domingo, 19 de junho de 2022

Palco do Polo Raízes do Coco em Arcoverde - Fazia tempo que eu não sofria tanto!


Olá pessoal.
Um dia desses, um amigo meu baterista me perguntou se eu não me preocupava em falar abertamente no meu Blog, principalmente informando o nome do artista com quem eu estava fazendo o trabalho?
Respondi que não, que eu não estava escrevendo sobre o show do artista, e sim do meu trabalho, que faço com inúmeros artistas.
Nunca vou falar que um artista cantou mal, que a banda não estava entrosada, que o cantor meteu o pedestal na cabeça do baterista que estava tocando lento...
Nunca a intenção do Blog foi essa, e nunca vai ser.
Sempre vou falar do que aconteceu comigo, e se eu gostei do show, geralmente eu falo.
Se achei uma merda o show, nunca vou falar isso no Blog.
Não sou crítico de música (ou shows). Sou um operador de áudio mostrando o que acontece nos meus trabalhos, sempre olhando para a parte técnica.
Se a banda não toca bem, ou o cantor faz isso ou aquilo na vida pessoal dele ou até no palco, não me interessa.
Meu único compromisso é fazer soar muito bem o som do PA ou do monitor, independente do artista que está me contratando.
Fico mal quando não consigo isso, seja com Alceu Valença ou com uma banda de bairro que foi tocar no palco onde eu era contratado pelo evento.
Fico mal mesmo.
Já deixei um evento no São João na Praça do Arsenal (Recife) onde eu estava fazendo o som do PA, por causa dos colegas técnicos que estavam no palco e relaxavam absurdamente quando a atração não era "de nome".
Liguei para o dono da empresa de som, meu Amigo Normando Paes, e falei que não iria mais trabalhar no evento, por falta de compromisso do pessoal do palco.
Tudo isso por causa de uma "bandinha de bairro" que eu estava fazendo o som do PA.
Não me interessa quem está tocando. Nunca me interessou.
Quero fazer muito bem feito o trabalho pelo qual fui contratado.
Vou aproveitar a opinião do meu amigo baterista, e não vou falar o nome do artista que fui fazer o monitor em Arcoverde, no Polo Raízes do Coco, mas acho besteira, pois é muito fácil saber com quem eu fui.
E minha opinião nunca está ligada aos artistas com quem trabalho. É uma opinião minha!!!!
Nesse caso aqui, nunca fiz antes um trabalho sequer com essa Banda, e acabei virando fã, pois fizeram o show na raça!!!!!
Nunca fui fã da FUNDARPE e/ou EMPETUR. Nunca! Mas isso eu já falei várias vezes!
E por vários motivos: Demora no pagamento dos cachês, horários que colocam os artistas locais, falta de hospedagem para esses artistas locais, valores dos cachês desses artistas locais, estruturas montadas muito aquém do ideal etc, etc, etc...
Notaram a repetição das palavras "artistas locais"?
Já falei isso várias vezes para amigos e aqui no Blog mesmo.
Academia da Berlinda até falou recentemente sobre esses cachês defasados (para os artistas locais!).
Posso garantir que a lista de artistas que pensam igual a Academia é grande, mas poucos (nenhum?) tem coragem de falar.
Essa não vai ser a primeira vez que vou de encontro a atitudes da velha FUNDARPE e/ou EMPETUR.
Parece que não vai ser a última, infelizmente.
Estou achando que gostam de críticas, feito a COMPESA.
COMPESA é jogo duro também.
Vamos voltar para o sofrimento no meu trabalho.
Duvido muito que Elba Ramalho vai ou foi fazer o show em Arcoverde sem hospedagem...
Em outro palco, logicamente.
Já pensou Elba fazendo um bate e volta, comum para os artistas locais? (risos sem graça)
Como não teríamos hospedagem, fica difícil você ir bem mais cedo para passar o som, e ficar na calçada levando sol e chuva na cabeça, ou sentado na van toda fechada, esperando pela hora do show.
Por isso, foi decidido que a gente não ia passar o som, que chegaríamos perto da hora do show, e faríamos apenas um linecheck antes do show.
Fiz até uma cena inicial da mesa digital, para agilizar o serviço na hora do "vamos ver".
A intenção era usar fones em todos os músicos.
Mas ficou só na intenção mesmo...
Tudo estava atrasado no palco do Polo Raízes do Coco.
Quando chegamos, a segunda atração da noite, Karynna Spinelli, estava passando o som ainda.
Resumindo... A segunda atração da noite foi quem abriu a noite.
A primeira atração, que era um coco, virou segunda atração, e a banda com quem eu fui ficou na mesma posição da programação (terceira), e depois da gente tinha outra atração para finalizar a noite.
Só que os horários foram "para o espaço!".
Mas o problema maior nem foi esse.
A estrutura do palco estava com vazamento de corrente elétrica!!!!!
Aí a coisa complicou mais.
Não sei se a produção de Karynna estava sabendo desse detalhe, mas ela subiu normalmente no palco.
E não fiquei sabendo de choques durante o show dela.
Mas a nossa produção passou o problema para os responsáveis pelo evento, e chegou eletricista lá para ver se resolvia.
Durante esse tempo de espera, fiquei sabendo que esse vazamento já tinha aparecido no início da montagem, e tinham falado que foi resolvido. 
Mas... Não foi.
E o tempo foi passando...
Depois de Karynna, a banda de coco subiu ao palco.
Várias crianças faziam parte dessa banda, e soube depois que tinha criança descalça na apresentação. Fazia parte do trabalho.
Não sabiam do risco que estavam correndo.
Enquanto isso, os eletricistas estavam ainda tentando aterrar o palco satisfatoriamente.
Acabou o show do coco, e ouvi uma das crianças na descida pela escada do palco falando que tinha levado choques durante o show.
Fui lá no camarim do coco com minha produtora, e chamei o menino, que não deveria ter 12 anos, e perguntei pra ele sobre o choque.
Ele respondeu: --- Foi, levei choque, mas foi de leve.
Ah tá...
Chegou a nossa hora.
Abrir um parêntese aqui...
Só ficamos sabendo do vazamento de energia no palco por causa de Adriano Duprat, que foi fazer o som do PA.
Ele anda com uma chave teste, onde informa a voltagem que está vazando. Vou até comprar uma igual.
Foi ele quem comprovou o vazamento, ao encostar o teste na escada do palco.
No vídeo abaixo, Adriano usando a ferramenta.

