quinta-feira, 18 de maio de 2023

"Decibelimetricamente" falando, está complicado fazer shows em Recife.

 

Olá pessoal.
Estou quase indo morar em outro Estado, mas deixa eu fechar o trabalho que eu aviso aqui.
Enquanto não vou, continuo fazendo meus trabalhos, e no fim de semana passado fiz dois.
Um show de Otto na La Casa, e um show de Nena Queiroga & Ylana no Plaza Shopping.
Ambos aqui em Recife.
E atualmente posso afirmar que não foi um coincidência o que aconteceu nos dois shows.
Dois shows completamente diferentes, em lugares diferentes, com bandas diferentes, mas com um ponto em comum, que está cada vez mais comum de acontecer aqui em Recife.
O que?
O nível sonoro do show tem que ser baixo!!!
Esse problema com o nível sonoro nas casas de shows aqui em Recife está crescendo de uma forma, que daqui a pouco não tem lugar pra fazer um show com um "som" decente.
No primeiro contato que eu fiz com os técnicos das empresas que iriam sonorizar os shows, a questão do nível baixo do som no ambiente já foi informado.
Vou falar de cada show separadamente.
Otto - Soundcheck - La Casa.

O de Otto aconteceu na La Casa, um casarão muito charmoso numa avenida movimentada de um bairro nobre de Recife.
Um jardim enorme, com várias mesas, cadeiras e guarda-sóis.
Lugar muito bonito!!!
Pelo que entendi, o local é (ou era) um restaurante/cafeteria, e pode ser locado para eventos, como acho que foi o caso desse show de Otto.
Pela foto abaixo, vocês vão poder ter ideia do problema.

O local do show foi montado nesse terraço no final da escada.
Foi colocado uma coberta nesse terraço, onde o mini-palco ficou no lado esquerdo, e a mesa de som no lado direito.
Na foto ainda dá para ver os vários prédios ao redor do casarão, né?
Aí começava a bronca.
E ela foi maior, porque o show de Otto não foi voz e violão.
Em shows mais "calmos", sem instrumentos de percussão e nenhum amplificador de guitarra e baixo, o trabalho para deixar num nível sonoro que agrade a todos (proprietários, clientes e vizinhos) é bem mais fácil.
Mas num show como o de Otto, fica complicado.
E olhe que só foi um guitarrista!!! Normalmente são DOIS!!!!!!!
Com dois amplificadores potentes!
Nesse show, não tinha tanta diferença para o show que ele fez no carnaval na Praça do Arsenal.
Foi só um guitarrista a menos, e algumas peças de percussão que não entraram.
E só!
Então, só o som que vinha do mini-palco já estava bem acima do que era permitido (ou esperado) pelos proprietários da casa.
Fora os instrumentos percussivos (bateria e congas), fora os amplificadores de guitarra e baixo, ainda tinham 4 caixas de monitores no palco, para Otto e dois músicos escutarem suas vozes.
Vou resumir...
Não tinha como ajustar o nível sonoro desse show para o que eles queriam.

