quinta-feira, 27 de junho de 2024

Monitor de Paulo Miklos em Caruaru - Equipamentos próprios fazem a diferença.

 
Olá pessoal.
Estou meio apertado aqui para organizar o monitor de dois shows que vou fazer nesse próximo final de semana, mas vou tentar ser breve sobre o assunto que acho legal falar desse show de Paulo Miklos em Caruaru.
Esse show aconteceu no dia 7 de junho, no Polo Azulão.
Nem sei se vou conseguir falar sobre todos os outros trabalhos que fiz depois do show da Filipe Catto.
Não preciso falar que fiquei super feliz em operar o monitor de um dos Titãs, pois seria "chover no molhado".
Para um DJ que nunca pensou em fazer isso, podem ter certeza que foi uma satisfação absurda!
Mas vamos ao trabalho...
Vou tentar explicar e ratificar uma frase que usei na postagem anterior, do show da Catto.
E a frase em questão é: "Tá chegando num ponto aqui na região, que o técnico tem que andar com seus microfones e DIs."
Essa frase ilustra bem o que estamos pegando nas estradas.
E ainda posso comentar que deixei de colocar mais equipamentos dentro da frase.
Só falei de microfones e Direct Box (DI).
Tinha tudo para ser bem relax o soundcheck, mas por causa de alguns problemas com microfones, cabos e in-ears, o tempo ficou "estrangulado".
Eu já estou andando com meu microfone SM58 da Shure e meu Power Click XLR estéreo.


Fora isso, ainda levo lanterna de cabeça e/ou poste de iluminação, porque muitas mesas não tem as luminárias.
Algumas vezes levo dois rádios comunicadores, para poder falar com meu amigo que vai ficar na outra mesa de som, pois em alguns trabalhos que eu fiz, esse sistema de comunicação não foi fornecido pela empresa de som.
E por aí vai...
Levo também algumas coisas que não é responsabilidade da empresa de som fornecer.
Como adaptadores de tomada, cabos Y, plugues adaptadores P10 para P2.
E a última aquisição foi uma mini-impressora de etiquetas bluetooth, que foi uma dica do meu amigo Adriano Duprat.
O poste de iluminação também foi dica dele, que é o Rei da Shopee.

Poste de iluminação portátil iluminando a mini-impressora de etiquetas.

Virei "Cliente Ouro" dia desses, de tantas compras que eu fiz.
Pois bem...
Esses equipamentos próprios ajudam bastante no trabalho.
Usei quase todas as ferramentas nesse show em Caruaru.
Meu microfone para checar as coisas no palco, para ver se era defeito do microfone da empresa ou defeito no cabo.
Meu microfone eu sei que está perfeito, facilitando para encontrar o problema.
Na grande maioria das vezes eu uso minha lanterna de cabeça na mesa de som e agora tenho o pequeno poste de iluminação para esse serviço.
No palco tinha 4 sistemas de in-ear, mas um já estava com problema quando eu cheguei.
Então coloquei um in-ear para Paulo, outro para Anete (teclado) e o terceiro para Camila (bateria).
Para o baixista Meno foi caixa de monitor, e acho que coloquei um sistema de fone com fio para Michele (guitarra).
Enquanto fazíamos o soundcheck, Camila me avisava que o in-ear dela estava com problema, e eu tentei de tudo para estabilizá-lo, mas não teve jeito.
Quase não consegui fazer uma mix para o fone de Miklos, tentando ajustar esse problema no fone da baterista.
Teve uma hora que tive que fazer a mixagem para o fone do cantor, pois ele não participou do soundcheck.
Mesmo com a correria, todos estavam satisfeitos no palco, menos Camila na bateria.
Fiquei de tentar ajustar o sistema de in-ear dela até a hora do show, pois eu iria ficar direto no local.
Mas resolvi de outro jeito.
Não quis arriscar com o in-ear sem fio, que poderia dar problema durante o show, e o substituí por meu Power Click com fio.
E mesmo sem ter notado nada de errado no in-ear que coloquei para Paulo Miklos, e como eu sabia que o produtor trouxe de São Paulo um sistema igual para o cantor, solicitei esse sistema para fazer a troca também.
Arranjei uma lugarzinho para colocar o case do equipamento, e com a ajuda do meu colega da empresa de som, fiz a mudança nas ligações dos cabos.
Toda a equipe do evento foi super atenciosa, e fizeram de tudo para deixar tudo organizado.
Só me restava aguardar pela hora do show.
E a primeira coisa que eu fiz, foi avisar Camila que eu tinha trocado o sistema dela pelo meu, e que era só ajustar o volume do equipamento com o bumbo da bateria, que o resto iria chegar como estava no sistema sem fio.

Quando ela tocou no bumbo, me falou na hora: --- Agora está bom!
São José dos Faders Loucos ouviu minhas preces! (Risos)
Agora eu só tinha que conferir a mixagem do fone de Miklos no início do show.
Fui ajustando pequenos detalhes, pois eu passei o som do fone dele usando minha voz, e eu não tinha a menor ideia de como era a emissão de voz dele!
Se cantava perto ou longe do microfone, coisas do tipo...
Muitos anos atrás, quando eu operava o som do PA de Silvério Pessoa num show no Marco Zero, teve a participação de Miklos, mas mesmo assim eu não sabia bem como seria essa voz no monitor.
Mas já imaginava que não seria suave essa emissão.
Rock, né?
Fiquei o tempo todo tentando observar alguma reação do cantor, enquanto eu ajustava a mix.
E na segunda música, fiz contato visual com ele e perguntei usando meu dedo polegar, pra saber se estava tudo "legal" pra ele no fone.
Ele deu o sinal de positivo, e eu relaxei.
Então fui curtir o show!
Como eu estava fazendo a mixagem em pós fader, fique pilotando alguns canais na hora dos solos ou introduções, subindo e descendo o volume.
Tinha a captação do público que eu também subia e descia no fone de Miklos em determinados momentos durante todo o show, melhorando a interação do cantor com a plateia.
Conversando ontem com meu amigo Evangelista, que está fazendo o monitor de Geraldo Azevedo em alguns shows, substituindo nosso amigo Vini que é o técnico oficial, ele me falou que coloca o som do público para todos da banda, e não só para Geraldo.
Por que não fornecer essa interação para todos, né?
Me convenceu.
Vou fazer isso num próximo trabalho onde os músicos usam in-ears.
O show foi muito legal!

E olhando o "set list" (documento que lista a ordem das canções), já dava para ter ideia de como seria!
O rapaz ali com o microfone tinha muita história para contar (e cantar!).
E fez isso com maestria, como um verdadeiro Titã.
Muito bom ter participado desse show.


