Como assim?
Vejam como são as coisas...
Visão do técnico de monitor, Fernando Stuart.
Pelicano (roadie do Ira!), pediu para Cezinha (roadie Recifense que mora em São Paulo), a indicação de um técnico para operar o som do PA da banda num show em Recife.
Cezinha falou primeiramente com Rogério, mas ele não poderia fazer porque já tinha um trabalho agendado.
Aí Rogério me indicou para Cezinha, que me indicou para Pelicano, e ele entrou em contato logo depois.
Podem acreditar... Muitos trabalhos nessa área de shows acontecem desse jeito. Por causa do "QI".
Quem Indique!
Não preciso dizer que se o profissional faz muita besteira, essas indicações vão se tornando raras!
E não preciso dizer também, que nós só indicamos quando confiamos em quem estamos indicando.
Pois bem...
Pelicano me passou o contato de Fernando Stuart, técnico do Ira!, e começamos a conversar duas semanas antes do dia do show.
Essa conversa (bem) antecipada ajudou muito no trabalho.
Ele me enviou o rider técnico, e uma cena da CL5 de um show recente onde ele operou o PA e monitor ao mesmo tempo.
Com essa cena aberta no editor offline da CL5 no meu laptop, fui tirando as dúvidas com ele.
Quase todo dia eu perguntava algo. (risos)
No dia do evento, aguardando para passar o som do Ira!.
Fernando foi super paciente com essas perguntas.
Passei um tempinho para decidir se eu usaria essa cena dele para esse show, fazendo meus ajustes logicamente, ou se criaria uma cena do zero.
Enquanto eu pensava sobre isso, um amigo entrou em contato quando soube que eu estaria no Downtown Aldeia Festival operando o som do Ira!, e me pediu para fazer o som da banda dele, a Iron Maiden Cover.
Ok, eu faço.
Aí fiquei sabendo que o soundcheck da Iron Cover seria no dia anterior. Ok, eu faço.
Amigo é para essas coisas.
Foi quando Fernando me falou que o Ira! não iria passar o som!
Mas os roadies passariam os instrumentos no nosso soundcheck, que seria no dia do evento, logo cedo.
Foi nessa hora que eu decidi usar a cena de Fernando.
Nesse show do Ira!, só bateria, baixo, guitarra e um back vocal. Mais as duas vozes principais de Nasi e Edgard Scandurra, logicamente.
Sem teclados, samplers, percussões etc.
Iron Maiden Cover, também seria bateria, baixo, duas guitarras e um back vocal.
Oxe...
Ira! no palco. (Foto by Fernando Stuart)
Não pensei duas vezes, e liguei para o técnico de monitor da empresa de som (Neto), e falei que iria colocar os canais da Iron Cover nos mesmos canais do Ira!.
O que tivesse de diferente nos canais da Iron, a gente colocaria lá para frente, em canais que não seriam usados pelo Ira!.
Resumindo... Só precisei fazer isso em dois canais.
A bateria do Ira! tem três tons (tambores), e na Iron são cinco.
Mas todos os outros canais estavam no mesmo lugar.
Faço muito isso quando estou trabalhando em festivais, tanto no PA quanto no monitor, e a banda não vem com os técnicos.
Ligamos sempre nos mesmos canais, e a cena vai servindo para todas as bandas.
Na sexta-feira, no soundcheck da Iron, puxei a cena do Ira!, renomeei alguns canais, acrescentei os dois canais dos tons da bateria, e salvei a cena como IRON.
Passei o som normalmente, com toda banda tocando, e salvei a cena final.
No outro dia, enquanto o pessoal do Ira! ainda nem tinha chegado, fui na mesa de PA, puxei a cena da Iron Cover, renomeei os canais novamente, eliminei os que não iria usar, e salvei a cena novamente como IRA!.
Mesmo a bateria sendo outra, alguns microfones também, e logicamente os músicos sendo outros, o "plano" funcionou como eu queria!
Como já tinha adiantado muita coisa no dia anterior com o soundcheck da Iron, pulei várias etapas no soundcheck do Ira!!
---
Já fui em Natal (RN) e voltei, para fazer o monitor da banda Academia da Berlinda.
Tou numa ressaca de noite mal dormida aqui, que nem sei se acabo hoje esse texto.