Um dos grandes problemas que vejo nesses meus trabalhos, é que os proprietários das casas noturnas acham que todo show é igual, que podem ter o mesmo nível de pressão sonora.
Projetam a casa para shows de voz e violão, e colocam (ou aceitam) shows de rock!
Pra ser sincero, esse projeto do som nem existe na grande maioria dos espaços que vão utilizar música ao vivo.
Aí, não tem como dar certo!!!!
Fiquei sabendo que no Abril Pro Rock desse ano, que aconteceu no Clube Português, foi exigido 70 dB (decibéis) como limite sonoro do PA (caixas direcionadas ao público).
Comecei a rir quando vi o aviso. (Foto no início dessa postagem)
Não tem como um show de rock ficar nos 70 decibéis!!!!!!!!
Só o baterista tocando no palco, sem o som da frente (PA) ligado, já passa desse nível para quem está no ambiente do show!
Nem sei como resolveram isso lá...
Não sei também como tem shows grandes no Clube Português com aquele prédio do outro lado da rua!!!! E vários outros prédios ao redor do local. Não tem como o som não chegar num nível incômodo nas residências ao redor do clube.
No meu caso, durante o show, fui baixando várias vezes o máster da mesa à pedido da produção da casa, até chegar perto de MENOS 10 dB.
Baixar 10 dB, é baixar MUIIIIIIIIIIIIIITO.
Ao chegar nesse ponto, falei que não tinha mais como baixar o volume geral.
Era o máximo que eu poderia chegar naquele show.
Falei que para baixar mais, eu iria cortar todo o som da frente, e ficaria só o som que estava vindo do palco.
Deu para ficar nesse nível durante todo o show, mas sempre quando a dinâmica da banda mudava para cima, chegava gente no meu lado.
Já perto do final do show, chegou alguém do meu lado com o celular me mostrando uma foto de grupo de WhatsApp de algum morador do entorno reclamando do som.
Mas deu para ir até o final do show.
Já guardando meus equipamentos, enquanto tocava uma playlist do laptop da casa, o mesmo rapaz chegou de novo na mesa de som para solicitar que cortasse todo o som, pois agora a polícia estava na frente do estabelecimento! (Nem vou rir...)
Quase impossível agradar todas as partes. Eu reconheço.
Deixei num nível aceitável para o público que estava no local, mas mesmo assim era muito para os moradores.
Como falei, só voz e violão para não ter problemas com a vizinhança.
E como o espaço é todo aberto, até com voz e violão complica, dependendo do horário.
Já estou pegando trauma com polícia chegando nos meus trabalhos.
Esse foi o segundo caso, mas sei que o problema não sou eu.
O problema é onde essas casas de eventos são montadas, como são montadas, e quais os estilos musicais que são escolhidos para serem executados nesses ambientes.
Vamos agora para o show de Nena Queiroga & Ylana...
Show Nena Queiroga & Ylana. (Foto by @paulamaestrali)
Muito legal o espaço montado numa área externa do Plaza Shopping.
Ambiente charmoso e arejado, com mesinhas e cadeiras, quiosques com comidas e bebidas.
Palco legal para o tamanho do ambiente.
Poderia ter mais equipamentos de som, principalmente no PA, que poderia ser o dobro de caixas pelo tamanho do ambiente, mas... Eu já sabia que tinha problema também com o nível sonoro.
Fiquei sabendo que houveram alguns problemas no dia anterior com o AC, e que acabou aparecendo no meu soundcheck, mas conseguiram resolver.
A mesa de som também foi trocada por causa de problemas no dia anterior.
Usei a Ui24 da Soundcraft, que eu só tinha usado duas vezes na minha vida, mas não foi complicado usar as funções, depois da breve explicação do proprietário da empresa de som.
Eu já sabia que existiam os mesmos problemas com a vizinhança como no show de Otto.
Passei o som normalmente pela manhã, e comecei o show à tarde, esperando para ver se iria aparecer o pedido para baixar o som.
Mas não chegou pedido algum!!!
Passeando pelo lugar durante o show, achei que estava boa a cobertura sonora, mesmo eu indo até o final do espaço.
E lá no final, colocaram uma caixinha de reforço sonoro, que era a cópia do som do PA.
Aí tudo ficou bem justinho, onde todos da plateia estavam escutando tudo confortavelmente.
Era outro espaço, bem maior que o terraço do show anterior, era outro show, outro estilo de música... Não era show de rock com guitarras distorcidas!
No show de Otto, o público estava praticamente dentro do palco!
O nível sonoro que vinha do palco de Nena Queiroga não chegava perto do que vinha do palco do show de Otto no terraço da La Casa.
Então foi bem mais fácil juntar o som do palco com o som da frente, deixando confortável para o público e para a vizinhança.
Uma observação... Os dois shows começaram cedo e acabaram cedo, não chegando perto das 22h, principalmente o de Nena Queiroga.
Isso já foi uma grande ajuda.
Show Nena Queiroga & Ylana. (Foto by @paulamaestrali)
Se eles tivessem começado depois das 22h, onde o nível de ruído vindo das ruas (carros e transeuntes) diminui absurdamente, tudo seria mais complicado.
Depois desses shows, conversei com vários colegas e amigos de profissão sobre os problemas com o nível sonoro nos eventos em Recife.
E são muitos fatores envolvidos, que deixam tudo mais complicado.
Muitos reclamantes e reclamados não entendem das leis do município, e alguns estão até acima dessas leis, principalmente os reclamantes.
Muitos reclamados não se importam com o tratamento da casa para shows ao vivo ou música mecânica, não sabendo nem a diferença entre tratamento acústico e isolamento acústico.
Muita residência foi construída ao redor depois da casa de eventos.
E muitas casas de eventos foram abertas no meio de residências, utilizando o espaço já construído sem fazer adaptações para execuções sonoras no ambiente.
São muitos pontos envolvidos, e pela nossa conversa no grupo de áudio do WhatsApp, vai ser difícil chegar num consenso.
Já deixei de fazer um trabalho com uma banda, porque vi que seria uma "novela" o lance do nível sonoro quando conversei com o técnico responsável pela sonorização do evento.
O show seria na casa Di Branco, no bairro da Torre (Recife), já famosa pelos problemas com o nível sonoro.
O mesmo problema... Montam a casa para grandes festas de casamentos e aniversários num bairro residencial, onde vão utilizar música mecânica (DJ) ou bandas ao vivo, mas não fazem um estudo antes para o bom uso dessas atrações musicais.
Eu estou deixando de fazer o trabalho, sou doido mesmo.
Liso mas feliz.
Na Di Branco ou na La casa, só volto se for show de voz e violão. (Risos)
O complicado é: Para o vizinho que está reclamando, a culpa é sempre da casa de eventos, independente das leis, e o proprietário do estabelecimento tem a certeza ABSOLUTA que a culpa é do técnico da banda!
Como trabalho com som, sei perfeitamente o quanto um som externo pode atrapalhar a vida de uma pessoa dentro da sua casa.
Já passei por uma situação, morando num apartamento, onde minha varanda dava para uma rua onde tinha uma casa que usava a calçada como lava-jato.
Era o dia todo ouvindo o som contínuo da máquina de jato d'água na lavagem, que se juntava com o som do aspirador de pó gigante em determinadas horas.
Eu tinha que fechar a janela da varanda para poder ouvir o som da minha TV.
Com a janela aberta era impossível!!!
Sei o quanto o som pode incomodar. Sei disso.
E numa análise particular (não sou o dono da verdade), numa escala de culpa, do menor para o maior culpado pelo problema, eu colocaria:
1- O vizinho. 2- O técnico (operador) do artista. 3- O proprietário da casa de eventos.
Acho que o maior responsável pelo problema é o proprietário da casa de eventos!
Se a casa não tem tratamento e/ou isolamento acústico para eventos sonoros no seu interior, só aceite shows que se adaptem ao local.
Não queira fazer um filme de Spielberg com um orçamento de Jaspion!!!
Decibelimetricamente falando, não vai dar certo nunca!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Um abraço a todos.