Obrigado Adriano por ter me indicado.
E obrigado à produção do artista (Beca e Surabhi) por ter confiado nessa indicação.
O show acabou, e enquanto eu desmontava os nossos equipamentos, fiquei pensando em como eles ajudaram no serviço!
Por isso, quem tiver e puder levar seus equipamentos pessoais para um show, leve que vai fazer uma grande diferença em vários locais.
Mesmo que tenha equipamento igual no local.
Tem, mas você não sabe se está em perfeitas condições!
Isso serve para todos os envolvidos.
Não só os técnicos, mas os cantores e músicos.
Esse é meu ponto de vista.
Um abraço a todos.

PS: Dias depois, fui sondado para fazer outro show de Paulo Miklos em Pernambuco, caso Adriano Duprat não pudesse fazer.
A satisfação pela sondagem foi igual a que senti por participar do show.
Se duvidar, foi até maior.

terça-feira, 18 de junho de 2024

Filipe Catto no Teatro do Parque - Fazia tempo que eu não via isso.

 
Olá pessoal.
No dia 11 de maio fui operar o monitor do show da cantora Filipe Catto no Teatro do Parque, que fica aqui em Recife.
(Não estou errando na escrita. A Filipe, é como ela prefere ser chamada.)
Banda enxuta, com bateria, baixo e guitarra.
Normalmente chamamos essa formação de "Power Trio".
Mais uma vez seria a mesa DL32R da Mackie no monitor.
E mais uma vez eu iria ficar na minha cadeira na lateral, segurando meu iPad.

Controlando a DL32R pelo iPad no Teatro do Parque.
Sempre pego essa cadeira no camarim, porque ficar sentado num banquinho de madeira é bastante desconfortável.
A cadeira tem encosto e o assento é acolchoado! (Risos)
Como eu já sabia que seria a DL no monitor, aproveitei a cena do show de Flaira Ferro que fiz no teatro no mês anterior, e montei a cena do show de Filipe.

Usei o mesmo método que já falei aqui em textos anteriores, já enviando os canais dos instrumentos e vozes para todos os monitores, com níveis diferentes.
Também zerei o ganho de todos os canais.
Acho que esqueci de falar uma coisa nos textos anteriores...
A primeira coisa que eu faço no monitor, depois de checar todos os monitores e in-ears, é colocar a voz do cantor no seu monitor, seja fone ou caixa.
No caso desse show, coloquei a voz no fone da cantora.
Como eu não conhecia o trabalho da Filipe Catto, fui ouvir o disco no Deezer.
Notei que tinha muitos efeitos na voz em quase todas as músicas.
Ambiências longas, com delays...
Por causa disso, fui conversar com Adriano Duprat se ele iria reproduzir o que estava no disco no som do PA.
Ele disse que sim.
Montagem dos equipamentos no Teatro do Parque.
Então solicitei que ele me enviasse lá da frente esses efeitos por dois canais (estéreo), que eu enviaria para o fone da cantora.
E assim foi feito.
Peguei esses efeitos no palco e coloquei em dois canais da mesa de monitor.
Tem outra coisa interessante na parte técnica desse show.
Filipe toca guitarra em duas ou três músicas...
Essa guitarra é distorcida.
Mas Filipe não usa pedal de distorção, e não tem amplificador de guitarra no palco para ela.
O que fizemos?
Montagem dos equipamentos no Teatro do Parque.
Adriano processou o sinal da guitarra lá na frente num plug-in simulador de distorção, e enviou esse sinal processado para mais uma saída do "Stage Box" que estava no palco. Como ele fez com os efeitos da voz.
Peguei então essa saída e liguei no canal da guitarra.
Pronto. Perfeito.
Todo mundo no palco escutava a guitarra distorcida, que vinha lá da mesa do PA.
O soundcheck foi bem tranquilo.
Só Filipe usou in-ear.
Esse mesmo show aconteceu em Natal no outro dia, onde também operei o monitor.
Caixas amplificadas foram usadas nos monitores de todos os músicos.
Coloquei dois monitores de chão para Filipe, mas só seriam usados caso eu tivesse algum problema com o sistema de in-ear.
Não me recordo se deixei um pouquinho da voz nessas caixas ou desliguei geral.
Mas com certeza, elas só seriam usadas pra valer em caso de emergência.

Tudo ok com todos no palco (e lá na frente também), encerramos a passada de som.
O legal dos shows no Teatro do Parque é que dificilmente tem um cabo, DI ou microfone com defeito, o que agiliza muito o serviço.
Me faz lembrar dos shows nos SESC de São Paulo...
Meu sonho de consumo profissional...
Fazer só trabalhos em locais como o SESC SP, com material bom e bem cuidado, sem desmontar o palco, com atendimento super profissional, com tudo funcionando, inclusive o ar-condicionado... (Ai, ai...)
Vamos voltar para a realidade. (Risos)
Tá chegando num ponto aqui na região, que o técnico tem que andar com seus microfones e DIs.
Muitos artistas "grandes" já fazem isso a décadas!
Certo eles!
E o show? Como foi?
Problema zero!
Foi mais tranquilo que o soundcheck, para vocês terem uma ideia.
O lance de usar os efeitos do PA no monitor da Filipe foi massa!
Só enviei esses efeitos para o fone dela.
A guitarra distorcida também foi muito legal. 
O plug-in simulador que Adriano usou lá na frente fez um serviço perfeito.
Menos um amplificador e um pedal de efeito no palco.
Não conhecia Filipe, e muito menos esse trabalho com as músicas de Gal Costa.

Montagem dos equipamentos no Teatro do Parque.
Quem me conhece sabe que não sou muito fã do "Fulano Canta Sicrano".
Prefiro sempre o cantor original.
Não tenho discos desse tipo na minha lista no Deezer, para eu ouvir na minha caixinha Flip4 da JBL.
Mas isso é meu gosto musical pessoal, que separo muito bem do profissional, onde passeio por vários estilos musicais nos meus trabalhos.
Wanderléa, Siba e a Fuloresta.
Alceu Valença, Flaira Ferro.
Banda Versão Brasileira, André Memari.
Naná Vasconcelos, SESI Bonecos.
Jorge de Altinho, Chucho Valdés.
Nação Zumbi, Geraldo Maia.
Elba Ramalho, Palhaça Baju.
Banda Zé do Estado, Ira!.
Silvério Pessoa, Vincent Ségal.
Baile do Menino Deus, Abril Pro Rock.
E por aí vai...
Não tenho gosto profissional.
Para mim, tudo é música, tudo é trabalho, é profissão.
Ratificando o que já falei antes: Quem tem que gostar do show é o público!!!
Minha única preocupação é fazer meu trabalho o mais perfeito possível, para que a banda ou artista passe a mensagem dos seus trabalhos com mais "clareza".
Fiquei bastante satisfeito com esse meu trabalho no Teatro do Parque com Filipe Catto.
Achei perfeito no palco.
Muito legal conhecer Filipe e um de seus trabalhos.
Teve um detalhe que me chamou a atenção no show.
Não reconheci algumas músicas que estavam no roteiro.
Oxe! Gal Costa já cantou essa? Conversei com meus botões durante o show...
Filipe explicou (em algum lugar que eu vi) que além de ser uma homenagem à cantora que ele tanto admira, as músicas foram escolhidas por terem alguma ligação com sua vida pessoal, e não por serem famosas na voz de Gal.
Ahhh... Tá explicado por que me chamou a atenção.
E tá explicado também a reação do público.
Filipe Catto já foi aplaudida de pé no MEIO do show!!!
Fazia tempo que eu não via isso.
Mas ela mereceu.
O show foi muito bonito (e competente!).
Filipe Catto entrou para minha lista de favoritos no Deezer.
Um abraço a todos.