Ele disse que sempre faz esse procedimento nos seus trabalhos.
E eu vou incluir nos meus também.
A nossa produção estava conversando com a banda e com os organizadores do evento, para ver se a Banda subiria ou não no palco para fazer o show.
Por causa desse vazamento, decidimos não usar os fones com fio na banda, e foi aí que me lasquei no trabalho.
A decisão da banda foi correta, pois quanto menos contato com cabos em cima do palco, menos riscos de choques.
Enquanto a gente montava nossas coisas no palco, e eu tentava ajustar a mesa de som para fazer o monitor com as vias que eles tinham no palco, tiveram que desligar o gerador, pra mudar alguma coisa, pra ver se amenizava o vazamento.
Foi uma novela...
E o tempo passando...
Pela foto abaixo, vocês vão poder notar a quantidade de gente que ficou aguardando.

Ou seja... Todo mundo foi embora.
Quando falo todo mundo, imaginem 50 pessoas no máximo, que era o público vendo o primeiro show.
Difícil alguém sair de casa na chuva para ver alguma coisa naquele palco, onde nem as barracas de comes e bebes estavam funcionando.
Passamos rapidamente o som, depois do aviso que o vazamento estava mínimo e começamos o show. Nem sabia que existia esse vazamento "mínimo".
Público, só a família do baterista.
Foi aí que me tornei fã da Banda.
Fizeram o show na raça, com um monitor sofrível.
Só tinha 2 vias de monitor no palco, mais o side.
As caixas do side na altura da cintura dos músicos, que só quem tocasse sentado iria ouvir bem alguma coisa.
Foi um sofrimento para a banda e para mim também, pois não consegui fazer um trabalho legal.
Mas com todo esse sofrimento, a Banda fez o show completo, para a família do baterista que estava na frente do palco!
Essa empolgação da Banda me cativou.
Mesmo o pessoal da Banda me agradecendo na volta pelo trabalho, sei que ficou muito longe de ter sido um resultado legal.
Eles que foram muito "raçudos".
E eu pedi hoje para o produtor agradecer à banda pela atitude no palco.
Parabéns mais uma vez para a FUNDARPE e/ou EMPETUR pelo serviço prestado.


Me lembrei da COMPESA na hora quando vi o banner de vocês no palco em Arcoverde.
Um dia isso deve mudar. Acho.
Vejam no vídeo abaixo, como o palco estava bem "estaiado".


Se serve de consolo, ninguém da nossa turma levou choque!!!!
Ahhhhh!!! E a última atração?
Foi embora pra casa sem se apresentar, logicamente.
Um abraço a todos.

quinta-feira, 16 de junho de 2022

Curiosidade no acervo da FUNDAJ - Pausa analógica.

Olá pessoal.
Em abril desse ano, encerrei o trabalho de digitalização do acervo sonoro da FUNDAJ, pelo Estúdio Onomatopeia.
Foi mais de um ano digitalizando, e já tinha participado desse mesmo trabalho em 2017/2018, também pelo Onomatopeia.
E nesses trabalhos, me deparei com várias curiosidades.
Pegamos vários formatos de discos, feitos de diversos materiais, e até já devo ter falado deles em textos anteriores.
Por exemplo, eu lembro que falei do disco que tocava do final para o início no "Parece mentira, mas foi verdade!".
Discos coloridos eu já tinha tido contato quando fui DJ no final dos anos 80, o que não me causou surpresa ao encontrá-los nesses trabalhos.
Nos deparamos com discos em vários formatos, como esse da foto abaixo em forma de sino, produzido para as festas de fim de ano.

Já peguei um disco feito de papelão, produzido para a campanha política de Jânio Quadros...
Achei o texto de 2018, onde falo dessas curiosidades. Clique AQUI para ler a postagem do primeiro trabalho lá na FUNDAJ.
Vim falar hoje aqui de uma curiosidade que encontrei nesse último trabalho em 2021/2022.
Tirei as fotos no dia em que me deparei com o disco "estranho", mas acabei escrevendo sobre outros assuntos.
Mas não poderia deixar de falar desse caso, porque nunca tinha visto algo parecido.
Não apaguei as fotos do celular porque eu queria falar sobre o caso de todo jeito, e resolvi escrever hoje.
Eu estava editando os áudios digitalizados, quando um dos meus amigos que era responsável por essas digitalizações, me chamou a atenção para os espaços gigantescos entre as faixas de um disco.