PS: O resultado dos dois trabalhos foi massa! Mesmo com as limitações. (E do carro da polícia chegando no final!)
PS2: Trabalho fechado no Ceará. Terça-feira viajo para Jericoacoara.
Mudança profissional mais radical da minha vida. Depois conto a história.

segunda-feira, 1 de maio de 2023

PittyNando - Uma overdose de animação num momento muito desanimado.

 
Olá pessoal.
Escolhi o título dessa postagem enquanto via na sexta-feira o show de Pitty com Nando Reis no YouTube, bebendo meu vinho Chileno 3 Medalhas e pensando na vida.
Vinho e música... Auto-terapia. (Risos)
Hoje já é segunda-feira, e ainda não tenho certeza se termino esse texto hoje, mas vou tentar.
Não tou muito animado, e como sou um ferrenho auto-crítico, acredito até que isso que estou sentindo seja depressão.
Mas se nem os cachês atrasados das prefeituras e governos aos artistas me derrubaram até hoje, não acho que a depressão consiga fazer isso.
Conversando com colegas e amigos técnicos por esses dias, vou trocando informações com eles.
E um dos assuntos foi a demanda de shows e eventos para a sobrevivência (digna) da parte técnica.
Mas não vou falar disso agora, pois recebi um convite para mudar radicalmente de vida (profissionalmente), que vai ser o assunto que vou falar em outra postagem.
Só os amigos mais chegados estão sabendo dessa minha mudança "de ares".
Hoje vou falar de Pitty e Nando.
A primeira e última vez que cruzei com Pitty num palco foi num Abril Pro Rock (APR) a muitos (muitos mesmo) anos atrás.
Ela estava começando, e eu estava no monitor do palco 2 do festival no Centro de Convenções.
Jamais esqueceria desse primeiro contato.
No começo do dia, fui olhar na folha colada na lateral do side os horários de soundcheck das atrações daquele dia, e dentre eles estava o nome de Pitty.
Pitty?
Que porra é essa? Banda?
Nunca ouvi falar.
Esse era um dos pontos mais fortes de festival!!!! Mostrar o novo!!!
Mas também acho que o festival acabou se distanciando a cada ano do nome ROCK.
E pagou um preço alto.
Vi esse ano a programação do Abril Pro Rock, que vai ser em maio! (Como assim?)
Quase um Rock In Rio em Portugal!!!
Mas sou muito detalhista... Não levem em consideração esses meus comentários.
A programação do APR desse ano, pelo que vi, é ROCK puro!!
Não fui pesquisar as bandas, mas olhando rapidamente, não tem rock "levezinho" não, viu? (Risos)
Espero que dê certo, pois sempre gostei do evento, trabalhando ou não lá.
Vou voltar para Pitty no Centro de Convenções...
Fui me informar no dia, e me falaram que não era uma banda, e sim uma cantora da Bahia.
E é? Cantora da Bahia? Cantando rock????
Oxe... Tá... Vou ver qual é...
Já naquela época, ela foi a única que veio com técnico de monitor!
Hoje em dia, ainda tem vários artistas que não andam com técnico de monitor!!!!!!
Já gostei da postura dela na hora!
Independente se era ela ou uma gravadora que estivesse bancando isso.
Eu nunca tinha ouvido falar dela. Ponto.
Fiquei abestalhado com o show dela!
Ganhou mais um admirador.
Não gosto muito de falar a palavra FÃ, pois me lembra fanatismo.
Nem sei se tem relação as duas palavras, e nem vou ver hoje se existe isso, vou deixar pra quem quiser pesquisar.
Eu não gosto de falar fã, mesmo tendo falado algumas vezes aqui.
A baixinha e a banda dela me conquistaram naquele dia!
No final do show, avisaram que ela teria que cantar mais uma música porque a atração do palco 1 ainda não estava pronta.
Como ela não tinha mais músicas autorais ensaiadas, resolveu cantar Cindy Lauper nessa hora.
E arrasou!!!!
Não foi por coincidência, que no outro ano ela estava no palco 1 do Abril Pro Rock!

A primeira e única vez que cruzei com Nando Reis num palco não foi muito legal.
Eu estava no monitor de outro festival de música, que não me recordo agora qual foi, e ele iria participar só com violão e voz.
Ele estava com problemas com o álcool nessa época, e foi muito constrangedor pra mim, vê-lo cambaleante no palco.
A produtora me pediu para esconder uma garrafa de whisky na mesa de monitor para evitar que ele bebesse mais, mas... Não teve jeito.
Ela veio pegar de volta.
Logicamente não foi uma boa apresentação, pois o álcool é muito democrático.
Passou do limite, qualquer um cai, independente de qualquer coisa, gênero, sexo, cor, raça etc.
Sempre me policio com o álcool, pois sou fã do vinho! (Usei o FÃ de propósito!)
Sempre estou falando isso também para meu Filho, que está com 27 anos.
Se der bobeira com o álcool, tá literalmente lascado!!!
Fiquei triste ao ver Nando naquela situação.
E fiquei muito feliz ao vê-lo nesse show com Pitty no YouTube!!!