PS (1): Fui convidado para fazer o monitor desse mesmo show no Espírito Santo, que acontecerá no dia 27 de julho. Adorei o convite.

PS (2): O show em Natal no outro dia (12/05) também foi muito bom!!!!!
O vídeo abaixo mostra um pouco desse show no Teatro Riachuelo.


sexta-feira, 14 de junho de 2024

Monitor de Wanderléa na Praça do Arsenal - Eu fingi ser uma coisa normal.

 
Olá pessoal.
Por indicação de Adriano Duprat, que iria fazer o som do PA do show, eu recebi o convite de Jadde, produtora (e filha) de Wanderléa, para operar o monitor do show.
Esse show aconteceu no dia 09 de maio, dentro da programação do Festival Nacional da Seresta, num palco armado na Praça do Arsenal, aqui em Recife.
Esse festival é bem antigo, e essa foi a vigésima oitava edição!
Para quem acha que eu estou falando de uma outra Wanderléa, não custa nada eu falar que essa aqui da postagem é a original, muitas vezes chamada até hoje de "A Ternurinha".
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Vixe! Nem sei quando comecei a escrever sobre esse trabalho de monitor no show de Wanderléa na Praça do Arsenal...
Ainda falta eu falar sobre os trabalhos com Filipe Catto...
E já viajei para Caruaru na semana passada, onde fiz quatro trabalhos.
Ontem fiz o monitor do show Almério e Martins no Teatro do Parque aqui em Recife.
Tá começando a acumular o que eu acho que tenho que escrever...
Vou ser breve nesse texto, mas tenho que comentar sobre ele.

Tive vários problemas com a mesa de monitor, que estava com muitos defeitos e foi bastante difícil trabalhar com ela.
Pra começar, não consegui conectar meu iPad nela, o que já me ajudaria bastante no serviço.
Muitos faders estavam com problemas, e tinha que ter muito cuidado no que eu iria fazer, pois poderia (por exemplo) cortar quase todo o som do monitor da cantora!
Imaginaram?
Por causa disso, fiz de tudo para não mudar de página de fader, usando os botões para fazer grande parte do serviço, o que tornou tudo mais lento.
Mas consegui ir até o final, sem reclamações da banda ou de Wanderléa.
A banda é muito comportada no palco, deixando muito espaço para a voz da cantora.
E esse comportamento foi muito importante para o resultado.
Mostrei todos os defeitos da mesa para meu colega da empresa de som, para ilustrar a grande dificuldade que eu estava passando para manuseá-la, e para ele ver o risco que eu correria se fosse usar os faders.
Feito isso, segui com o show até o final sem problemas.
Não poderia deixar de falar de duas coisas dos Bastidores desse show.
O público gritando na frente para Wanderléa: "Minha sogra, minha sogra, minha sogra!"
Depois que a cantora apresentou a vocalista Jadde como sua filha.
Muito bom!!!!!
E a segunda coisa que eu poderia comentar, foi eu disfarçando na mesa de monitor que era só mais um trabalho em um show.
Com certeza, não foi mais um trabalho de monitor.
Não tem como falar que foi uma coisa normal, vendo e ouvindo Wanderléa passear por grandes sucessos da nossa música na sua voz, que ainda tocam até hoje.
Eu apenas fingi ser normal. Só disfarcei.

Sou muito ruim para fingir e/ou disfarçar.
Por isso resolvi falar sobre esse meu fingimento...
Não foi nada normal para mim, fazer parte de um show de Wanderléa!
Fica então registrado aqui meu comentário sincero.
Um abraço a todos.

segunda-feira, 3 de junho de 2024

Martins no Plaza Shopping - Tenho que eliminar uma mania feia.

 
Martins - Showtime. (Foto by @sheyla.akemi)
Olá pessoal.
Pensei em "pular" também esse trabalho aqui nas postagens.
Mas como falei na postagem anterior, tem um assunto interessante para falar.
Na realidade, nesse trabalho tem vários assuntos.
Ia dar um salto também no trabalho com Wanderléa, mas como deixar passar, né?
E logo depois teve os dois shows de Filipe Catto...
Ficou complicado. Devo falar de todos mesmo.
Esse show de Martins aconteceu no dia 28 de abril, numa área externa muito legal do Plaza Shopping.
Eu já operei o som de Nena Queiroga (com banda!) tempos atrás nesse local.
Foi massa!
É muito legal o espaço.
Aconchegante, coberto, equipamento legal, comidinhas, drinks...
Só que tem um grave problema com relação ao volume do som, onde a marcação cerrada com o decibelímetro (que nem sempre é aferido corretamente) lembra muito o Sítio da Trindade, onde só o ruído do público mais o som que vem do palco passa do nível que eles querem.

Decibelímetro.
O pessoal teima em aferir o nível sonoro no local do evento e não no local do "reclamante".
Certo... Uma casa de shows pode ter uma regulamentação de nível sonoro independente de ter reclamantes ou não na vizinhança. Tou ligado.
Mas pelo que sei, esse não é o caso no Plaza, e esse controle é feito porque o shopping tem problemas com a vizinhança (ou seria 1 vizinho?).
O assunto que eu queria falar nem é esse, mas tinha que tocar nessa questão do volume do som nesse espaço do Plaza Shopping.
No Sítio da trindade, quando eu estava operando o PA do show de Maria da Paz, o "fiscal" apareceu ao meu lado e solicitou que eu baixasse o som. Baixei. Pediu para baixar mais. Baixei. No terceiro pedido que ele fez para baixar, eu cortei o som do PA. Só ficou o som do palco funcionando.
Ele fez cara de assustado, e eu perguntei:
É para ficar em quanto no decibelímetro? Ele falou (não recordo o número exato) 90 dB.
Tá marcando quanto? Perguntei novamente. E ele respondeu 93.
Aí eu ri e finalizei: --- Como você quer que eu consiga deixar em 90 dB?
Ok, disse ele. Tenta deixar em 95... (Risos)
Nem recordo o nível exato que eu fiquei até o fim do show.
Só quis mostrar para ele que era impossível o que ele estava querendo!
Mas vamos voltar para Martins...
Vou deixar para falar do show em si mais na frente, pois vai ser "chover no molhado".
Queria falar sobre uma mania feia que eu tenho, e que de vez em quando acabo fazendo, mesmo achando bem errada.
Martins - Final do show. (Foto by @sheyla.akemi)