Muita gente acha que faço esses textos de uma vez só. Mero engano...
Normalmente dou pausas de dias, e tenho que reler desde o começo, para ver o que foi que eu falei.
Como foi nesse caso aqui desse texto.
Comecei a escrever na sexta, e estou na segunda-feira.
Nesse show da Berlinda, também comecei de uma cena de monitor que o técnico da banda me enviou. Mas isso é um assunto para outro texto...
---
Ira!. (Foto by Fabíola Oliveira)
Vamos para o soundcheck do Ira!.
Pelo que lembro, nem mexi muito na equalização do sistema line array, pois achei que estava soando muito bem!
Uma série nova da JBL, chamada VTX A12.
Muito legal!
Só fiz atrasar um pouco o front e sub, que estavam à frente da linha das caixas do PA.
Como vocês lembram, eu estava começando a passar o som do Ira! com as regulagens que eu fiz para a Iron Cover no dia anterior.
Por essa razão, em todos os canais eu baixava o fader, ajustava o ganho novamente, pois eram outros instrumentos e microfones, e só depois disso levantava o fader.
E fui passando todos os canais, com os roadies Paulo Budega e Phelippe Reis (PH) me ajudando.
Enquanto eu passava o som do PA, Fernando Stuart passava os monitores.
E foi tudo tranquilo nessa etapa.
Mesmo sem ter passado uma única música com todos os instrumentos e vozes ao mesmo tempo, com certeza eu sabia que seria bem melhor do que fazer na hora sem ter feito nada antes!
Vai começar o show do Ira!.
Não tremi como no show de Lula Queiroga, viu? (risos)
Sinal que estamos voltando à normalidade...
Mas a responsabilidade era tão grande quanto o show de Lula, ou até maior por ser uma banda conhecida nacionalmente.
Mas nada passou pela minha cabeça. Só concentrado no início do show, que seria muito importante, porque não passei com a banda.
Para premiar a decisão de usar a mesma cena para as duas bandas, não tive complicações em ajustar o som quando o Ira! começou o show.
Antes do término da primeira música, já estava muito perto do que eu estava querendo.
E aí foi só diversão! Um "ajustezinho" aqui, outro ali...
Nunca imaginei na vida em operar o som para Alceu Valença, Elba Ramalho, Naná Vasconcelos, Silvério Pessoa, Lula Queiroga, Jorge de Altinho, Otto, Nação Zumbi, Mundo Livre etc...
Muito menos em operar o som de festivais como Abril Pro Rock, SESI Bonecos, MIMO, Porto Musical, Coquetel Molotov, Baile do Menino Deus, Cantata da Caixa etc...
Nunca isso passou pela minha cabeça, até mesmo quando comecei a operar o som de alguns artistas na Boite Over Point, no final dos anos 80... Não imaginei um dia trabalhar com esses artistas ou esses festivais de grande porte. Nunca!
Mas...
As oportunidades foram aparecendo.
E eu fui pegando.
Ira! no palco 2. (Foto by Fabíola OLiveira)
E desde o começo, o QI já funcionava. Isso já era assim até antes do meu começo na profissão.
Alguém indicava para outro alguém.
E assim fui me tornando um operador de áudio.
Faz tempo, viu??? Mais de 30 anos!
Já faz um bom tempo também que reflito sobre esse tempo passando, eu chegando nos 60 anos, uma nova geração de operadores de áudio surgindo na cidade... E surgindo com força total!
Dominando as novas tecnologias que estão surgindo.
E fico pensando se vou ter fôlego para acompanhar isso, ou quanto tempo vou ter fôlego para não ficar "defasado".
Ou poderia até dizer "ficar muito defasado", pois um pouco eu acredito que já estou.
Não tenho mais o fôlego dos vinte e poucos anos... Nem o corpo! (risos)
Mas ainda me sinto muito feliz. Por uma simples razão.
Meu nome ainda é lembrado! O QI ainda funciona até hoje para mim!
E isso é muito gratificante.
Operar o som do Ira! no Downtown Aldeia Festival, e no final receber elogios de um monte de gente que eu respeito, gera uma felicidade profissional absurda!
E com a Iron Maiden Cover recebi os mesmos elogios!