Com certeza ele deve ter domesticado o álcool, porque ele foi perfeito no palco com Pitty.
Tudo bem... O diretor exigiu muito, querendo que ele tivesse a mesma graciosidade de Pitty quando dançava, mas é irrelevante.
Pra mim, foi muito bom ouvir os dois cantando juntos!
Muito bom o roteiro do show!

Gosto muito dos dois e estão na minha lista de "favoritos" no Deezer.
Pra ser sincero, escutava mais Nando do que Pitty, mas ela é muito legal também, mesmo sendo "linhas" diferentes de composição.
Mas como intérpretes, são dois "experts"!
O show me deu uma injeção de ânimo!!!!
Me emociono com músicas, ou com shows bem feitos.
Me emociono com qualquer coisa bem feita. Já falei disso aqui em postagens...
Eu já estava me sentindo muito bem vendo show, aproveitando a overdose de animação, quando um amigo me liga, fazendo uma proposta de trabalho no Ceará.
Posso te indicar? Perguntou ele.
Ceará?? Vixe...
Mudança radical...
O que eu falei pra ele?
Calma...
Falo depois aqui, pois pode ser a maior mudança profissional que vou fazer na minha vida.
Só não vou parar de beber meu vinho!!!!
Independente do que vai acontecer, vejam o show dos dois no YouTube.

Mesmo sem gostarem dos artistas, pode ser que vocês achem que foi uma coisa bem feita!
Um abraço a todos.

segunda-feira, 24 de abril de 2023

Parece mentira... Mas foi verdade! - Caso 31.

Olá pessoal.
Essa história eu já conheço faz muito tempo, e ela veio à tona hoje numa conversa com um amigo das antigas chamado Janjão, que eu até já fiz homenagem para ele aqui no Blog.
Com um detalhe... Ele está "vivinho" ainda, morando numa chácara no interior de Minas Gerais.
Mas continua produzindo de lá, peças de áudio para o Estúdio Panela, como jingles, trilhas, discos etc.
A internet nos propicia isso atualmente, né?
Mas vamos ao "causo", que nem aconteceu com Janjão, e sim com Zé da Flauta e o irmão dele, chamado Paulinho da Macedônia.
Fui falar com Zé para me autorizar a postagem falando sobre o assunto, e para ouvir dele a história completa, porque eu poderia estar enganado com algum detalhe, e nem sabia se era totalmente verídica.
Mas o que eu sabia, estava quase 100% correto.
Inclusive, Zé da Flauta fala sobre esse caso no livro dele, lançado agora em março, que se chama "Tempos Psicodélicos e Outros Tempos", que é a foto no início dessa postagem.
Nesse livro ele fala de vários assuntos, como a fase da Psicodelia Pernambucana, o Movimento Armorial, o Movimento Mangue, e conta vários causos que aconteceram com ele.
Fica aqui a dica para uma boa leitura.
Vamos lá...
A história é sobre um jingle.
Para quem não sabe o que é um jingle, é uma música cantada para divulgar algum produto nos meios de comunicação, como TV e rádio.
Os jingles tiveram uma força absurda tempos atrás.
Hoje ainda existem, mas não são tão utilizados como antigamente.
Trabalhei muito tempo mixando jingle no Estação do Som, e posso garantir que ainda era bastante explorado na década de 90.
Tinha jingle que usava música de sucesso, logicamente pagando para os autores da música, onde só a letra era modificada para encaixar o produto, como uma sapataria.
O Estúdio Estação do Som produziu muito jingle desse tipo para a Esposende à pedido da O&M Propaganda, que de tanto veicular, o público esquecia da letra original da música!!
Geralmente esses jingles tem a duração de 30 segundos ou 1 minuto.
O jingle dessa história foi criado por Zé e Paulinho para a Pitú, a aguardente de Vitória de Santo Antão (PE).
E isso aconteceu em 1978!!!!!!
Os dois foram convidados pela agência de propaganda para uma reunião, para a turma falar como eles queriam o jingle.
Essa reunião se chama até hoje de "Briefing".
Clique na imagem para ampliar.

