quarta-feira, 11 de maio de 2022

Carlos Filho no Teatro Hermilo Borba Filho - Praticamente um sarau na sala de estar.

Carlos Filho, Cláudia Castelo Branco, Rafael Marques e Julinho. (Foto by @maxfoto)

Olá pessoal.
Mais uma vez, fui chamado por Vini (Vinícius Aquino) para substituí-lo em três shows que ele não vai poder fazer.
Esses três shows fazem parte de um projeto de Carlos Filho, chamado "Que voz é essa?", que já começou no dia 05 desse mês, no Teatro Hermilo Borba Filho, em Recife.

Vou falar desse que aconteceu no dia 05, e ainda faço o do dia 19 e 26 desse mês.
O teatro não é muito antigo, pois iniciou suas atividades em 1987.
Eu achava que era bem mais velhinho...
Nesse mesmo ano (87) comecei minha caminhada no áudio, quando entrei para ser assistente de discotecário (atualmente chamado DJ) na saudosa Boite Over Point.
Uns dias atrás, fui almoçar no Restaurante Leite.
Famosíssimo (e chic) restaurante aqui em Recife.
Esse sim é velhinho... Tem uma placa na frente informando a data de inauguração, e lembro até que me assustei quando eu vi os números.
Mas a data é tão antiga, que nem lembro mais do ano.
Vou pesquisar aqui...
Vixe. 1882 é o ano!!!!
Placa na entrada do Restaurante Leite.
O restaurante em funcionamento mais antigo do Brasil, segundo o site do restaurante.
Mesmo sendo tão antigo, eu nunca tinha ido lá!
E um dos motivos é que não é nada barato...
Não tem preço para operador de áudio.
Mas eu tinha que ir conhecer, pois já estou com 56 anos.
Se duvidar, ainda volto lá.
Uma vez por ano não dá para matar.
Quando entrei no Teatro Hermilo Borba Filho, me lembrei do Leite, porque eu nunca tinha entrado nesse teatro.
Não sei se ele foi sempre nesse formato, um teatro arena, onde os artistas ficam no centro, e a plateia nas laterais, em duas arquibancadas de ferro, que faz a pessoa lembrar dos circos!
O cantor, numa hora do show, fez até um comentário: --- Eita, aqui as pessoas chamam de arquibancada. Na minha terra, no interior, a gente chama de "puleiro". (risos)
Se escreve poleiro, mas a gente fala o termo errado mesmo.





Se não me engano, Carlos Filho é de Serra Talhada, que fica a 415 km de Recife.
Vamos voltar para o show, antes que eu volte muito mais no tempo...
Vini já tinha me falado como seria a arrumação dos músicos nesse show.
Ficariam no centro, e seriam quatro caixas de som para sonorizar o ambiente.
Duas caixas apontadas para cada lateral, onde estavam os puleiros (arquibancadas).
Não iria precisar de caixas de subgraves, pois o show era só voz, violão, piano elétrico, bandolim e sanfona.
Nesse projeto, Carlos convida outros cantores(as).
Nesse show aqui a convidada foi Cláudia Castelo Branco, do Rio de Janeiro.
Cláudia se divertindo. (Foto by @maxfoto)

Todos os músicos usaram fones (in-ears) com fio.
Decisão mais que acertada.
Todo o sistema de som foi fornecido pelo Estúdio Carranca, onde Neto era o responsável pela montagem.
A mesa foi uma XR18 da Behringer, muito prática para esses shows com poucos canais e poucas vias de monitor.
Logicamente, precisa-se de um iPad ou um computador, para manusear a XR18.
Mesmo ela possuindo um roteador wireless embutido, não é confiável.
Sempre uso meu roteador Airport (Apple) para essa função.
As caixas de som eram da marca Turbosound, modelo iQ12.
Como não tínhamos muito equipamento para ligar e checar, achei que teríamos tempo suficiente, mesmo começando às 14h.
Eu sempre prefiro o termo "sobrar" do que "faltar".
Por mim, teria começado a montagem pela manhã, entre 9 e 10h.
Com certeza iria sobrar tempo.
Nesse, quase faltou.
No detalhe, uma das arquibancadas. (Foto by @maxfoto)
O show começava cedo, 20h.
Um pouco antes de começarmos o soundcheck, notei que estava com problemas em duas máquinas de efeitos na XR18. Ela possui quatro máquinas de efeitos.
Montei uma cena inicial em casa, que eu nem sabia que era possível no iPad, mas Vini me informou como se fazia.
Essa cena a pessoa pode montar tanto no iPad como no editor offline no laptop.
Acho muito mais prático montar a cena no laptop.
Mas para sincronizar essa cena com a mesa, o iPad fica na vantagem porque você não tem que ligar um laptop para chamar a cena na mesa.
Tudo certo. Chamei minha cena que fiz em casa no iPad.
Mas... Quando fui testar os efeitos, apareceram problemas nos efeitos 1 e 3.
Já estava na correria para começar o soundcheck, que nem lembro se conferi o efeito 4.
O reverb que estava no efeito 2, não tinha problema, e decidi usar só ele mesmo. Não tinha mais tempo para tentar achar onde estava o defeito.
Ainda tentei falar com Vini, pois ele usa muito essa mesa, e nós dois estávamos achando que era algum erro no roteamento interno (PATCH), ou algum defeito (BUG) do software.
Ele até apareceu lá minutos antes de começar o soundcheck, mas não encontrou nada de errado no patch, e eu não tinha mais tempo.
Decidi que levaria a mesa para casa após o show e iria procurar o erro.
E nessa segunda-feira (dia 09) eu liguei tudo aqui em casa e achei!!!!! Liguei para Vini explicando.
O velho problema de "DDO".
No final explico o que é DDO.
Carlos Filho fazendo um café durante o show.  (Foto by @maxfoto)
Fora esse problema, o soundcheck aconteceu tranquilo, e ainda deu tempo de fazer um "lanchinho" especial muito gostoso no teatro, preparado por Giovanna Nacarato, companheira da Carlos Filho.
Tinha até escondidinho de charque se não me engano. Que não comi porque não estava com fome suficiente.
Um luxo!
Aí, foi só aguardar pela hora do show.
Que eu não sabia como ia ser.
Muito legal a ideia do formato.
Quase uma peça de teatro, onde o cenário era uma mesa no centro de uma sala, com os quatro ao redor, conversando.
Fizeram café, beberam vinho...
Hora do vinho. (Foto by @maxfoto)

Se eu soubesse, tinha levado meu vinho para participar da festa!
Até a plateia experimentou o vinho tinto!