Nunca escutei Iron Maiden. Meu nível de rock chegou só até Supertramp, que eu adoro até hoje.
E ser elogiado por fazer um som que eu praticamente nunca escutei, foi de uma felicidade tão grande quanto a que tive com o Ira!.
No vídeo abaixo, um trecho do show da Iron Maiden Cover Recife, que aconteceu após o show do Ira!, e encerrou o Downtown Aldeia Festival.
Não existe essa diferença quando estou operando o som. Pode ser banda nacional, cover, teatro de bonecos, pop rock em festas de casamento. Vou sempre querer fazer muito bem feito!
Esses elogios vão me dando mais fôlego.
A idade vai pesando menos.
É isso que eu sinto, não quer dizer que outros colegas e amigos da profissão sintam a mesma coisa.
Outra felicidade que tenho atualmente, é ser indicado para trabalhos pela nova geração.
Até para substituí-los em trabalhos que eles não vão poder fazer.
É muito bom!!!
Como falei bem antes aqui, só indicamos quando confiamos em quem estamos indicando.
E isso não tem preço!!!!
De indicação em indicação, do nome lembrado aqui e ali, vou obtendo fôlego.
E sem oxigênio, não conseguimos sobreviver, não é verdade?
Obrigado a todos que me indicaram ou lembraram do meu nome para algum trabalho.
E como esse texto fala do show do Ira!, vou agradecer diretamente Rogério Andrade e Cezinha pela indicação, e agradecer Pelicano e Fernando Stuart por darem a oportunidade.
Show Lula Queiroga no Teatro do Parque. (Foto by Janaísa Cardoso)
Olá pessoal.
Showzaço!!!!
Não tenho outra palavra pra começar a conversa.
E nem é muito de costume eu começar a falar sobre o trabalho usando o subtítulo do texto.
Mas como esse complemento do título é grande, vocês ainda estão sem entender o que ele quer dizer de verdade.
Já no soundcheck (vídeo abaixo) deu para eu notar que as chances eram grandes de ser um belo espetáculo.
O som do Teatro do Parque é legal.
Um sistema de três torres de line array da JBL, modelo VTX.
Formando esse desenho: <Left (>L+R<) Right>.
E as caixas de subgraves, também da JBL, dão conta do recado.
O line central é uma soma do canal esquerdo com o direito.
Já tinha feito um evento lá substituindo o técnico do teatro, Bruno Lins, e escrevi sobre esse trabalho aqui para o Blog.
Nesse trabalho anterior, eu usei o line central no volume que estava programado no sistema do teatro.
Não me preocupei muito com isso, pois não usei muito o PAN (panorâmico), para distribuir os instrumentos no estéreo.
(Foto by Janaísa Cardoso)
Nesse show de Lula seria diferente, por isso dei uma conferida nas caixas do centro, e achei melhor baixar o volume delas para ter mais noção do estéreo.
No começo dos testes eu até desliguei, mas achei muito melhor ligado.
Comecei do zero e fui subindo o volume até chegar no complemento de som que eu queria.
Parei de aumentar o volume, e quando fui ver no visor, estava com um volume de 5 dBs (Decibéis) abaixo do zero. Ou seja... Menos cinco.
Achei ótimo!
As caixas do centro deram um apoio na distribuição do som no ambiente como eu queria, e o estéreo ainda ficou bem definido.
Seguimos com a montagem dos equipamentos.
TF5 da Yamaha.
A mesa de som do teatro é uma TF5 da Yamaha, que faz apenas 32 canais. Mas dá pra fazer um som legal com ela, mesmo sendo bastante limitada.
Um ponto negativo, é que o teatro não tem um bom "Backline", que são os equipamentos que precisamos no palco para fazer um show.
Uma grande parte desses equipamentos tem que ser alugado, como por exemplo: mesa de monitor, monitores ou caixas de subgraves para a bateria, alguns microfones específicos, sistemas de fones com ou sem fio, praticáveis, amplificadores de baixo e guitarra.
Não posso falar da luz, pois não conheço o que eles tem, e não é minha praia, mas se eu não me engano, não precisou alugar equipamentos de luz para esse show.
Acho que ouvi Raí, o iluminador do show, falando só que não tinham luzes robotizadas, as chamadas "Moving Lights". Era tudo luz fixa.