Seria o primeiro jingle que o estúdio de Zé/Paulinho iria produzir!!!
Foi o próprio dono da agência quem passou o briefing para a dupla, como por exemplo:
1- O jingle tem que falar muito o nome Pitú. 2- Quanto mais vocês falarem a palavra Pitú, melhor! 3- É um jingle para o carnaval, mas eu não quero um frevo, porque a turma tá querendo escutar música baiana, com aquela guitarrinha baiana. 4- Mas mesmo assim, eu também não quero música baiana. 5- Eu quero uma batucada! 6- Etc, etc, etc...
Zé e Paulinho já saíram da reunião com a imagem da batucada na cabeça... Um surdo marcando o ritmo, um pandeiro, um cavaquinho, vocais cantando... E também com a palavra Pitú aparecendo o tempo todo na música. Nunca esquecer desse detalhe importantíssimo!!!
E eles foram pensar.
Com que Pitú combinava ou tinha ligação?
Carnaval, batucada, feijoada, futebol, vaquejada, caipirinha ou batida com várias outras frutas...
Foi aí que eles tiveram uma ideia sensacional!!!
Eu achei essa ideia fantástica desde o dia que ouvi a história.
O que foi que eles inventaram???
O som da palavra PITÚ seria o surdo da batucada!!!!!
Não usaram o instrumento SURDO na música.
Usaram o SOM da palavra Pitú produzindo o som do instrumento musical!!!!
(Difícil passar essa informação SONORA usando palavras, mas vou tentar)
Na música usaram vários instrumentos, MENOS o surdo, que seria feito com vozes graves cantadas, que forçavam o som grave do surdo na sílaba TÚ!
Então, ficou mais ou menos isso:
piTÚÚ no carnaval.
piTÚÚ na feijoada.
piTÚÚ com abacaxi.
piTÚÚ na vaquejada.
piTÚÚ com limonada.
PiTÚÚ no futebol...
E assim foram passando o recado... Que repito: Achei espetacular!!!!
Gravaram o jingle mixado numa fita de ROLO(!!!), e foram levar para o pessoal da agência escutar.
Só que...
Era 1978... Fita de rolo... Gravador/Tocador de rolo Toshiba, mono... O falante do aparelho não reproduzia os graves como os do estúdio... Ou seja?
As silabas graves dos vocais (TÚÚ) não apareciam direito, que seriam o TUMMM do surdo.
Realmente, o som deve ter ficado magrinho nessas partes, né?
Fico imaginando a cena enquanto escrevo...
Mas mesmo assim, os irmãos perguntaram diretamente para o dono da agência:
--- E aí? Gostou?
E ele respondeu:
--- É... Batucada... Legal... Só não ouvi o surdo. Cadê o surdo?
E Paulinho da Macedônia completou na mesma hora, apontando para o dono da agência:
--- Tá aqui. Na minha frente! O surdo está aqui na minha frente!
(Surdo de surdez, porque ele não notou o som do surdo feito com as vozes)
Zé falou que ainda procurou um lugar pra se esconder dentro da sala, pensando:
--- Mal comecei a ganhar um cliente, e já vou perdendo, né?!?!
(Ri muito aqui escrevendo, mesmo já sabendo do caso)
(Seu) Queiroz, o dono da agência em questão, a Ampla, olhou para os dois, e falou:
--- Vocês são muito... É... Engraçados... São muito espirituosos... Gostei de trabalhar com vocês.
Vamos trabalhar muito daqui pra frente.
Livro biográfico, lançado em 2012.
Seu Queiroz e sua Agência Ampla, são nomes sempre enaltecidos e venerados nas conversas sobre a Propaganda Pernambucana até os dias atuais!!!
Não tem como falar de Propaganda em Pernambuco, sem falar os nomes Queiroz e Ampla.
Esse foi o primeiro jingle que o estúdio de Zé da Flauta produziu.
E foi um sucesso!!! Ganhou 18 prêmios!!!!!!!!
Na minha humilde opinião... Prêmios mais do que merecidos!!!
Obrigado Zé, por me contar a história em detalhes.
Eu tinha obrigação de deixar registrado isso aqui no Blog.
Pois conto até hoje esse teu causo para meus amigos do áudio.
Um abraço a todos.

sábado, 22 de abril de 2023

Over Point - A HORA É ESSA!

 
Olá pessoal.
Sempre fui muito tímido!
Falar em público até hoje me causa reações, como voz trêmula, desvio do olhar, aceleração do coração...
Com as mulheres sempre foi assim também.
Até hoje, preciso chegar perto de um estupro por parte delas, para entender que alguma mulher está me paquerando.
Uma "futura-ex-namorada" me falou uma vez:
--- Você é muito perigoso com a palavra escrita.
Concordei na hora com ela.
Quando estou falando através de um texto, não tenho as reações que aparecem quando estou frente à frente.
Aí fica mais fácil me expressar.
O que tem essa introdução a ver com o assunto de hoje?
Vou explicar.