Plateia degustando o vinho. (Foto by @maxfoto)

Muitas vezes, Carlos conversou com o público sem usar o microfone, para vocês terem ideia do clima do show.
Cantou uma música "à capella" (só voz) com Cláudia, passeando pelo teatro, sem microfones também.
Muito legal.
Carlos Filho e Cláudia Castelo Branco à capella. (Foto by @maxfoto)

Tudo bem... O espaço (pequeno) era propício para isso, eu sei. 
Em certa hora do show, eu já estava me sentindo mais plateia do que operador de áudio.
Rafael Marques no bandolim e Julinho no acordeom (eu prefiro chamar sanfona), completavam o grupo ao redor da mesa.
Cláudia usou o piano elétrico.
E Carlos Filho usou o violão em algumas músicas.

Eu fiquei atrás de uma das arquibancadas (puleiros), perto da mesa de som e do laptop que estava gravando o L/R da mesa, mais o multitrack com os canais separados, via cabo USB.
Uso o Cubase 7 para esses serviços.
Tudo certo. Nenhum contratempo.
Só as dores nas pernas por ficar em pé o tempo todo durante o soundcheck e o show.
Tinha que ficar em pé para poder ver os músicos no centro, olhando pelas brechas entre as pessoas sentadas.
O resto foi perfeito... O show foi muito legal... Eita!
Quase perfeito se não fosse pelo problema do DDO que falei lá em cima.
Deixei de usar mais efeitos por causa desse DDO, porque Carlos sugeriu o acréscimo de um efeito em determinada hora no microfone que iria captar a voz e violão ao mesmo tempo, e eu falei que tinha aparecido esse problema, e que estava só com um reverb.
Ok, sem problema, acrescenta mais reverb nessa hora que já vai chegar perto do clima que eu quero, falou ele.
Ok. Fiz isso e seguimos em frente.
E o DDO?
DDO = Defeito Do Operador. 
Nesse caso, eu.
Descobri nessa segunda-feira em casa, que o problema não foi patch interno, não foi bug do software, e sim nos efeitos, que estavam com uns ajustes que causavam a realimentação.
Na hora de montar a cena, ajustei alguma coisa nos parâmetros erradamente, pois esses ajustes são visuais, a gente não escuta o resultado. E isso estava causando os problemas na hora do soundcheck.
Foi só eu trocar os efeitos, ajustar os parâmetros, agora ouvindo o resultado, e tudo ficou certo.
Salvei a cena novamente no iPad.
No próximo show desse projeto, no dia 19, que está programado para eu fazer novamente, vou ter os quatro efeitos normalmente, e vamos chegar no som do microfone que ele quer.

Quer dizer... Isso se Carlos não ler esse texto aqui antes, e achar melhor colocar outro operador, né?
Eu tenho que perder essa mania de escrever o que aconteceu nos (quase) mínimos detalhes!!!!
(Foto by @maxfoto)

Logicamente, quando cheguei em casa depois do show, de tanto ver o pessoal bebendo o vinho tinto, e para comemorar um resultado sonoro muito legal e um belo espetáculo, abri uma garrafa de vinho e fui para minha sala de estar, como se eu estivesse no sarau que aconteceu no teatro.
Com a diferença de que eu só tinha Tom para conversar.
Mas foi legal também. Ele me entende. Sem reclamar.
Não é, Tom?
Tom, escutando o que eu tenho para falar, sem reclamar.
Não deu para estender a conversa com Tom, porque no outro dia eu tinha o show de Elba Ramalho para fazer no Teatro RioMar, substituindo o técnico dela, meu amigo Mário Jorge.
Mas aí já é uma outra história...
Um abraço a todos.

terça-feira, 3 de maio de 2022

Show de Marisa Monte em Recife - Pois é...

 
Show de Marisa Monte no Teatro Guararapes. (Foto by Sávio Uchoa)
Olá pessoal.
Um dos shows que me arrependo de ainda nunca ter visto, é o de Marisa Monte.
Toda vez que acontece, escuto o mesmo comentário das pessoas que foram: Show lindo, impecável, perfeito!!!
Mas tem uma explicação para isso. E eu acho até uma explicação simples!
Alguns meses atrás, fui ver um documentário de Marisa Monte no YouTube, indicado por um amigo produtor aqui de Recife.
Esse documentário é antigo, 2008, 2009... Por aí.
Tá no YouTube. Só colocar na janela de busca o título "Marisa Monte documentário", que vai aparecer duas opções, uma com legenda em Espanhol (Documental), e outra com legenda em Inglês (Documentary).
Ou então, clique AQUI e vá direto para a página no YouTube.
"Infinito Ao Meu Redor" é o título do documentário.

Documentário no YouTube.

Quando comecei a ver esse documentário, com menos de 20 minutos, liguei para Duda Lopes, que tinha me indicado esse vídeo, e falei: --- Você me indicou esse vídeo porque, entre outras coisas, a narração é muito parecida com a que eu faço no meu Blog, né?
Ele respondeu que sim, parece mesmo.
Quem narra tudo é a própria cantora, e ela fala que é a visão dela, que cada músico ou outra pessoa envolvida nos shows pode ter uma visão diferente.
É a cara do meu Blog mesmo!
Como eu, ela narra tudo, direcionando para pessoas que não vivem no meio artístico.
Explicando cada detalhe de como uma turnê musical é produzida e realizada.
Nos mínimos detalhes...
Usando palavras e frases simples.
É muito legal o documentário. Não deixem de ver.
Várias coisas me chamaram a atenção nesse documentário.
Show de Marisa Monte no Teatro Guararapes. (Foto by Sávio Uchoa)

Uma delas foi essa forma de narração feita por Marisa Monte.
Perfeita! Uma conversa na sala de estar da casa dela, com amigos que não sabem como funciona, ou não sabem o que está por trás de um show e/ou turnê.
Ela não fala só dos shows, fala de tudo ao redor.
Ensaios, produção, divulgação, entrevistas para rádio e TV no mundo todo, e muitas vezes respondendo as mesmas perguntas, noites mal dormidas, músicos, técnicos etc.
Mostra até ela lavando suas roupas na banheira do hotel, procurando depois um local no quarto para estender essas roupas pra secar...
Documentário no YouTube.