Confirmei aqui com ele. Foi isso mesmo.
Visão de Raí, iluminador do show.
O "danado" fez um belo trabalho, mesmo usando somente luzes paradas, pelo que pude notar em fotos, e nas poucas vezes que prestei atenção na luz durante o show.
Falou também que a mesa de luz é bem legal, uma Titan Mobile, da Avolites. Bem versátil, segundo ele.
Só olho para o palco para ver quem está tocando, e o que está tocando.
Falando em luz...
Quem quase me tira do sério foi a falta de uma luminária na mesa de som.
Já tinha comentado isso para meu amigo que é o técnico do teatro na última vez que tinha ido lá, e ele me chamou de velho.
Relevei...
Dessa vez fui um pouco mais convincente no comentário: --- Não é uma questão de ser velho não, porra!!!! Velho um cacete!!! Não existe essa mesa de som sem uma luminária!!!!
Era pra eu trazer a minha, e dava de presente para o teatro. Eu que esqueci em casa.
Acho que o argumento foi bom, pois ele falou que iriam providenciar essa luminária, e iam até colocar meu nome no objeto. Estavam pensando qual seria: Luz do Titio, Titio é Luz, Luz do Tio, Tioclareando... Coisas do tipo. (risos)
(Foto by Dani Hoover)
Mesmo sem enxergar vários controles na mesa, fui operando o som.
Como eu já sabia que a visão dos controles não era legal, usei muito os DCAs da mesa.
Explicando rápido, um fader DCA controla o nível de volume de vários canais de instrumentos ao mesmo tempo.
DCA = VCA (Voltage Controlled Amplifier = Amplificador Controlado por Voltagem), onde o D significa "Digital", por ser uma mesa digital, onde tudo dentro dela é processado DIGITALMENTE.
Na TF5 existem 8 faders de DCA.
Em cada fader desse, eu escolhia o que eu queria controlar.
O DCA 1 era todos os canais da bateria. O 2 ficou com as guitarras. O 3 era só o baixo. O DCA 4 controlava os dois canais do teclado. Não usei o 5. No 6 coloquei os Backing Vocals, no 7 ficaram as vozes de Lula (principal e reserva), mais a voz dos convidados.
E no DCA 8 sempre coloco toda a banda, caso eu precise baixar todo mundo, sem baixar a voz principal.
Vejam os DCAs na foto abaixo, da cena que eu fiz em casa no Editor Offline da mesa digital TF5.
Clique na imagem para ampliar.
Montamos a cena inicial do show, passamos para um pendrive, e descarregamos essa cena direto na mesa. Já adianta muito o trabalho!
Então com esses oito faders na mão, eu controlo quase tudo no mesmo lugar, sem precisar ficar procurando os canais na mesa.
Nesse show só tinham 28 canais. Imaginaram um show com 48, 64 canais? Como os DCAs podem facilitar o serviço?
Passei muito tempo do show usando a página dos DCAs, onde todos os outros canais sumiam da minha visão. Mas tem uma vantagem nessa mesa. Ao apertar o botão "select" do DCA, os canais que esse DCA está controlando aparecem do lado esquerdo da mesa, onde o técnico pode baixar ou aumentar cada canal individualmente, sem ter que voltar na página principal onde estão todos os canais. Rápido e prático.
Deu para entender?
Pois bem... Nem estava nos meus planos falar em DCAs, mas o assunto apareceu na narração.
Vamos voltar para o show.
Nos dois vídeos abaixo, a visão do técnico de monitor durante o show, Bruno Lins, que falou que eu não enxergava os controles da mesa porque estou velho.
Acho até que foi ele quem envelheceu umas horinhas mais rápido no sábado, pois estava acostumado com shows "pianinho" lá no teatro, e esse show de Lula Queiroga tem uma pressão sonora muito grande no palco.
Mas ele segurou bem os monitores, pois não tivemos sequer uma realimentação (microfonia).
O público foi chegando... E vi muita gente que fazia um tempo que não via.
E como a mesa de som fica na entrada do teatro, via sempre quem chegava, e notei que entrou muita gente da cena musical Pernambucana. Cantores, músicos, produtores...