Dei uma olhada no disco e não consegui entender do que se tratava.
Continuei editando os áudios.
Não demorou muito para meu amigo achar a razão dos grandes espaços entre as faixas.
Ele estava digitalizando, e depois da primeira faixa, ele achou estranho a demora para começar a outra faixa, pois ele sempre tem que marcar onde começa cada faixa, para eu me guiar nas edições.
Esperou, esperou, esperou.... E nada de começar a outra faixa para ele colocar a marca!
Oxe. Não passa para a outra faixa!!!!
Ahhhhhhhhhhh!
Tá explicado.
A agulha fica ali presa, em loop, e não segue em frente.
O usuário tem que levantar o braço com a agulha e colocar mais na frente.
Falei na hora: --- Criaram uma pausa analógica!!!!!
Na foto abaixo, o áudio contínuo que chegava para mim, onde eu editava faixa por faixa.
Logo acima da "waveform" (forma de onda), ficam as marcações em amarelo, indicando o início de cada faixa.
Mas na própria forma de onda, dava pra "ver" onde cada faixa começava, por causa dos picos produzidos pela mudança manual das faixas.

Clique na imagem para ampliar.

Aí peguei a capa do disco para dar uma olhada.
E estava lá a explicação.
Tinha um propósito, como vocês podem ver na foto abaixo do texto que estava estampado na capa.

Mesmo com meu inglês chulo, entendi o propósito.
Mas traduzi aqui para vocês, usando o Google Tradutor.
"Para facilitar o uso dessa gravação em sala de aula, as seleções individuais são separadas umas das outras por ranhuras travadas. Ao final de cada seleção, a caneta de gravação (no caso, a agulha) permanecerá na ranhura travada até ser movida manualmente".
Eram aulas de música.
Making Music Your Own (Fazendo sua própria música) - Silver Burdett (1965).
É uma coleção formada por 7 discos.


Achei muito interessante a ideia, principalmente por ter sido em 1965!
Pausa analógica.
Esse termo foi eu que inventei na hora. Foi a primeira coisa que veio na cabeça!
Fica então registrado aqui essa curiosidade que eu achei interessante.
Espero que vocês tenham achado interessante também.
Um abraço a todos.

segunda-feira, 6 de junho de 2022

Moises - A resposta SIM, para a pergunta que sempre me fizeram, chegou!

Olá pessoal.
Durante todos esses meus anos no mundo do áudio, me perguntaram infinitas vezes uma coisa:
--- Titio, tem algum programa para tirar a voz de uma música?
E eu sempre respondi: --- Não. Que eu conheça, não tem nada que faça isso satisfatoriamente.
Pois bem...
Não tinha!
Agora tem.
Moises.
Eu estava numa farra num barzinho na quarta-feira passada, quando numa conversa com Cássio Cunha (baterista de Alceu Valença), ele me mostrou o aplicativo Moises.
Nem me lembro qual foi o motivo que fez ele me mostrar essa ferramenta.
O nome é horrível, para um programa que trabalha com áudio, né?
Mas não quero saber a razão para esse nome. Não tem a menor importância, principalmente depois de eu ver (ouvir) o que o aplicativo é capaz de fazer.
Eu tinha visto alguns vídeos de Cássio na internet, onde ele toca em cima de bases de músicas conhecidas, muitas de Alceu, e eu ficava imaginando como ele estava fazendo isso.
Como ele estava tocando com todos os outros elementos da música, como baixo, gtr, teclado, sem o som da bateria???
Assim que ele me mostrou o aplicativo no celular, falei na hora:
--- Ahhhhhhhhhh! É assim que você faz aqueles seus vídeos tocando na internet, né?
Ele riu, e seguimos na conversa de explicação do aplicativo.
O Moises não tira só a voz!!!
Moises no celular.

Ele pode tirar a bateria, pode tirar o baixo, a guitarra... É impressionante.
Não fiz testes mais apurados para conferir a qualidade do áudio processado, comparando com o áudio original, mas já fiquei impressionado na primeira audição.
Mas vi no site do Moises, um produtor renomado aqui do Brasil afirmando que retirou de uma música mixada a voz de uma cantora (também renomada), para fazer uma regravação mais atual da música. Ou seja...
Pode-se afirmar que dá para usar em trabalhos profissionais!
Como funciona a "coisa"?

No detalhe, no laptop, as 4 faixas separadas da música que enviei.