Uma coisa me incomodava lá na Over Point, e me deixava um pouco angustiado, pois eu me colocava na posição do cliente, imaginando que poderia ter ali dentro vários com a mesma timidez.
Eu tinha certeza que dificilmente eu conseguiria "conquistar" alguma garota dançando a dois metros de distância, ou até mesmo conversando (aos berros!) numa mesa com aquele som alto da famosa "house music"!
Por causa disso, fui falar com meu sobrinho-professor (DJ JR) sobre a possibilidade de no meio da noite, a gente dar um "breaking" nas músicas mais agitadas, colocando algumas músicas lentas para que os tímidos pudessem ter uma ajuda na conquista.
Não me recordo dessa conversa na época da boate antes da reforma.
Acredito que isso aconteceu já depois da grande reforma, onde tínhamos dois telões enormes na casa.
E não me recordo também da gente falando isso com Rogério Amorim, proprietário da casa noturna.
Vou escrever do que eu acho que lembro, e caso tenha algum detalhe esquecido ou falado erroneamente, meu sobrinho corrige nos comentários.
Sei que ele está lendo esses textos da Over.
Pensei até em falar com ele antes, mas acho que quebra um pouco a espontaneidade do texto.
Certo... Eu sei que vocês nunca iriam saber que eu conversei com ele ou qualquer outra pessoa antes, mas eu saberia que conversei, e pra mim perde um pouco da graça! (Risos)
Lembro que ele não foi muita à favor da ideia, principalmente que nenhuma boate fazia isso na época.
Vai quebrar a animação! Vai esfriar a noite, na hora que ela está mais efervescente! Vai ter cliente que vai embora achando que acabou a noite!
Várias reações negativas foram levantadas.
Mas continuei na minha tentativa.
Expliquei que não seriam muitas músicas... Que poderíamos criar algum título para avisar sobre o momento, pois tínhamos a computação gráfica, onde poderíamos colocar esse título nos telões.
Foi por causa da imagem na minha memória da frase nos telões, que me levou a achar que isso aconteceu depois da grande reforma.
Antes da grande mudança, a gente não tinha como inserir frases nas três TVs instaladas na casa, a não ser que estivessem gravadas na FITA VHS.
Consegui convencer meu sobrinho!
Vamos para a criação do título.
E mais uma vez pensei na minha timidez.
Vinham algumas frases na cabeça como alguém me falando: --- Vai Titio, essa é a hora que você esperava pra chegar mais perto dela... Aproveita e chama para dançar... Não vai precisar conversar gritando...
E foi assim que surgiu a frase que resumia tudo:
A HORA É ESSA!
Foi aprovada na hora!
Massa.
Coloca assim mesmo, em letras GARRAFAIS, e com exclamação para chamar a atenção!
Acho que ela até ficava mudando de cores, parada no centro da tela...
Foi assim que a gente fez.
E como avisar que a "promoção" iria acabar? Decidimos que seriam apenas três músicas lentas.
Aí foi mais fácil achar a frase para fechar.
Parecia alguém gritando no meu ouvido: --- Vai abestalhado, que é a última chance pra tu! Essa é a última música!!!
E surgiu a frase:
ÚLTIMA CHANCE!
Ela entrava no início da terceira música.
Foi um sucesso total!
Não me recordo de casa noturna naquela época que fez coisa parecida antes da Over Point.
Principalmente usando frases para marcar início e final!!!!!
Eita tempo bom...
Tudo bem que saio pouco de casa, mas as vezes que vou para algum bar ou casa noturna, não enxergo mais essa interação Casa > Cliente.
Tudo é muito "frio"...
Frio na Over Point da minha época, só o ar-condicionado, que já tinha até fama!
Todos sabiam que era frio "de lascar"!
Sabem qual o motivo de escrever esse texto hoje?
Um amigo meu (Mário) foi recentemente para uma Festa da Over Point, promovida por meu sobrinho DJ JR e meu amigo DJ Érico.
Esse amigo me falou que sentiu falta dessa "quebrada" no meio da noite, sem saber que isso já tinha sido feito na Over no começo dos anos 90!
Depois dessa conversa, falei que escreveria um texto falando dessa ideia de 30 anos atrás, que pelo jeito, ainda poderia ser utilizada nos tempos atuais!!!!
Né, Mário?
Um (Over) abraço a todos.

domingo, 16 de abril de 2023

Guto Graça Mello no Corredor 5 - É Fantástico! Literalmente falando.

Olá pessoal.
Faz um tempinho que não vejo as entrevistas no Corredor 5.
Sempre recebo as notificações das novas entrevistas no canal do YouTube, mas acabei não indo dar uma conferida.
Mas quando vi o nome de Guto Graça Mello, não consegui achar desculpas para não ir lá ouvir o bate-papo.
E mais uma vez me arrependi de ter demorado tanto para voltar lá no canal do Clemente Magalhães.
Nem cheguei no final da conversa.
Parei na metade para ver um jogo de futebol, que tenho certeza que não vai ser melhor do que a conversa com essa lenda da música.
Quase 3h de conversa, mas a gente nem nota, pois tem muito "causo" bom de ouvir.
E mesmo sem saber do resto da conversa, que vou conferir depois desse jogo que estou vendo agora, eu já posso indicar essa entrevista para os colegas e amigos do áudio.
E também para quem não trabalha com áudio, mas gosta de música.
Nem vou me alongar aqui nesse texto, porque vou deixar para vocês ouvirem as histórias do próprio Guto, que dentre várias aventuras, foi o "menino" que criou a música de abertura do programa Fantástico, da Rede Globo. Nada demais, né? (Risos)

Não tinha certeza do ano que surgiu o programa, e fui dar uma pesquisada.
Foi em 1973!
Estamos em 2023, e a música é a mesma!!!!!!!
Vejam lá como ele criou essa música... E até como surgiu a ideia do programa.
Tem muita história boa nessa conversa.
E olhe que só vi a metade até agora, viu?
Espero que curtam, como eu estou curtindo.
Acredito que não vão se arrepender.
Um abraço a todos.

sexta-feira, 14 de abril de 2023

Inclusão x Técnica - Será que estão pulando etapas ou sou muito lento?