Só me dei conta do que isso poderia influenciar no meu trabalho, quando os primeiros acordes do show soaram no sistema de som do teatro.
Fui tocar no fader da base eletrônica, que é onde sai o primeiro som do show, e mesmo sem enxergar o fader direito por causa da falta de luz, notei os dedos trêmulos.
Oxe. Não estou com frio...
Foi aí que notei que não era frio, e sim a responsabilidade de estar controlando um sistema de som, onde vários na plateia eram artistas e músicos.
Fazia tempo que não sentia isso.
Senti algumas vezes, mesmo não conhecendo ninguém no público!
Num show de Silvério Pessoa na Bélgica, muitos anos atrás, num festival enorme chamado Esperanzah, ao caminhar para a mesa de som, com meu inglês básico, nem sentia as pernas direito.
Silvério Pessoa se apresentando no Festival Esperanzah em 2007.
Lembro até hoje o que eu pensei na hora que estava caminhando na direção da house mix: --- O que é que eu estou fazendo aqui??!!???
Mas não tinha mais o que fazer. Respirar fundo e seguir.
Essa foto que eu tirei na hora do show de Silvério na Bélgica, se vocês não notaram, é a foto de fundo do Blog.
No vídeo abaixo, feito por Shari Almeida, um pouco do show de Lula Queiroga.
Consegui controlar o "medo" lá no Esperanzah, e o show foi espetacular!!!!
Quando falo show espetacular, não tem como separar do som.
Quase impossível um show espetacular com um som muito ruim.
Ao contrário pode até acontecer. Um som espetacular, mas um show muito ruim!
As duas primeiras músicas, é onde normalmente ajustamos as coisas.
Janaísa Cardoso mostra mais uma parte do show no vídeo abaixo.
Porque duas coisas eu tenho certeza nessa vida:
1) Todos nós vamos morrer. 2) Passagem de som é uma coisa. Show é outra.
A galera passa de um jeito e toca muito mais forte na hora!!!!!!!! (risos)
Falei até disso com os músicos na hora do soundcheck.
Eu até entendo que tem a adrenalina da hora do show, do público, dos gritos e aplausos.
Mas... Eu ainda não me acostumei.
E nunca mais esqueço da banda de Frejat passando o som no FIG.
Não eram os músicos tocando, e sim os roadies. Mas eles estavam tocando com uma "pegada" de show!!
Na hora do show, estava a mesma pancada, só que com os músicos da banda, e duvidei que o técnico iria colocar a voz de Frejat no meio daquela massa sonora...
A voz entrou com a mesma pancada do instrumental, e Frejat nem foi passar o som!
Foi uma das vezes que pensei em desistir da profissão.
Lembro até hoje do nome do rapaz. Rodrigo. Sou fã dele até hoje!
Nesse sábado vou operar o som do PA do Ira! no Aldeia Festival.
A banda não passa som, são os roadies, do mesmo jeito de Frejat, só que não vou poder passar todos os instrumentos ao mesmo tempo, como acontece com Frejat.
Depois conto como foi.
Deve ser a próxima postagem aqui do Blog.
Roteiro do show, com minhas observações.
Voltando mais uma vez pro show de Lula Queiroga...
Aconteceu no Teatro do Parque a mesma coisa que aconteceu na Bélgica.
Depois das primeiras músicas, eu fui me esquecendo de onde estava, das pessoas que estavam no ambiente, e a única coisa que me importava era o som ficar legal.
Deu até para filmar algumas partes do show, o que já é um sinal que "a coisa" estava controlada.
Gosto muito quando Lula coloca duas guitarras nos shows dele.
Ficou massa mais uma vez!!!!
Foi um showzaço!!!
Eu achei.
No final, enquanto eu guardava minhas coisas, e vários da cena musical que estavam na plateia, me agradeciam pelo som ao sair do teatro, eu pensei:
Num show desses, o técnico pode perder vários possíveis contratantes!
Não foi dessa vez pra mim, pelo que notei.
Mas que é tenso, é.
Prefiro tremer de frio!!!!!!!
Não deu outra...
Fui comemorar com amigos, com um excelente vinho Tarapacá Reserva, excelentes petiscos, e um excelente bate-papo.