Você, no aplicativo do celular ou no site, envia a música, e eles devolvem essa música em faixas separadas, onde uma é a voz, outra é a bateria, outra é baixo... E assim vai.
Não sei qual é o limite de "faixas" separadas.
No teste que eu fiz, como usuário sem pagar pelo serviço, pude escolher 4 faixas.
Voz, bateria, baixo, teclados.
Tem um Plano Premium, onde pode pagar por mês (R$ 16,90), ou por ano (R$ 164,90).
No plano gratuito, o usuário tem limitação de várias coisas, como a quantidade de músicas que pode enviar para eles separarem as faixas.
Acho que no gratuito só tem direito até 4 faixas e no Premium podemos ter até 5 faixas separadas.
Por enquanto, vou ficar no gratuito, pois até agora não precisei muito dessas ferramentas nos meus trabalhos, mas não descartei a possibilidade de pagar pelo serviço.
Ahhhhhh! Antes que eu me esqueça...
Além do usuário poder abrir ou fechar faixas, ele pode ter um metrônomo da música, baixar ou subir o tom dessa música etc.
Para músicos, que estão sempre ensaiando novas músicas com vários artistas, ou para esses músicos darem aula do instrumento, acho uma ferramenta indispensável, e não custa quase nada pagar por isso.
Então...
Para quem sempre me perguntou: --- Tem algum programa ou aplicativo para retirar a voz de uma música?
Agora, vou poder responder: --- Sim!!
Moises.
Para mais detalhes da ferramenta, clique AQUI.
No vídeo abaixo, eu faço uma breve demonstração da ferramenta.


Um abraço a todos.

quarta-feira, 25 de maio de 2022

Show de Renato Bandeira no Festival Do Frevo ao Jazz - Foi uma massagem tão grande, que fiquei envergonhado!


Olá pessoal.
Estava eu em plena sexta-feira 13 em casa, quando toca o telefone perto das dez horas da manhã.
Já tomei um susto, pois ninguém liga mais, manda mensagem no WhatsApp, né?
Eita. Sexta-feira 13 pela manhã, o telefone tocando?
Só pode ser notícia ruim!!! (risos)
Ri porque nem tinha me ligado que era dia 13. Só sabia que era uma sexta-feira.
Era meu Amigo Renato Bandeira, perguntando se eu não queria operar o som do PA do show dele instrumental no Festival Do Frevo ao Jazz.
O show iria acontecer nessa mesma sexta-feira diabólica, às 19h, na Praça do Arsenal em Recife.
Massa. Vou sim, falei pra ele, sem nem saber direito do cachê.
E nem falei pra ele que iria até por menos do que ele ofereceu! (risos)
Para me conquistar, ele falou que além do cachê, tinha uma garrafa de vinho de brinde!
Melhor ainda, né?





O soundcheck seria às 17h, mas cheguei bem antes para ver as coisas.
Na mochila, só levei fone, gravador portátil, pendrive, óculos... E três garrafas de vinho!
Uma era o complemento do meu cachê, a outra era de Renato, e a terceira garrafa levei para garantir.
Nem montei cena inicial do show, pois nem sabia qual mesa tinha lá, e se iriam ligar os instrumentos de acordo com o input list.
O rider para esse show foi eu que montei à pedido de Renato dias antes, e achei que ele iria sem técnico.
Quando cheguei na Praça do Arsenal, já gostei do sistema montado, que era da empresa Selva Nua.
Tudo lindo e organizado.
A mesa do PA era a Vi6 da Soundcraft, que eu nem lembrava mais como "mexia nos pitôcos".
Gosto muito dessa mesa, mesmo não tendo feito muitos shows com ela.
Quem estava no PA pelo festival era Adriano Duprat.
Já fui pegar dicas de operação da mesa com ele, pra saber onde estavam os comandos, e como eu tinha que fazer para chegar nesses comandos.
Cada mesa tem um jeito próprio para os mesmos comandos.
A Studer é a proprietária do sistema Visitronic, usado nas mesas da Soundcraft da série Vi.
Já tinha me deparado com a mesa Vista 5 da Studer, numa das turnês que fui para a Europa com Silvério Pessoa.
Fiquei tão animado com a mesa da Studer, que escrevi até sobre isso na época.
Vou tentar achar aqui a postagem...
Achei. Foi em 2008.
Vista 5 da Studer. Festival Paléo na Suíça.

Quem quiser ler essa postagem de 14 anos atrás, clique AQUI.
Adriano nem precisou explicar muito sobre a mesa para eu lembrar que ela é muito massa!!!
Como não fiz nenhuma cena inicial, falei que usaria os canais na posição que seriam ligados no palco para as outras bandas, mas ele me falou que não tinha problema algum ligar de acordo com o input list que eu enviei.
Ok então, liga como está no input list.
Não coloquei Lisa Stansfield para escutar o som do PA.
Usei a cena inicial de Adriano, que já estava com os ajustes de EQ do PA, com as mandadas para o sub, front e torre de delay.
Só perguntei como fazia para chegar no EQ gráfico do PA, e esperei pela minha vez de passar o som.
Era um show autoral instrumental de Renato Bandeira, com bateria, baixo, teclado e guitarra.

Vi6 da Soundcraft.