Ela mostra nesse documentário até ela errando!!!!
Foi aí que ela ganhou os 100% da minha admiração!
Para muitos artistas (grande maioria), uma coisa inimaginável, inadmissível. Mostrar um erro? Jamais!!!!
Ela mostra.
Show de Marisa Monte no Teatro Guararapes. (Foto by Sávio Uchoa)

Vendo esse documentário, a pessoa consegue enxergar os motivos que fazem com que um show de Marisa Monte seja diferenciado.
Ela aluga um teatro por vários dias, monta todo o cenário e som, e faz os ensaios, ajustando tudo!
Ela anda com esse cenário para todos os shows no Brasil, e para todos os shows no resto do mundo!!!!!!
Não vou mais falar do documentário, vou deixar o resto para vocês conferirem no YouTube.
Só vou falar na conclusão do texto, da frase de Marisa que resume tudo, e que é a razão do título dessa postagem, ok?
É a razão também para a frase "explicação simples" que eu falei no começo desse texto, sobre todos gostarem dos shows dela.
Tá todo mundo aqui em Recife falando (mais uma vez!) desse show recente dela no Teatro Guararapes.
E o cenário, mais uma vez, aparece nos comentários.
O pessoal ainda se assusta.
Eu não.
E nunca fui à um show dela, como já comentei no início do texto.
E tem uma frase espetacular (entre muitas outras) que ela fala no documentário, que resume tudo isso que estou falando aqui...
Ela fala:
"Existem mulheres que compram sapatos. Outras, bolsas de grife. Eu, gosto de investir meu dinheiro fazendo shows. É minha maior vaidade."
Não tenho mais o que falar, a não ser:
Pois é...
Tá explicado, não?
Um abraço a todos.

segunda-feira, 2 de maio de 2022

Moogie Canazio no Corredor 5 - Já vi que vou me tornar repetitivo.

Olá pessoal.
Tenho certeza que vou indicar tantas entrevistas do Corredor 5 aqui no Blog, que vou ficar repetitivo.
Mas prefiro me tornar repetitivo do que egoísta.
Seria um egoísmo da minha parte não indicar, comentar ou sugerir essas entrevistas.
Principalmente para quem vive de música, shows e eventos!!!!
Acho que é quase uma obrigação ouvir o que esse pessoal tem pra falar.
E Moogie tem muito o que falar!
Quem é do ramo, principalmente de estúdio de gravação, sabe quem é Moogie Canazio.
Não lembro de ouvir falar que ele mixou o som de algum show ao vivo.
Ele é reconhecido "mundialmente" pelos trabalhos em estúdios.
Ele é brasileiro, viu???!!!
Mora lá nos EUA, mas nasceu aqui no Brasil!
Vi na sexta-feira (29/04/22) esse bate-papo no Corredor 5 (YouTube).
O Clemente foi até Los Angeles para fazer essa entrevista.
Não sei se ele foi exclusivamente fazer isso, só sei que foi lá que aconteceu a conversa, e que tem quase 2h30min de duração, mas que é tão boa, que parece ter 10 minutos.
Com certeza, o Moogie tem histórias para contar que renderiam um número de horas de conteúdo que eu não consigo calcular.
Já estou com outra entrevista "engatilhada" aqui para ver, com o produtor musical Mario Caldato Jr., que foi Júnior Evangelista quem me indicou.
Mas essa entrevista, como a de Moogie, já estavam agendadas para minhas noites com vinho.
Não vou me estender hoje aqui, vim só indicar essa conversa de Clemente com Moogie.
Com certeza, mesmo sem ver ainda, a conversa com Caldato deve ser muito boa também.

Como foi a com Manoel Poladian, Tico Santa Cruz, Marcelo D2, Ney Matogrosso...
Já tenho várias outras entrevistas agendadas pra ver, como podem notar nas fotos abaixo.










Com certeza, vou apreciar.
E sem moderação!!!!!!
Um abraço a todos.

segunda-feira, 25 de abril de 2022

Operando o monitor da Academia da Berlinda no Festival DoSol - O sonho de todo técnico de monitor.

Minutos antes do início do show.

Olá pessoal.
Os eventos e shows estão voltando...
Um alívio para quem passou mais de dois anos sem saber direito para que lado deveria ir, como foi o caso dos profissionais que vivem de shows e eventos para garantir o "pão-de-cada-dia".
Foi complicado, e sei de casos de técnicos que preferiram não voltar mais para o ramo, ficando no novo trabalho que conseguiram durante a pandemia.
Os eventos e shows estão voltando... E com força!!!!!
Não paro de divulgá-los nas minhas redes sociais.
Uh uhhhhhhhhhhh.
Vou falar de um desses shows que divulguei, e participei, pois não divulgo só os que eu participo.
Lembram do texto do QI no show do Ira!?
É...
Nesse caso aqui não foi bem uma indicação, mas foi a lembrança do meu nome, o que é bem perto do QI.
Um dos técnicos da Academia da Berlinda não poderia fazer o show, e numa conversa entre o outro técnico (Adriano Duprat) e o produtor (Duda Lopes), meu nome foi lembrado.
Duda me ligou perguntando se eu poderia fazer o show no Festival DoSol, em Natal (RN).
Esse show aconteceu no dia 10 desse mês (abril).
Falei que poderia fazer, e ele passou meu nome para o escritório em São Paulo, que cuida da agenda da banda.
Como eu já tinha feito vários trabalhos com a Nação Zumbi, que também é desse escritório, foi mais fácil aceitarem meu nome.
Esse trabalho no dia 10 com a Academia, foi o primeiro que fiz com a banda.
Conhecia alguns músicos de trabalhos que eu fiz com outras bandas onde eles participaram, mas com a Academia da Berlinda, seria a primeira vez.
E mais uma vez, conversei antecipadamente com o técnico, que iria operar o som do PA nesse show em Natal, e que normalmente faz o monitor da banda.
Acho muito importante essa conversa antecipada, como fiz com o Ira!, agora com a Academia, e também estou falando com o de Elba Ramalho, meu Amigo Mário Jorge, onde faço dois shows no mês que vem, onde ele não vai poder fazer.
Essas conversas antecipadas ajudam, e muito, no resultado do trabalho.
Pelo menos, sempre achei isso.
Munido de todas as informações sobre a banda que Adriano me passou, como rider técnico, mapa de palco, input list, e uma cena de monitor da PM5D (Yamaha), que seria a mesa digital usada no show da Academia, decidi usar essa cena de um show anterior para iniciar o soundcheck.
Mais uma vez vou usar uma cena que não é minha, para iniciar um trabalho.
Não é sempre assim, ok?
Em Elba, por exemplo, vou montar uma cena aqui em casa da CL5, que vou usar para operar o som do PA, no show do dia 6 de maio.
Ainda aguardando para saber qual será o equipamento do dia 7, em Caruaru, para ver qual caminho seguir. Pode ser que seja mais interessante começar com uma cena que Mário Jorge usou em algum show anterior. Não sei... Ainda vou decidir mais na frente.
Se for a mesma formação da banda no segundo show, e a mesa sendo uma CL5, uso a minha cena do show anterior! Simples.
Tudo depende das informações que ainda vou receber.
Vamos para Natal...
Todos na banda usam monitores de chão, com exceção do baixista, que usa um in-ear mais o monitor de chão.
São sete músicos no palco.
Bateria, baixo, guitarra, teclados, percussão, e duas vozes principais.