É muito bom deitar a cabeça no travesseiro depois de um trabalho bem feito (e duas garrafas de vinho tinto!).
Quando faço besteiras eu falo aqui.
Por que não deveria falar das vezes que eu achei que ficou muito legal?
Pode ter sido eu guardando assunto, caso o projeto do Blog fosse contemplado pela LAB.
Tenho ainda algumas fotos do soundcheck desse show no celular, o que corrobora para meu pensamento acima.
Não poderia deixar de falar sobre esse trabalho, pois acho que foi a primeira vez que operei o som de um show nesse formato.
Já fiz até outro trabalho com o pessoal recentemente, no Teatro Luiz Mendonça, mas vou falar primeiro desse aqui na galeria.
Fui até falar com a produtora Tainá, pra saber como devo chamar. É uma banda, ou é um grupo? Falo "Da" Estesia, ou "Do" Estesia.
Na dúvida, coloquei só Estesia no título da postagem! (risos)
Tainá me confirmou que é um grupo!
Então... Daqui pra frente, vou falar "O Estesia".
Vamos ao show.
Soundcheck com Miguel e Tomás.
Fui convidado por Vinícius Aquino para fazer esse trabalho. Ele é o técnico do grupo, e não ia poder fazer esse show. Fui como SUB de Vini.
Eu não conhecia o trabalho do Estesia.
Cheguei cedo na montagem dos equipamentos na Galeria Joana D'arc, que fica aqui em Recife, e deu para Vini chegar por lá cedo, para me passar como era o show.
Esse show aconteceu numa área externa, onde armaram um toldo enorme. Pelo que pude notar, este toldo já faz parte da galeria, para acontecer os shows ali.
Já tinha acontecido um show lá anteriormente do Estesia, mas nesse haveriam mudanças.
No primeiro show, o toldo ficou encostado numa parede, onde delimitava o final do palco, e Vini utilizou 4 caixas amplificadas iQ12 da Turbosound, mais uma caixa iQ15B de subgraves, também da Turbosound.
Faltou som, segundo ele me falou.
Por isso, nesse segundo show, Vini solicitou 6 caixas + 2 Subs.
Todo equipamento de som, tanto do primeiro show como nesse aqui, foi fornecido pelo Carranca Live, mais uma área de atuação do Estúdio Carranca.
A outra mudança, foi que o toldo não ficaria encostado na parede.
Colocaram ele no meio da área.
O Estesia ficaria no centro desse toldo, e tudo ao redor seriam as mesas e cadeiras com o público.
E eu lá sem entender direito ainda qual era o conceito...
Mas depois de alguns minutos conversando com Vini, entendi.
O público iria escutar a mesma coisa que a banda estaria escutando. Basicamente era isso.
Abaixo, um vídeo do início da montagem dos equipamentos, no centro da área do toldo.
Ahhhhh...
Enquanto o grupo ia armando seus equipamentos eu conversava com Vini para decidir onde iriam ficar as caixas de som!
O Estesia usa teclados e computadores nos shows. Não tem bateria, não tem baixista, não tem percussão, não tem guitarrista.
Miguel fica nos teclados e sintetizadores, Tomás fica com as batidas eletrônicas, também usa uma guitarra em algumas músicas e processa sua própria voz para fazer alguns vocais, Carlos Filho é a voz principal, e Cleison é o responsável pela iluminação (cênica) e faz também algumas performances com lasers.
Coloquei "cênica" entre parênteses porque o show tem muito a ver com teatro, inclusive Cleison opera a luz em cena, não fica fora do palco, como normalmente acontece com os iluminadores de shows.
Ele faz parte do grupo, não é um iluminador contratado.
Ahh... A voz de Carlos é enviada para Miguel, onde ele coloca efeitos no computador, e esses efeitos são controlados por Carlos, usando um dispositivo no braço, que muda alguns parâmetros e a intensidade desses efeitos de acordo com a posição do seu braço.
Carlos controlando os efeitos com a posição do braço direito. (Foto by Ananda Pedrosa)
Este dispositivo envia os sinais de controle via wireless para um roteador que está ligado com cabo no computador de Miguel.
Esse efeitos saem pelos canais do laptop de Miguel, e nem me preocupo com eles, pois sempre chegam na medida certa. Parece que sou eu que estou dosando com a voz. (risos)
Muito legal!!!!