Renato é violonista/guitarrista, e nesse show seria usada uma guitarra semi-acústica.
Só fiz uma pergunta pra Renato no palco: --- É jazz, né?
Ele respondeu que sim, e fui lá pra frente.
Me lembrei do FITO, onde eu era o responsável pelo som do palco dos shows, e ia ter Tom Zé.
Já falei também desse episódio aqui no Blog. Muito legal o "causo".
Mas vou deixar esse para vocês encontrarem, usando a ferramenta de busca do Blog.
No primeiro show que fui fazer o som, eu pedi para tocar o bumbo da bateria.
Quando eu levantei o fader, no primeiro "tuum", já ouvi do palco: --- Ei!!! Rapaz do som. Não é bumbo de música pop não, viu? Não é Dance Music! É jazz!!! (risos)
Não lembro se foi Tom ou Jarbas quem falou isso na hora.
Jarbas é o diretor musical de Tom Zé, que participa da banda também.
Eu nem tinha mexido em nada!!! Só levantei para ouvir como estava chegando.
Mas entendi o recado.
Nem lembro mais quantos shows de Tom Zé fiz depois desse inicial. Foram muitos, todos no FITO.
Da metade dos shows em diante ele já me chamava de Titio.
Nesse show de Renato Bandeira também não era som de música pop.
Fui levantando os faders, fazendo os ajustes, enquanto a turma passava o som dos monitores.
Aqui não foi como no show de Elba, estava tranquilo. Tínhamos tempo de sobra.
Não mexi em nada na equalização do PA.
Confiei no conselho de Adriano, que foi: Vai levantando os faders que vai soar bem.
E soou!

Pra não dizer que achei tudo legal... Achei um pouco estranho o som da caixa, mas eu achava que era o som dela mesmo. Ainda tentei puxar um pouco de grave, mas não consegui chegar no som que eu queria. Mas como era jazz, com um som mais cru, mais natural, ficou bem ainda.
Quando fui no outro dia do evento ver alguns shows, achei que poderia ter sido um microfone não muito legal no meu dia... Mas no outro dia não vale mais nada!
Foi super tranquilo o soundcheck. E como Renato seria a primeira atração, tudo ficou armado e ligado no palco.
Só aguardar a nossa hora.
A mesma tranquilidade que tive no soundcheck, tive no show.
Só fiz me divertir com o som, e com a mesa Vi6.
Só comprovou o que eu já achava da mesa. Massa!
A Série Vi da Soundcraft é muito legal!!!
No vídeo abaixo, feito por Adriano Duprat, eu me divertindo na mesa de som.


O show foi muito legal, mesmo sendo muito curto!
Acho que não chegou a 1h de duração. Normal num festival, onde os tempos maiores dos shows são para as atrações mais conhecidas.
Achei o resultado sonoro muito bom.
Mas o público (onde tinham muitos músicos) achou o som absurdamente bom!!!!
Renato Bandeira me agradeceu tanto após o show, que fiquei sem jeito.
E olhe que sou amigo de Renato desde 2004, quando o conheci em Silvério Pessoa.
Acho que nesses anos todos, ele nunca me elogiou tanto como nesse show.
Oxe. Fiquei meio "desajeitado" com os comentários.
E eu pensando... Galera... Foi só bateria, baixo, teclado e guitarra...
Como sempre, eu me subestimando.
Tenho esse grave defeito!
Sou muito exigente comigo mesmo.
Depois de vários elogios durante o pós-show, acabei me convencendo que realmente o som poderia ter sido mesmo como estavam achando que foi.
Já na segunda garrafa de vinho no camarim, comemorando e conversando com Renato, ele falou: --- Titio, todo mundo que elogiou meu show, elogiou o som do show. Ninguém elogiou só meu show. Interligaram as duas coisas. Meu show, e o som do meu show!
Foi nesse momento que eu tive a certeza que a garrafa de vinho que eu trouxe de garantia, iria fazer parte das comemorações!

Teve gente falando que foi o melhor som do festival até aquele momento!
Mesmo eu ainda achando um pequeno exagero, não estava mais me importando com isso.
O resultado foi muito melhor do que eu estava imaginando, e ponto final!
Vou comemorar!!!
E foi isso que eu fiz!!!
Fui pra "galeeeeeera"! Como o personagem Seu Boneco, da Escolinha do Professor Raimundo.
A massagem revigorante na autoestima foi tão grande nessa noite por causa dos elogios, que fiquei bastante envergonhado.
Mas uma vergonha como sinônimo de encabulado, desajeitado, sem jeito, lisonjeado...
Voltei para casa só com a metade da terceira garrafa de vinho.
Completamente leve, por tudo que aconteceu no trabalho, sem esquecer também do vinho na corrente sanguínea, logicamente.
Gravei o som do show, tirando o L/R direto da mesa para meu gravador Tascam.
E os elogios continuaram durante a semana por causa dessa gravação!
Vixe!
Como é bom receber elogios, né?
Fiquei imaginando...
E se esse show de Renato Bandeira não tivesse acontecido numa sexta-feira 13??
Como teria sido???!!!! (risos)
Um abraço a todos.

sexta-feira, 20 de maio de 2022

A imagem resume o meio em que vivo desde 1987!

Isadora cantando com Sereno no peito. (Foto by @maxfoto)