Academia da Berlinda em ação. (Foto by Duda Lopes)
Ahhh...
Ajustei a cena que recebi de Adriano no editor offline, e passei essa cena para o cartão PCMCIA, que é a mídia que a mesa reconhece para ler as cenas.
A outra maneira de passar uma cena para a PM5D, é conectar o laptop via USB com a mesa, abrir a cena no editor offline da mesa no Studio Manager da Yamaha, e sincronizar o laptop com a mesa.
A grande desvantagem desse modo, é ter que ligar um laptop, e a demora para fazer a conexão, que muitas vezes não acontece por causa de versões desatualizadas, tanto do software, quanto do firmware da mesa de som.
Mas sempre levo a cena nos dois modos, tanto no cartão quanto no laptop.
Como sempre salvo minha cena no cartão em ALL DATA, isso implica em eu apagar todas as cenas que estão na mesa do festival quando eu for passar a minha.
Por causa disso, sempre salvo primeiro no meu cartão a mesa do festival, e depois passo minha cena.
Quando acabo o trabalho de soundcheck, salvo a cena no meu cartão, e passo de volta a cena do festival, onde estão as cenas das outras bandas.
E na hora do meu show, passo minha cena novamente para a mesa.
E se depois que eu passei o som, teve soundcheck de outras bandas e que vão tocar depois do meu show, repito todo o processo que falei acima antes de passar a minha cena na hora do show.
Tudo bem... É para o técnico de cada artista salvar sua cena, e é para o técnico da empresa de som salvar todas essas cenas no seu cartão pessoal, mas nem sempre isso acontece.
Tem técnico de artista que não tem o cartão, e deixa a cena apenas na mesa (Vixe!!), e tem empresa de som que não disponibiliza esse cartão PCMCIA.
Ou seja...
Todo cuidado é pouco!
Como ainda tinha um tempinho sobrando, liguei meu laptop para conferir se eu conectava normalmente com a mesa.
Consegui. Ok.
Sincronizei minha cena com a mesa, com o cuidado de desmarcar a opção ALL LIBS, que quer dizer "todas as bibliotecas".
Janela com as opções de sincronização entre laptop e mesa de som.

Se esta opção estiver marcada, quando você passar sua cena para a mesa, essa cena vai com todas as bibliotecas, inclusive a de cenas. Aí lascou!
Vai apagar as cenas que estão guardadas na mesa de som!!!
Fazia tempo que eu tinha feito essa conexão via USB com a PM5D.
E quando notei que não mudaram os nomes nos canais na mesa de som quando acabou a sincronização, não perdi tempo e fui passar a cena que estava no meu cartão.
Logicamente, fazendo todo aquele procedimento que falei acima sobre salvar tudo da mesa antes.
Quando eu passei minha cena do cartão para mesa, e vi que estava tudo certo, notei onde foi meu erro antes com o laptop.
Eu sincronizei errado. Tem duas opções na hora da sincronização. 
PC > Console, e Console > PC.
Eu não notei que estava marcado Console > PC.
Ou seja... Transferi tudo que estava na mesa para o laptop.
Por isso, a cena que estava na mesa não "saiu do canto", e me assustei ao notar que os nomes nos canais não mudaram. Mas não mudou nada na mesa!!!
Mas tudo bem... Já estava tudo ok com minha cena devidamente instalada na mesa.
Estava?
A mesa travou!!!!!!
Congelou. Nenhum comando funcionava.
Vixe...
Solução?
Desliga e liga de novo. (risos)
Reiniciou a mesa, tudo funcionando.
Para garantir, passei minha cena novamente para a mesa via cartão.
Tudo ok.
No vídeo abaixo, minha visão da mesa de monitor durante o show.