Essa mania apareceu nesse show de Martins, que no começo seria só voz, violão e guitarra.
Depois entrou um segundo violão, e no finalzinho da prorrogação entrou um baixo.
Eu sabia que seria a Ui24R da Soundcraft para fazer PA e monitor.
Muitos acham que não tem como fazer antecipadamente uma cena inicial para essa mesa digital, mas tem como fazer.
De um jeito "mambembe", mas tem.
No site da Soundcraft, tem um local onde você pode ter acesso ao aplicativo DEMO da mesa.
Clique AQUI para ir direto para a página do DEMO da Ui24R.
Demo de demonstração, viu? Não é de Diabo. (Risos)
Agora vão entender porque falei que era uma gambiarra...
Esse demo tem a intenção de mostrar como funciona a mesa, e realmente ele faz bem esse trabalho, pois o usuário pode navegar em todas as funções, que são idênticas ao que vai encontrar no iPad, quando for operar o som do show ou evento.
O problema começa pelo fato da gente não poder dar um "reset" em toda a mesa, mesmo tendo  a função MIXER RESET, como mostra a seta amarela da foto abaixo.


Para chegar nessa página, clicar na figura da engrenagem, como mostra a seta vermelha.
Quando você clica no mixer reset, aparece o aviso que é uma DEMO VERSION.

Clique na imagem para ampliar.
Notei agora que tem outra função logo abaixo chamada OFFLINE MIXER RESET (seta branca), e fiquei todo animado achando que agora tinha como zerar a mesa, mas quando cliquei, nada aconteceu, e todos os ajustes iniciais que eu fiz continuaram do jeito que estavam.

Clique na imagem para ampliar.
Então para dar uma zerada na mesa, só ajustando manualmente todos os canais de entrada e saída, para só depois começar a fazer seus ajustes para o seu show.
Segunda bronca... Não podemos salvar ou chamar nada nesse DEMO.
Shows, Snapshots e Cues. Nada pode ser acessado.

Clique na imagem para ampliar.
Mas... Podemos EXPORTAR essa FILE com os ajustes que fizemos.
Então, depois de todos os ajustes feitos, como nomes nos canais e nos auxiliares, equalizações iniciais nos canais, como ligar o HPF ou colocar alguma equalização que você sempre usa, depois de tudo feito, é só ir nessa mesma página SHOWS e lá embaixo tem a opção EXPORT OFFLINE FILE.


Vai aparecer uma janela para colocar o nome da FILE, e quando você dá o OK, esse arquivo vai para o local onde você determinou no seu laptop onde são salvos os arquivos baixados pela internet.
No meu caso, todos os arquivos baixados vão para a pasta DOWNLOADS.
Pronto. O arquivo está lá.
Só colocar num pendrive e levar para seu show ou evento.

Martins - Agradecimentos finais. (Foto by @sheyla.akemi)
E aí fica o caminho normal... Espeta teu pendrive na mesa de som e no mesmo local onde você exportou a file, vai agora escolher IMPORT OFFLINE FILE.
Mas só faça isso com o técnico da empresa de som orientando, pois não usei ainda essa ferramenta.
Como eram poucos canais, resolvi fazer tudo na hora do soundcheck, e foi aí que caí na besteira de colocar em prática minha mania FEIA.
Com certeza, seria bem melhor se eu tivesse levado MINHA cena inicial do show.
Mas não levei.
Vou dar uma parada pra almoçar, ou pensar se vou almoçar, porque tem a final da Champions hoje às 16h, e se eu almoçar pra valer, não vou beber meu vinho com camarão ao alho e óleo durante o jogo.
E estou com mais vontade do vinho com camarão do que com o almoço que minha Irmã está fazendo ao lado do meu apartamento.
Mais tarde eu volto com o texto.
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Vixe... Hoje já é segunda-feira.
Tenho que terminar esse texto e postar hoje, pra não "congestionar" o fluxo.
Deixa eu ver acima onde parei...
Ahhh, já mostrei como exportar a FILE com os ajustes que fizemos no Editor Offline Demo da Ui24R.
Ok, mas eu não fiz isso, e montei tudo no local, chegando um pouco mais cedo do combinado.
Como eram poucos canais, seria tranquilo montar a cena.
Só que, como falei acima, caí na besteira de fazer uma coisa que eu não recomendo a ninguém.
Que é montar a cena em cima dos ajustes de um show que não foi você quem fez, e muito menos não foi você que "alinhou" os monitores e o PA.
E foi exatamente isso que eu fiz, para ganhar tempo.
O problema é que eu tinha tempo!!!!!!

Vídeo by @dealeiros

Mas a gente tá convivendo tanto com uma correria por parte das produções, onde cada vez mais a gente tem que aprontar as coisas no palco num tempo cada vez menor, que eu tive a péssima ideia de montar a cena do show de Martins com os ajustes de um show anterior que aconteceu uns dias atrás no mesmo local, com os mesmos equipamentos.
Achei que soou bem os monitores e o PA quando falei no microfone, e segui em frente.
Mas antes dos músicos chegarem, eu ainda consegui zerar tudo que eu tinha feito, por não ter muito costume com a Ui24R... Apertei o botão errado!
Agora que eu não tinha mais tempo para zerar as coisas.
Para ninguém apertar o botão errado como eu fiz, aconselho que usem sempre esse local da foto abaixo para criar e salvar os SHOWS, SNAPSHOTS E CUES.
Clique na imagem para ampliar.

Principalmente porque esse é o único local para se fazer isso! (Risos)
A outra opção para acessar shows, snapshots e cues, que é na janela em cima, só serve (pelo que entendi) para dar o LOAD. (Foto abaixo)
Clique na imagem para ampliar.