Olá pessoal.
Vou sair completamente do cronograma e do jeito que escrevo para o Blog.
Não escrevo direto, faço um esboço no "word", para só depois montar a postagem.
Tou escrevendo hoje direto. Coloquei a foto de Isadora Melo amamentando seu filho Sereno, enquanto curtia o show de Carlos Filho na semana passada.
Ela era plateia nesse dia.
Uma semana depois ela era a convidada, que aconteceu nessa quinta-feira (dia 19/05), onde participei novamente operando o som.
Mas hoje aqui não vou falar de som, nem de DDO (Carlos Filho sabe o que é).
Vou só fazer um breve comentário do que é viver de arte.
Arte... Isso inclui tanta função, que não tem espaço aqui para pontuar todas!!
Viver, para a grande maioria da população do mundo, não é fácil.
Infelizmente, muita coisa que está escrito nas "constituições", são apenas palavras num papel.
Direito a moradia para todos? Só palavras, não?
Nem vou me estender nesse caso.
Quero mostrar aqui com essa foto de Isadora cantando com Sereno (literalmente no peito), que viver de arte também não é fácil.
Comparo com o futebol.
Todos ficam assustados com os salários do jogadores, técnicos etc.
Mas poucos recebem uma fortuna, a grande maioria dos envolvidos recebe valores impressionantemente baixos.
Com a minha área é a mesma coisa.
E essa foto é um "retrato" da minha profissão.
Tenho Amigo técnico de som, que desde que começou a trabalhar com artista que toca muito no São João, não consegue participar dos aniversários dos filhos, pois nasceram em junho!
Lembro de uma história, que Yuri Queiroga, filho de Nena Queiroga e Spok, dormia atrás do banco do baterista Tostão, o tio dele, enquanto os pais tocavam e cantavam.
Sabem o que é isso? Dormir atrás do banco do baterista?
Mas acho que ele adorava, pois tá fazendo a mesma coisa que os pais!
Isadora amamentou Sereno no dia que ela foi ver o show de Carlos Filho com Cláudia Castelo Branco, como amamentou também nessa quinta-feira passada, quando foi a artista convidada.
Tinha até uma cadeira de balanço para ela amamentar, mas ela fez isso na cadeira onde ela cantava.
Todo mundo sentou na cadeira de balanço, menos ela! (risos)
Foi massa! Mas não vou falar sobre isso hoje.
Inclusive, nem avisei aos meus parceiros do projeto do Blog pelo Recife Virado, que ira escrever hoje.
Estava combinado que eu só iria postar na semana que vem!!!
Não vai ter cartela de divulgação, vou postar como faço normalmente, mas usando ainda a assinatura do Projeto Recife Virado.
Raian e Janaísa, me desculpem mais uma vez. 
Já estão acostumados, né?
O Recife Virado está no lucro. Eram apenas seis textos, e esse é o décimo segundo!!!
Me empolguei?
Não. Os trabalhos voltaram!!!
Conheci Isadora fazendo o monitor do Baile do Menino Deus, muitos anos atrás.
Nem sei se ela lembra disso.
Era uma adolescente, que já cantava muito.
E continua do mesmo jeito, só que agora é uma mãe cantando muito.
Sua determinação em continuar nas artes, independente dos obstáculos, é um grande incentivo para quem está começando.
Ou até para os velhinhos do meio, como eu.
Como Isadora, como Nena, como Spok, como Yuri, como tantos outros do nosso meio que eu tive e tenho o prazer de cruzar nos palcos, também passei e passo por perrengues, mas até hoje, não pensei em mudar de profissão.
E nunca esquecer da ajuda dos amigos e familiares (avós, tias, irmãos etc), que sempre seguram a onda quando não temos onde deixar os filhos, pois a profissão é completamente "desregrada".
Não tem hora determinada para quase nada! De uma hora pra outra, surge um ensaio, uma viagem, um show...
E essa foto espetacular resume tudo isso que eu queria falar!!!!!!
Um abraço todos.

PS: Escrevi esse texto hoje, pelo simples comentário de Jozete Cardoso no meu Instagram, quando ela fala: "Que imagem!"
E eu respondi: É mesmo...

terça-feira, 17 de maio de 2022

Show de Elba Ramalho & Luã no Teatro RioMar - A mesa digital jogou um balde de água fria na minha comemoração.

Olá pessoal.
Dizem que nunca é bom comemorar antes do final, mas eu não tenho essas superstições, mesmo eu me lascando de vez em quando.
Mário Jorge, técnico de Elba Ramalho desde o tempo em que "Dercy Gonçalves era Paquita", me chamou mais uma vez para substituí-lo em dois shows da cantora que ele não iria poder fazer.
Adorei essa frase de Dercy, que eu vi hoje num grupo de áudio, usada para ilustrar como um colega nosso era antigo na profissão, e aproveitei para ilustrar como faz tempo que Mário opera o som dos shows de Elba Ramalho.
Esse show aconteceu no Teatro RioMar de Recife.
Mário me passou o rider técnico desse show, que seria sem percussão, e combinamos tudo certinho com Monteiro, colega nosso que responde pela parte técnica de lá.
Ficou tudo acertado. 
Eu já sabia que seria uma CL5 no PA, e uma PM5D no monitor. Ambas da Yamaha.
Montei uma cena inicial em casa, usando o editor offline da CL, com o input que Mário me enviou.
Já adiantei o serviço. 
Sempre faço isso, mesmo começando o soundcheck do zero, como seria nesse show. 
Já coloco os nomes nos canais, ligo o filtro de graves onde sei que vou usar, escolho os efeitos etc.
Cheguei cedo no teatro, para arrumar minhas coisas.
Eu sabia que o sistema de som do teatro tinha mudado, por alguma questão contratual.
O anterior era bem melhor, diga-se de passagem...
Acredito que a mesa de PA também fazia parte do setup que foi mudado, pois nunca tinha ouvido falar de problemas no teatro anteriormente.
Passei minha cena inicial para a mesa de som, e Monteiro fez todos os ajustes nas saídas, que iam para o PA, subgraves, front, balcão etc.
Tudo certinho.