Só me restava torcer (não rezo) para não congelar novamente!
Posso adiantar, acabando com o suspense, que não congelou mais. Nem durante o show.
Esse comentário (breve) abaixo vai só para meus amigos e colegas da profissão. Os leigos, podem pular o comentário.
---
Foi a primeira vez que fiz o monitor usando o método PÓS FADER.
Tenho muito receio em usar esse método, porque sempre encontro faders "doidos" na estrada.
E esses problemas com os faders subindo e descendo aleatoriamente, podem causar danos enormes numa monitoração pós fader, pois vai "esculhambar" o monitor de todos os músicos ao mesmo tempo!!!!
E se estão usando fones, piorou, pois é direto no ouvido do músico/artista!!!!
Quase não usei o fader para aumentar e/ou baixar o sinal na via de todos ao mesmo tempo.
Para ser mais exato, usei uma única vez, num solo de guitarra.
Só por esse trabalho, ainda não vi motivos para mudar o velho método de monitoração PRÉ FADER, que é o que eu uso sempre.
Num caso de começar do zero num soundcheck, e ainda com todos os músicos usando fone, o método pós fader deve facilitar as coisas, agilizando no envio dos canais para os monitores, porque ao levantar o fader, o sinal vai para todos os monitores ao mesmo tempo. Mas isso o técnico tem que deixar ajustado na sua cena antecipadamente, usando o editor offline da mesa.
Pra fazer isso na hora do soundcheck, eu acho melhor usar o método pré fader mesmo.
Vamos voltar para o show...
---
Com minha cena já na PM5D, fui ajustar os monitores e os side no palco.
Nada de anormal, só pedi para trocar uma caixa de um par, pois estava falando diferente, e o som ficava pendendo nos ouvidos.
Logicamente, eu zerei os equalizadores em todas as vias, quando ajustei a cena em casa usando o editor.
Como seriam outros monitores, com outros amplificadores, eu não iria abrir todos os canais de uma vez, usando o mesmo ganho que estava na cena do show anterior que Adriano fez.
Poderia "estourar" tudo no palco.
Tinha pensado em baixar todos os faders e ir subindo um por um até chegar no "ponto ideal" na monitoração de todos os músicos.
Mas Adriano me deu uma sugestão que achei melhor.
Deixar os faders onde estavam, diminuir o ganho de todos os canais, e ajustar esse ganho até o músico que estava tocando o instrumento achar que estava legal para ele no monitor.
Se estava bom para esse músico, era muito fácil que estaria bom também para os demais.
E foi assim que eu fiz.
E deu certo.
Se eu estivesse usando uma cena com tudo em pré fader, também teria ido por esse caminho.
O soundcheck foi muito tranquilo!!!
E o que mais me impressionou foi o volume do som no palco.
Baixo!!! Muito baixo!
Deu tempo de voltar para o hotel e ainda deu para dar um cochilo!
No vídeo abaixo, feito pelo produtor Duda Lopes, mais um pouco do show.

Achei o local do show um pouco estranho, uma área "meio" abandonada da cidade, no bairro da Ribeira.
Prédios maltratados, com cara de abandonados, ninguém nas ruas...
Fiquei até pensando: --- Será que vai dar gente?
Deu, e muita!!!
Eram dois palcos, e teríamos tempo de sobra para ajustar nossas coisas, enquanto outra banda se apresentava no outro palco.
Depois de tudo checado no nosso palco, aguardei pela hora do show.
Nem lembrava mais que a mesa tinha congelado no início do soundcheck.
O show foi mais tranquilo do que o soundcheck!
Para não falar que não teve um único contratempo, a corda da guitarra partiu.
Mas nada a ver com a monitoração.
(Foto by Duda Lopes)
E com o público na mão, cantando as músicas da banda, a Academia da Berlinda fez um grande show!
Mesmo com várias caixas de som no palco ajudando os músicos a se escutarem, parecia que todos estavam usando fones.
Lógico que não é igual quando todos usam fones, onde não se escuta a voz de quem está cantando, mas foi bem parecido.
O side estava ligado, mas com poucos instrumentos direcionados para lá, e ainda com o volume geral bem abaixo do "normal", levando em consideração os meus trabalhos com outras bandas.
Por isso falei que era o sonho de todo técnico de monitor, operar o palco da Academia.
Não é muito relax para quem está operando monitor, quando tem muitas caixas de som fazendo o trabalho, pois o risco de alimentação é proporcional ao número de caixas.
Quanto mais caixas, maior o risco de microfonia. E quanto mais volume nessas caixas, mais aumenta o risco.
Mas nesse show, o risco diminuiu muito por causa do baixo volume de som no palco.
Não quero também dizer com isso, que um volume alto de som no palco vai sempre causar realimentação (microfonia), pois um dos trabalhos do técnico de monitor é ajustar essas caixas para serem usadas sem realimentar, mesmo que o volume esteja alto no palco com os instrumentos e vozes.
Apenas quis mostrar o risco da realimentação no palco em relação ao volume do som no palco.
Durante todo o show, apenas uma coisa me chamou a atenção.
Notei algumas expressões na fisionomia do baterista (Irandê), que eu achava que ele não estava satisfeito com o monitor.
Mas em nenhum momento ele me falou alguma coisa ou pediu para o roadie falar alguma coisa comigo.
Relaxei.
Mais um pouquinho do show abaixo, filmado por Duda Lopes.

No camarim, fui perguntar a todos sobre a monitoração, se gostaram, ou se teve alguma coisa que não ficou legal. 
Tudo ok, falaram.
Aí eu insisti, e perguntei à Irandê se realmente ele tinha gostado, lembrando da sua expressão facial em algumas músicas, mas ele falou pra eu relaxar, que não tinha nada a ver com o monitor, e ele fazia isso de vez em quando durante o show, e que foi tudo certo.
E completou:   --- Pode passar no RH, pra efetivar a cargo de SUB Oficial. (risos)
Depois de um comentário desse, me animei mais ainda, e resolvi até beber uma cerveja!
Mas só consegui beber uma latinha mesmo. Não consigo mais gostar.

Final do show. (Foto by Duda Lopes)
Agora... Se tivesse no camarim uma garrafa de vinho tinto seco... Eu teria "esticado" a comemoração de um ótimo trabalho, e que foi brindado com um ótimo show.
Um abraço a todos.

sábado, 16 de abril de 2022

"Concordólogos" e "Achólogos" - Devaneios de um operador de áudio, bebendo vinho sozinho num feriado religioso, escutando Belchior. Vai dar merda... (Será?).

 