Acho que foi lá que cliquei em alguma coisa e chamei a cena inicial onde eu estava editando as coisas mas não tinha salvado ainda estas mudanças.
Perdi tudo.
Lasquei-me, mas segui em frente.
Fiz o soundcheck, onde achei que estava até bem lá na frente.
Mas o monitor de um dos músicos não ficou ainda como ele queria, e acredito que isso aconteceu porque provavelmente a equalização da via dele estava muito "mexida", pois aproveitei os ajustes do show que aconteceu antes, lembram?
Vídeo by @sheyla.akemi

Todos deram por satisfeitos (ou quase), e encerramos a passada de som.
Não voltei para casa, fiquei no shopping aguardando pelo horário do show.
Enquanto aguardava, fiquei conversando com Will, proprietário da empresa de som.
E enquanto conversávamos, fui dar uma olhada na cena do show, inclusive nos equalizadores do PA e das vias.
Foi quando tomei o susto com a equalização das caixas do PA.
Estava tão mexido, que o técnico teve que colocar o fader do máster no máximo!
Como ele tirou muito de muita coisa, podemos dizer que ele baixou o geral da saída.
Foi aí que decidi zerar essa equalização, mesmo depois de ter passado o som com a banda.
Logicamente, voltei o fader do máster para a posição de 0 dB.
Deixa eu ver onde é o máximo aqui no editor...
Como podem ver na foto abaixo, vai até +10 dB!!!!!!!!!!!

Clique na imagem para ampliar.

Voltei pro zero, falei no microfone de Martins, e já deu para notar, mesmo eu estando em cima do palco, que melhorou bastante.
Tirei um pouco de algumas frequências, mas posso garantir que essa mexida foi mínima.
Nos monitores não mexi em nada.
Seria aumentar muito o risco de dar errado.
No PA, eu iria começar o show com o máster em 0 dB.
Se tudo viesse muito alto, eu baixaria mais ainda o máster.
Depois eu iria ajustando os volumes e equalizações dos canais, e também algum ajuste de equalização no PA.
Só me restava aguardar a hora do show.
Vídeo by @sheyla.akemi

Não teria banda antes de Martins, só uma DJ.
E mesmo assim, ainda tive problema no show por causa do posicionamento da DJ, que ainda insistem em colocar no meio do palco!
Já dei minha opinião sobre o DJ no meio do palco em postagens anteriores.
Nem vou mais falar aqui.
Nesse caso no Shopping Plaza, para a DJ ficar no meio do palco, alguns monitores saíram do lugar, o pedestal com o microfone de Martins saiu do lugar, e um dos monitores de Martins foi mudado de posição para a DJ poder escutar.
Na hora de Martins, tudo foi reajustado no palco, no olho, porque não falaram que iriam mudar as coisas do lugar em cima do palco.
Quando isso vai acontecer, marcamos o posicionamento de tudo usando fitas adesivas coloridas.
Pois bem...
O show começou, e começou muito melhor do que eu achava que iria começar!
Meu dedo já estava em cima do fader do máster, mas não precisei baixar ou subir.
Alívio total!
Mas não demorou muito para Martins avisar que tinha alguma coisa errada com os monitores dele.
Não estava escutando normal, como foi no soundcheck.
Ele mesmo notou que um dos monitores tinha parado de funcionar.
Por causa das mexidas nos monitores para o posicionamento da DJ no palco, o cabo de AC (energia) desse monitor ficou folgado e desconectou durante o show, fazendo com que a caixa parasse de funcionar.
Martins ainda me chamou para eu tentar consertar o problema, mas levei um bom tempo para chegar no palco, porque o espaço estava completamente tomado pelo púbico.
Não esqueçam que eu estava operando o som do show lá na frente, usando o iPad.
Era muita gente na minha frente.
E na frente das únicas duas caixas que formavam o PA.
Ainda tinha um reforço com duas caixas amplificadas no ambiente.
Para sonorizar espaços laterais, onde a cobertura sonora do PA não chegava tão bem, e também para não precisar colocar muita energia nas caixas do PA.
Lá na frente, ainda consegui entender que um músico estava querendo que baixasse o volume do violão de Martins na via dele.
Fora isso, não teve mais solicitações por parte dos músicos e do cantor durante todo o show.
O único pedido que chegou até mim foi feito pelo diretor técnico do evento, meu amigo Marcílio, que chegou ao meu lado com carinha de "veja bem...".
Esqueceram que tem problema com o nível sonoro no ambiente por causa da vizinhança???
Foi exatamente esse o pedido.
Falou que o responsável do shopping estava solicitando que baixasse o volume.
Com metade daquele público, não seria preciso baixar nada, porque nem naquele volume estaria o som.
O nível que eu estava usando era de acordo com a multidão que estava no espaço.
Por isso, sempre fico num local que não é o final do público, mas nem tão pouco é perto do palco.
Uso uma média.
Se o som chegar bem onde estou, deve ficar legal para a maioria do público.
Mas mesmo usando essa média como referência, ficou alto nas medições do rapaz do shopping.
Baixei um pouco o volume, para ver se Marcílio ficava com uma carinha melhor.
Não lembro quantas vezes ele me pediu isso, seguindo a orientação do rapaz que estava com o decibelímetro. Acho que foram duas vezes, e na terceira falei pra baixar as caixas da lateral, que não dava mais pra baixar o PA, com a quantidade de gente no local.
Pedi para ele entrar num acordo com o menino do shopping.
Acho que ele fez um acordo com o rapaz, pois não voltou mais onde eu estava.
E segui até o final do show, no mesmo nível sonoro. (Será?)
Acabei falando mais dos bastidores do que do show, né?
Mas acho que é a cara do Blog!
Falar do show nunca foi (e nunca será) a principal função do Blog.
Aí eu precisaria mudar de profissão, passando a ser crítico musical.
O que estou bem longe disso!
Quem tem que comentar ou achar alguma coisa do show é o público!!!!
Como operador de áudio ou técnico de som (como queiram chamar), tenho que me esforçar ao máximo para que o recado passado pelos que estão no palco chegue da melhor forma possível ao público.
É isso que eu sempre tento quando opero o som do PA.
Quando estou no monitor, a minha plateia, o meu público, são os músicos e cantores que estão no palco!!!
Eu, particularmente, acho que falar de um show de Martins hoje em dia é chover no molhado.
Como poderão notar nos vários vídeos e fotos que coloquei para ilustrar essa postagem.
                                                        Vídeo by @sheyla.akemi

Quem foi ver esse show, entende o que estou falando.
Desde meus primeiros trabalhos com o artista, sempre o achei muito competente no que faz.
E não me assusto com a ascensão da sua carreira.
Em momento algum me assustei com isso.
Acho que sempre esteve no caminho certo, e está começando a colher os frutos.
Em momento algum me assustei com a reação calorosa do público durante todo o show no Plaza.
Essa reação aconteceu em todos os trabalhos dele onde eu estava participando, seja no monitor ou no PA.
Me assustei mesmo foi com a besteira que eu fiz, colocando em prática uma mania feia que ainda tenho.
Aí sim eu me assustei.
Poderia ter me complicado nesse trabalho.
Mas acho que consegui dar o "drible da vaca".
Mas... Uma coisa eu tenho certeza...
Tenho que acabar com essa mania feia de uma vez por todas!!!!
Um abraço a todos.