Mas quando fui equalizar o PA, usando os faders do centro da mesa para controlar o equalizador gráfico, notei que alguns estavam com defeito, subindo e baixando sozinhos.
Normalmente, usamos esses faders centrais como sendo os masters das saídas: Auxiliares, matrix, DCAs(!!).
Não podemos chamar DCA de saída, mas geralmente controlamos os DCAs nesses faders centrais.
Já estava desconfiado dos faders da mesa... E quando fui "lincar" (vem do termo LINK - fazer um PAR) alguns canais, notei que um dos faders do par ficava louco quando eu tentava subir ou baixar o par.
Isso aconteceu quando fui passar o som das bases gravadas que seriam usadas em algumas músicas.
Simplesmente eu não conseguia movimentar o par de faders sem um deles ficar descendo e subindo todo tempo, fazendo com que o som aumentasse e baixasse.
Testei nos faders da guitarra, que são lincados também, e aconteceu a mesma coisa.
Não teve jeito e "deslinquei" todos os canais que eu iria usar.
Daria mais trabalho, pois eu ia ter que equalizar, comprimir, ajustar ganho etc, nos dois canais independentes, mesmo fazendo parte do mesmo instrumento.
Mas não tinha saída. Tinha que ser assim.
Até tinha outro jeito, criar grupos para esses canais, mas nem pensei em fazer isso.
E foi nesse momento que resolvi usar meu iPad sincronizado com a mesa, para poder mexer nos ajustes, sem ter que usar alguns faders da mesa.
Outra coisa que decidi, foi eliminar os faders do centro, deixando eles sem função, e coloquei os controles dos DCAs no bloco de oito faders no final da mesa, onde eu notei que não estavam com problemas.
Perfeito. Iria diminuir muito os riscos.
Consegui passar o som da bateria com Tostão Queiroga, pois ele era o único músico que estava em Recife. O restante da banda chegaria mais tarde, e daria tempo suficiente para fazer o soundcheck.
A gente não estava contando com o incêndio que teve nas palafitas no bairro do Pina.
Caos total no trânsito ao redor do local, que era bem perto do Teatro RioMar.
Resumindo... 
O restante da banda, chegou bastante atrasada!
Enquanto Flávio Rego, técnico de monitor, ia passando com a banda no palco, onde todos usam fones, eu ia subindo os faders lá na frente, ajustando a equalização dos canais.
Já estava bem perto do horário de abertura da casa.
Não tínhamos tempo para fazer um soundcheck normal.
Quando ficou razoável no monitor, acabou o soundcheck, independente de eu achar qualquer coisa.
Foi na correria mesmo.
Não deu tempo nem de ver os vocais.
E com o público já entrando na casa, pedi para o roadie dar uma dedilhada no violão de Elba, só para eu saber como iria soar no PA.
E foi só.
Agora, só restava aguardar pela hora do show.


Flávio ainda veio na mesa do PA pra falar comigo, mas nem lembro qual era o assunto. Lembro de ter pedido para ele falar com Luã, filho de Elba, que iria participar do show, para se possível, aumentar um pouco a emissão de voz, pois tive que puxar muito na frente.
O recado deu resultado, pois na hora dele, a voz chegou muito melhor.
Eu já tinha duplicado o canal da voz dele na mesa, caso precisasse de mais sinal de voz.
Vai começar o show...
Como não passei nada dos vocais, ajustei "no olho" os dois canais, baixei pela metade o DCA que controlava o volume desses canais, e durante o show fui levantando o DCA, fazendo os ajustes necessários.
Funcionou lindamente.
Elba começou a cantar e não tive problema em colocar a voz dela na base.
Lembrando que não passamos quase nada da banda com Elba. 
Passamos mais com Luã, do que com ela.
Tudo estava lindo durante o show.
Não lembro agora se o fato aconteceu antes ou depois da participação de Luã.
Também, não muda nada saber disso.
Sei que Elba estava cantando uma música de Belchior.
Se baixou para cantar e falar com as pessoas na primeira fileira de cadeiras.
Um pouco antes dela fazer isso, eu vou explicar um detalhe.
Lembram que eu falei que tinha desabilitado os faders do centro, né?
Pois bem...

Um pouco antes dela se abaixar na ponta do palco, eu chamei os DCAs nos faders do centro. É tão comum a gente usar eles para isso que foi algo automático.
Mas do mesmo jeito que chamei rápido, saí rapidamente, pois esses comandos de DCAs estavam no final da mesa.
Voltei minha visão para Elba, achando que ela estava conversando com as pessoas, pois não estava mais escutando a voz dela.
E parecia mesmo que ela estava conversando, mas quando vi o microfone perto da boca dela, tomei o susto!
Ela estava cantando!!!!
Parou o microfone!!! Pensei na hora! Fiquei tentando me comunicar com o palco para trocarem o microfone pelo reserva.
E quem disse que tinha "intercom" (intercomunicador) para falar direto com Flávio?
Falei ainda no meu rádio, que sempre levo já pensando na falta de intercom, mas nada do roadie me escutar. E eu levantando os braços na mesa...
Foi aí que olhei para minha mesa, ainda tentando entender o que estava acontecendo, e notei que o canal da voz dela estava modulando. Ou seja... O microfone não estava parado. Estava funcionando.
Por isso ela não notou nada no palco. Estava normal para eles, todos escutando a voz dela.
O problema era comigo!!!
Ainda sob o efeito do susto, saí à procura do problema, e fui eliminando as causas.
O fader do canal dela estava levantado? Sim, ok.
O canal estava endereçado para o LR? Sim, ok.
O DCA!!!!!!! Só podia ser.