Olá pessoal.
Nem vai ter fotos para ilustrar o texto hoje!!!
Aproveitei  a mania de Lula Queiroga de colocar títulos longos nos seus discos (CDs), e fiz isso no título dessa postagem.
Ficou massa. E acho que ganhei dele por várias palavras!!!!!!!!
Como é massa os títulos das obra do Lula (Queiroga).
Gosto muito dos seus discos, mesmo antes de trabalhar nos seus shows. 
Então vocês imaginam como me senti no Teatro do Parque operando o som dele, né?
Mas não vim aqui hoje falar sobre essa minha predileção.
Só lembrei dele, ao colocar o título do texto.
O assunto aqui hoje não tem nada a ver com a família Queiroga (que é enorme!).
Convivo com "Os Queirogas" faz muito tempo... Vixe... Nem gosto muito de lembrar, pois é uma comprovação de como o tempo passa muito rápido. Gravei a voz da mãe deles em jingles!!!!
Mêves Gama...
Vamos pular essa parte, pra eu não chorar. (Olha o vinho fazendo efeito)
A porra do texto de hoje não tem nada a ver com eles!!!!!!!!!!!!!!!
(É muito bom escrever, sabendo que não vai ter censura no texto - Censura nunca mais!)
Tenho fé (modo de falar) que eu vou começar esse texto...
Tomar água aqui pra desacelerar...
A produtora do projeto do Blog pela LAB, e o rapaz responsável pela divulgação nas redes sociais vão ficar "putos", pois não vou seguir o cronograma do projeto, e vou postar antes de ter a cartela que avisa sobre a postagem.
Mas o Recife Virado vai ficar no lucro, pois o projeto aprovado é para seis textos em três meses, e vou escrever muito mais nesse tempo!
Esse texto já é o sexto. Dois meses de gratificação. 
O Blog é temporal. Tem "timeline". Pulsa.
Segue meus trabalhos, meus shows, minhas farras na varanda em feriados religiosos... Difícil seguir uma "regra".
Como a produtora e o rapaz da divulgação são, respectivamente, minha Ex-esposa e meu Filho, eles não vão esquentar com essa minha atitude, pois me conhecem bem.
Vamos para o tema do texto...
Tudo começou com uma conversa hoje com um Amigo cantor.
Sobre projetos, músicas, shows, vinhos, tira-gostos, botecos, internet, streaming, CD, vinil, K7.
Ou seja... Conversa entre amigos, onde falamos de tudo.
Sexo eu nem falei, pois estou mais parado do que obra que a turma promete em campanha política!
Mas o "mote" principal da conversa foi sobre divulgação do trabalho, no caso, as músicas desse cantor amigo meu.
Foi quando eu cheguei nas palavras "relevante" e "irrelevante".
Aí o bicho pegou, pois foi mais de uma hora discutindo (amigavelmente) sobre o assunto.
Ele falando que o CD ainda era uma forma relevante de divulgar um trabalho, e eu falando que era totalmente irrelevante.
Mesmo eu achando que qualquer forma de divulgação de um trabalho é válido, no caso da divulgação de músicas, acho irrelevante o CD (HOJE EM DIA!).
Quem é que tem CD-Player hoje em dia em casa?
Lembrando que é um pensamento meu, pelo meu ponto de vista.
Cada um acha o que é ou não relevante.
Nem é minha área, pois sou operador de áudio, não sou artista.
Mas dependo dos artistas. Trabalho para eles em muitos casos.
Se os artistas não fazem shows, tenho menos opções de trabalho.
Meu desejo é que eles tenham o maior número de shows possíveis no mundo!
Mas se o público não escuta as músicas desses artistas, como esse público vai pagar para ver um show desses artistas?
Para mim, é matemática. Sempre.
E hoje em dia, que o show é a fonte de renda principal da maioria dos artistas?
Pelo que notei nas minhas idas à Europa (2005 a 2012), eles consomem, pagam, vão para festivais, pra ver shows de artistas que nunca ouviram.
Aqui, até agora, não vejo isso.
Mesmo com a internet, uma ferramenta poderosa de divulgação, ainda hoje é difícil aqui no Brasil alguém PAGAR para ver um show de um artista (música), sem conhecer a música dele.
Cinema e teatro ainda a turma vai sem saber direito o que espera, mas música? Difícil.
Mas vamos voltar para o CD, que é ponto principal dessa conversa.
Quem tem CD-Player hoje em dia em casa para ouvir um CD?
Nem vem mais nos laptops!
Ou seja... Eu acho difícil alguém ouvir um CD hoje em dia em casa. Vinil, piorou!
K7? Lascou, né?
Aí passei mais de uma hora com esse Amigo cantor discutindo esse assunto.
Ele produziu CDs para venda e divulgação.
E eu, com minha sinceridade "faraônica", falei que ele deveria usar esse dinheiro do CD para outro tipo de divulgação, ou até para um cenário de um show dele.
Não teve jeito.
O CD para ele era relevante, e eu falando que era mais um prazer pessoal dele como artista.
Cansamos do diálogo, e entramos na conversa de vinhos.
Nesse mesmo momento, eu conversava sobre esse mesmo assunto com um técnico de som, também amigo meu (que me colocou no circuito de shows décadas atrás), e que me falou de uma frase que ele ouviu de Zé da Flauta.
Quando ele me falou a frase, lembrei na hora de outro caso, quando eu estava vendo uma live do Porto Musical, sobre direito autoral, onde Heloísa Aidar falou mais ou menos isso: "Os artistas tem que quebrar essa redoma, onde todos que estão ao redor dele sempre concordam com ele."
Nada a ver com direito autoral, né? Mas por alguma razão, ela acabou falando sobre isso.
Peguei essa live na metade.
Aí chegamos no título dessa postagem!!!!!!
A frase de Zé da Flauta foi: "Normalmente, os artistas, estão cercados por Concordólogos, e não por Achólogos!!!!"
E ele explicou. Dificilmente, alguém que está diariamente ao lado de um artista, vai discordar do que ele pensa. Vai sempre concordar, e nunca vai achar nada diferente.
Pode ser a maior merda do mundo que ele vai fazer, mas poucos vão dar uma opinião contrária.
Não tem nada a ver com o que é certo ou errado, mas apenas o que a pessoa acha. 
Normalmente, não vai falar.
Eu falo! Me lasquei!!!!!!!!
Dou minha opinião, mesmo sabendo que vou levar um coice!
Sou um ACHÓLOGO. Quando eu acho alguma coisa que o artista não acha, eu falo.
Sou um ser raro!
Muito bom esses termos de Zé da Flauta!
Não tinha como eu não registrar esse fato de hoje no Blog.
Pois é o que mais acontece no meio artístico.
Eu tenho orgulho de ser um "achólogo", independente da situação.
Espero que os artistas que me pedem uma opinião consigam absorver isso, entender.
Alguns nem perguntam mais, pois sabem que se eu não concordar, eu vou falar. (risos)
Opinar, de acordo com a situação, como os políticos fazem, é fácil demais!!!!!!
Pra finalizar, vou falar mais uma vez aqui de um caso famoso de "achologia" que aconteceu comigo e Alceu.
Quem já conhece do caso, releve, que vale a pena falar de novo aqui.
Me encontrei com Alceu no café da manhã depois de um show.
Segue o diálogo, que nunca esqueci:
(Abre aspas)
Oi Alceu, tudo bem?
Tudo bicho. Mas o som do monitor ontem não estava legal não, viu? Tava ruim.
Eita Alceu, você não demonstrou nada no palco que estava ruim, não me falou nada durante o show, eu achei que estava legal.
Tava não. Estava ruim.
Foi mal Alceu...
Beleza... O equipamento de som era ruim, né?
Não Alceu. O equipamento de som era ótimo. Eu que errei na mão.
Ah tá... Ok.
(Fecha aspas)
Gosto muito de uma frase, que eu jurava que era de Chaplin, mas não encontrei nada falando sobre isso. Não importa. A frase é massa.
"A sinceridade pode machucar, mas é muito mais digno falar."
Não doeu muito quando Alceu falou pra mim no café da manhã, porque tenho esse pensamento sobre sinceridade.
A grande maioria das pessoas prefere concordar sempre, pois não causa danos, não precisa explicar nada, e segue o jogo.
Comprar um CD mesmo não tendo um CD-Player para ouvir o que está gravado nele?
Vai ouvir no Deezer ou Spotify, né?
Ok, vai comprar pra ajudar, massa.
Ok, usa o encarte para ver a letra da música, como a gente fazia 10 (15?) anos atrás, né?
Ah tá...
Quando alguém aqui vir um DJ usando vinil num evento, me avise, ok?
Por conhecer essa turma, pois sou um ex-DJ, isso é quase impossível de acontecer.
Mas... SE acontecer, é completamente irrelevante no contexto geral dos DJs!!!
Como é o caso do CD para mim atualmente. Irrelevante.
Quem tá pensando em fabricar vinil para vender para DJs, esqueça! Vai morrer de fome!
Um abraço ("achólogo") a todos!!!!!!!
PS: Janaísa e Raian, me perdoem, mas não resisti ao assunto, e publiquei. Essa é a graça do Blog.