PS: Olhando direitinho a postagem, acabei falando muito da Ui24R, né? (Risos)

terça-feira, 28 de maio de 2024

Siba e a Fuloresta em João Pessoa e Olinda - Dois trabalhos bem parecidos, em (quase) todos os sentidos.

 
Olá pessoal.
Tem é trabalho para comentar (ainda bem!), e até pensei em pular alguns, mas quando vou lembrar, tem sempre um assunto interessante para falar.
Como nesse caso dos dois shows de Siba e a Fuloresta.
Já começa pelo fato de eu achar que a Fuloresta já existia, e Siba incorporou a "banda" ao seu show.
Errei feio!
Esse show foi concepção de Siba, e a Fuloresta foi criada para esse show específico!
Tirei essa dúvida conversando com o saxofonista da banda, João Minuto, que foi meu parceiro de quarto em João Pessoa.
Já tinha operado o som desse show muitos anos atrás, e se não me falha a memória, era a formação original da Fuloresta!
Isso já não é possível porque já teve músico que faleceu e suponho que outros devem ter uma idade que já não conseguem viver rodando na estrada.
Faz tempo que fiz esse meu primeiro trabalho com Siba e a Fuloresta, viu?
Nem sei direito se tinha sax nesse primeiro show que trabalhei...
De vez em quando opero o som do PA ou monitor dos shows atuais de Siba, quando meu amigo Adriano Duprat não pode fazer o serviço.
Foi o que aconteceu nesses dois shows de Siba e a Fuloresta, realizados em João Pessoa e Olinda, respectivamente.
Dia 26 de abril no Vila do Porto, e dia 27 no Casbah.
Nem estou querendo entrar muito nos detalhes técnicos, quero mostrar como foram bem parecidos os dois trabalhos.
Mas fica difícil mostrar essa semelhança sem tocar na parte técnica.
Mas vou tentar.
Pra começo de conversa, nos dois shows era apenas eu como técnico, e nos dois lugares só tinha uma mesa de som para fazer PA e monitor.
Foi uma X32 Compacta em João Pessoa, e um LS9 em Olinda.
Nem lembrava que existia essa versão compacta da X32.
Para minha sorte, consegui conectar meu iPad nas duas mesas!
Teria sido tudo bem mais complicado se eu não tivesse usado o iPad.
No Vila do Porto eu usei o roteador do técnico da casa, que já estava ligado na mesa.
E no Casbah em Olinda eu usei o meu roteador.
Os dois palcos eram bem pequenos, principalmente o do Casbah, que estava mais para tablado do que para palco.
Já dá para notar com esse início de texto como os dois trabalhos foram semelhantes, né?
Mas as semelhanças continuam.

Soundcheck - Vila do Porto - João Pessoa - PB. (Vídeo by Paula Caal)

Eu já tinha sido avisado que o equipamento em João Pessoa era bem simples, com poucos monitores, poucos pedestais, com poucas opções de microfones etc.
Por causa disso, já solicitei que os músicos levassem seus microfones e/ou monitores pessoais de fones, para amenizar os problemas.
E ajudou bastante essa atitude no resultado final.
Levei meu SM58 da Shure para a voz de Siba.
O músico da tuba e o do sax já andam com microfones próprios.
Siba e mais dois músicos levaram os monitores pessoais, dois com fio e um wireless.
E ainda conseguimos levar um SM58 e dois SM57.
Achei que só iria precisar de tudo isso em João Pessoa, mas...
Acabei usando tudo também em Olinda!!!!!!
Achei que seria uma empresa de som, e quando cheguei era outra.
Até o atendimento nos dois locais foi bem parecido.
Não tive problema algum, todos querendo fazer a "coisa" acontecer da melhor forma possível nos dois shows.
Como falei antes, os microfones que levamos ajudaram bastante, e os sistemas de fones idem!
Acho até que ajudaram mais que os microfones.
Nos dois shows, usei dois monitores para os metais, dois monitores no centro e um monitor para a percussão.
Os dois nos metais resolveram bem em João Pessoa, por ser um lugar fechado, e a reverberação ajudou na monitoração, mas em Olinda não foi a mesma coisa, e eu até coloquei mais um monitor só para a tuba.
Acabei não usando os dois monitores no centro nos dois shows!
Siba resolveu bem com seu fone.
E esses monitores no centro uso mais como reserva, caso aconteça algum problema com o fone de Siba.
Ainda pensei em colocar os dois do show em João Pessoa para fazer um front para as pessoas que estavam mais perto do palco, mas notei que as telas de proteção das caixas estavam bem danificadas e enferrujadas, e poderiam cortar as mão das pessoas coladas ao palco.
Resolvi não arriscar, e elas ficaram de enfeite durante todo o show, pois ninguém solicitou que eu colocasse algum sinal de áudio nelas.
Em Olinda eu já fui pensando em usar também essas caixas como front, mas nem espaço existia no palco-tablado. (Tablado-palco?)
Quanto menos caixas em cima, melhor!

Soundcheck - Casbah - Olinda - PE. (Vídeo by Paula Caal)

Nos dois shows teve bastante público, e eu tive que achar um lugar estratégico onde eu sofresse menos com o iPad para operar o som.
No Vila do Porto, o único lugar onde eu poderia ficar era dentro do bar!
A nossa produtora (Paula) conseguiu um lugarzinho lá dentro pra mim.
Foi minha salvação, porque não teria onde ficar ali dentro com um iPad na mão.
Era muita gente!!!!
Siba e a Fuloresta - Showtime - Vila do Porto - João Pessoa - PB.