Puxei o DCA nos faders do centro. Nem lembrei que tinha eles no final da mesa.
O fader do DCA responsável pelos dois canais de voz de Elba estava completamente abaixado!!!!!
Ele baixou (e eu não vi) na hora que chamei por engano aqueles faders.
Fui levantar o fader, e ele não subia de jeito nenhum!!!
Travado embaixo.
Tentei umas três vezes subir ele, e nada! Quase arranco ele na mão.
Foi aí que lembrei que tinha colocado esses mesmos controles no final da mesa.
Olhei para o lado, e estava lá o fader embaixo também, pois ele é uma cópia desse que eu estava tentando levantar.
E pelo que sei, não adiantaria eu ir lá no outro bloco e levantar o fader, porque como ele é uma cópia do outro, se o outro não sai do lugar, esse também não sai.
Eu tinha que sair primeiro dessa página dos faders centrais com os DCAs, pois assim não estaria mais com dois faders com a função do DCA7.
O público já estava tentando avisar que não tinha voz, e Flávio também avisou pra ela pelo microfone dele, que ela escuta, pois ele faz vocal também durante o show.
Foi quando subi o DCA7 no outro bloco, e surgiu a voz de Elba falando: --- Como? Parou a voz na frente? 
E o público respondeu: --- Voltou, voltou!!!!
Isso a banda já tinha parado de tocar. 
E Elba continuou falando, agora olhando para mim, logicamente: --- O que foi que houve? Parou a voz aí na frente? Qual foi o problema?
Com uma "cara de bunda", (nem sei de onde vem esse termo) apontei para a mesa.
E ela continuou: É... Mas é você que está operando, né?
Vou dizer o que? Nada.
Tempo que durou a agonia? 60 segundos.
Parece pouco, mas num show onde aparece um problema, é uma eternidade!!!!


Lembrei do outro caso que aconteceu comigo em 2005 com Silvério Pessoa na Bélgica, onde um equipamento perdeu o sincronismo com a mesa de som, e perdi 8 canais no início do show, onde um deles era a voz. Parou o show também, com todos ouvindo tudo perfeitamente no palco.
Esse na Europa foi mais complicado, pois os técnicos Belgas tiveram que fazer o sincronismo novamente dos equipamentos.
Tudo bem...
Fazendo as contas, comecei em 1987 a operar som ao vivo, e só duas vezes eu passei por isso, num intervalo de 17 anos (2005-2022).
Mas... Não é nada legal passar por isso.
Eu poderia ter resolvido esse problema com Elba em menos tempo??
Poderia sim, se eu tivesse visto o fader baixar. Não tinha a menor ideia que isso poderia ter acontecido.
Descobri por eliminação.
Quando descobri onde estava o problema, poderia ter resolvido mais rápido?
Poderia. Era só tirar a voz do DCA7, desmarcando a opção na página do canal.
Fazendo isso, ele não estaria mais vinculado ao DCA que estava com o fader totalmente zerado, e a voz apareceria normalmente.
Mas no desespero, esquecemos por alguns instantes de detalhes que podem ajudar.
Lembrei disso quando levantei o fader do DCA7.
Talvez nem teriam parado o show, por eu ganhar uns 20 segundos, mas se duvidar, ficaria pior o resultado, ficando a música com um buraco no meio sem voz.
Ela cantou novamente a música de Belchior do começo, e seguimos com o show, sem mais nenhuma surpresa, e eu ainda gostando muito do som., mesmo me recuperando ainda do susto!

Ahhhh... Não tirei a voz do DCA7. Foi assim até o final, mas sem eu tocar nos faders centrais!!!!!!
Usando os faders do outro bloco, mais o Ipad.
Realmente, foi um balde de água fria na minha comemoração.
Já vinha comemorando durante o show, antes de acontecer o problema na mesa de som.
Mas não deixei de comemorar o resultado geral.
No final do show, Monteiro veio falar comigo, e prometeu que não iria mais fazer eventos no teatro com essa CL5 que me deu a rasteira. Espero que ele tenha cumprido com a promessa, evitando que outros colegas e amigos de profissão passem pelo que eu passei.
Se ainda vou comemorar antes do final do show? Não parei para pensar nisso.
Cabeça-dura como sou, e que não liga para superstições, tenho quase certeza que continuo comemorando, mesmo sem o show terminar.
Como faço desde 1987!
Faz parte.

E nada como o que aconteceu no show de Renato Bandeira, que fiz nessa sexta-feira 13, operando o som do PA, para comprovar meus pensamentos.
Mas... Mais uma vez vou falar que isso já é uma outra história...
Um abraço a todos.

PS: Com essa correria que foi o show, vocês não queriam que eu tivesse tirado fotos, né? Só tirei uma, que é a que está no início do texto, e foi tirada enquanto eu aguardava o resto da banda!
Todos os vídeos, exceto esse último, foram feitos por minha amiga Mevinha Queiroga.