quarta-feira, 13 de abril de 2022

Operando o som do PA do Ira! - Como é bom ter QI.

Ira!. (Foto by Fabíola Oliveira)

Olá pessoal.
Não tive coragem de colocar o primeiro pensamento que veio à minha mente para o subtítulo: "Foi Irado!".
Mas foi mesmo, viu?
Sou ruim demais nesses trocadilhos.
Pezão fazia isso à todo momento, e fazia muito bem!
Vou fazer uma "salada de frutas" aqui nesse texto, falando sobre vários assuntos.
Vou começar pelo começo, e que é um dos pontos principais desse texto.
Como fui parar na mesa de PA do show do Ira!?
(O nome da banda é com a exclamação no final, ok? - Ira!)
Estava em casa, quando recebo uma mensagem de voz pelo WhatsApp.
Era Rogério, técnico de Alceu Valença, avisando que me indicou para fazer o PA do Ira!.
E que iriam entrar em contato.
Como assim?
Vejam como são as coisas...

Visão do técnico de monitor, Fernando Stuart.

Pelicano (roadie do Ira!), pediu para Cezinha (roadie Recifense que mora em São Paulo), a indicação de um técnico para operar o som do PA da banda num show em Recife.
Cezinha falou primeiramente com Rogério, mas ele não poderia fazer porque já tinha um trabalho agendado.
Aí Rogério me indicou para Cezinha, que me indicou para Pelicano, e ele entrou em contato logo depois.
Podem acreditar... Muitos trabalhos nessa área de shows acontecem desse jeito. Por causa do "QI".
Quem Indique!
Não preciso dizer que se o profissional faz muita besteira, essas indicações vão se tornando raras!
E não preciso dizer também, que nós só indicamos quando confiamos em quem estamos indicando.
Pois bem...
Pelicano me passou o contato de Fernando Stuart, técnico do Ira!, e começamos a conversar duas semanas antes do dia do show.
Essa conversa (bem) antecipada ajudou muito no trabalho.
Ele me enviou o rider técnico, e uma cena da CL5 de um show recente onde ele operou o PA e monitor ao mesmo tempo.
Com essa cena aberta no editor offline da CL5 no meu laptop, fui tirando as dúvidas com ele.
Quase todo dia eu perguntava algo. (risos)

No dia do evento, aguardando para passar o som do Ira!.

Fernando foi super paciente com essas perguntas.
Passei um tempinho para decidir se eu usaria essa cena dele para esse show, fazendo meus ajustes logicamente, ou se criaria uma cena do zero.
Enquanto eu pensava sobre isso, um amigo entrou em contato quando soube que eu estaria no Downtown Aldeia Festival operando o som do Ira!, e me pediu para fazer o som da banda dele, a Iron Maiden Cover.
Ok, eu faço.
Aí fiquei sabendo que o soundcheck da Iron Cover seria no dia anterior. Ok, eu faço.
Amigo é para essas coisas.
Foi quando Fernando me falou que o Ira! não iria passar o som!
Mas os roadies passariam os instrumentos no nosso soundcheck, que seria no dia do evento, logo cedo.
Foi nessa hora que eu decidi usar a cena de Fernando.
Nesse show do Ira!, só bateria, baixo, guitarra e um back vocal. Mais as duas vozes principais de Nasi e Edgard Scandurra, logicamente.
Sem teclados, samplers, percussões etc.
Iron Maiden Cover, também seria bateria, baixo, duas guitarras e um back vocal.
Oxe...

Ira! no palco. (Foto by Fernando Stuart)