Em Olinda a mesma coisa, só que não tinha um bar na frente do palco como em João Pessoa, e eu tive que ficar no limite da parte coberta do espaço, no meio da multidão!
Suei bem mais a camisa nesse show no Casbah!!!
Suei sem ser só no sentido figurado!!
Quase não conseguia segurar o iPad direito nas mãos.
E o suor escorria pela testa e caía nos óculos, dificultando ainda mais para enxergar.
Não consigo operar o som de um PA ao lado do palco.
Tenho até inveja de quem faz isso normalmente. (Risos)
Se tiver como, eu vou lá pra frente com o iPad e fico lá durante todo o show.
Foi assim nesses dois shows.
Em Olinda eu ainda precisei ir no palco resolver um probleminha, mas era tanta gente no local, que quando consegui chegar na mesa de som, o problema já tinha sido resolvido pelo técnico da empresa.
Foi difícil passar pelo meio do público, mesmo eu usando uma lanterna na cabeça para sinalizar que eu não estava ali como um ouvinte normal.
Ahhh, fui na mesa de som também porque existiam algumas caixas amplificadas para sonorizar a área externa do ambiente, e a caixa que estava bem perto do local onde eu estava com o iPad para operar o som parava e voltava a funcionar.
Fui falar com o técnico da empresa para ele dar uma olhada se era problema no cabo de força que alimentava a caixa ou se era algum sistema de proteção que estava desligando a caixa por super aquecimento.
Algumas caixas amplificadas possuem esse sistema de proteção.
Infelizmente era o sistema de proteção desligando a caixa.
Não estava aguentando o nível de sinal que eu estava enviando.
Tive que baixar o geral, e o pessoal que estava fora da área coberta ficou sem escutar direito o som.
Paciência...
Aqui foi vacilo meu, pois eu deveria ter enviado o sinal de áudio para essas caixas via auxiliar, onde eu poderia só enviar as vozes e os metais, sem a parte percussiva.
Usei o "matrix" para esse serviço, onde tudo que ia para o som do PA ia também para essas caixinhas...
Vacilo meu.
E olhe que geralmente em shows em palcos grandes, onde estou no PA, uso o auxiliar para fazer o front-fill.
E quando coloco a banda toda nesse front, coloco num nível com uns 10 dB a menos em relação as vozes.
Era pra eu ter feito coisa parecida em Olinda, mas agora não adianta chorar o vinho derramado.
Fica aqui a dica.
Muito melhor usar o auxiliar em POS-FADER para o front do que usar o matrix.
Opinião pessoal, ok?
Mesmo com esse problema nas caixas de apoio em Olinda, achei bem parecido o resultado final nos dois shows, onde eu estava sozinho para fazer PA e monitor, usando equipamentos mais simples do que o normal (incluindo o sistema de PA), com poucos monitores (e nem todos soando bem) e até com microfones não soando bem também.
Achei que mesmo assim, nos saímos muito bem!!!
Mais semelhanças... As duas mesas de som estavam legais, sem faders com defeito.
Mas em João Pessoa eu só tinha 16 canais disponíveis para ligar todos os instrumentos e vozes.
Por não ter bateria, baixo, guitarras e teclados, deu para ligar tudo.
A mesa de som em Olinda era de 32 canais. Uma das poucas diferenças entre os trabalhos, mas que não interferiu em nada, por causa dos poucos canais usados nesse show.
Em Olinda disponibilizaram mais microfones, mais pedestais, mais monitores...
Mas o palco era metade (ou até menos da metade) do que encontramos em João Pessoa!
A quantidade de material foi o ponto que saiu um pouco da reta chamada semelhança.
E para finalizar nas semelhanças entre os dois shows, eu não poderia deixar de falar do público!!!!!
Acho que foi o ponto mais parecido nos dois shows.
Duas cidades distintas e distantes, aparentando ser o mesmo público nos dois lugares.
Muita gente nos dois locais, e pelo que notei, todos sabendo o que iriam escutar!
No Vila do Porto, teve vários momentos do show em que o chão tremia com o público pulando (dançando?).
Eu até dei uma olhada para o teto pra conferir se o que eu estava sentindo nos pés não estava se propagando para o resto da estrutura.
Sei lá... Não conhecia aquele local, e a casa parecia ser de uma arquitetura antiga... (Risos)
Pelo vídeo abaixo vocês vão poder entender o que estou tentando transmitir por texto.
A garçonete estava mais animada que muitos ali dentro.
E olhe que a turma no salão estava bem animada, né?
Muito bommmmmmm!
Siba e a Fuloresta - Showtime - Vila do Porto - João Pessoa - PB.

No Casbah foi bem parecido, só não senti o chão tremendo. Mas a animação foi bem semelhante ao show anterior.
Não consegui parar para filmar partes do show, principalmente porque eu estava bem apertado com o iPad na mão no meio da multidão, e seria muito pior se eu tentasse pegar o celular para registrar alguma coisa.
Mas o público dançou e cantou durante todo show, muito parecido com o que aconteceu em João Pessoa no dia anterior.
Achei muito interessante essa semelhança com relação ao público.
Acredito que todos de Siba e a Fuloresta notaram isso também.
E vocês? Acharam ou não os trabalhos bem parecidos?
Para mim, foram idênticos!
Um abraço a todos.

PS: Aproveitando o assunto...
Vejo muitos amigos e colegas técnicos adquirindo microfones e até mesas de som, pois estamos encontrando na estrada muito material com defeito por falta de manutenção e muiiiiiiiiiiiiiitos microfones falsificados!

quarta-feira, 22 de maio de 2024

DL32R da Mackie - Já que eu falei dela na postagem anterior...

 
Olá pessoal.
Já que falei sobre a mesa na postagem anterior, achei legal comentar mais sobre pelo que passei quando estava usando a DL nos trabalhos que eu fiz no Teatro do Parque.
Não usei muito a DL32 da Mackie, e nas raras vezes que usei, todas foram no Teatro do Parque.
E me deparei com algumas "pegadinhas"...
Pegadinha 1:
Se você fizer a cena em casa na versão errada, ela não vai ser reconhecida.
Na primeira vez que fui usar a DL no show de Lirinha, montei a cena na versão DL32S, mas a mesa que tem no teatro é a DL32R.
Essa é a primeira coisa que você tem que saber.
Qual a mesa que vai usar.
O aplicativo que usamos para a DL32 é o MASTER FADER 5.

Clique na imagem para ampliar.
Quando abrimos o aplicativo, aparece essa tela inicial que está na foto abaixo.


Então a primeira coisa a fazer é escolher a versão certa da mesa no aplicativo, clicando no ícone de "conexão" na parte de cima ao lado do FX, que vai aparecer as opções dos dispositivos. (Foto abaixo)

Clique na imagem para ampliar.

Feito isso, clica em SHOWS no canto direito em cima, e na aba Offline Shows, tem que criar um SHOW apertando no quadro NEW SHOW.
Vai aparecer um novo quadro em verde SEM NOME. (Foto abaixo)


Clica nesse quadro verde que surgiu, e coloca o nome do show.
No exemplo aqui eu coloquei o nome de TESTE. (Foto abaixo)
Esse SHOW ainda não é a CENA!

Clique na imagem para ampliar.

Agora é só ir na aba "Current Show", para criar o Snapshot, que é exatamente a CENA do show.
Certifique-se que o show que aparece no quadro verde do lado esquerdo acima logo abaixo do nome Current Show é o que você salvou segundos atrás.
No meu caso, o nome do meu show foi TESTE.
Confirmado que está no show certo, clica em STORE SNAPSHOT, e vai aparecer um novo quadro com o número 1.
Clica nesse quadro, coloca o nome desse Snapshot, e logo após clica em REPLACE.
Vai aparecer um aviso como o que está na segunda foto abaixo, e você confirma o Replace (Troca - Reescrever).
Nesse caso coloquei o nome de TESTE SHOW, mas o número 1 vai continuar sempre aqui, pois é o primeiro snapshot criado.