 
Abril Pro Rock 2004 com Pezão, que sonhava em montar uma escola de formação técnica para shows.
Olá pessoal.
Tenho visto nos últimos anos pelos palcos por onde passei aqui em Pernambuco uma coisa que me chamou a atenção.
Não sei se isso acontece em outras regiões.
Vou falar só da minha.
Tenho visto, tanto em palcos de festas particulares, como em palcos de prefeitura e governo, pessoas que ainda não estão aptas a assumirem funções técnicas.
Poderia falar também sobre outras funções, mas vou ficar na parte técnica, porque é onde atuo.
Vou voltar um bom tempo atrás...
Na cabine da Over Point em 1987. Se derem um zoom, vão notar que eu estou com pele de amendoim no dente!
Quando eu entrei na Over Point no final dos anos 80, não sabia direito o que era um amplificador ou uma mesa de som.
Fui para ajudar meu sobrinho Yoran Júnior, que era o DJ da boate, no intuito de aprender algo mais interessante.
Estava quase sendo contratado por um posto de gasolina, onde fazia um teste de três meses no escritório.
Com certeza não estava nos meus planos ser gerente de posto, mas foi o único trabalho que consegui na época, para poder pagar minhas contas.
O sonho de ser professor de educação física já não estava mais na minha mente, e eu precisava me virar financeiramente.
Fui trabalhar nesse posto, mas logo vi também que aquele não seria meu caminho.
Fui ser assistente de DJ.
Como já devo ter falado antes aqui no Blog, foi onde tudo começou para mim profissionalmente.
Vou resumir...
Passei um bom tempo observando meu sobrinho trabalhar...
Fui aprendendo a ligar os equipamentos, vendo como eles funcionavam, como eram ligados, pra que serviam etc, etc, etc.
Mas minha intenção, e a do meu sobrinho também, era eu poder assumir o controle da noite, escolhendo as músicas para o público dançar.
Acho que passei quase um ano(!!!) treinando para assumir o posto de DJ.
E durante esse tempo, comecei a operar o som da música ao vivo, usando uma mesa Staner de oito canais.
Chegava cedo para abrir a casa, ligava os equipamentos e ficava colocando "música lenta" para receber os clientes, ou colocava alguma parte de algum show, enquanto aguardava a chegada do meu sobrinho para começar a "noite dançante", que acontecia exatamente à 1h da manhã.
Quando a boate não funcionava, eu geralmente ia pra lá, e ficava escutando os discos que chegavam pra gente, enviado por amigos que moravam no exterior, ou que a gente comprava em (poucas) lojas  especializadas.
Chamávamos esses discos de 12 polegadas de "remix", e normalmente continham apenas UMA música, com várias versões.
Nunca vou me esquecer da ligação do meu sobrinho, já perto de 1h da madrugada, avisando que ele não iria para a boate, e era para eu assumir a noite!
Over Point no começo dos anos 90 (92, 93... Não lembro o ano exato).
Foi aterrorizante.
Teoria é uma coisa, prática é outra!
Eu já sabia como funcionava a "coisa", mas é bem diferente de FAZER a coisa.
Para vocês terem ideia, a gente tinha que decorar onde cada disco estava, e quando a gente escolhia esse disco para tocar, a capa ficava no mesmo lugar, para manter o posicionamento.
Resumindo...
Demorei tanto para escolher uma música para tocar, que a que estava tocando acabou e o som ficou no silêncio!
A coisa mais desesperadora para um DJ.
A música parar!!!
Mas parou.
Foi assim que comecei a assumir a cabine da Over Point, depois de quase um ano observando e treinando.
Em meados dos anos 90, fui convidado pelo meu irmão Tovinho para trabalhar no estúdio dele, o famoso Estação do Som.
Dessa vez não comecei do zero, mas foi onde tive o primeiro contato com mesa digital e outros equipamentos usados em gravações, totalmente diferente do que eu estava acostumado na boate.
Mas vou adiantar o tempo...
Tovinho me jogou aos leões quando me colocou para fazer o monitor da Banda Versão Brasileira.

Eu não tinha condições de operar o monitor de uma banda num show ao vivo!!!
Isso era fato.
O que eu fazia na boate era bem simples.
Nem sabia direito como funcionava uma mesa de monitor!!!
Não teve jeito, e Tovinho me mandou para a Bizasom, onde puder VER uma mesa de monitor, e onde me explicaram como funcionava. Acho que fui 3 dias lá.
Ou seja...
Eu não poderia fazer o monitor da banda, mas fiz.
Sorte minha, o técnico da empresa de som me conhecia das minhas idas para as boates com meu sobrinho.
Fernando era o técnico de monitor da empresa de som, que pertencia à Mário Guimarães.
Carnaval em Boa Viagem, no Palco da Brahma. Nunca mais vou esquecer!!!
Eu ia muito para a boate Broadway no começo dos anos 80 (não lembro exatamente o ano), que ficava na cobertura do Centro Sul em Boa Viagem.
Meu sobrinho era o DJ da casa noturna, e eu ficava um bom tempo conversando (fofocando?) com Fernando na portaria, vendo quem entrava e quem saía da casa.
Foi Fernando quem me salvou nessa minha estreia no show ao vivo em palcos sem ser o da Over Point.
Foi um susto dos dois lados, porque eu não sabia que ele estava nesse ramo de shows, e vice-versa!
Eu só fazia o monitor da Versão, não tinha capacidade técnica de fazer outros artistas.
Por isso ninguém me chamava para outros trabalhos, mesmo eu sendo muito amigo dos proprietários da PA Áudio (Rogério, Normando e Mário Jorge), que já estavam no mercado a muito tempo, e eles operavam o som para vários artistas, como Alceu, Lenine, Silvério Pessoa...
Fora isso, eles sonorizavam o Abril Pro Rock (APR) desde o começo, quando ainda era na Avenida Rui Barbosa.
Eu ia muito, mas como espectador, não como técnico.
Depois de alguns anos fazendo o monitor da Versão, fui convidado pela PA Áudio para fazer o monitor do palco 2 do APR.
Mas me chamaram quando acharam que eu poderia fazer.
Nunca pela amizade!!
Foi nessa época também que fui convidado para substituir um deles no monitor de Silvério Pessoa no carnaval de 2004, num palco armado na frente do Eufrásio Barbosa em Olinda.