Não pensei duas vezes, e liguei para o técnico de monitor da empresa de som (Neto), e falei que iria colocar os canais da Iron Cover nos mesmos canais do Ira!.
O que tivesse de diferente nos canais da Iron, a gente colocaria lá para frente, em canais que não seriam usados pelo Ira!.
Resumindo... Só precisei fazer isso em dois canais.
A bateria do Ira! tem três tons (tambores), e na Iron são cinco.
Mas todos os outros canais estavam no mesmo lugar.
Faço muito isso quando estou trabalhando em festivais, tanto no PA quanto no monitor, e a banda não vem com os técnicos.
Ligamos sempre nos mesmos canais, e a cena vai servindo para todas as bandas.
Na sexta-feira, no soundcheck da Iron, puxei a cena do Ira!, renomeei alguns canais, acrescentei os dois canais dos tons da bateria, e salvei a cena como IRON.
Passei o som normalmente, com toda banda tocando, e salvei a cena final.
No outro dia, enquanto o pessoal do Ira! ainda nem tinha chegado, fui na mesa de PA, puxei a cena da Iron Cover, renomeei os canais novamente, eliminei os que não iria usar, e salvei a cena novamente como IRA!.
Mesmo a bateria sendo outra, alguns microfones também, e logicamente os músicos sendo outros, o "plano" funcionou como eu queria!
Como já tinha adiantado muita coisa no dia anterior com o soundcheck da Iron, pulei várias etapas no soundcheck do Ira!!
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Já fui em Natal (RN) e voltei, para fazer o monitor da banda Academia da Berlinda.
Tou numa ressaca de noite mal dormida aqui, que nem sei se acabo hoje esse texto.
Muita gente acha que faço esses textos de uma vez só. Mero engano...
Normalmente dou pausas de dias, e tenho que reler desde o começo, para ver o que foi que eu falei.
Como foi nesse caso aqui desse texto.
Comecei a escrever na sexta, e estou na segunda-feira.
Nesse show da Berlinda, também comecei de uma cena de monitor que o técnico da banda me enviou. Mas isso é um assunto para outro texto...
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Ira!. (Foto by Fabíola Oliveira)






Vamos para o soundcheck do Ira!.
Pelo que lembro, nem mexi muito na equalização do sistema line array, pois achei que estava soando muito bem!
Uma série nova da JBL, chamada VTX A12.
Muito legal!
Só fiz atrasar um pouco o front e sub, que estavam à frente da linha das caixas do PA.
Como vocês lembram, eu estava começando a passar o som do Ira! com as regulagens que eu fiz para a Iron Cover no dia anterior.
Por essa razão, em todos os canais eu baixava o fader, ajustava o ganho novamente, pois eram outros instrumentos e microfones, e só depois disso levantava o fader. 
E fui passando todos os canais, com os roadies Paulo Budega e Phelippe Reis (PH) me ajudando.
Enquanto eu passava o som do PA, Fernando Stuart passava os monitores.
E foi tudo tranquilo nessa etapa.
Mesmo sem ter passado uma única música com todos os instrumentos e vozes ao mesmo tempo, com certeza eu sabia que seria bem melhor do que fazer na hora sem ter feito nada antes!
Vai começar o show do Ira!.
Não tremi como no show de Lula Queiroga, viu? (risos)
Sinal que estamos voltando à normalidade...
Mas a responsabilidade era tão grande quanto o show de Lula, ou até maior por ser uma banda conhecida nacionalmente.
Mas nada passou pela minha cabeça. Só concentrado no início do show, que seria muito importante, porque não passei com a banda.
Para premiar a decisão de usar a mesma cena para as duas bandas, não tive complicações em ajustar o som quando o Ira! começou o show.
Antes do término da primeira música, já estava muito perto do que eu estava querendo.
E aí foi só diversão! Um "ajustezinho" aqui, outro ali...


Nunca imaginei na vida em operar o som para Alceu Valença, Elba Ramalho, Naná Vasconcelos, Silvério Pessoa, Lula Queiroga, Jorge de Altinho, Otto, Nação Zumbi, Mundo Livre etc...
Muito menos em operar o som de festivais como Abril Pro Rock, SESI Bonecos, MIMO, Porto Musical, Coquetel Molotov, Baile do Menino Deus, Cantata da Caixa etc...
Nunca isso passou pela minha cabeça, até mesmo quando comecei a operar o som de alguns artistas na Boite Over Point, no final dos anos 80... Não imaginei um dia trabalhar com esses artistas ou esses festivais de grande porte. Nunca!
Mas...
As oportunidades foram aparecendo.
E eu fui pegando.
Ira! no palco 2. (Foto by Fabíola OLiveira)

E desde o começo, o QI já funcionava. Isso já era assim até antes do meu começo na profissão.
Alguém indicava para outro alguém.
E assim fui me tornando um operador de áudio.
Faz tempo, viu??? Mais de 30 anos!
Já faz um bom tempo também que reflito sobre esse tempo passando, eu chegando nos 60 anos, uma nova geração de operadores de áudio surgindo na cidade... E surgindo com força total!
Dominando as novas tecnologias que estão surgindo.
E fico pensando se vou ter fôlego para acompanhar isso, ou quanto tempo vou ter fôlego para não ficar "defasado".
Ou poderia até dizer "ficar muito defasado", pois um pouco eu acredito que já estou.
Não tenho mais o fôlego dos vinte e poucos anos... Nem o corpo! (risos)
Mas ainda me sinto muito feliz. Por uma simples razão.
Meu nome ainda é lembrado! O QI ainda funciona até hoje para mim!
E isso é muito gratificante.


Operar o som do Ira! no Downtown Aldeia Festival, e no final receber elogios de um monte de gente que eu respeito, gera uma felicidade profissional absurda!
E com a Iron Maiden Cover recebi os mesmos elogios!
Nunca escutei Iron Maiden. Meu nível de rock chegou só até Supertramp, que eu adoro até hoje.
E ser elogiado por fazer um som que eu praticamente nunca escutei, foi de uma felicidade tão grande quanto a que tive com o Ira!. 
No vídeo abaixo, um trecho do show da Iron Maiden Cover Recife, que aconteceu após o show do Ira!, e encerrou o Downtown Aldeia Festival.


Não existe essa diferença quando estou operando o som. Pode ser banda nacional, cover, teatro de bonecos, pop rock em festas de casamento. Vou sempre querer fazer muito bem feito!
Esses elogios vão me dando mais fôlego.
A idade vai pesando menos.
É isso que eu sinto, não quer dizer que outros colegas e amigos da profissão sintam a mesma coisa.
Outra felicidade que tenho atualmente, é ser indicado para trabalhos pela nova geração.
Até para substituí-los em trabalhos que eles não vão poder fazer.
É muito bom!!!


Como falei bem antes aqui, só indicamos quando confiamos em quem estamos indicando.
E isso não tem preço!!!!
De indicação em indicação, do nome lembrado aqui e ali, vou obtendo fôlego.
E sem oxigênio, não conseguimos sobreviver, não é verdade?
Obrigado a todos que me indicaram ou lembraram do meu nome para algum trabalho.
E como esse texto fala do show do Ira!, vou agradecer diretamente Rogério Andrade e Cezinha pela indicação, e agradecer Pelicano e Fernando Stuart por darem a oportunidade.
Espero não ter decepcionado vocês.
Um abraço a todos.