Para mais detalhes desse sistema, quem tem MIDI, OSC, WiFi e Ableton Live no meio, é só ir na página de Miguel no Instagram e perguntar direto para ele (@miguelsbm).
No vídeo abaixo, um pouco do que foi o soundcheck.
Estávamos aonde mesmo...?
Ah, conversando com Vini pra decidir onde colocar as caixas.
Duas foi fácil decidir, e colocamos perto da parede onde o toldo ficou encostado no show anterior. Entre essa parede e o toldo, já tinha público. Ok. Caixas apontadas para dentro do toldo, com o som passando pelo público, e indo de encontro aos músicos.
Como a intenção era que o público ouvisse a mesma coisa que os músicos estariam ouvindo, procuramos posicionar as outras caixas de fora pra dentro do toldo, como fizemos com as duas primeiras.
Encontramos um lugar legal para posicionar mais duas caixas nas laterais, que ficaram quase como um side para a banda, mas também tinha público entre elas e os músicos. Perfeito.
As outras duas, à principio, pensamos em colocar na parte da frente do toldo, onde também tinha público, viradas para o palco, como fizemos com as outras quatro.
Mas depois decidimos usar como um PA normal. Encostamos elas nas bases do toldo, uma de cada lado, e apontamos para o público. Essa base do toldo era formada por quatro suportes. Era um toldo quadrado.
Ficou massa.
E as caixas de subgraves?
Os 4 integrantes do Estesia. (Foto by Deborah Barros)
Foi até mais fácil escolher os lugares para elas, pois como muitos sabem aqui (ou não), quanto mais baixa a frequência, menos direcional ela é.
Colocamos as duas caixas, uma em cada base do toldo, formando uma diagonal, e ambas viradas para dentro do palco.
Cobriu perfeitamente toda a área do show, e como a banda fazia parte dessa área, ficou lindo para eles também!!!
O som do show foi estéreo (dois canais), por isso coloquei todas as caixas que estavam na fileira da esquerda no L (Left) e as caixas da fileira da direita no R (Right).
Monitores para os músicos, só tinham dois.
Um para Carlos (vocal), e outro que nem ia colocar, mas a caixa já estava lá, e resolvi colocar entre os outros dois músicos, para caso eles precisassem ouvir algum instrumento específico. Mas usei muito pouco, porque o som do PA já fazia essa função.
O soundcheck foi absurdamente tranquilo, e teve mais cara de um ensaio geral do que soundcheck.
Usamos a mesa XR18 Air da Behringer, onde é preciso um iPad ou um laptop para ser controlada.
Cleison usando os lasers. (Foto by Deborah Barros)
Usei meu iPad para o serviço, usando meu roteador, pois o que vem na mesa não é muito confiável.
Diferente do que eu achava que iria fazer, fiquei parado num ponto do ambiente controlando o som.
Eu achava que iria ficar rodando pelo local, mas tudo estava bem uniforme aos meus ouvidos, e descartei essa ideia do passeio pela área.
Achei também que poderia ter problemas com a voz principal, pelo fato de ter muito som direcionado para dentro do palco, mas isso não aconteceu e tudo fluiu "folgado".
Só na voz de Thaiis, cantora convidada pelo grupo, foi que eu tive que pilotar um pouco o fader, porque ficou querendo realimentar.
Mas deu para controlar tranquilamente.
Público e o Estesia juntos na mesma área. (Foto by Deborah Barros)
O lance de "tá todo mundo junto e misturado" me surpreendeu.
Público e grupo no mesmo palco. Combina muito com o trabalho deles.
Acho que todos gostaram do trabalho (eu adorei!), pois fui chamado para outro, agora num teatro, e mais uma vez substituindo Vini.
Esse show já aconteceu, como falei no início do texto, mas depois eu conto como foi.
Será que o público ficaria dentro do palco também no teatro? Ou seria o contrário?
Foi o primeiro pensamento que me veio à cabeça quando me chamaram para operar o som do grupo no Teatro Luiz Mendonça...
Mais na frente eu respondo.
No vídeo abaixo, um pouco do show na Galeria Joana D'arc com a participação do público, e eu controlando o som via iPad.