Foi o primeiro artista com quem trabalhei, depois da Versão Brasileira!
Passei 8 anos direto com Silvério depois desse show, indo com ele para Europa já em 2005, operando o PA do show.
Tour 2005 na Europa, produzida por Marc Regnier (camisa branca).
Mas... Quando ele me convidou, não aceitei. (risos)
Por achar que ainda não estava preparado para fazer isso.
Operar o som do PA? Vixe. Eu só fazia monitor!!!
Amigos e familiares me fizeram mudar de ideia, e eu fui. 
Depois dessa, ainda fui mais cinco vezes pro lado de lá com Silvério e uma com Naná Vasconcelos.
Não lembro se foi em 2005 ou 2006, que me deparei com uma mulher responsável pelo som do PA de uma casa noturna em Paris.
Aqui isso era bem raro naquele tempo, e acho até que nunca tinha visto uma técnica de PA até àquele momento.
(Achei a foto!!!! Foi na minha primeira ida, em 2005.)
Logicamente não lembro do nome do técnico de monitor, e nem da técnica de PA da casa noturna.
No fundo está Dominique Chalhoub, técnico Francês que operou o som de Nina Hagen quando ela fez um show aqui em Recife no Geraldão, a muiiiiiiiiiiiiiitos anos atrás.
Foi ele quem mixou o disco de Silvério Pessoa chamado Cabeça Elétrica Coração Acústico.


Bem...
Ela estava lá porque era competente, não porque era mulher, posso garantir.
E meu texto aqui não é sobre mulheres nos palcos, é sobre pessoas nos palcos em Pernambuco, que pode ser homem, mulher, negro, branco, amarelo, verde, caolho, com ou sem dente etc, e que não estão aptos a assumirem os trabalhos.
É porque a primeira mulher numa mesa de som fazendo o PA a gente nunca esquece. (risos)
Me encontrei depois com outra fazendo o monitor num show ao ar livre, mas não tinha a mesma competência da primeira. Pra ser sincero, estava bem longe disso.
Voltando ao assunto...
Por que eu fiz essa introdução longa falando de como eu comecei a fazer meus trabalhos no áudio?
Porque acho que hoje em dia estão pulando essas fases do aprendizado, e estão contratando pessoas para fazerem um serviço técnico por causa de gênero, cor, ou por ter feito um curso de 20h.
É o que tenho observado pelos palcos por onde passo.
No carnaval que passou, fui operar o som de Almério em Fortaleza.
Palco impecável, atendimento impecável... Tudo limpo, bem cuidado.
Não levamos técnico de monitor. Foi só eu.
Combinei com o diretor do palco, e o técnico contratado do evento iria fazer o monitor.
Passamos o som, tudo ok.
Na volta para fazer o show, subi antes no palco para conferir a ligação dos instrumentos, e o posicionamento dos microfones, principalmente o do amplificador da guitarra, que é fácil colocarem invertido, pois ele é quadrado, e a frente é quase igual ao fundo.
Colocaram o amplificador no lugar, e quando fui checar o microfone, o técnico responsável pelas mudanças entre uma banda e outra, estava agachado na frente do equipamento, olhando para a foto que ele tirou com o celular do painel do amplificador depois do nosso soundcheck, voltando os botões para os lugares que o nosso guitarrista deixou.
Nem esperei para ver ele posicionando o microfone.
Jones era o nome dele.
Duvido que ele estava ali porque tinha feito um curso de 20h, ou porque era um homem (cis)...
Era impossível ele colocar o microfone na posição errada!
Duvido também que o Carranca me coloque num evento para gerenciar o patch digital num sistema DANTE ou AES50, usando ou não o Multiverter.
Faço muitos trabalhos para o pessoal do Carranca, mas eles sabem que eu não tenho ainda competência pra esse trabalho!! 
(Ainda, viu? Vou dar uma estudada nesse assunto)
Quando o próprio Carlinhos Borges não pode fazer, chamam Vini, que domina bem o assunto.
Ou vão me chamar pelo respeito da idade, onde Vini tem um pouco mais da metade desses anos que eu tenho?? (risos)
Jamais!
Para mim, devemos usar a inclusão, a amizade, o parentesco, ou qualquer outro fator, para a pessoa ter a oportunidade de aprender, mas nunca a pessoa assumir um cargo técnico por causa da inclusão ou desses outros fatores.
Treina antes. 
Inclui em estágios, em cursos, dá oportunidade de ver como funciona um show ao vivo, ficando ao lado, olhando.
Essa "inclusão forçada" que vi nos palcos, é quase impossível de ser encontrada em outras profissões.
Tudo bem que nosso meio não é regulamentado, mas estão exagerando.
Com a PA Áudio em Fernando de Noronha (2008).
Vocês podem até perguntar:
--- Mas Titio, você não começou sem estar pronto?
Comecei. Não estou pronto até hoje para várias coisas!
Mas no meu caso, foi um sobrinho e um irmão me jogando aos leões.
Até hoje os artistas colocam quem eles querem na equipe técnica, estando apto ou não!
Foi o meu caso, mas nem por isso meu sobrinho me colocou para fazer a noite com dois meses da minha chegada, nem meu irmão me colocou para mixar um disco no estúdio para o artista colocar pra vender.
Muito menos meus amigos da PA Áudio me chamaram pra fazer o APR quando saí da boate.
E quando foi para eu entrar no mercado, sendo convidado para outros trabalhos, os fatores amizade, parentesco ou qualquer tipo de inclusão não tiveram a menor relevância.
Quando esses fatores ficam na frente da competência técnica na hora de uma contratação de um profissional para assumir um posto num show ou evento, é fácil esse contratado não suprir as necessidades desse show ou evento.
Acho que estão pulando fases importantes na formação desse profissional aqui na nossa região.
Ou então... Eu sou muito lento no aprendizado!!!
Um abraço a todos.