Clique na imagem para ampliar.


Clique na imagem para ampliar.

Feito isso, vá para tela inicial onde estão os primeiros oito faders.
Para isso é só clicar em uma das opções mostradas pelas setas vermelhas que estão na primeira foto.
Faça os ajustes que você quer em todos os canais para o seu show, e vá sempre salvando no Snapshot 1 TESTE SHOW, clicando na janela e escolhendo "Replace".
Você pode criar snapshots para cada música, mas não vou entrar nesses detalhes aqui nessa postagem. Vamos ficar só no snapshot 1.
Depois de tudo ajustado em todos os canais, e com o snapshot devidamente salvo, é só sincronizar com a mesa na hora do soundcheck.
Quando o iPad está conectado com a mesa, esses dois traços na foto abaixo ficam VERDES.


Agora é só ir em Shows (Aba Offline Shows), clicar no quadro do seu show, que no caso aqui é o TESTE, e dar o LOAD, como mostra a foto abaixo.


Logo que o LOAD é feito, aparece automaticamente a aba Current Show, onde são mostrados os Snapshots desse show.
Agora é só clicar no Snapshot que você montou antecipadamente em casa, nesse caso aqui foi o 1 TESTE SHOW, e apertar RECALL, como mostra a foto abaixo.

Clique na imagem para ampliar.

Pronto. Sua CENA (Snapshot) está na DL32 do evento.
Pode até parecer que é trabalhoso, mas pode acreditar que é porque estou tentando passar as informações por texto e foto.
Se fosse um vídeo, com certeza era bem mais simples.
Ahhh!
Você pode até exportar esse SHOW e enviar para onde quiser pela internet, ou guardar em alguma nuvem por precaução.
Porque se seu iPad der bronca, perdeu tudo que você fez, pois o show está salvo dentro dele.
Pegadinha 2:
Como enviar o ruído rosa para conferir as vias usando o oscilador interno?
Não é nada prático as duas maneiras para fazer isso. Pelo menos, é essa minha impressão.
Nas fotos abaixo, eu mostro onde liga o oscilador, e como endereça esse ruído para uma saída da mesa, que nesse caso escolhi a via 6 (Output XLR 6).

Clique na imagem para ampliar.

Clique na imagem para ampliar.

Quando você escolhe o XLR 6 para enviar o ruído, o patch original é desfeito, e se não for restaurado, nada vai sair mais pelo XLR 6, que seria a via de monitor 6 (Aux 6).
O jeito que vi para resolver o problema, foi sempre chamar o "Reset Patching to Default", clicando no ícone de engrenagem. (Foto abaixo)

Clique na imagem para ampliar.

Muito chato, mas é o jeito.
A outra maneira de enviar esse ruído para as saídas, que foi até meu amigo Adriano Duprat que me mostrou, é enviando esse ruído para um canal da mesa que não está sendo usado, como o canal 32 por exemplo. (Foto abaixo)

Clique na imagem para ampliar.

Com o ruído chegando no canal 32, só abrir ele individualmente, onde aparece todas as vias auxiliares, e enviar o sinal para as vias que você deseja, como mostra a foto abaixo, onde eu estaria enviando o ruído para a saída XLR 1 (Aux 1).


Estou ainda preferindo enviar diretamente no patch de saída, restaurando o patch no final do serviço.
Mas... Pode ser que eu mude de ideia na próxima.
Fica aqui então registrado as duas opções para fazer o serviço.
Pegadinha 3:
Atraso na saída de fone.
No meu primeiro contato com a DL32R, tudo que eu ia escutar no meu fone estava com atraso (delay).
Sabemos que em várias mesas de som podemos gerar esse atraso na saída de fone, para compensar o atraso do som do PA, que vai chegar atrasado no ouvido do técnico.
Aí a gente consegue colocar tudo no mesmo tempo, com o som do fone chegando no mesmo tempo do som do PA.
Mas eu não sabia onde estava essa configuração na mesa, e ninguém lembrava onde era!!!
Fiz todo soundcheck de Lirinha com esse atraso no fone, e durante o show fui procurar onde estava essa configuração.
Passei umas três vezes na opção onde estava a configuração e não notei o tal do D, logo abaixo do nome MONITOR.

Clique na imagem para ampliar.

Até vi o D, mas achei que era de Direct... (Risos)
É D de DELAY, imbecil!
Foi só zerar o atraso, puxando a barrinha azul toda para a esquerda.
Problema resolvido.
Qual foi mesmo a quarta pegadinha...?
Ahhhh! 
Pegadinha 4:
O ganho do canal estéreo (par).
Na DL também temos a opção de "parear" dois canais mono, transformando num canal estéreo.
Normal.
Mas... Como em muitas mesas digitais, só podemos fazer isso usando um canal ímpar com um par, ou seja, 1-2, 3-4, 9-10...

Pareando os canais 3 e 4.

Fazer isso com os canais 2-3, 8-9 não é permitido.
Até aí, tudo bem.
Todos meus canais estéreos estavam pareados perfeitamente.
Durante o soundcheck, já no primeiro canal estéreo, um lado estava chegando mais alto que o outro.
Acho que até perdi tempo conferindo se estava tudo certo com os cabos e DIs (Direct Box)...
Foi quando veio "um estalo" na consciência! Espera aí...
Pode ser eu aqui fazendo besteira, pensei.
No mínimo os ganhos não ficam pareados, e sejam independentes...
E era exatamente isso!
Como eu subi o ganho achando que era um ganho geral do canal estéreo, mas era o ganho do canal esquerdo (Left), o outro canal ficou com o ganho no zero, e logicamente o som pendeu para uma lado!
Como podem ver na foto abaixo, tem as opções Left e Right do canal, e eu só vi isso depois!

Clique na imagem para ampliar.

E esse probleminha não tem como resolver, viu?
Tem que subir o ganho do Left, depois clicar na janela do Right e subir o ganho também.
Pode ser que numa nova atualização do software eles consertem isso, ou pelo menos coloquem uma opção para o ganho ser pareado ou não.
Bem...
Essas foram as pegadinhas pelas quais passei.
Espero ter conseguido passar minhas impressões usando apenas texto e fotos.
Já deve ajudar muita gente que nunca usou a DL, não é?
Eu, particularmente, achei bem legal o equipamento no geral.
Se eu tivesse com dinheiro sobrando, poderia até pensar em comprar uma para andar comigo, porque estamos encontrando muita mesa digital sem manutenção, causando vários problemas, como  não conseguir conectar com o iPad, ou encontrar a mesa com vários faders com defeito, dificultando absurdamente o serviço, como foi no caso do meu trabalho recente no monitor do show de Wanderléa na Praça do arsenal em Recife.
Mas aí já é uma outra história...
Um abraço a todos.